A melhor contratação recente do Grêmio

Por incrível que pareça, é um jogador que não vestiu a camisa tricolor, e sim a do Flamengo. Trata-se de Ronaldinho, que obteve via Justiça do Trabalho o direito de negociar com outro clube, embora o Fla ainda vá recorrer da decisão judicial. E como se não bastasse, ele ainda cobra R$ 40 milhões de seu agora ex-clube.

Embora nós gremistas tenhamos ficado revoltados no começo do ano passado, no fundo também havia uma certeza: a de que tínhamos nos livrado de uma “bomba-relógio” que “mandaria pelos ares” as finanças gremistas. Só lembrar o que escrevi no dia da entrevista coletiva que parecia indicar para onde Ronaldinho iria:

O anúncio era simplesmente que ainda não havia a definição sobre qual clube brasileiro seria o destino de Ronaldinho… Mas para mim algo ficou óbvio com essa palhaçada: se as possibilidades são apenas Flamengo, Grêmio ou Palmeiras (já falaram que o Corinthians também teria feito uma proposta pelo jogador), quer dizer que de três clubes, dois estão sendo enrolados; e quem contratar Ronaldinho, não gastará pouco.

Imaginava-se que a contratação de Ronaldinho “se pagaria” com a exploração comercial de sua imagem. Grêmio, Palmeiras e Flamengo estavam decididos a correr o risco; o Fla “ganhou” e levou.

Em 12 de janeiro de 2011, o jogador foi apresentado na Gávea, com uma grande festa. Diante da torcida que lotava o campo, Ronaldinho disse a frase que virou piada: “E agora eu sou Mengão”.

Neste quase um ano e meio vestindo a camisa rubro-negra, Ronaldinho teve alguns lampejos de craque, como naquele jogaço contra o Santos, em julho do ano passado – momento em que ele era o artilheiro do Campeonato Brasileiro e o Flamengo, candidato ao título e único invicto na competição. Mas no restante de 2011 as coisas desandaram: o Fla acabou o campeonato apenas na 4ª colocação, conseguindo assim uma vaga na Pré-Libertadores; já um dos “lances” mais comentados de Ronaldinho foi um “gol” que ele teria marcado “com a mão”… O jogador fechava seu primeiro ano no clube tendo conquistado apenas um título, o Campeonato Carioca. Além da não tão honrosa condição de ser um dos atletas mais xingados em uma partida de futebol, quando o Flamengo veio a Porto Alegre jogar contra o Grêmio no Olímpico, em outubro do ano passado. (Para “homenagear” Ronaldinho levei ao estádio uma nota de MIL CRUZADOS, sem valor desde 1990.)

Em 2012, o Flamengo continuou “uma zona”: foi eliminado da Libertadores na primeira fase e não chegou à decisão do Carioca. E Ronaldinho provou ser um péssimo negócio, já que o esperado “retorno financeiro” de sua contratação não veio – como seria de se esperar de um jogador que parece mais comprometido com a noite do que com o futebol. Não à toa, agora ele é xingado pela mesma torcida que há um ano e cinco meses ia ao delírio por sua chegada.

E agora, ele está liberado para negociar com outro clube. Uma pergunta é óbvia: dado o histórico recente de Ronaldinho, algum clube brasileiro cometeria a insanidade de tentar contratá-lo?

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Libertadores só no rádio?

Em 2012, diferentemente de outros anos, quem quiser assistir à Libertadores não deve sintonizar sua televisão no Sportv. Os direitos de transmissão por TV fechada para o Brasil pertencem à Fox Sports. Na televisão aberta, a Globo transmitirá os jogos de quarta-feira à noite.

A Fox Sports estreou há poucos dias a sua programação brasileira, já de olho na audiência da Libertadores. Porém, até agora, o canal não está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura, Net e Sky. As negociações para que o novo canal seja exibido parecem longe do fim (há quem ache que é vingança da Globo, o que não é de se duvidar), e por conta disso, ao torcedor do Fluminense que não foi ao Engenhão só resta uma alternativa para acompanhar a estreia de seu time contra o Arsenal de Sarandí (Argentina): o rádio. A não ser que haja bares que assinam operadoras menores que têm a Fox Sports em sua programação.

Certamente os torcedores do Fluminense não são os únicos que torcem para que haja logo um acordo de modo a disponibilizar a Fox Sports nas principais operadoras de televisão por assinatura. Afinal, se depender da Globo, dificilmente se poderá assistir a algum jogo da Libertadores que não envolva Corinthians ou Flamengo (que por terem as maiores torcidas, são prioridade da emissora por “darem mais audiência”). Ruim para quem gosta de futebol e por conta disso adora assistir a jogos de Libertadores, pior ainda para os torcedores dos demais clubes brasileiros na disputa.

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Tudo isso me fez, imediatamente, lembrar da Libertadores de 2002, competição na qual o Grêmio era um dos favoritos ao título. Os direitos de transmissão pertenciam ao canal PSN (Panamerican Sports Networks); nem a televisão aberta (leia-se Globo) passava as partidas, mesmo com o Flamengo jogando aquela Libertadores. Porém, o PSN fechou as portas no começo daquele ano, deixando os torcedores brasileiros na mão: restava apenas o rádio para acompanhar os jogos, devido à confusão quanto aos direitos de transmissão para o Brasil. Foi quando tive a experiência extremamente agonizante de acompanhar uma partida de volta de quartas-de-final pelo rádio: o Grêmio tinha vencido o primeiro jogo contra o Nacional de Montevidéu por 1 a 0, e assim, podia empatar no Centenário para seguir adiante; derrota por um gol de diferença levaria aos pênaltis, e por dois gols significaria adeus. O Nacional fez 1 a 0, mas o Grêmio empatou e se classificou para enfrentar o Olímpia na semifinal.

Quando o Tricolor entrou em campo no Defensores del Chaco, já tinham se passado quase dois meses daquele jogo contra o Nacional. A Copa do Mundo de 2002 também já era passado. E, enfim, a televisão mostrava o jogo… Deu azar: o Grêmio perdeu por 3 a 2; e na partida de volta, disputada no Olímpico, venceu por 1 a 0 mas acabou eliminado nos pênaltis.

Mudança na lista dos 30 jogos

No dia 1º de dezembro, anunciei que iria escrever uma série de textos falando sobre 30 partidas de futebol que marcaram a História. E que a ideia a princípio era de fazer a lista “pessoal”, mas que tinha preferido ser historiador nessa.

Pois já se passaram quase duas semanas, e nada da série começar. Primeiro, porque ainda nem terminei a lista. Mas tomei também uma outra decisão, a de “voltar atrás”: optei por escrever sobre 30 partidas marcantes para mim. Que podem muito bem ser históricas: já antecipando uma presença na lista, o último Grêmio x Flamengo foi um jogaço, mas também marcante por conta de uma das mais impressionantes manifestações contra um único jogador que já se viu.

A lista das 30 partidas não está definida, devido a um problema: no momento, ela tem 40 jogos. Provavelmente eu me lembre de mais prélios e a aumente, mas o certo é que terei de tomar “medidas de austeridade”.

Mas um aviso: a ideia de escrever sobre 30 jogos históricos “no geral” (ou seja, incluindo os que não vi) não foi enterrada. Apenas adiada.

Quanto a começar a série, espero que isso aconteça o mais rápido possível…

A ideia mais ridícula da história do Grêmio

Quase caí da cadeira quando li que o Grêmio cogita convidar o Mazembe para a inauguração da Arena. Incrível: 2011 foi o pior ano para o Tricolor depois do fatídico 2004, a torcida esperava que 2012 pudesse ser melhor, mas a direção demonstra não ter entendido nada do que aconteceu neste ano que se aproxima do fim.

Me diverti muito com o “mazembaço” de 14 de dezembro de 2010, fato. Quase me finei de tanto rir dos colorados, e não escondo que mais de uma vez sentei no chão e tentei imitar o goleiro Kidiaba. Isso é rivalidade futebolística: sem “flauta”, ela não existe.

Agora, querer convidar o Mazembe só por conta do fiasco do Inter é uma amostra do pensamento pequeno da atual direção do Grêmio. Quando poderia chamar algum dos adversários nas nossas grandes conquistas (Hamburgo, Peñarol, São Paulo, Flamengo etc.), prefere apenas “flautear” o rival.

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E sobre amistosos, espero que também haja um de despedida do Olímpico, também com a grandeza que ele merece. O Palmeiras, nosso grande adversário nos gloriosos anos 90, se despediu do antigo Palestra Itália jogando contra o Grêmio; que tal retribuir a honra, convidando o Alvi-Verde para a última partida do Olímpico Monumental?

Que o Vasco seja campeão

A dupla Gre-Nal se encaminha para um dos mais melancólicos finais de ano dos últimos tempos. Não briga por título, por Libertadores, por Sul-Americana (muito fácil se classificar para ela, com tanta vaga), pela fuga do rebaixamento… O clássico marcado para 4 de dezembro (se não for antecipado para o dia 3, sábado) poderá valer apenas para definir quem fica na melhor classificação final. Será comparável ao primeiro deste ano, realizado no dia 30 de janeiro em Rivera, com a diferença de que aquele foi um jogo de reservas, pois o Grêmio jogava a Pré-Libertadores e o time principal do Inter ainda estava em pré-temporada; já o de dezembro será uma bosta por pura incompetência da dupla.

Com o Grêmio nada mais tendo a fazer a não ser cumprir a tabela, não me resta outra alternativa que não a de abrir minha torcida para o Vasco da Gama nesta reta final de 2011. Mais do que não querer que o Corinthians seja campeão (aliás, se ganhar, é quase garantia de mais uma Libertadores perdida), torço para o Vasco devido ao bom exemplo que está dando neste ano.

Depois de começar 2011 de forma péssima, o Vasco se ajeitou e se não ganhou o Campeonato Carioca, papou o importante: a Copa do Brasil, numa eletrizante final contra o Coritiba, sensação do primeiro semestre. Só que se enganou quem pensou que o clube ficou satisfeito. Mesmo já tendo vaga garantida na Libertadores de 2012, o Vasco briga pelo título do Campeonato Brasileiro e está na semifinal da Copa Sul-Americana – pode assim obter o feito inédito de três classificações para a mesma Libertadores (obviamente as vagas serão remanejadas).

O Vasco de 2011 pode – e precisa – servir de lição a muitos clubes que em nome de conquistar um título importante, abrem mão de outros que são também importantes. Na maioria das vezes, tal estratégia se mostra equivocada, e ao invés de conquistar o mais importante, o clube acaba ficando sem nada. Todos lembram o que aconteceu ano passado com o Inter, que largou de mão o Campeonato Brasileiro após conquistar a Libertadores, foi para Abu Dhabi e, já sem o mesmo entrosamento, perdeu para o Mazembe (reparem que o Santos está correndo risco semelhante agora – a diferença é a ausência do Mazembe no Mundial). Em 2007 e 2008, Grêmio e Fluminense respectivamente usaram reservas no começo do Campeonato Brasileiro, poupando os titulares para a Libertadores: os pontos perdidos pelo Grêmio em jogos relativamente fáceis no começo do Brasileirão fizeram falta no final, e a última vaga à Libertadores de 2008 ficou com o Cruzeiro; já com o Fluminense foi pior, pois além de perder a Libertadores, só se livrou do rebaixamento na reta final do campeonato.

Vários times multicampeões não priorizaram apenas uma competição. Um dos melhores exemplos é o São Paulo de 1993: bicampeão da Libertadores, poderia ter “largado tudo” no segundo semestre, pensando apenas no Mundial. Não foi o que aconteceu: em setembro ganhou a Recopa Sul-Americana contra o Cruzeiro, e em novembro conquistou a Supercopa dos Campeões da Libertadores numa fantástica decisão com o Flamengo. No Campeonato Brasileiro, brigou pela classificação à final até o fim e acabou eliminado pelo Palmeiras, que também tinha um timaço.

Foi a melhor preparação que o São Paulo poderia ter: mesmo com o desgaste de um ano inteiro, estava pra lá de entrosado para enfrentar o poderoso Milan. Venceu por 3 a 2 num jogo sensacional, e sagrou-se bicampeão mundial.

11/11/11

Que fim do mundo o quê… Hoje é dia do Baixinho!

Romário foi o maior de todos os que já vi jogarem ao vivo. Assisti ao Baixinho duas vezes no Estádio Olímpico: ambas pela Copa do Brasil, e com ele vestindo a camisa do Flamengo.

A primeira foi em 20 de maio de 1997, primeiro jogo da final que o Grêmio venceria no saldo qualificado, ao empatar em 2 a 2 no Maracanã, dois dias depois.

Já a outra teve um sabor mais amargo. Em 21 de abril de 1999, pelas oitavas-de-final, o Flamengo venceu por 2 a 1, e um dos gols foi de Romário. (No jogo da volta, empate em 2 a 2 no Maracanã e classificação rubro-negra.)

Romário sempre teve o hábito de dizer o que pensa, sem rodeios. E agora, como deputado federal pelo PSB, vem sendo uma legítima “mosca na sopa” dos organizadores da Copa do Mundo de 2014. Não pensa duas vezes antes de questionar o secretário-executivo da FIFA Jerome Walcke e o presidente da CBF Ricardo Teixeira pelas denúncias de corrupção contra os dois.

Descarrego

Tenho certeza que todos os leitores (as) já passaram, estão passando e/ou passarão por desilusões amorosas. É algo inevitável, faz parte intrínseca do que somos, fomos e iremos ser pela vida afora. Então, proponho ao amigo (a) que nos acompanha uma questão bem singela, a partir de sua própria experiência pessoal: o que mais doeu em seus fracassos amorosos, na separação daquela pessoa que pareceu ser tudo, mas se revelou muitíssimo menos do que prometia?

Muitas respostas virão, certamente. Mas eu diria, e com certeza muitos do que responderem essa perguntinha diriam algo parecido, que o que mais dói é a desonestidade. Brincar com sentimentos alheios é uma coisa muito feia, que machuca mesmo, traumatiza até e faz com que muitos desacreditem do amor para todo o sempre. Algo que a vítima nunca esquece. E jamais perdoa plenamente. Jamais.

(Igor Natusch, no Carta na Manga)

Ronaldinho, enfim, ouviu o que merecia. Depois dele ter brincado com os sentimentos da torcida gremista, recebeu provavelmente o maior número de xingamentos por qualquer unidade de medida (segundo, minuto, metro quadrado e sei lá mais o quê) da história do futebol brasileiro.

Claro que a vitória histórica do Grêmio, 4 a 2 de virada que não foram contra o Flamengo e sim contra Ronaldinho (que não fez gol, bem feito!), não apaga tudo o que o jogador já fez contra nós. Mas depois deste 30 de outubro de 2011, fica mais fácil tratá-lo da forma que a razão indica: com indiferença.

Racionalmente, houve uma “quitação de dívida”: Ronaldinho sacaneou a torcida do Grêmio, que devolveu dedicando a ele tudo o que foi xingamento. Só que sentimentos não costumam ser racionais. A mágoa continua, por mais “descarregos” que se tenha: nunca acontecerá um retorno ao “ponto inicial”, que seria o perdão, pois os janeiros de 2001 e de 2011 sempre serão lembrados.

Mas ao menos, agora fica mais fácil deixar para trás esta página da história do Grêmio. Que não será apagada, mas precisa ser virada para que se possa escrever outras, preferencialmente mais felizes.

Da idolatria perdida

Se o torcedor pertence ao time, por que não os jogadores? Muito raramente o torcedor aceita o novo destino de um jogador idolatrado. Mudar de time não é a mesma coisa que mudar de lugar de trabalho, embora o jogador seja, como é, um profissional que ganha a vida com suas pernas. A paixão pela camisa não tem muito a ver com o futebol moderno, mas o torcedor castiga o delito da deserção. Em 1989, quando o jogador brasileiro Bebeto trocou o Flamengo pelo Vasco da Gama, houve torcedores do Flamengo que iam às partidas do Vasco da Gama apenas para vaiar o traidor. Choveram ameaças contra ele, e o feiticeiro mais temível do Rio de Janeiro lançou sua maldição. Bebeto sofreu um rosário de lesões, não podia jogar sem se machucar e sem que a culpa lhe pesasse nas pernas, e foi de mal a pior, até que decidiu ir para a Espanha. Algum tempo antes, na Argentina, Roberto Perfumo, durante anos a grande estrela do Racing, se transferiu para o River Plate. Seus torcedores de sempre lhe dedicaram uma das mais longas e estrondosas vaias da história:

Percebi então que eles tinham gostado muito de mim – disse Perfumo.

(Eduardo Galeano. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 125-126.)

O trecho acima da crônica “Fervor da camisa” ajuda a explicar a relação de amor e ódio da torcida gremista para com Ronaldinho. Principalmente, as palavras de Perfumo sobre a sonora vaia que levou dos torcedores que antes o idolatravam.

Nossa mágoa contra Ronaldinho se deve principalmente ao fato de que nós gostávamos muito dele (fosse um perna-de-pau qualquer, já teria sido esquecido). Depois daquela decisão do Gauchão de 1999, quando ele fez o gol do título e ainda entortou Dunga, fez a torcida delirar ao dizer que jogaria até de graça pelo Grêmio e que o importante não era dinheiro, mas sim, “jogar por amor a camisa”.

Menos de dois anos depois, o dinheiro falava mais alto que o “amor à camisa”. Ele saía do Grêmio pela porta dos fundos, já sendo rejeitado por parte da torcida. No dia 25 de janeiro de 2001, jogou pela última vez no Olímpico e marcou um golaço de falta na vitória de virada (2 a 1) sobre o Figueirense, pela extinta Copa Sul-Minas. Ouviu muitas vaias, mas também aplausos – dentre estes, os meus. Eu não queria xingar um jogador que preferia idolatrar, e que ainda vestia a camisa do meu clube do coração.

Dez anos depois, esperamos que seria restabelecida a relação de amor entre Ronaldinho e torcida gremista. Não aconteceu. Novamente, o dinheiro falou mais alto do que o suposto amor. Ficamos magoados, o chamamos de mercenário, de tudo o que é adjetivo depreciativo. Perdemos aquela romântica esperança de ver alguém jogando apenas por amor à camisa.

Agora, se aproxima o momento em que Ronaldinho reencontrará a torcida que um dia o adorou e da qual ele próprio fez parte. Uma torcida que, por tanto amá-lo, sentiu-se traída quando ele a desprezou por duas vezes. Por mais que Guerreiro e Odone também tenham sua parcela de culpa, não se brinca com uma paixão dessas (aliás, pelo mesmo motivo estes dirigentes também não merecem umas vaiazinhas?).

E é exatamente por isso que iremos vaiar Ronaldinho. É a oportunidade de desabafar, mostrar que um dia nós o amamos, mesmo que isso nem signifique mais nada para ele. Talvez alguns tenham até a maluca esperança de que ele se arrependa e peça perdão de joelhos…

Mas o fundamental é que o 30 de outubro de 2011 represente exatamente isso: o fim definitivo da mágoa. Depois, é preciso virar a página. Ronaldinho não será esquecido, mas não pode continuar a ter tamanha importância para nós.

Teremos vaias para Guerreiro e Odone também?

Passado o desastroso resultado do Grêmio no sábado (não que a vitória servisse para alguma coisa neste já acabado 2011, mas era obrigação vencer o lanterna América-MG), todas as atenções se voltam para o jogo do próximo domingo no Estádio Olímpico, contra o Flamengo. Mais: contra Ronaldinho – isso se ele vier.

O blog Grêmio Libertador tem uma inteligente sugestão para o torcedor gremista que, por motivos óbvios, lotará o Estádio Olímpico no próximo domingo. O blog propõe uma manifestação pacífica com o uso de faixas, muito mais eficaz do que atirar moedas no ex-gremista, como os mais exaltados poderão querer fazer – atitude burra que pode resultar numa interdição do Monumental. Com o estádio tomado por faixas contra o “ídolo”, o Brasil todo poderá ver ao vivo pela televisão – a Globo não terá como esconder*.

Leitores do blog também fizeram uma bela sugestão de “homenagem” cantada – se bem que neste caso será mais para o próprio Ronaldinho, já que na televisão o som pode ser cortado, como já é tradição da Globo.

Obviamente vaiarei Ronaldinho – não apenas como gremista, mas também como cidadão. Aquele “leilão” que vimos no início do ano foi uma das maiores palhaçadas que já vi – inclusive já estava enojado antes mesmo do desfecho da “novela”. Ronaldinho e seu empresário-irmão simplesmente enrolaram os três clubes que brigavam pelo jogador – no caso, Grêmio, Palmeiras e Flamengo – em busca do contrato mais vantajoso. Leia-se: mais milionário. Pois Ronaldinho, coitado, estava muito pobre no começo de 2011…

Porém, não deixo de também achar que a vaia a Ronaldinho – que provavelmente será a mais ensurdecedora da história do Olímpico Monumental – poderá acabar servindo de “válvula de escape” para as frustrações dos gremistas nestes últimos 10 anos. Pois além dele, também deveriam ser vaiados o ex-presidente José Alberto Guerreiro e o atual mandatário gremista, Paulo Odone. Os dois têm grande parcela de culpa nas duas “traições” de Ronaldinho – e mesmo pelo declínio gremista nesta última década.

Em 2001, o jogador saiu sem render quase nada ao Grêmio graças à fanfarronice de Guerreiro: quando Ronaldinho despontou e começou a atrair propostas da Europa, em 1999, o então presidente decidiu “fazer média” com a torcida e mandou afixar na entrada do Olímpico uma faixa avisando que o Grêmio “não vendia craques”. Desta forma, o clube recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – dinheiro que, como vimos ao longo destes últimos 10 anos, fez muita falta aos cofres gremistas. E não bastasse isso, em 2000 contratou “medalhões” pagando salários absurdos, enquanto Ronaldinho, que fazia aquele time jogar, não ganhava nem metade do que recebia o “reserva de luxo” Astrada. Embora isso não faça a saída de Ronaldinho em 2001 ter sido menos “sacanagem”, também ajuda a entender melhor o que aconteceu.

Já no início de 2011, Odone tentou posar de “vítima” de mais uma sacanagem da dupla Assis e Ronaldinho. Porém, como o acontecido em 2001 indicava, não era admissível que o presidente do Grêmio tivesse total confiança neles – logo, tal discurso “vitimizador” não colou. E, de tanto o Grêmio perder tempo tentando contratar o jogador, acabou ficando não só sem ele, como também sem seu maior goleador em 2010, Jonas, que assim como Ronaldinho em 2001, saiu quase “de graça”, dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores. Deu no que deu: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores, campanha pífia no Campeonato Brasileiro, e a exaltação a uma conquista que era nada mais do que obrigação de um clube como o Grêmio (mas pelo que Odone fala, parece ser o que de mais importante o Tricolor já ganhou).

Desta forma, vaiemos (e muito) Ronaldinho. Mas, por favor, jamais esqueçamos de Guerreiro e Odone. Do contrário, acharemos que “lavamos a alma”, e assim continuaremos nessa por pelo menos mais 10 anos.

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* Destaquei o “ao vivo” pois meu irmão descobriu algo inacreditável. No compacto do jogo Corinthians x Inter pelo Campeonato Brasileiro de 2005, simplesmente não aparece o lance capital da partida e do campeonato – ou seja, o pênalti não marcado sobre Tinga e o cartão amarelo ao colorado que, por já ter sido advertido antes, acabou expulso. Como gremista quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa (como foi contra o Mazembe), e não com roubalheiras – e que não foram só naquele jogo.

Grêmio praticamente fora da Libertadores 2012. Que bom!

Foi constrangedora a atuação do Grêmio ontem. Levou só 3 a 1 do Figueirense em pleno Olímpico, e com isso, é muito improvável que consiga disputar a Libertadores de 2012.

Sabem de uma coisa? Isso é ótimo!

Obviamente não estou contente com a derrota, ainda mais do jeito que ela veio: beirando a humilhação. Mas de tudo se pode tirar uma lição, o que é algo positivo. E neste caso, ela é a de que é insanidade acreditar em vaga na Libertadores do próximo ano. Ficou claro que o objetivo do Grêmio no Campeonato Brasileiro está praticamente garantido: a permanência na Série A. (Até porque ir à Sul-Americana é fácil demais, é quase a mesma coisa que escapar do rebaixamento, dado o exagerado número de vagas para o Brasil.)

Eu quero que o Grêmio dispute a Libertadores para ganhá-la, e não apenas para fazer figuração – opinião que compartilho com o Igor Natusch. E para isso é preciso planejamento a médio e longo prazo, o que tem sido raridade nos últimos tempos em se tratando do Tricolor.

Na atual situação financeira do Grêmio, o melhor é começar “comendo pelas beiradas”, como somos sempre ensinados quando crianças. É fato que o clube precisa voltar a ganhar um título além de Gauchão e Série B, e quebrar a escrita de 10 anos sem conquistas de verdade, mas querer logo a Libertadores é sonhar alto demais neste momento.

Por que não se dedicar a ganhar a Copa do Brasil (que foi justamente a última conquista de verdade do Grêmio)? Ela não demanda um plantel tão caro quanto um Campeonato Brasileiro, é um bom atalho para a Libertadores (sempre ela…) e, melhor ainda, termina no meio do ano. Sobra assim bastante tempo para buscar jogadores bons e baratos e, desta forma, montar um time em condições de conquistar La Copa sem precisar de muitos recursos financeiros.

Mas, é óbvio não irei torcer contra o Grêmio, mesmo que ele corra o risco de se classificar para a Libertadores do ano que vem e, assim, de não poder disputar a Copa do Brasil. Quero que ganhe os próximos jogos, para assim garantir matematicamente a fuga do rebaixamento – e provavelmente uma vaga na Copa Sul-Americana – e, principalmente, que anule Ronaldinho na partida do próximo dia 30 contra o Flamengo (se é que o ex-gremista terá coragem de vir ao Olímpico).

Mas assim que realmente não houver mais nenhum risco, que se ponha a gurizada a jogar e já se comece a buscar jogadores (e também um treinador, já que Celso Roth tem, sim, prazo de validade) para 2012, de modo a que o último ano do Olímpico Monumental não seja tão melancólico quanto o penúltimo.