Nem todos os homens são ogros

O título deste post é claramente inspirado no que escreveu a Niara, questionando se, afinal, todos os homens são ou não ogros. E também atende ao chamado da Lola, para que os homens que não concordam com a violência contra as mulheres também façam a sua parte.

Bom, como diz o título, nem todos são ogros, e modéstia a parte, um exemplo disso é este que vos escreve. Mas é óbvio que não sou o único (já seria me achar demais).

O problema maior, é algo que cheguei a comentar com a Niara via Twitter alguns dias atrás. Lembremos dos tempos de colégio, principalmente ali do 2º Grau (tá bom, tá bom, Ensino Médio – é que estou ficando velho). A gurizada, de 15, 16 anos, que começa a querer “sair de noite”, “ir pra balada” (argh!). Os guris, geralmente, fazem isso por quê? É porque “querem pegar muitas!”, mostrar que são “machos”, “garanhões” etc.

Ou seja, desde jovens nós homens somos direcionados para a “ogrice”. Afinal, começa assim, com as mulheres sendo vistas como objetos que servem apenas para “pegar” e exibir, o que é também uma forma de violência – é a chamada “violência simbólica”. (Daí para acharem que elas podem ser suas “propriedades”, como se fossem objetos, é um passo… E bater em objeto não é problema, afinal, eles não sentem dor, né?)

Muitas mulheres acabam dando valor a caras desse tipo (os famosos “cafajestes”), é fato. O que não é “algo natural” nem “culpa delas”, como dizem, e sim construído, por conta daquela ideia que ainda é muito forte, de que o homem tem de ser “dominador” (se tiver dinheiro, então…), que acaba “marginalizando” os que fogem a tal padrão. Aliás, é o mesmo conjunto de valores que faz serem mal vistas as mulheres que não têm namorado fixo: enquanto nós homens somos “garanhões” se nos comportamos de forma semelhante, elas são “vagabundas”; e também estigmatiza as que depois de certa idade não casaram (como se casar fosse o objetivo de vida de todas): “solteirona”, “vai ficar/ficou pra tia” e coisas semelhantes. Nada mais do que o velho machismo.

E é difícil escapar a toda essa lógica, tanto para as mulheres como para nós homens. Nunca vi o menor sentido em sair “pegando várias” só para me exibir, sem saber sequer seus nomes, do que gostam de fazer; logo, posso dizer por experiência própria que não é fácil “remar contra a corrente”: afinal, isso é suficiente para qualquer um ser taxado como “ET”, ainda mais na adolescência, fase em que buscamos nossa “auto-afirmação” (interessante que para muitos ela seja igual a “se enquadrar” e não a de fato se auto-afirmar, pensando por conta própria).

Logo, entendo os homens que seguem o caminho da “ogrice” (embora não concorde com eles): não querem ser “excluídos”, da mesma forma que eu também não queria. Só que eles optam por “se adaptar” ao sistema, ao invés de criticá-lo, combatê-lo. Preferem a posição mais cômoda ao invés da mais justa, o que é uma pena.

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