Filme para o feriado

Acho uma grande bobagem todos os feriados religiosos. Mas, como não temos escolha (afinal, não vivemos em um Estado realmente laico), só nos restou descansar forçadamente nesta sexta-feira.

Bom, se o leitor é que nem eu e não curte congestionamento, ficou em Porto Alegre ao invés de ir para a praia. O que não é nada ruim: o calorão deu uma trégua, tem Feira do Livro, jogo do Grêmio… E ainda por cima a tranqueira foi para o litoral e assim a cidade deu uma esvaziada: ela fica bem melhor assim (pena que segunda-feira volta tudo ao normal).

E se vai ficar em casa, nada melhor do que ver um filme. E nada dessa história de “a dois”: este que indico, adequado à data, é legal de ser visto sozinho. Tarde da noite. E com todas as luzes apagadas…

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Em tempo: feriadão é bom, mas gosto mesmo é de feriado que cai na quarta. Afinal, ele “quebra” a semana em duas partes, fazendo com que ela seja menos cansativa.

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“Tempos modernos”, na íntegra

O 1º de maio acabou há meia hora, e como o camarada aqui “vagabundeou”, posta atrasado sobre o Dia do Trabalhador. Desta vez, é mais vídeo e menos texto: assista ao clássico “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, na íntegra.

Impressionante o quanto este filme de 1936 continua atual. Afinal, se hoje em dia não vemos trabalhadores pirando na linha de montagem, agora eles perdem o controle nos escritórios, como aconteceu com o russo abaixo.

Lançamento do filme “O Grande Tambor”

Acontece neste domingo, 12 de dezembro, no Teatro Guarany em Pelotas, o lançamento do filme “O Grande Tambor”, produção do Coletivo Catarse com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Também haverá mais três sessões de lançamento:

  • Dia 13 (segunda-feira), às 20h, no CineBancários, em Porto Alegre;
  • Dia 15 (quarta-feira), em Canela;
  • Dia 16 (quinta-feira), às 21h, no Afrosul Odomodê, em Porto Alegre.

Sinopse (copiei do Alma da Geral):

O filme narra a trajetória do Tambor de Sopapo, que carrega a história da diáspora africana no Rio Grande do Sul. Sua matriz vem pelas mãos e mentes dos africanos escravizados para a região das charqueadas, ao extremo sul do Brasil. É considerado sagrado, retumbando o som por séculos de um purificar religioso para os rituais de matança – realidade presente nas propriedades que produziam o charque entre os séculos XXVIII e XIX. Mas, a partir na década de 1950, inicia seu caminho no carnaval, quando surgiram as primeiras escolas de samba do estado. O Grande Tambor conta uma parte da história sobre a contribuição dos afrodescendentes na formação simbólica e cultural do povo do Rio Grande do Sul. Sobreviveu pelas mãos de Mestre Baptista, Griô, que preservou a memória e a arte da fabricação de um instrumento de som grave e marcante e que hoje é patrimônio brasileiro.

Assista ao trailer:

Vantagens da solitude

“Solitude”. Essa palavra soa estranha, desconhecida?

Ela refere-se a “estar só”. Mas a maioria das pessoas associa tal situação à palavra “solidão”, que é bastante negativa.

“Solitude” significa “estar só”, mas não com característica de “sofrimento”. Ou seja, estar só por livre e espontânea vontade, e não por falta de opção.

Óbvio que parece “desculpa de solitário”. Afinal, vivemos numa espécie de “ditadura da companhia”: há muitos lugares em que “pega mal” ir sozinho. Como um cinema, por exemplo. Até parece que a principal atração não é o filme, e sim, com quem se vai.

Eu já fui ao cinema sozinho mais de uma vez, e recomendo: posso escolher o filme que quero – se for ruim, ninguém vai reclamar da minha escolha, só eu lamentarei os reais gastos. Em compensação, já assisti a muita bomba só por causa das companhias. A última vez que me submeti a isso foi há bastante tempo, quando fui com uma turma – e estava a fim de uma das gurias… Assistimos a uma “comédia romântica”: era uma porcaria de filme (óbvio, né?), e também não consegui nada com a moça (bem feito!).

Até já tomei cerveja num bar sozinho: tinha saído para dar uma volta e desestressar num final de semestre, o calor estava danado, passei na frente de um bar e não resisti; por que deixar de tomar a tão desejada cerveja só por estar sozinho na hora?

Porém, tem gente que prefere assistir um filme de merda, fazer coisas que detesta, só para não ficar sozinha – ou até deixar de ir a lugares que gosta só pela “falta de companhia”. Gente sem personalidade, que não aguenta a si mesma, mas quer que os outros o façam.

Assim como há quem entre em depressão porque “os amigos estão namorando”, ou porque em junho tem o dia dos namorados e aí só se fala de amor na televisão. Alguns, para compensar, resolvem comer. Bom, se é para engordar, então aproveite para saborear aquela pizza dos deuses chamada ALHO E ÓLEO, pois ninguém irá reclamar de seu “bafo”!

Já vi esse filme…

E não gostei nada do final.

Mas antes, vejamos o trecho de um outro filme, um grande clássico da história do Cinema. Será que alguém assiste o vídeo abaixo sozinho em casa, de madrugada e com todas as luzes apagadas?

Trata-se de um trecho do filme O Iluminado, versão de Stanley Kubrick (1980). Anos depois foi filmada uma outra versão da história, mais fiel ao livro de Stephen King. Com quatro horas de duração, acaba sendo cansativa, ainda mais que a vi depois de ter assistido ao filme de Kubrick, que é inegavelmente melhor – e extremamente assustador.

Bom, agora o leitor está preparado para o que vem a seguir. Pois o vídeo é apavorante, igual ao nome do novo vice de futebol do Grêmio, à qualidade do time, e também ao caos que se estabeleceu quinta-feira do lado de fora do Olímpico – não vi nada porque já estava lá dentro, mas além de assustador, é revoltante.

O vice de futebol ao qual me refiro é Luiz Onofre Meira, que assumiu com a saída de André Krieger. Meira era o vice no episódio das “ovelhinhas”, no primeiro ano da fatídica gestão de Flávio Obino. Um dirigente que não tinha autoridade: depois do episódio, os jogadores não o respeitavam mais, e tudo ficava por isso mesmo. Logo foi substituído, mas a barca continuou a afundar, até chegar ao fundo.

Só espero que isso não seja uma repetição dos “iluminados” anos de 2003 e 2004…

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Errata: Luiz Onofre Meira não era vice de futebol do Grêmio em 2003, no episódio das “ovelhinhas”. Quem ocupava o cargo era Luiz Eurico Vallandro – Meira tinha outra função, que não recordo com exatidão agora. Mas pouco depois da “ovinice”, Vallandro saiu, e Saul Berdichevisky assumiu o futebol gremista.

Filmes que valem a pena serem assistidos

divulg-blogs

Quando vi o cartaz, na UFRGS, na hora “me agendei”.

Já assisti ao filme alemão “Uma cidade sem passado” (1990) na faculdade. A personagem principal é Sonja, uma estudante que decide pesquisar como era sua cidade na época do nazismo. Porém, os moradores não parecem muito dispostos a colaborar com a pesquisa de Sonja. Quem puder, se desloque à Sala Redenção da UFRGS, pois não é um filme fácil de se achar em Porto Alegre. E a palestra de sexta na Letras & Cia deve ser ótima, também vale a pena.

Outro filme que merece ser assistido (eu vi na terça-feira passada) é o argentino “A história oficial” (1985), que recebeu vários prêmios, inclusive o Oscar de “Melhor filme estrangeiro” – única produção latino-americana a conquistá-lo. A personagem principal é Alicia, uma professora de História, de classe média, que não questionava sequer o conteúdo das aulas que ministrava a seus alunos, se preocupando tão somente em viver tranquilamente com seu marido e sua filha adotiva. A história se passa em 1983, quando a Argentina vivia um período conturbado: crise econômica, sentimento de humilhação pela derrota na Guerra das Malvinas, e também começavam a vir à tona os horrores da mais assassina ditadura da História da América, responsável pela morte e desaparecimento de mais de 30 mil pessoas.

Quando uma velha amiga retorna de um período vivido fora da Argentina, conta a Alícia o real motivo pelo qual deixou o país: foi exilada, por ter sido perseguida pelo regime militar. E também revela muitos horrores da ditadura, dentre eles o roubo de filhos dos militantes de esquerda para serem entregues a outras famílias e assim terem “uma educação ordeira” (ou seja, que aprendam a não contestar nada). A partir deste momento, Alícia começa a questionar suas certezas não só sobre a História, como sobre sua própria família.

Censura e patetices da mídia

O Diego escreveu no Blog do Rodrigues sobre o caso do documentário “Manda Bala”. O diretor Jason Kohn, de apenas 24 anos, nasceu nos Estados Unidos mas é filho de pai brasileiro. O filme retrata o Brasil como um país caótico, e citando diversos casos de corrupção – como o “escândalo das rãs” de Jader Barbalho. A película está impedida de ser exibida no país, por conta de ameaças de processos por parte dos envolvidos.

Como o Diego disse, poderemos até questionar o conteúdo de “Manda Bala”, mas em hipótese alguma devemos aceitar que ele seja proibido no país só porque desagrada a algumas pessoas – talvez por mostrar algumas verdades que elas gostariam de esconder. Aliás, se o filme fosse tão “mentiroso” assim, não haveria motivos para temores: como diz aquele velho ditado, “quem não deve, não teme”.

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Ontem à tarde, chegou a ser patética a postura do Lasier Martins no programa dele na Rádio Gaúcha.

Como acredito que todos saibam (pelo menos no Rio Grande do Sul), Ariosto Culau, ex-Secretário de Planejamento do Estado, foi demitido após ter sido flagrado tomando um chope com Lair Ferst, um dos principais envolvidos no escândalo do DETRAN-RS. A “rainha das pantalhas” Yeda Crusius não queria demiti-lo, mas a pressão da base aliada sobre a (des)governadora levou à saída do secretário.

Pois bem: Lasier Martins “pôs a Rádio Gaúcha à disposição de Culau para ele prestar esclarecimentos à sociedade gaúcha”. Foi incrível a babação de ovo: para Lasier, obviamente Culau seria inocente e precisava falar e provar que nada tinha a ver com o escândalo do DETRAN-RS.

Mas em 2001, durante a CPI da “Segurança Pública” – que foi na verdade um palanque da oposição contra o governo Olívio, com toda a cobertura (favorável) da mídia -, até prova em contrário, todos os envolvidos eram considerados culpados por Lasier & Cia…

Diante disso, não custa nada lembrar mais uma vez daquele dia:

Sem companhia para ir ao cinema?

O conto lá no Cataclisma 14 é muito bom. Afinal, qual o problema de ir ao cinema sozinho?

Eu já fui muitas vezes: queria ver um filme, todo mundo com quem falei já tinha visto ou não tinha interesse, então fui sozinho! Algumas vezes, simplesmente fui pro cinema sem falar com ninguém: assim poderia terminar de ver o filme e fazer o que me desse na telha.

Até a um bar eu já fui sozinho. Era um dia de verão, um calor infernal, e eu na rua. Não tinha como não pensar em uma cerveja gelada. Passei na frente de um bar, entrei e tomei a cerveja. Deixar de ir ao bar por falta de companhia? Por quê? Se tivesse alguém para conversar, seria bom, mas só o fato de tomar a cerveja gelada já me deixou satisfeitíssimo!

Muitos deixam de fazer o que gostam só por não terem companhia. Ir ao cinema, ao bar, a qualquer lugar, só é bom se o local agrada. Se o lugar é chato (como uma daquelas festas de música eletrônica), nem a melhor companhia fará com que eu me sinta satisfeito. Assim como uma companhia chata irrita em toda parte.

Viu alguém sozinho no cinema? Não é um “perdedor”, muito pelo contrário. Este é digno de inveja: está muito bem consigo. Tanto que não dispensa a companhia dele mesmo. E principalmente, não é escravo das opiniões dos outros.