Não foi por falta de aviso

Até o início de 2018, o Partido Social Liberal era politicamente um ilustre desconhecido para a imensa maioria da população brasileira. Minhas lembranças eram poucas: em 2006 lançou Luciano Bivar como candidato à presidência do Brasil (e ele até conseguiu ser presidente, mas não do país e sim do Sport Recife); em 2016, Fábio Ostermann concorreu à prefeitura de Porto Alegre pelo PSL.

Eis que vieram Jair Bolsonaro, sua família e seus apoiadores mais fiéis. Que, como qualquer pessoa com o mínimo de memória sabe, nunca teve nada de liberal nem de preocupação com questões sociais. E então o PSL perdeu vários filiados (dentre eles Fábio Ostermann), vinculados a um movimento de caráter liberal (o Livres) que via na filiação de Bolsonaro uma total deturpação das ideias que defendiam; mas ganhou muita força para as eleições gerais de 2018.

E assim o partido que desde seu nascimento era “nanico” tornou-se “grande”, elegendo a segunda maior bancada da Câmara de Deputados graças à associação com Bolsonaro e suas frases de efeito que eram o que grande parte da população queria (não o que precisava) ouvir. E acabou ganhando também a presidência do Brasil.

“Ah, mas agora que o povo decidiu não vamos ficar torcendo contra, pois se o governo der errado é ruim para o Brasil”. Pois então: é um governo que faz tudo errado. O tal de “torcer contra” na verdade significa querer que sejam feitas as coisas certas. Pois a depender das vontades dos que nos governam, a vergonha para o país está apenas no começo. Saudades de quando vexame era perder de 7 a 1 numa semifinal de Copa do Mundo em casa… (Pois tal partida aconteceu quando o Brasil deixava de integrar o “mapa da fome” da ONU, do qual infelizmente voltou a fazer parte.)

E o capítulo mais recente da tragicomédia é a guerra entre o governo (leia-se “Bolsonaro, família e apoiadores mais fiéis”) e o partido pelo qual ele foi eleito. Uma baixaria na qual os dois lados se xingam das piores coisas – e na qual ambos têm razão. Sério, estou rindo muito, ainda que apenas para não chorar por conta do que virou o Brasil.

O pior é que não foi por falta de aviso. Pois eu avisei. Muitos avisaram. Qualquer pessoa com o mínimo de sensatez avisou. Mas ainda assim, uma galera preferiu usar o fígado no lugar do cérebro apenas para “tirar o PT”.

Agora não adianta vir com esse papo de culpar o PT por “não dar outra opção que não Bolsonaro” (que por pouco ele ganhou no primeiro turno). Pois eu lembro bem (e não esquecerei) de todas as merdas que vocês fizeram ainda antes de outubro de 2018.

Como diminuir o brilho de uma final

O futebol mineiro está em alta nos últimos dois anos. O Atlético-MG foi campeão da Libertadores de 2013 e acaba de ganhar a Copa do Brasil de 2014; já o Cruzeiro ganhou no último domingo seu segundo Campeonato Brasileiro consecutivo, um feito que poucos clubes conseguiram. Suprema ironia: o melhor futebol do Brasil na atualidade é jogado na mesma cidade em que a Seleção Brasileira afundou meses atrás, ao levar 7 a 1 da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo – no mesmo Mineirão que hoje recebeu a decisão da Copa do Brasil.

Mas, se dentro de campo o espetáculo foi de qualidade, fora dele o Mineirão registrou um novo vexame. Era só ligar a televisão e notar as muitas cadeiras vazias. No anel inferior do estádio, a lotação foi máxima atrás dos gols onde os alemães foram sete vezes felizes e mínima na parte central, que aparecia mais na transmissão. E no anel superior, a lotação também não foi máxima.

No início da transmissão no Sportv foi dito que os ingressos para aquele setor “vazio”, de responsabilidade da Minas Arena (administradora do estádio), custavam a bagatela de R$ 1000 (sim, MIL reais). Na verdade, não é tão caro: segundo o Trivela, uma cadeira ali saiu por R$ 700 para os torcedores em geral e R$ 490 para sócios do Cruzeiro, mandante do jogo e ao qual interessava – ou ao menos deveria interessar – um Mineirão lotado para tentar reverter a vantagem de 2 a 0 que o Atlético construiu na primeira partida.

O incrível é que isso é prejudicial até mesmo à ideia de futebol como um “negócio”. Pense: um estádio lotado não valorizaria mais o “produto”? Mesmo que seja pela televisão, é muito mais bacana de assistir.

Mas não. Falou mais alto a ganância de se cobrar valores completamente fora da realidade brasileira só porque era uma final. Proporcionalmente à renda média da população, é (muito) mais barato assistir futebol na Alemanha do que no Brasil: não por acaso, os estádios alemães – mesmo as “arenas” – estão sempre repletos de torcedores.

Traduzindo: mais uma humilhação que a Alemanha nos impõe…

14 de dezembro

Faixa levada por torcedores ao jogo Seleção "Gaúcha" x Seleção Brasileira, realizado no Beira-Rio em 17/06/1972

Dia mais do que especial.

Há exatos dois anos, defendi minha monografia de conclusão do curso de História da UFRGS, trabalho que recebeu conceito “A” da banca. Um dia glorioso: embora oficialmente eu só tenha me tornado bacharel em História após o ato burocrático acontecido em 18 de fevereiro de 2010, a data que festejo é o 14 de dezembro de 2009.

Já um ano atrás… O 14 de dezembro foi o dia não só do primeiro aniversário da defesa do TCC, mas também de risada. De muita risada! Foi o melhor presente que eu poderia ter ganho.

Vexame

Foi em 2009 que o Impedimento promoveu sua hilária série “Top 10 – humilhações”, sobre os principais fiascos de vários clubes brasileiros – com textos produzidos por torcedores dos times humilhados. Sobre os vexames do Grêmio, concordo com alguns, outros eu acho que poderiam ser substituídos por jogos ainda mais vergonhosos.

Pois a partida de quinta seria digna de integrar tal lista, se feita agora. Pois o Grêmio não simplesmente perdeu jogando horrivelmente mal: o Oriente Petrolero já estava eliminado, logo, decidiu poupar titulares para a competição que pode vencer, que é o Campeonato Boliviano. Mas, ainda que jogasse com força máxima, ainda assim a vitória era obrigação para o Tricolor, mesmo sem Douglas.

Não havia a desculpa da altitude, visto que a partida era em Santa Cruz de la Sierra (416 metros, mais baixo que Gramado). E lembremos que o Grêmio já venceu quatro partidas “acima das nuvens” em Libertadores passadas – curiosamente, todas por 2 a 1: Bolívar, em La Paz (1983); El Nacional, em Quito (1995); América, na Cidade do México (1998) e Aurora, em Cochabamba (2009).

Mas o pior nem é o que aconteceu na Bolívia. Pois acontece muitas vezes de um time vir bem, e numa partida simplesmente tudo dar errado. O problema, é que o jogo de quinta não foi exatamente uma exceção em 2011: o Grêmio só ganhou o primeiro turno do Gauchão porque o Caxias abdicou de jogar futebol no 2º tempo daquela decisão; se classificou como um dos piores segundos colocados na Libertadores, num grupo em que poderia ter sido um dos melhores primeiros; e são raras as boas atuações neste ano (só lembro de duas: contra o Ypiranga, nas quartas-de-final do primeiro turno do Gauchão; e semana passada contra o Júnior Barranquilla).

Na quinta, as coisas “apenas” foram piores, com Escudero tropeçando duas vezes na bola, Borges perdendo gol a la Jonas, Gabriel jogando nada e fora de posição (se na lateral já não andava muito bem…), Rodolfo sendo expulso de forma estúpida, e o segundo gol do Oriente Petrolero deu uma amostra do que foi o time do Grêmio na partida: o último “defensor” no lance era Vinícius Pacheco – afinal, onde é que estava a zaga?

O injusto Coelho da Páscoa

Este tal de Coelho da Páscoa merece que as pessoas não acreditem nele mesmo. Êta criatura injusta!

Simples: a Páscoa é dia 4 de abril, mas um certo time de Porto Alegre já levou o chocolate ontem à noite