Solidariedade a Milton Ribeiro

Mais um processo contra blogueiro. Prova de que essa mídia sem credibilidade realmente incomoda.

Li no blog do Milton Ribeiro que ele está sendo processado por Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres (que virou minissérie na Globo, e não por acaso a mais adorada pelos bovinóides, já que fala sobre a “Revolução” Farroupilha). A ação por “danos morais” deve-se a um post no blog dele, publicado em 11 de fevereiro deste ano.

Não é o primeiro caso de processo movido a partir de posts em um blog. O pessoal d’A Nova Corja que o diga, com três: Banrisul, Políbio Braga e Felipe Vieira. Ainda no Rio Grande do Sul, temos também o caso do professor Wladimir Ungaretti, proibido por ordem judicial de se manifestar a respeito do “fotojornalismo” da Zero Hora.

E é impressionante qualquer coisinha acaba em processo. Afinal, tudo se resume a intimidar com base no poder econômico. Mesmo que por motivos ridículos.

Processar alguém por besteira, a meu ver serve para dar ainda mais razão ao processado, e o efeito pode ser o inverso ao desejado – ou seja, a exigência de reparação ao “dano moral” apenas serve para deixar o processante realmente “mal na foto”.

Pois, no caso da Leticia Wierzchowski, nunca li um livro dela – e por isso me abstenho de criticá-los. Mas com este ridículo processo contra o Milton Ribeiro, a autora ganhou tanta antipatia de minha parte que jamais pretendo ler qualquer coisa escrita por ela. Nem sequer para fazer críticas. E ainda recomendo o mesmo a todos os meus amigos, leitores e amigos-leitores.

Parece piada de 1º de abril, mas não é

Semana passada escrevi aqui no blog sobre o processo movido pelo jornalista e âncora da Band-RS, Felipe Vieira, contra o pessoal do blog A Nova Corja. O motivo da ação judicial é um artigo postado em 25 de junho de 2008 – vale destacar que, não fosse o processo, eu nem lembraria que Felipe Vieira fora citado naquele post.

E agora, o processo tem um capítulo que mais parece piada de 1º de abril… As notícias a respeito foram divulgadas nos dias 27 e 30 de março – logo, sem chances de serem gozação (apesar de A Nova Corja tratar a política de uma forma bastante irreverente).

A ação criminal se dirige contra Walter Valdevino (que apesar de não integrar mais A Nova Corja, é responsável pelo domínio do blog), Rodrigo Alvares (autor do post que deu origem ao processo), Leandro Demori (que não faz mais parte do blog, mas pertencia à equipe em junho de 2008), Jones Rossi e Mario Camera (que também não consta mais da lista de membros da equipe).

Acontece que Felipe Vieira e seus advogados, entraram com processo contra o Jones Rossi e o Mario Camera errados! Isso mesmo!

Agora, os advogados de Felipe Vieira pediram para a Justiça encontrar não apenas o Jones Rossi e o Mario Camera certos, como também os endereços de todos os processados. Sim, estavam todos errados…

Processos? Tem mais…

Não é só o Wladimir Ungaretti que tentam impedir de falar.

O blog de Política A Nova Corja, que trata do assunto de uma maneira bastante irreverente e bem-humorada, já tem uma certa “coleção” de processos. No final de junho do ano passado, Políbio Braga decidiu processar Walter Valdevino (um dos autores e responsável pelo domínio do blog) devido a esse post. Isso depois de ameaçar Rodrigo Alvares (um dos autores do blog) dizendo que ia “achá-lo de qualquer jeito” – o que rendeu uma hilária série de posts sobre o suposto paradeiro de Alvares.

O mesmo post que motivou a ação de Políbio Braga também levou Felipe Vieira a processar A Nova Corja – desta vez o processo é contra todos os atuais integrantes do blog, mesmo os que não faziam parte da equipe em junho de 2008. Independente do resultado, é um tiro no pé de Vieira: eu nem lembrava que ele havia sido citado naquele texto. Aliás, as consideradas “injúrias” passariam batidas pela maioria esmagadora das pessoas, não fosse o processo…

Vale lembrar que o blog também sofre processo do Banrisul, que corre em segredo de justiça – ou seja, nada pode ser comentado a respeito do andamento do processo.

E em todos os casos, não vimos a “grande mídia” reclamar da “perseguição a jornalistas”.