Queria muito que fosse piada

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Parece piada, mas não é. Trata-se da “União Conservadora Cristã”, extrema-direita dos estudantes da USP – um legítimo Tea Party universitário no Brasil. Jovens apenas na idade, pois de cabeça são uma das coisas mais velhas que já vi.

Por mais risíveis que sejam seus argumentos (como a “infiltração de agentes da KGB”* na Igreja como explicação para a existência de padres pedófilos), não podemos “dar de ombros” para a existência deste grupo, assim como diversas outras organizações de extrema-direita. Um dos fatores pelos quais o nazismo cresceu na Alemanha foi o fato de, no começo, não ser levado a sério; e depois, as pessoas não percebiam o que estava acontecendo.

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* “Infiltração de agentes da KGB”… Alguém avisa esse pessoal que o Muro de Berlim caiu há 22 anos e que a União Soviética se dissolveu há 20.

Monstros não existem

O Guga “acertou na mosca” no texto dele no Alma da Geral, sobre os atentados terroristas da última sexta-feira na Noruega. Já notei a mesma coisa: estão tentando pintar Anders Behring Breivik, autor confesso dos ataques, como um “monstro” e, claro, “seguidor de Adolf Hitler”. Como se Hitler tivesse sido também uma “criatura anômala”.

Lembram de quando foi lançado o filme “A Queda” (Der Untergang)? A obra sofreu críticas por ter mostrado um Adolf Hitler “muito humano”. Pois o certo seria apresentar Hitler como um “monstro”, e não como um um ser humano. Afinal, o nazismo não é obra de seres humanos, certo? (Os nazistas eram monstros disfarçados de humanos, só pode ser isso.)

Essa insistência em negar que a humanidade foi capaz de coisas terríveis como o Holocausto tem uma motivação muito clara: fazer com que as pessoas acreditem que aquilo jamais voltará a acontecer e que, portanto, não é preciso ficar atento. Então, dê-lhe dizer que Hitler, o nazismo, e caras como Anders Behring Breivik são “monstruosidades”…

Mas tem mais na tentativa de colar o rótulo de “monstro” em Breivik. Passo novamente a palavra ao Guga:

Claro, porque é necessário se identificar de alguma forma uma anomalia no comportamento do cara, porque senão todas as razões que ele vem elencando para o seu massacre irão colocar uma gama muito grande de pessoas no saco que este idiota acabou de criar.
Suas ideias são como um compilado de bobagens que tenho ouvido por aí ao longo dos tempos, em jantares de família, saguões de faculdade, mesas de bar… todas essas coisas que permeiam a vida de um jovem da classe média porto-alegrense.
O que ele fez lá na Noruega tem um montão de gente por aqui que adoraria fazer com os integrantes do MST, ou com os moradores de rua, com negros, com vileiros, com os vagabundos do bolsa família, os maconheiros das marchas ou com os bicicleteiros que ousam desafiar os carros.

Exato: o que não falta são pessoas que defendem ideias que seriam muito bem aceitas por Hitler e seus seguidores, mas dizem repudiar o nazismo (por desconhecimento ou cara-de-pau mesmo). E é aí que mora o perigo.

Foi justamente para explicar a seus alunos como os alemães puderam aceitar o nazismo e todos os seus horrores, que em abril de 1967 um professor de História em uma escola nos Estados Unidos demonstrou, de forma prática, como o fascismo surge e cresce sem que a maioria das pessoas se dê conta disso: muito pelo contrário, o apoiam sem nenhum questionamento, nenhuma crítica. Os acontecimentos foram retratados no filme “A Onda” (The Wave), de 1981, que achei inteiro legendado em português no YouTube (dividido em cinco partes) e disponibilizo abaixo.

Em 2008, foi lançada uma versão alemã (Die Welle), que deu uma “atualizada” na história, e que achei melhor. Mas não achei com legendas em português, só o trailer.

Isso, continuem dizendo que punir Bolsonaro é “censura”…

Ele não pode ser impedido de dizer o que quiser. Não deixar Jair Bolsonaro (assim como qualquer pessoa) falar, aí sim é censura.

Agora, querer que ele arque com as consequências do que diz é bem diferente. Quem acha que isso é “censura”, “ditadura das minorias” etc., ou é ingênuo ou pensa igual ao deputado.

O leitor quer ver o resultado da “liberdade de expressão” (que prefiro chamar “liberdade de pregar o ódio”*) de Bolsonaro? É só clicar aqui… E via das dúvidas, se for homem, é bom não mais demonstrar carinho pelo pai na rua.

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* Lembram que uma vez ele disse que filho homossexual era “falta de porrada”? Pois é…

Não existe ditadura das minorias, e sim, DE UMA minoria

Já fazia algum tempo que queria escrever sobre isso. Pois é algo que vem me incomodando muito.

Na atual onda de “politicamente incorreto” (eufemismo para “fascismo envergonhado”), uma das queixas destes “incorretos” é que hoje em dia vivemos uma “ditadura das minorias”. Que não se pode contar uma piada sem que se corra risco de ofensa contra alguma minoria. Que não se tem mais liberdade de expressão, e blá blá blá. Logo, é ditadura. Das minorias, é claro.

Interessante essa visão deles. Pois começo a pensar nas diversas minorias “opressoras” na ótica dessa gente. Só a primeira delas, as mulheres, já corresponde a pouco mais da metade da população brasileira. Ou seja, falamos é de uma maioria. Nem precisei ir longe para derrubar os “argumentos” deles.

Só que não são apenas as mulheres os alvos do “humor” deles. As “piadas” também atingem negros, índios, mestiços, homossexuais etc. Se fizermos a soma, já temos uma maioria esmagadora.

Logo, “minoria” é justamente quem não se encaixa em nenhuma das ditas “minorias” que, dizem, são “opressoras”. Só os homens já formam uma minoria; se quisermos para a “amostra” os que sejam também brancos e heterossexuais, sobra menos ainda.

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Agora, vamos falar de ditadura. Primeiro, vejamos o que diz o minidicionário Aurélio:

ditadura sf 1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. 2. Tirania.

Nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. Reparemos que o dicionário não fala no plural. Pois na ditadura não há pluralidade. Nem de opiniões, nem de pessoas (ou grupos de) no poder.

Voltemos, então, às minorias e à suposta “ditadura” delas. No caso, seria uma ditadura da maioria, que é a soma de todas elas. E “ditadura da maioria” se aproxima de… Democracia! (Sim, se aproxima, já que democracia real seria o governo de todos.)

Porém, sequer é esta a realidade. Pois o poder não se encontra nas mãos destas minorias (que unidas formam a maioria). Elas não oprimem – pelo contrário, são oprimidas por uma minoria, formada por homens brancos e heterossexuais (embora obviamente não se trate de todos eles – afinal, eu sou homem branco heterossexual e não concordo com a opressão, mas reconheço que sou parte do problema).

Esta minoria sempre se sentiu no direito de humilhar os diferentes. Só que agora os seus alvos não parecem mais muito dispostos a aceitarem isso calados. Daí toda a reclamação quanto à suposta “ditadura das minorias”: os “politicamente incorretos” querem liberdade para oprimir.

A “gente diferenciada” e o fascismo do século XXI

Recebi via e-mail do camarada Eugênio Neves a tradução de um artigo de Robert I. Robinson, publicado originalmente em inglês na página da Al Jazeera. O texto demonstra fala sobre os novos contornos que o fascismo vem tomando, de modo a que não seja reconhecido enquanto tal. Afinal, muitas pessoas associam imediatamente “nazi-fascismo” a Hitler e Mussolini, sem terem muito conhecimento sobre tal fenômeno – e aí, defendem algumas medidas sem se darem conta de que são fascistas (como, por exemplo, a “higienização social” da cidade).

Um trecho que o Eugênio destacou, considero fundamental:

Os deslocamentos de massas migrantes e a exclusão só aumentaram a partir de 2008. O sistema abandonou setores muito amplos da humanidade, que foram apanhados num circuito mortal de acumulação-exploração-exclusão. O sistema já nem tenta incorporar esse excesso de população: trabalha diretamente para isolá-lo e neutralizar a força de rebelião que tenham, real ou potencial; para isso, o sistema criminaliza os pobres; em vários casos, com medidas que tendem ao genocídio.

O Estado abandona qualquer esforço para garantir a própria legitimidade em fatias muito amplas da população que foram relegadas como excesso de mão de obra – ou trabalho super explorado –, e passa a recorrer a mecanismos de exclusão coercitiva: prisão em massa e os complexos prisionais-industriais, polícia pervasiva, manipulação do espaço, leis super repressivas de imigração e campanhas ideológicas que visam a seduzir essas legiões de pessoas e a torná-las passivas: e vêm as campanhas publicitárias para induzir ao consumo desmedido e à fantasia escapista.

O fascismo do século 21 não será igual ao fascismo do século 20. Dentre outras coisas, a habilidade dos grupos dominantes para controlar e manipular o espaço e para exercer controles sem precedentes sobre os veículos e os meios de comunicação de massa, e sobre a produção de imagens e mensagens simbólicas, implica que a repressão será mais seletiva (como vemos hoje no México e na Colômbia, por exemplo), e será organizada juridicamente, de modo que os encarceramentos em massa e legais vão aos poucos assumindo o lugar dos campos de concentração.

O fascismo do século XX tinha por objetivo a conquista do Estado (ou seja, do poder político), e sem mascarar seu objetivo de segregar – e mesmo exterminar – os “indesejáveis”. Foram essas as bases do fascismo italiano, do nazismo alemão, e do regime do apartheid sul-africano.

Atualmente, a exclusão se dá por meios econômicos (mesmo que não apenas por eles). Não se trata propriamente de um fenômeno novo, mas agora o Estado, aparentemente democrático, apenas “legitima” o abuso do poder econômico e, com justificativas das mais variadas, esconde os projetos segregacionistas que estão em andamento por todas as partes do mundo.

Pensaste em “Copa do Mundo” e as inúmeras remoções de famílias para “as obras de revitalização para a Copa”, amigo? Acertaste “na mosca”… A Copa e a Olimpíada servem de desculpas para a realização de uma “higienização social” nas principais metrópoles brasileiras. Afinal, “fica ruim para a imagem do Brasil” que haja gente pedindo esmola nas ruas, com um monte de turistas estrangeiros (dólares e euros!) por aqui. Mas, como diminuir a pobreza é uma tarefa longa e a Copa “é amanhã”, se achou a solução: confinar os pobres, mandá-los para bem longe dos locais onde haverá turistas. Como eles farão para chegarem a seus locais de trabalho morando cada vez mais distante deles e em um transporte público que só piora? “Que se virem”…

Traduzindo: que não se atrevam a ir a lugares “que não são seus”. Caso, por exemplo, de Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. A expansão do metrô da cidade previa uma estação na Avenida Angélica, mas a pressão de 3.500 moradore$ fez com que o governo do Estado (responsável pelo metrô) decidisse deslocar a estação para o Pacaembu – que, com a construção do estádio do Corinthians para a Copa (pra variar…), se tornará um “elefante branco”, sem jogos de futebol.

Dentre os lamentos que foram ouvidos antes da decisão do governo Geraldo Alckmin (PSDB), um é uma pérola: o metrô “atrairia gente diferenciada”. No caso, os pobres, que teriam mais facilidade de acesso a Higienópolis. Os narizes-empinados não pensaram que, com uma estação de metrô, ficaria mais rápido (e barato) para as pessoas que trabalham no bairro mas moram longe chegarem lá. Assim como eles próprios teriam uma nova alternativa de deslocamento, fundamental em uma cidade como São Paulo, de trânsito cada vez mais caótico.

Eles não pensaram, pois uma das características do fascismo é o irracionalismo – e isso não mudou em sua versão do século XXI. O segundo parágrafo da citação lá no começo fala das campanhas ideológicas para “apassivar” as multidões, incluindo aí a publicidade que induz ao consumo desmedido (consumismo) e à ilusão do escapismo – como se vê com os condomínios fechados e os automóveis: reparem que, na propaganda, o carro sempre anda livremente, sem congestionamentos… Então, a opção é de se “isolar” num carrão e ficar três horas no trânsito, ao invés de pegar o metrô e correr o risco de sentar ao lado de “gente diferenciada”, mesmo levando muito menos tempo para chegar ao destino. (Assim, como o transporte coletivo público é “coisa de pobre”, não é prioridade de prefeituras e governos.)

Mas o leitor pode dar uma pesquisada na internet e pensar que nesse caso da “gente diferenciada” os elitistas se deram mal, já que a mudança do lugar da estação pelos citados motivos repercutiu negativamente, e assim o povo vai dar o troco nas urnas. Porém, lembremos do terceiro parágrafo da citação lá do começo: “a habilidade dos grupos dominantes para controlar e manipular o espaço e para exercer controles sem precedentes sobre os veículos e os meios de comunicação de massa“…

Intolerância e o massacre no Rio

Ontem pela manhã, aconteceu em São Paulo um ato em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e suas declarações abertamente preconceituosas. Basta dar uma olhada nas fotos dos apoiadores de Bolsonaro para perceber o quão “do bem” eles são: caras fechadas, tatuagens nazistas, rostos cobertos (ué, se são “do bem” não deveriam temer mostrar a cara, né?) etc. Em contraposição, a esquerda convocou um ato para o mesmo local e no mesmo horário, inclusive reunindo mais gente que os fascistas. A polícia formou um “cordão de isolamento” entre os nazi-fascistas e os manifestantes de esquerda para evitar que houvesse um confronto, e prendeu oito pessoas: seis da direita (dentre eles o responsável por uma bomba na Parada Gay de São Paulo no ano passado e um dos envolvidos na agressão com lâmpadas a homossexuais na Avenida Paulista, em novembro passado, além de outros que eram acusados de homicídio) e duas da esquerda (dois punks que estavam sem documento de identidade).

Vivemos um momento de crescimento da intolerância não apenas no Brasil, é verdade. Mas é terrível que isso ocorra num país como o nosso, onde o “normal” é justamente a diversidade. Chega a ser risível (mas também assustador) que certas pessoas achem que “o brasileiro típico” é branco, heterossexual e cristão; e pior, que só estes devam ser respeitados.

A cultura da intolerância é a causa do chamado bullying nas escolas e em outros ambientes. Afinal, as vítimas das agressões são sempre pessoas que não são aceitas por não se encaixarem nos “padrões” – até mesmo sendo brancas, heterossexuais e cristãs. Afinal, é preciso também ser “bonito” (qualquer que seja o padrão de beleza), extrovertido, bom no futebol etc. Se fugir um pouco disso, vêm os rótulos, os apelidos depreciativos… Muita gente não se encaixa exatamente no “padrão”, e inclusive chega a se identificar com a vítima, mas por medo de passar a ser alvo de chacota, procura evitar ao máximo o colega agredido, ou pior ainda, une-se aos que o atacam.

Aí eu leio diversos textos sobre o massacre na escola de Realengo com uma importante informação: Wellington Menezes de Oliveira era vítima de bullying. Era gozado pelos colegas por ser “diferente”.

Obviamente isso não quer dizer que toda a vítima de bullying um dia irá invadir a escola onde estudou (ou estuda) e disparar dezenas de tiros. Mas não se pode achar que o alvo de gozações aceita isso numa boa – ainda mais durante a adolescência. Com agressões repetidas ao longo de muito tempo, é difícil que a vítima não sinta a menor vontade de se vingar de seus algozes.

Se o agredido tiver problemas psicológicos – caso de Wellington – ele procurará de fato a vingança. E se não puder acertar as contas com seus verdadeiros agressores, o fará com quem mais se assemelhe: no caso de Realengo, foi com os atuais alunos da escola (principalmente meninas, ou seja, ódio por mulheres, a misoginia), que nada fizeram a ele, e provavelmente nem o conheciam.

Avalanche direitosa

Primeiro, foi a “polêmica” sobre o aborto, na campanha eleitoral. Depois, a disseminação de ódio no Twitter contra nortistas e, principalmente, nordestinos, dos reacinhas revoltados com o resultado da eleição (e que, de tão “esclarecidos”, esqueciam que mesmo sem contar os votos do Norte e do Nordeste, Dilma teria vencido).

Agora, é a homofobia. Os direitosos defendem o “direito” de agredirem quem é homossexual.

Criminalizar a homofobia não quer dizer que todos os brasileiros serão obrigados a se tornarem homossexuais. Apenas estabelece que quem é atraído por pessoas do mesmo sexo seja respeitado, tenha direito a ser diferente sem ser agredido por conta disso. Simples.

Em um trecho do ótimo post no seu blog, a Lola Aronovich disse tudo:

Tipo: eu não gosto de banana. Então o que faço? Ué, eu não como banana. Se alguém me oferece banana, eu agradeço e digo “Não, obrigada”. Quando vou a um buffet por quilo, não fico apontando pras bananas à milanesa e fazendo cara de nojo. Tampouco as procuro pra poder destrui-las com um garfo. E ninguém tenta me convencer a gostar de bananas. Eu não gosto, mas sei que tem um monte de gente que gosta. É meio egoísta eu querer que as bananas desapareçam da face da Terra só por eu não gostar delas. Sabe, quem morreu e me nomeou deus? E por falar em deus, não vou ficar procurando na bíblia passagens que possam ser interpretadas como “deus odeia bananas e quer que elas ardam no inferno”. Tenho mais o que fazer.

E os direitosos que não me venham dizer que não existe homofobia no Brasil. O vídeo abaixo é a “pá de cal” nos “argumentos” deles.

Os “esclarecidos” do Brasil

Conheço muitos que votaram em José Serra e não são xenófobos. Mas é fato que os “esclarecidos” que pregam o ódio ao Norte e ao Nordeste digitaram o “45” no domingo.

Tenho certeza de que dentre os reacinhas que destilam ódio contra nortistas e nordestinos no Twitter há gaúchos que reclamam de preconceito contra o Rio Grande do Sul. Hipocrisia é dose!

Estes demonstram que não são “esclarecidos” como se acham. Não apenas por suas mentalidades tacanhas, fascistas. Mas também por sequer saberem Matemática: Dilma teria sido eleita mesmo que não se considerassem os votos do Norte e do Nordeste.

Por conta da onda de xenofobia, a seção Pernambuco da OAB entrou com uma representação criminal na Justiça de São Paulo contra a estudante de Direito Mayara Petruso, por racismo e incitação a homicídio. Que sirva de exemplo.

A baixaria já recomeçou (e piorou)

Dois meses atrás, recebi (e respondi) uma mensagem tosca contra o governo Lula, criticando a abertura de uma embaixada do Brasil em Tuvalu. Os “gênios” que repassam aquele lixo e-mail, pelo visto não sabem que relações diplomáticas são questão de Estado, e não de governo. Ou acham que, se eleito, José Serra imediatamente romperia as relações diplomáticas com Tuvalu? (Só imagino, se isso por acaso acontecesse, o mundo se perguntando o que aquele país teria feito de tão ruim para o Brasil.)

Pois é, e agora essa mesma merda mensagem está de volta… A minha mãe recebeu, e me repassou para que eu desse risada dos direitoscos que mandam isso.

O problema, é que algumas coisas que vêm acontecendo não podem ser consideradas “engraçadas”. Como a situação passada pela filha de Arnobio Rocha. A menina, de 9 anos de idade, que estuda em uma escola católica de São Paulo, disse que os pais haviam votado em Dilma Rousseff e por isso foi agredida por colegas cujos pais votaram em José Serra. Não só com as mentiras de sempre (ou seja, que Dilma seria “terrorista”, “assassina”, “a favor do aborto” etc.), como também fisicamente.

Isso é muito preocupante, independentemente da posição política defendida, pois se quando pequenos já agridem uma criança só porque os pais dela votaram em outro candidato, imagine quando crescerem… Fazer política com base no ódio não combina com democracia, e sim com totalitarismo (fascismo, à direita; e stalinismo, à esquerda).

Em comentário à postagem que fez a denúncia, um eleitor de Serra repudiou veementemente o acontecido, e lembrou algo que muitos parecem ter esquecido: nem Dilma nem Serra são salvadores da pátria ou santos, são apenas candidatos a um cargo eletivo.