76 dias depois

Dias atrás, escrevi o texto que seria o último do Cão Uivador. Estava decidido a encerrar em definitivo as atividades do blog, de atualizações cada vez mais irregulares. Afinal, nos últimos tempos as pessoas, de forma geral, andam preguiçosas. Não leem textos longos na internet, não clicam em links que levem para longe do Facebook, acreditam em qualquer meme idiota que seja chamativo… Não é de surpreender a praga dos boatos.

cão uivador

Então, ao abrir o Facebook (sempre ele…) no começo da noite de hoje, vi a mensagem acima. E tive noção do tempo que deixei o blog parado. Antes disso, o máximo tinha sido em torno de 20 dias. Nunca passara de um mês. Mas agora já eram dois e meio.

Então tive a ideia de… Postar a imagem aqui. Afinal, é o lugar ao qual ela se refere. Foi a motivação para voltar a atualizar o blog.

Larguei de mão, ao menos temporariamente, a ideia de encerrar o Cão. Mas não prometo mais atualizações “de tantos em tantos dias”: antigamente eu sempre procurava evitar que ele ficasse mais de quatro dias sem novas postagens. Agora vou escrever só quando estiver a fim.

Mas algo que preciso definir logo, é quanto ao endereço dele. Em maio do ano passado adquiri o domínio caouivador.com pelo período de um ano, pagando US$ 26 por isso. Agora tenho até o dia 22 de abril para decidir se renovo por mais um ano ou não. Por enquanto, não acho que valha a pena pagar mais US$ 26 – ainda mais com a cotação do dólar em alta.

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O Cão em 2014

Terminou 2014, que em termos de atualizações foi disparado o pior ano da história do Cão. E a tendência não é melhorar.

O que acontece é muito simples: hoje em dia, o Facebook rouba audiência de tudo. Infelizmente, as pessoas se tornaram extremamente preguiçosas: para não poucas, navegar na internet tornou-se sinônimo de acessar a rede de Zuckerberg, e com isso não clicam em links que as levem para fora do Facebook. Consequentemente, um texto será mais lido se for postado diretamente no FB (e, principalmente, se for curto – não esqueçam da preguiça reinante) do que se for publicado em um blog meio desconhecido (caso deste) com link para quem navega no Facebook clicar.

Óbvio que acho isso uma bosta, e não simplesmente porque meu blog perdeu a pouca relevância que já teve. O Clube do Hardware publicou um editorial que explica muito bem o quão problemática é essa situação: quem investe na internet depende, fundamentalmente, de audiência para que seu negócio prospere. Nem toda página é comercialmente viável (e às vezes o “investimento” não é em busca de retorno financeiro, para o meu blog basta que os textos sejam lidos e comentados, de maneira a serem relevantes), mas com o Facebook tornando-se sinônimo de “internet” para muitas pessoas, importantes endereços da web estão sofrendo prejuízos: com menos audiência, os banners de publicidade têm menos visualizações e também menos cliques; com isso, anunciar na internet torna-se menos atrativo para as empresas que anos atrás o fariam sem pestanejar.

Mas o prejuízo não é só para quem investe na internet, é também para todos os que navegam pela rede. Como o próprio editorial do Clube do Hardware lembra, hoje em dia quando temos dúvidas sobre algum assunto simplesmente perguntamos no Facebook, quando “antigamente” (ou seja, uns cinco anos atrás) buscávamos páginas e fóruns especializados no assunto. O que isso quer dizer é: a qualidade da informação que recebemos também caiu muito, pois não sabemos se a fonte é alguém que realmente entende do assunto ou se é apenas alguma pessoa metida a dar palpites sobre tudo.

“O Cão Uivador vai acabar?”, alguém pode perguntar. A resposta é não. De maneira alguma acabarei com o blog, por dois motivos. O primeiro, é que acho bom ter um espaço meu para publicar o que escrevo (mesmo que eu mesmo acabe “pirateando” o texto para o Facebook). Já o segundo, é uma esperança: um dia o FB há de se acabar, tal qual o Orkut (aliás, deixou saudades). E o Cão seguirá.

Bom, agora chega de “mimimi” e vamos ao relatório.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 8.100 vezes em 2014. Se fosse um comboio, eram precisas 7 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

O fim do Orkut

No início de 2009 fiquei sabendo que o Esquilo Travesso, escolinha onde fiz o Jardim de Infância, iria fechar as portas pois sua sede (uma antiga casa na Rua Dona Laura) havia sido vendida para, posteriormente, ser posta abaixo.

A notícia me despertou nostalgia por aqueles dias em que eu frequentava a escolinha, de meados de 1986 ao final de 1988. E também me fez decidir pela volta ao Orkut após quase três anos de ausência – cometi meu primeiro orkutcídio no início de 2006 – na esperança de quem sabe reencontrar os coleguinhas daquela época. (Acabei não reencontrando ninguém, lembro que abri um tópico na comunidade perguntando por alguém da turma que concluiu o Jardim em 1988 e não houve resposta…)

No fim, terça-feira foi a vez do próprio Orkut cometer seu orkutcídio. O meu segundo – e definitivo – aconteceu em algum dia em 2012 ou 2013, o que demonstra a decadência da rede que até quatro anos atrás era a mais acessada pelos brasileiros: minha última saída do Orkut não marcou como a primeira, em 2006. No início de 2014, quando a rede completou 10 anos, a Google não tinha pretensões de acabar com ela; mudou de ideia em junho, quando anunciou o fim para 30 de setembro.

Confesso que o fim do Orkut, em si, não me causou maior nostalgia. Afinal, eu já desfizera minha conta e, quando tentei voltar, deu erro. Parecia que o próprio não me queria mais lá.

Por mais cruel que possa parecer minha avaliação, o Orkut não chegou ao fim “por nada”. É preciso avaliar todos os motivos pelos quais uma imensa quantidade de pessoas decidiu trocá-lo pelo Facebook, mas alguns são facilmente identificáveis: excesso de spam (do qual, inclusive, não estamos livres no FB), falta de dinâmica (em 2010, antes do Facebook “bombar”, a rede na qual se compartilhava links e notícias era o Twitter, não o Orkut), sem contar os “benditos” gifs animados que chegavam a dar dor de cabeça.

O ruim mesmo é que no Facebook não tem comunidades e não há sinal de que Mark Zuckerberg pretenda adotar tal funcionalidade “orkutiana” em sua rede. E se nem no Orkut, onde havia uma comunidade do Esquilo Travesso, eu consegui encontrar aquela menininha simpática de quem eu tanto gostava, no Facebook certamente não vou achá-la. Pode parecer bobagem, mas eu adoraria reencontrar alguém que não vejo há quase 26 anos.

Antes de compartilhar, cheque a informação

No momento, a maioria das pessoas está dando bastante atenção à Copa do Mundo, o que é absolutamente normal. É assim em todas as Copas e nesta não se poderia esperar algo diferente, já que é no Brasil.

Porém, dentro de algumas semanas terá início algo que sempre se segue às Copas do Mundo: campanha eleitoral. E não é qualquer uma: em 5 de outubro votaremos para deputados estaduais e federais, senadores, governadores de Estado e presidente da República. E, em especial, é a disputa pela presidência que mais mobilizará os brasileiros: afinal, é o cargo máximo da política nacional.

Na eleição de 2010 (e na de 2006 também), a rede social mais usada pelos brasileiros era o Orkut, mas lá não havia a opção “compartilhar”. Assim, boa parte das informações (e também dos boatos) era passada e repassada via e-mail, e na “caça ao voto” o Twitter teve um papel muito mais relevante que o Orkut. Perdi as contas de quantas “correntes” recebi na minha caixa de e-mail…

Em 2014 temos uma situação diferente. Não apenas porque agora a rede social mais usada é o Facebook, mas principalmente por conta de suas particularidades: o botão “compartilhar” (que facilita muito o repasse de informação: ao invés de clicar em “encaminhar”, selecionar os contatos e depois clicar em “enviar”, o compartilhamento do Facebook atinge, com menos cliques, mais pessoas – eu, pelo menos, tenho muito mais contatos no FB do que na minha lista do e-mail) e a “economia” de palavras, como provam inúmeras imagens com textos curtos – afinal, se diz que as pessoas têm “preguiça” de ler na internet. Sem contar que muitos não clicam em links que levem para fora do Facebook (o que é um problema, pois isso tira tráfego de muitos sites e pode acabar por inviabilizá-los), e assim compartilhar “memes” é muito mais eficaz do que repassar um e-mail apenas com texto.

O Facebook é, portanto, um facilitador na tarefa de desmentir inverdades divulgadas pela mídia conservadora (imaginem se ele existisse na campanha eleitoral de 1989, por exemplo). Porém, as mesmas características que favorecem o desmentido também contribuem para que sejam divulgados ainda mais boatos, mais mentiras. Ainda mais com tantos “memes” que em poucas palavras “explicam” tudo. Pois como já disse, muitas pessoas perderam o hábito de acessar outras páginas que não o FB.

Porém, está chegando a hora em que não limitar sua navegação na internet ao Facebook será extremamente necessário. Pois a campanha eleitoral de 2014 tem tudo para ser a mais suja que o Brasil já viu, tornando 2010 “brincadeira de criança” (e olhem que já foi feia a coisa quatro anos atrás). Mais do que nunca, será preciso checar a informação recebida antes de clicar em “compartilhar”. E não é no FB que se faz isso – ele deve ser usado sim para espalhar os desmentidos a muitos boatos que serão difundidos.

Já detonei diversos boatos por aqui, tantos que nem recordo de todos. Mas certamente voltarei a fazê-lo durante a campanha eleitoral, e pretendo também buscar postagens antigas em que desmenti inverdades para organizá-las em uma lista, para facilitar o combate à desinformação nos próximos meses.

E também vale sempre uma visita ao E-farsas, que há anos desmente diversas farsas que circulam pela internet. E aqui, algumas dicas sobre como checar informações.

Falta muito?

Criança viajando sempre é ansiosa. Entra no ônibus, no carro, no avião, louca para chegar ao destino. Tanto que depois de um tempo, começa a perguntar, toda hora, se falta muito para chegar. Afinal, já viajamos tanto que certamente já estamos chegando. Mas não, o destino ainda está longe.

Com o tempo, aprendemos a apreciar o trajeto, as paisagens que nos separam do lugar para onde vamos. Inclusive, em uma das tantas máximas que usam viagem como exemplo, dizem que a felicidade não é nosso destino, mas sim o caminho. Afinal de contas, quem vive em busca da felicidade, obviamente não tem uma vida feliz – e provavelmente nunca terá.

Isso não significa que aprender a apreciar o caminho torne qualquer viagem boa. Pois saber que o destino é ruim faz com que o trajeto até ele torne-se também ruim. Dá vontade de ir para outro lugar, ou de voltar ao ponto de onde saímos.

Pois é mais ou menos essa sensação que tenho no Brasil de hoje. Vivemos dias de muito ódio, muita raiva, muita mentira. Inventam imbecilidades do tipo “PT vai dar um golpe comunista” (Karl Marx, aniversariante de hoje, dá um duplo twist carpado no túmulo toda vez que alguém curte ou compartilha essa merda), ou difundem absurdos sobre programas sociais e seus beneficiários, reproduzidas constantemente por gente que tem preguiça de fazer uma rápida pesquisa no Google. Um boato de Facebook se espalha, vira “verdade”, e pessoas são linchadas até a morte por conta disso. E isso que a campanha eleitoral ainda não começou: 2010 é brincadeira de criança perto do que se verá neste ano.

Pior é abrir o Facebook e dar de cara com essas coisas. Farei logo a mais ampla seleção de contatos desde que criei minha conta lá, de modo a manter apenas o que vale a pena. Afinal, tenho o direito de não visualizar manifestações do quão maldosa pode ser a espécie humana. Porém, sei que isso equivale apenas a fechar a cortina do ônibus para não enxergar a paisagem que se encontra no lado de fora da janela: ela continua lá, e seguimos viajando.

O destino dessa viagem? A barbárie.

Será que falta muito? Há algum retorno antes de chegarmos lá?

Gritaria por escrito

Estão em toda parte. Sejam curtos (por exemplo, comentários em portais ou no Facebook) ou longos, há muitos textos na internet que são uma verdadeira “gritaria”. Não é preciso se esforçar para achá-los.

Em geral, quando debatemos temos a estúpida pretensão de “vencer”, ao invés de simplesmente trocar ideias – que é justamente a função do debate. Argumentar não é algo simples, e muitas vezes precisamos de tempo para buscar informações que melhor fundamentem nossa opinião. Só que, no calor do momento, muitas vezes optamos pela resposta “de bate pronto”, sem pensar. E, quando nos irritamos, tendemos a gritar.

Obviamente podemos nos irritar também em um debate “escrito”, pela internet. E “gritamos”. Não da forma tradicional, mas sim, escrevendo sem pensar (e sem revisar), ou de forma a chamar o máximo de atenção possível.

HÁ QUEM SIMPLESMENTE ESCREVA TUDO EM LETRAS MAIÚSCULAS – O QUE, NA LINGUAGEM ESCRITA, É SINÔNIMO DE “GRITAR”. TEXTOS ESCRITOS EM MAIÚSCULAS SÃO MAIS CHAMATIVOS, EMBORA SEJAM PIORES DE LER – A ESCRITA NORMAL, COM PREDOMÍNIO DE MINÚSCULAS, PARECE SER MAIS “HARMÔNICA”, AGRADÁVEL AOS OLHOS.

Algumas pessoas já perceberam que escrever tudo em maiúscula cansa os olhos. Então, preferem usá-las APENAS EM ALGUMAS PALAVRAS, realçando o que consideram mais importante.

Mas há quem vá além e, não bastassem as maiúsculas, TAMBÉM GRIFAM O TRECHO. Pois não basta realçar: é preciso fazê-lo DUAS VEZES.

Calma, que ainda pode piorar. Pois também se encontra, aos borbotões, textos que além das MAIÚSCULAS GRIFADAS, são também multicoloridos. Ah, e também com MAIÚSCULAS GRIFADAS.

Então chegamos ao ponto de termos parágrafos inteiros grifados, azuis ou vermelhos, E AINDA POR CIMA COM AS MAIÚSCULAS. O que é típico de textos que expressam opiniões raivosas, do tipo “protesto é baderna” ou “Brasil vai virar comunista”.

Sorte que em comentários de Facebook não é possível mudar a cor da letra nem grifá-la. POIS IMAGINEM UM COMENTÁRIO TODO COLORIDO E GRIFADO!!!!11!!!

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Agora, falando sério, umas dicas para o que você escrever ser agradável para quem lê (ou, pelo menos, aos meus olhos):

  • Para realçar um trecho, basta grifá-lo, sem escrever tudo em maiúsculas;
  • Usar cores diferentes para chamar a atenção de um parágrafo “mais importante”, no fundo só me ajuda a ver o conjunto do texto como algo sem credibilidade (fiz isso mais acima só pela galhofa);
  • Exclamar demais passa a impressão de que o autor é uma pessoa extremamente irritada, com a qual qualquer debate vira bate-boca, e por isso a exclamação deve ser usada com moderação;
  • Terminar uma frase com vários pontos de exclamação um ao lado do outro é sinal de muita raiva, ainda mais se a pessoa acaba soltando o “shift” e o “!” vira “1”, numa clara demonstração de irritação que leva o autor a publicar aquilo sem sequer revisar.

Os 10 anos do Orkut

Em meados de 2004, recebi um e-mail de minha amiga Ísis. Achei estranho: a mensagem era em inglês, e tinha um link; confiei no meu antivírus e cliquei. Apareceu a tela abaixo:

orkut2004

Pouco depois, desconectei da internet (sim, naquela época se fazia isso, pois a conexão era discada, não era só ligar o computador e abrir o navegador), peguei o telefone e liguei para a minha amiga. Então ela me explicou o que era aquilo: uma página em que nos conectávamos aos amigos, descobríamos quantas amizades em comum tínhamos etc. Quando consegui entrar novamente na internet (pois é, às vezes a conexão não vinha…), fiz meu cadastro naquele tal de Orkut – que deve seu nome ao engenheiro do Google que o desenvolveu, o turco Orkut Büyükkökten. E, ainda sem entender bem para que serviria aquilo (afinal, não era um bate-papo como o ICQ e o MSN), comecei a adicionar comunidades.

Amizades, não: por cerca de um mês, tinha apenas a Ísis na minha lista, e não sabia de mais ninguém que usava o Orkut. Era uma novidade para muita gente, ainda mais que não era qualquer um que podia entrar: era preciso ser convidado. Cheguei a enviar alguns convites, mas demorou até a lista de amizades aumentar. Mas, quando isso começou a acontecer, não parou mais.

Logo, descobri o que considero uma das melhores coisas dessas chamadas “páginas de redes sociais”: a possibilidade de reencontrar pessoas com as quais não falamos há muito tempo. Amigos de infância com os quais se perdeu o contato, ex-colegas de escola etc. O que a vida tinha separado pelos mais diversos motivos (mudanças de endereço, de escola, pouco tempo para reencontros etc.), o Orkut oferecia a possibilidade de reunir.

A frequência de visitas ao Orkut aumentou bastante, já que havia mais pessoas com quem interagir, além das comunidades – várias eram inúteis, é verdade, mas outras eram um excelente espaço de discussão. Muitas vezes, chegava a passar horas na rede. Não ininterruptas, é claro.

orkut-nodonut

Mas não só por causa dessa “agradável” tela aí de cima. Como falei, em tempos de conexão discada, existia hora para entrar na internet – ou seja, quando as ligações eram mais baratas. Isso mudou a partir do momento em que passei a ter banda larga: bastava ligar o computador e abrir o navegador. E assim, as interrupções do Orkut passaram a ser, basicamente, a telinha acima. Tinha também algo chamado “estudar”, por causa da faculdade, o que me obrigava a ficar longe do Orkut mas com vontade de acessá-lo.

No início de 2006, tinha a perspectiva de disciplinas bastante difíceis. Temia “não dar conta”. Assim, o Orkut “pagou o pato” e desativei minha conta.

Foram quase três anos longe da rede. O retorno se deu no início de 2009, ao mesmo tempo em que criava meus perfis no Twitter e no Facebook. A princípio, não pensava em voltar ao Orkut: a entrada no Twitter era por curiosidade, por perceber que aumentava o número de blogueiros o utilizando; já no Facebook, aceitei um convite do meu amigo Hélio – que da mesma forma que a Ísis nos meus primeiros tempos no Orkut, por bastante tempo foi meu único contato na rede.

A volta ao Orkut se deu por “nostalgia”. Não da rede, e sim de minha antiga escolinha, o Esquilo Travesso, onde fiz o Jardim de Infância. No final de janeiro de 2009, li uma notícia sobre o fechamento do Esquilo, o que me motivou a escrever sobre ele. Assim, o retorno se deveu à vontade de tentar reencontrar os colegas daquela época: entrei na comunidade, mas não achei ninguém que tenha terminado o Jardim de Infância em 1988. Porém, também vi o retorno ao Orkut como uma maneira de divulgar mais o Cão Uivador – que não existia em 2006, quando cometi meu primeiro “orkutcídio”.

Pois é, o primeiro. Pois houve um segundo – e, por enquanto, definitivo. Em 2010 o Facebook começou a crescer rapidamente e “roubar” a hegemonia do Orkut – que até o final de 2011 se manteve como a rede mais usada pelos brasileiros (e o Brasil era o único país onde o Orkut era tão popular, visto que seu uso decaíra na Índia, onde também era a principal rede). Foram vários os motivos de tamanha mudança, mas o fato é que, com o Facebook crescendo muito e virando moda, o Orkut começou a minguar, com os amigos pouco acessando e/ou simplesmente apagando seus perfis. A relevância que tinha o Orkut até 2010 passou a ser do Facebook.

Assim, em algum dia ali por 2012 ou 2013, decidi desativar minha conta. Antes de “apagar a luz”, decidi conferir o número de amigos que ainda tinha: era bem menos da metade em comparação com o que já tivera.

Porém, 10 anos após o surgimento do Orkut (que foram completados ontem, dia 24), engana-se quem pensa que o Google pensa em acabar com ele. Ainda há um considerável número de pessoas que o utilizam – especialmente no Brasil, claro. Principalmente pelo que ele tem e o Facebook não: as comunidades, que não só dizem do que gostamos, como também funcionam como um interessante espaço para debates. É até mesmo algo que faz pensar em reativar a conta no Orkut – além, é claro, da sensação de “viagem no tempo” que isso proporcionaria. Quem sabe não seja uma boa ideia?

A volta da reclamação anti-BBB

Começou o ano, e de novo toda aquela reclamação quanto ao BBB no Facebook (em número muito maior do que os comentários sobre ele, como era de se esperar). Ainda não vi ninguém compartilhar aquela imagem dizendo que a cada vez que alguém assiste ao programa um livro comete suicídio, mas não esqueço do comentário feito por meu amigo Paulo Alcaraz no ano passado: “fiquei com vontade de assistir, para ver se o Cinquenta Tons de Cinza se matava”. A frase continua perfeita, basta trocar o best-seller do ano passado pelo atual…

O que o comentário do Paulo quer dizer é: assim como existem programas ruins (e considero o BBB um deles), também há livros ruins. Em geral, trocar a televisão pela leitura é bom, pois não recebemos “tudo pronto” e com isso usamos mais a imaginação (tanto que jamais duas pessoas imaginarão de forma igual a mesma cena narrada em um livro); mas não é garantia de um entretenimento de qualidade.

Porém, o que chama a atenção, da mesma forma que no ano passado, é ver gente defendendo que devemos ler ao invés de assistir ao BBB, mas que não está lendo nada no momento. O motivo é óbvio: gasta tempo com suas reclamações no Facebook ao invés de abrir um livro – o que poderia render comentários bem mais interessantes.

Ninguém é (ou não deveria ser) obrigado a gostar de qualquer coisa. Se você acha que tem muita bobagem no seu Facebook, faça uma “faxina” nos seus contatos. E não me refiro apenas ao BBB no conceito de “bobagem”, pois ele varia de pessoa para pessoa: há quem não goste de propaganda eleitoral, religião, futebol etc.

Aliás, se tem coisa para a qual ultimamente ando sem saco é debate “grenalizado” sobre futebol, tanto que quando ele toma tal rumo prefiro nem participar mais. É muito pior do que comentários sobre o BBB. Muito pior mesmo.

Aproveite mais e poste menos

Enquanto fotografava e postava, a pizza esfriava...

Enquanto fotografava e postava, a pizza esfriava…

“Braggie é a tendência para 2014 nas redes sociais”, dizem várias matérias de jornais e portais – nem sempre usando exatamente essas palavras, claro. O termo “braggie” tem um significado “curto e direto”: fotografia postada com o objetivo de causar inveja.

Antes de sair atirando pedra nos “exibidos”, é preciso refletir: quantas vezes também fizemos isso? A foto de abertura, tirada alguns meses atrás, não me deixa mentir: já postei “braggies” (é assim o plural dessa porra?). Mas, como diz a legenda, enquanto perdia tempo fotografando e compartilhando, a pizza ia esfriando… Não fosse a preocupação de mostrar a todos minha satisfação gastronômica, teria saboreado muito mais.

A partir da “pizza fria”, podemos fazer analogias a diversos outros casos. Por exemplo, agora é verão e muitas pessoas estão passando férias na praia. Oportunidade de descansar, se refrescar no mar e… Se exibir para todo mundo. Aí, quem ficou (literalmente) derretendo no Forno Alegre abria o Facebook e lá estavam inúmeras fotos de seus amigos “curtindo” a praia. O coitado lamentava por sua vida “desgraçada”, por estar na cidade nesse calorão, sonhando em inverter a situação: “logo será a minha vez de ir para a praia e postar muitas fotos, enquanto esses que lá estão já terão voltado”.

“Ir para a praia e postar muitas fotos”. Será que a pessoa quer realmente aproveitar a praia? Mais parece é que apenas está “mendigando curtidas”, querendo se sentir invejada. E não que esteja realmente aproveitando. O mesmo vale para quem vai à pizzaria e posta foto do prato (enquanto a pizza esfria), vai ao bar e posta foto do copo (enquanto a cerveja esquenta)… E nos shows então? O que mais se vê são pessoas que, ao invés de realmente desfrutarem do espetáculo, passam quase o tempo inteiro olhando para a tela de seus celulares e tablets, desesperadas para dizerem, naquele exato momento, que estão “curtindo muito” o show.

Diversas pesquisas apontam que redes como o Facebook e o Instagram causam depressão. O motivo é simples: é extremamente fácil passar aos outros a impressão de que temos uma vida “maravilhosa”, sem problemas, por meio de fotos bonitas e “felizes”. E então, alguém está solteiro e vê muitas fotos de “casais felizes”, está em casa numa sexta-feira à noite e se depara com uma foto dos amigos numa festa; está com fome e dá de cara com aquele belo prato de comida na tela; sofre com o calor na cidade e vê várias daquelas fotos (bem toscas, aliás) de “pernas estendidas” com o mar ao fundo… Vamos combinar que é difícil não nos sentirmos “inferiores”. Porém, ao invés de ir fazer algo melhor (ler um livro, por exemplo), tendemos a querer “competir” e postar fotos que causem “mais inveja”, mesmo que nem estejamos tão “felizes” na hora.

Por mais que pareça, uma fotografia não é cópia fiel da realidade. É apenas uma imagem, uma representação, obtida em um momento específico (uma foto do Olímpico Monumental, por exemplo, em breve nem mais representará algo realmente existente, visto que o estádio será demolido). E a imagem pode muito bem “maquiar” a realidade: já vi em várias páginas com fotos de Porto Alegre o Arroio Dilúvio aparecer “bonito”, sem os sacos de lixo e outros objetos (até mesmo geladeiras) que muitas pessoas jogam dentro dele. Assim como modelos sempre parecem “de cera”, sem imperfeições, graças à manipulação gráfica de suas fotos.

Assim, ao entrar no Facebook ou no Instagram e dar de cara com aquelas fotos “felizes”, lembre: o que você vê não é “felicidade”, trata-se apenas de uma imagem. Aquele “casal feliz” pode viver brigando por bobagens, a festa na qual foi tirada a foto cheia de pessoas sorridentes pode estar um porre, aquela comida pode estar fria ou sem gosto, e a pessoa que postou aquela foto na praia pode ter exagerado no sol sem passar protetor e em consequência estar com ardência no corpo inteiro.

Traduzindo: você, “perdedor” que se lamenta, pode tranquilamente estar num momento mais feliz do que os “vencedores”. E, melhor ainda, desfrutando dele sem a preocupação de precisar desesperadamente mostrar aos outros – ou seja, realmente aproveitando.

Por que trocar o Facebook pelo Twitter

Não, isso não quer dizer que a página do Cão no Facebook deixará de existir, nem que abandonarei totalmente a rede de Mark Zuckerberg. O que acontecerá, na verdade, é uma “inversão de prioridades”: até 2010, usava mais o Twitter que o Facebook (que também “dividia espaço” com o Orkut). A partir de 2011 é que o Facebook começou a ser “hegemônico”: comecei a reduzir o uso do Twitter e o Orkut “minguou” (inclusive acabei encerrando minha conta por lá, visto que a maioria dos amigos tinha feito o mesmo).

Três anos depois, penso que é hora de fazer o movimento inverso (exceto em relação ao Orkut). Voltar ao Twitter e reduzir o Facebook, usando-o mais por conta do bate-papo. Não por querer voltar no tempo, mas sim por conta de uma série de motivos, que explico abaixo.

  • Maior liberdade para ignorar. Quantas vezes você não postou algo no Facebook e um chato veio encher o saco? No Twitter isso também acontece, é claro, mas temos uma vantagem: podemos ignorar o “mala”. No Facebook, não: lá está o comentário, e nos sentimos na obrigação de responder, pois se não o fizermos fica parecendo que o chato “venceu”, quando o que mais gostaríamos é de não perder tempo discutindo com o “mala”.
  • Os “caga-regras”. Tem a ver com o item anterior, mas também é algo que se deve muito à característica do Facebook como uma rede mais “pessoal”, na qual postamos fotos de nossas viagens, de nossa infância… E, muitas vezes, usamos para desabafar. Porém, nem sempre os comentários que recebemos são aqueles que realmente esperamos, ou seja, manifestações de solidariedade e de incentivo. A maioria das pessoas acha que tem a solução para nossos problemas, e então começa a “cagar regras”, a dizer o que “é bom” para nós. Sem contar aqueles que, com base em seus gostos pessoais, acham que todos, sem exceção, devem gostar das mesmas coisas. No Twitter, é mais fácil ignorá-los, deixá-los falando sozinhos.
  • O Twitter não é uma rede de amigos. Pode parecer estranho, visto que no Twitter geralmente seguimos perfis com os quais nos identificamos. Mas nele, ao menos no meu caso, vale mais a informação relevante do que a mera amizade. Não sigo reaças, por exemplo. Já no Facebook, acontece algo semelhante ao que ocorria no Orkut: serve para nos manter conectados a pessoas que geralmente já conhecemos da vida real, com as quais já tínhamos relações de amizade. Obviamente isso tem um lado muito positivo (foi graças ao Facebook que voltei a encontrar a turma do 1º Grau, por exemplo), mas por outro lado, há velhos amigos que são reaças… E enchem o saco. Se os deletamos, podem se sentir ofendidos; por outro lado, sentimos a obrigação de responder aos comentários deles (voltando, assim, ao primeiro item, relativo à “liberdade para ignorar”).
  • O Twitter não tem convite para jogos e aplicativos. E de nada adianta bloquear, todos os dias criam novas porcarias dessas.
  • Não ficar sabendo de tudo da vida dos outros (nem os outros da nossa). O Facebook realmente é uma ameaça à nossa privacidade, mas o fato é que abrimos mão dela voluntariamente. Adoramos falar de nossas vidas, para que todos saibam o quão “felizes” somos – mesmo que seja apenas uma felicidade de fachada. Sabemos demais da vida dos outros e eles sabem demais da nossa: será que realmente precisamos disso?
  • Blogar mais. “Ué, mas a ideia não era trocar o Facebook pelo Twitter?”, me perguntará o leitor incrédulo. Pois é isso mesmo. Porém, mais de uma vez percebi que estava fazendo, no Facebook, algo que poderia muito bem ter feito aqui no Cão: escrever comentários mais longos, bem maiores que um tweet. Muitas vezes, os 140 caracteres do Twitter são pouco espaço para dizer o que realmente se pensa. O Facebook pareceria ser o espaço ideal para isso, porém, não é aberto a todos (muito embora pouca gente não tenha conta no Facebook hoje em dia). Em blogs, todo mundo pode ler e comentar. Sem contar que é possível o blogueiro estabelecer limites e evitar que alguém “baixe o nível” da discussão, enquanto no Facebook não existe moderação de comentários e então vira aquela “coisa”.