A morte (?) de Bin Laden não deixa o mundo mais seguro

Na noite de domingo foi anunciada a morte de Osama Bin Laden, acusado de ser o mentor dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Após a operação conduzida por militares estadunidenses, o presidente Barack Obama anunciou o “sucesso” da empreitada.

Obama disse que “o mundo ficou mais seguro” com a morte (?) de Bin Laden. Porém, penso exatamente o contrário, ao lembrar de uma frase que lembro de ter conhecido anos atrás, em uma aula de História Moderna (se não me engano):

O rei morreu. Viva o Rei!

Tratava-se de uma saudação à instituição “Rei”, ou seja, à monarquia, que era maior que qualquer pessoa que fosse monarca.

Agora, substituam “rei/Rei” por “Osama Bin Laden”…

Exato: Bin Laden era um símbolo da Al-Qaeda e do extremismo islâmico. Muitos muçulmanos o viam como heroi (desde antes do 11 de setembro de 2001), devido a suas pregações (e ações) contra o mundo ocidental, visto por eles como “opressor” – que realmente é.

Agora, mais do que heroi, ele se torna mártir (se é que realmente morreu). E provavelmente servirá de motivação para novos atentados.

Assim, os estadunidenses que acreditam na volta dos soldados para casa, por já “terem cumprido seu objetivo”, podem tirar o cavalinho da chuva. Pois agora a “justificativa” para a continuidade da guerra será a de “evitar as represálias”…

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Pergunta que não quer calar: se os Estados Unidos são “a terra da liberdade e da justiça”, por que Bin Laden foi morto (?) sem sequer ser submetido a um julgamento?

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Pérola histórica

O editorial publicado pela Zero Hora ontem é daqueles dignos de serem guardados. Não por ser um texto de grande qualidade, e sim, pelo verdadeiro festival de bobagens. Mas de objetivo muito claro: atacar o debate democrático que é feito na internet – e que ajuda a diminuir a credibilidade da chamada “grande mídia”.

Há uma crítica às opiniões muito extremadas (até aí, tudo bem), mas o termo usado no título é o pra lá de conhecido “radicalismo”. Basta abrir o dicionário para saber que chamar alguém assim não é xingar, e sim elogiar: afinal, “radical” é quem ataca o problema pela raiz.

Mas no corpo do texto, o jornal viaja de vez. Chega a falar que a internet é um ambiente “tendencioso” e que por isso lá impera a falta de credibilidade. Bem diferente, claro, das páginas da Zero Hora.

O que é o medo do verdadeiro debate democrático…

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