Um dilema que me afligia…

Torcer ou não pelo Santos amanhã, na decisão do Mundial Interclubes?

O adversário é o melhor time que já vi jogar: o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e o lesionado Villa. Joga tão bonito, que não consigo deixar de pensar que será uma injustiça ele perder. O Mundial Interclubes seria o fecho com “chave de ouro” para um ano histórico dos blaugranas.

Porém, torço sempre contra os clubes europeus (não apenas pela América do Sul), exceto quando o adversário deles é o Inter. Em 2009, quando o Barcelona também tinha um timaço (embora não melhor que este de 2011), torci pelo Estudiantes na decisão. Ano passado, fui “Mazembe desde criancinha” contra o Inter e a Inter. Na final de 2005, torci pelo São Paulo contra o Liverpool – e a vitória são-paulina, se por um lado parece ter sido injusta (afinal, o Liverpool amassou o São Paulo no segundo tempo), por outro foi consagradora para Rogério Ceni, que naquele 18 de dezembro teve uma das maiores atuações de um goleiro que já pude assistir.

Não bastasse minha tradição de secar os europeus, o meu irmão disse que vai torcer pelo Barcelona para que o Inter siga como último clube sul-americano campeão mundial. Depois dessa, simplesmente não dá para não torcer pelo Santos…

Então, torço para que amanhã tenhamos um grande jogo em Yokohama, e que o Barcelona jogue tudo o que sabe. Mas quero que Neymar faça chover (ou nevar, já que no Japão o inverno está começando), e traga a taça para a América do Sul. Pra cima deles, Santos!

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A noite em que terei de torcer pelo vermelho

Não tenho nada contra a cor vermelha. Muito pelo contrário. Na política, não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou vermelho, já que esta é a cor associada com a esquerda. Tanto que, nos tempos em que eu “bandeirava” para o PT (ou seja, até 2004), a bandeira sempre foi vermelha. Nunca quis a azul.

Mesmo no futebol, não posso dizer que basta um time vestir vermelho para merecer meu ódio mortal. Para citar um exemplo: nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994, na mesma tarde torci por dois times que jogaram de vermelho: primeiro para a Bulgária nos 2 a 1 contra a Alemanha; e depois para a Romênia que, vermelha da cabeça aos pés, infelizmente acabou eliminada pela Suécia nos pênaltis. Tudo bem, eram os uniformes reservas, mas eram vermelhos. E naquela mesma Copa também torci por outra seleção vermelha, a Bélgica – neste caso, era a cor do uniforme titular.

Ou seja, só abomino a cor vermelha do rival do Grêmio. Então, não terei nenhuma dificuldade em torcer pelo Independiente nesta bizarra noite. (Mas para quem não consegue de forma alguma torcer pelo vermelho, resta a alternativa de secar o Goiás…)

Sem contar que não chega a ser uma novidade. Em 1983, o Grêmio precisou de uma ajudinha do vermelho América de Cali para chegar à final da Libertadores. O time colombiano já estava eliminado, mas se segurasse o empate com o Estudiantes, classificaria o Tricolor para a decisão; se os argentinos vencessem, ficariam com a vaga.

Acabou 0 a 0. O resto da história, todos conhecem…

E eu aqui na frente deste computador…

Enquanto acontece o jogo do ano!!!

Jogo do ano???

Inter e Corinthians decidem qual dos dois estará na Libertadores de 2010. Mas eu estou mais interessado em saber quem estará na final da Libertadores de 2009. Jogo do ano, por favor, será o do dia 15 de julho: Grêmio ou Cruzeiro x Estudiantes.

Melhor dizendo, o segundo dos jogos do ano. O primeiro foi dia 27 de maio, Barcelona 2 x 0 Manchester United. O segundo, como já disse, acontecerá em 15 de julho. E o terceiro – e maior de todos – no dia 20 de dezembro, em Abu Dhabi, para decidir quem manda no mundo.

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E enquanto muita gente se preocupa com o tal “jogo do ano” de hoje, Honduras continua sob um governo só reconhecido por si mesmo. E que se acha no direito de suspender garantias constitucionais dos cidadãos.

Tudo porque o presidente, que guinou à esquerda, ia consultar – isso mesmo, consultar – a população para saber se ela era favorável a uma reforma constitucional… Definitivamente, as elites latino-americanas só aceitam democracia quando ela é benéfica a quem sempre esteve no poder.

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Atualização antes mesmo de postar: o D’Alessandro acabou de dar combustível para os colunistas bairristas do centro do país… E o ex-gremista William teve postura exemplar.

Duas classificações suadas

A quarta-feira teve bastante futebol.

Ontem, em Montevidéu, o Nacional podia empatar em 0 a 0 com o Palmeiras, para se classificar para a semifinal da Libertadores. Um jogo histórico. Afinal, a última vez que um clube uruguaio alcançara tal fase na Libertadores fora em 1989, com o Danúbio. O Nacional, por sua vez, não ia tão longe desde 1988, quando foi campeão.

Mais que uma vaga, valia também a melhora da auto-estima de um país com um passado tão vitorioso no futebol: a taça que o Nacional levantou em 1988 foi a sua terceira (ganhou também em 1971 e 1980) e a oitava do futebol do Uruguai (o Peñarol ganhou La Copa cinco vezes: 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987). E para minha satisfação, aconteceu o resultado que o Nacional precisava: 0 a 0, classificação no saldo qualificado, já que a partida de ida, em São Paulo, acabara em 1 a 1.

Ainda resta uma vaga em disputa para o Uruguai, mas é tarefa muito complicada. O Defensor, que perdeu a primeira em casa para o Estudiantes por 1 a 0, precisa vencer por pelo menos 2 a 1 (1 a 0 leva para os pênaltis) em La Plata, para fazer a semifinal contra o… Nacional! Mas não custa nada torcer por uma final Brasil x Uruguai, o que não acontece desde 1983 – quando o campeão foi o Grêmio!

Aliás, o Grêmio… A situação era idêntica à do Nacional: podia empatar em 0 a 0 com o Caracas e se classificaria pelo saldo qualificado. E o resultado foi idêntico ao do time uruguaio. Embora o futebol da Venezuela tenha melhorado nos últimos tempos, e o Caracas seja o time menos pior enfrentado pelo Grêmio nessa Libertadores, não dá para ficar feliz com uma classificação vinda da forma que veio.

Pois se o Tricolor levou sufoco no final, isso se deve à enorme quantidade de gols perdidos por seu ataque – terminasse o primeiro tempo metendo uns 3 a 0 (o que não seria nada estranho), poderia só administrar o resultado no segundo tempo. São oportunidades que, se desperdiçadas contra um São Paulo ou um Cruzeiro (acho que vai dar Raposa), poderão tirar a vaga na final.

E chamam a atenção também as atuações ruins de Tcheco e Souza, como comprovam as médias dos dois jogadores no Almômetro do jogo de ontem e também no de domingo passado, contra o Fluminense. De positivo em Grêmio x Caracas, Adílson, que parece ter se encaixado bem no 4-4-2 de Autuori, assim como Túlio.

Para as mentalidades “pifadas”

Meu irmão esteve em Buenos Aires na semana passada. Fazia questão de comprar uma camisa de clube argentino, e optou pela do Estudiantes.

Ele é um colorado de mentalidade “pifada”, que acha que campeões mundiais são só Corinthians (faz-me-rir!), São Paulo (só o de 2005, não o timaço de 1992-1993), Inter e Milan (só o de 2007). Dizia que na Argentina não se considera os vencedores do Mundial até 2004 como campeões mundiais. E ainda vinha com a baboseira de que é “invenção da Globo” (conta outra!).

Pois bem, ele deve ter feito a maior cara de bunda na hora de comprar a camisa e ver inscrita, nas costas, a expressão CAMPEÓN DEL MUNDO…