Brincadeira tem hora

A polêmica do dia foi um texto de um colunista aqui da província em um jornal também aqui da província. Os nomes de ambos não serão citados, pois quem é daqui sabe de que colunista e de que jornal falo, e quem é de fora e não os conhece, não perde absolutamente nada.

O “gênio” (e o pior é que ele realmente se acha genial) defendeu que se aproveitasse o incêndio no Mercado Público para implodi-lo e erguer um prédio novo, com vários andares e estacionamento. Resumindo: ressuscitou, de certa forma, o absurdo projeto que tinha a prefeitura no início da década de 1970, que derrubaria o Mercado para abrir espaço para os carros.

Dentre comentários indignados e que pediam a aposentadoria do referido colunista, li alguns chamando a atenção para um fato: talvez ele estivesse ironizando. Tirando um sarro. Ou, em uma atual gíria utilizada na internet, trollando.

Li o texto e percebi que aquilo era tão absurdo, mas tão absurdo, que o referido colunista não podia estar falando sério. Das duas, uma: ou ele definitivamente perdeu a razão, ou de fato, estava apenas nos fazendo de bobo, causando indignação para que todo mundo começasse a falar dele.

No fundo, acho que aconteceu as duas coisas. Queria nos fazer de bobo, mas perdeu a razão. Pois se a tivesse, não brincaria com algo assim. Como diz o ditado, “brincadeira tem hora”: para a maioria dos porto-alegrenses, o Mercado Público não é apenas um prédio histórico. Significa muito mais: é emprego, é ponto de encontro e de referência, é lugar onde se encontra ingredientes mais baratos para preparar sua comida etc.

E se alguém ainda duvida da possibilidade do referido colunista ter simplesmente ironizado para chamar a atenção, lembre que tem “humorista” por aí com coragem de fazer “piada” com coisas muito piores.

Envelhecendo

Às vezes, sinto uma dor no joelho direito quando firmo a perna no chão, e por conta disso resolvi consultar um ortopedista. O consultório fica na Rua Mariante, próximo à Dona Laura.

Na saída da consulta, decidi passar em frente ao local onde ficava o Esquilo Travesso. No início de 2009, a casa onde funcionava a escolinha que frequentei de meados de 1986 ao final de 1988 foi demolida.

Achei que seria erguido um espigão no lugar, mas agora há um estacionamento. Dos males, o menor: se a casa não está mais lá, ao menos ainda poderei um dia estar no exato local onde ficava a escolinha, caso um carro do qual eu seja um dos passageiros estacione ali. Como não voltei mais lá depois de dezembro de 1988, poderei pensar: “na última vez que estive neste ponto o presidente do Brasil era José Sarney, a inflação comia o dinheiro dos brasileiros, o Muro de Berlim e a União Soviética existiam, eu via o Jaspion no fim da tarde, e o Grêmio era o último clube brasileiro campeão da Libertadores e do Mundo”.

Tudo isso não deixa de ser sintomático: vi qual foi o destino de minha antiga escolinha no mesmo dia em que fui tratar de uma “dor nas juntas”.