A nossa insignificância

Em 5 de setembro de 1977 a sonda espacial Voyager 1 foi lançada do Cabo Canaveral (Flórida, Estados Unidos) com o objetivo de explorar o Sistema Solar – curiosamente, semanas após sua “gêmea” Voyager 2. Em novembro de 1980 a missão principal foi concluída e a sonda seguiu viagem pelo Espaço; posteriormente, para economizar energia foi decidido que o sistema de câmeras seria desligado de modo que a nave pudesse enviar dados para a Terra pelo maior tempo possível, visto que não haveria mais nada que fosse cientificamente interessante para ser fotografado na sequência. Foi quando o astrônomo Carl Sagan (1934-1996) teve a ideia de que, antes do desligamento, as câmeras fizessem um último registro da Terra e de planetas próximos.

No dia 14 de fevereiro de 1990, quando a Voyager 1 se encontrava a uma distância de 6 bilhões de quilômetros da Terra, o conjunto de quadros fotográficos chamado “Retrato de Família” foi obtido pelas câmeras – seriam as últimas imagens registradas pela sonda, que segue ativa até hoje e com previsão de perder contato com a Terra por volta de 2025.

Uma foto da Terra tirada de tão longe certamente não teria grande valor científico, e Sagan já sabia disso. Mas ajudaria a dar uma perspectiva de nossa localização no Universo. E mais que isso: do quão insignificantes somos.

pálido ponto azul

A Terra é aquele pontinho em meio a um raio solar, com um círculo azul em volta para facilitar a localização.

A fotografia acabou sendo chamada de “Pálido Ponto Azul”, por ser como nosso planeta aparece nela. Nome que batizou o livro lançado por Sagan em 1994, inspirado por tal imagem que acaba de completar 30 anos. Na obra, o astrônomo propôs uma bela reflexão sobre a foto que segue muito válida, ainda mais em tempos de uma crise climática que põe em xeque o futuro da humanidade.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

Yuri Gagarin já sabia

Em 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a viajar pelo espaço sideral. Lá, ele disse sua famosa frase:

A Terra é azul e eu não vejo nenhum deus daqui de cima.

O Cão Uivador divulga, com exclusividade, o que nenhum veículo de mídia NO MUNDO INTEIRO jamais mostrou: uma foto da Terra tirada por Gagarin naquela histórica viagem.

E o cosmonauta soviético também estava certo, 22 anos e 8 meses antes, quanto a não haver nenhum deus lá em cima

Somos “poeira”

Um vídeo simplesmente sensacional, mostrando o quão pequenos nós somos diante da imensidão do Universo.

E se há muito “vazio” no espaço, uma comparação entre os principais corpos celestes – no final, vejam o tamanho da Terra em comparação com a maior estrela conhecida, Canis Majoris.

Vale uma reflexão: por que as pessoas insistem em se sentirem superiores umas às outras, se diante da imensidão do Universo somos como uma partícula de poeira?