O Banheiro do Papa manda lembranças

O fato foi notícia anteontem. Das várias cidades do Rio Grande do Sul que investiram na expectativa de serem CTs de seleções na Copa do Mundo, só uma foi escolhida: Viamão, que receberá o Equador.

Quem acompanha o Cão há mais tempo, já lera em 2011: a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 têm tudo para resultar em vários “Banheiros do Papa” pelo Brasil. No caso do Rio Grande do Sul, como vimos, já “é uma realidade”, pois da mesma forma que a passagem do papa João Paulo II por Melo (Uruguai) gerou uma enorme e frustrada expectativa entre os habitantes da cidade, o Estado apostou em “atrativos” que uma análise racional mostraria serem inexpressivos: colonização alemã e italiana, clima e “platinos”.

A “natural” atração de Alemanha e Itália por conta das colônias alemã e italiana no Rio Grande do Sul, qualquer um com mais conhecimento perceberia ser uma furada. Primeiro, porque alemães e italianos não vieram apenas para o Estado: a colônia germânica é muito grande também em Santa Catarina (a maior Oktoberfest do mundo fora da Alemanha é a de Blumenau); e não faltam descendentes de italianos em São Paulo, de localização muito mais central, o que facilita os deslocamentos pelo Brasil. E outra: de forma geral, alemães e italianos não se identificam com seus descendentes por aqui – ou seja, exatamente o contrário do que acontece com teuto-brasileiros e ítalo-brasileiros em relação a Alemanha e Itália.

O clima mais frio também seria um “atrativo” para as seleções fugirem do calor excessivo. Porém, é importante lembrar que a maior parte dos jogos acontecerá em cidades quentes; as duas sedes mais frias são Curitiba e Porto Alegre: a primeira só terá partidas da primeira fase, e a segunda “se despede” nas oitavas-de-final. Ou seja, faz muito mais sentido “se hospedar” no centro do país, especialmente em São Paulo e arredores, onde na época o tempo é mais ameno – nem tão quente, nem tão frio – e também pela facilidade de ir tanto a Manaus (calor muito forte e úmido) como a Porto Alegre (inverno). Sem contar outro detalhe: as cidades litorâneas e quentes são mais atrativas a turistas europeus que pretendam vir por conta da Copa, visto que em boa parte de seus países faz frio durante a maior parte do ano.

Outra aposta furada era quanto à grande presença de argentinos e uruguaios no Rio Grande do Sul, devido à proximidade. Porém, havia um detalhe que poucos levavam em conta: as cidades onde cada seleção joga (exceto o Brasil) são definidas por sorteio, e nenhuma delas disputa mais de uma partida da primeira fase no mesmo lugar. Assim, desde que Argentina e Uruguai foram definidas como cabeças-de-chave, já se podia antecipar que só uma delas poderia jogar em Porto Alegre, para isso precisando ficar no grupo F. O sorteio nos brindou com um Argentina x Nigéria, mas também poderia ter deixado os platinos longe do Estado. E não podemos esquecer de algo: a proximidade entre Buenos Aires e Porto Alegre facilitará a vinda de argentinos para o jogo, mas também a volta… Não convém apostar muito neles quanto a benefícios monetários.

E de qualquer maneira, mesmo que os “atrativos” do Rio Grande do Sul fossem sem aspas, não se podia deixar de levar em conta a conjunção de dois fatores: organização e geografia. Até 1994, a distribuição das cidades-sede se dava por grupos, e assim as seleções de cada chave jogariam apenas em duas ou três cidades. Em 1998 isso mudou: os seis jogos de cada grupo passaram a acontecer em seis cidades diferentes, fazendo com que as seleções viajassem bastante pelo país-sede. Até 2010 não havia problemas, pois as distâncias não eram tão grandes; agora, num país enorme e de climas variados, e com jogos acontecendo em várias partes do vasto território, a coisa complicou. Imaginem uma seleção se hospedando no Rio Grande do Sul e precisando ir jogar em Manaus: isso significaria não apenas sair de um possível frio intenso para um calor sufocante, como também uma viagem bastante demorada, o que torna muito mais lógico a opção por concentrações em pontos mais centrais do Brasil.

Quanto à opção do Equador por se hospedar no Rio Grande do Sul, provavelmente tenha sido mais barata em comparação com outros Estados mais centrais. E a tabela também ajudou: os equatorianos não jogarão em Porto Alegre, mas sim em cidades acessíveis sem necessidade de viagens demoradas (Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro). Ou seja, Viamão também teve sorte.

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Sobre a visita de Yoani Sánchez ao Brasil

No início da semana passada, a blogueira cubana Yoani Sánchez deu início a uma “turnê” mundial, na qual pretende visitar diversos países, após o governo de Cuba ter diminuído as restrições para viagens ao exterior. Sánchez começou seu “giro” pelo Brasil, onde foi alvo de protestos tanto em sua chegada ao país, no aeroporto do Recife, como em Feira de Santana (BA).

Sinceramente, achei uma tremenda burrice tais manifestações. Serviram apenas para a velha mídia repetir suas teses hipócritas de que a esquerda é contra a liberdade de expressão: embora saibamos que os campeões da restrição à livre expressão são justamente as grandes corporações midiáticas, ao mesmo tempo ficou claro que para alguns militantes de esquerda, o fato de Yoani Sánchez criticar o governo de Cuba é um incômodo.

“Ah, mas Yoani Sánchez é agente da CIA e blá-blá-blá”. Pode até ser. Inclusive, há muita coisa mal-explicada sobre ela. E justamente por isso que é preciso deixá-la falar: para que mais de suas contradições se tornem visíveis (uma delas já é notória: Yoani, a “defensora da democracia”, apareceu numa foto junto com o deputado Jair Bolsonaro, nostálgico da ditadura militar).

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Em geral, as opiniões sobre Cuba são “contaminadas”, variando conforme a ideologia de cada um. É muito grande a probabilidade de que o país não seja nem um inferno como costuma definir a direita, nem o “paraíso” pintado por muitos da esquerda: obviamente tem qualidades (como a educação e a saúde famosas por serem públicas e de qualidade), mas também problemas. (Recentemente o Alexandre Haubrich esteve lá e escreveu uma matéria sobre as eleições gerais que aconteceram no dia 3 de fevereiro, em breve certamente teremos mais relatos dele sobre Cuba.)

Um dos problemas certamente diz respeito à liberdade de expressão: há muitas acusações de que ela não existe em Cuba. Dar uma opinião sem correr risco de perseguição política tem de ser um direito assegurado, e a luta por ele é das mais legítimas.

Porém, é preciso que ela se dê em toda a parte, não só onde os Estados Unidos não têm seus interesses atendidos. Muitos dos que endeusam Yoani Sánchez não costumam falar nada sobre Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que há meses está refugiado na embaixada do Equador em Londres para não ser preso devido a uma acusação por crime sexual na Suécia (que veio à tona, curiosamente, logo após o WikiLeaks revelar telegramas secretos da diplomacia dos EUA): há o temor de que caso o australiano seja entregue às autoridades suecas, ele acabe sendo extraditado para os EUA e condenado à morte.

Charge de Carlos Latuff

As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo

As Copas que eu vi – Coreia do Sul/Japão 2002

Como definiu Eduardo Galeano, eram “tempos de quedas”. Em 11 de setembro de 2001, caíram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Caiu também o mito de que os Estados Unidos eram invulneráveis a ataques externos. Em resposta, a partir de 7 de outubro de 2001 bombas caíram de aviões estadunidenses sobre o Afeganistão – e continuam caindo até hoje.

Caia também o presidente da Argentina, Fernando de la Rúa. Os argentinos não aguentavam mais a penúria que lhes era imposta pela crise econômica e os ditames do FMI, e foram para a rua pedir a renúncia do governo, em dezembro de 2001. O presidente argentino atendeu aos pedidos das massas no dia 20, mas não sem antes decretar estado de sítio e ordenar a repressão aos protestos.

Para mim também eram “tempos de quedas” – no caso, de convicções “profissionais”. Desde meu ingresso no curso de Física da UFRGS, em março de 2000, eu nunca questionara tanto a opção que eu tinha tomado como começou a acontecer no início de 2002. Aos poucos, fui perdendo totalmente a motivação, mas ainda sem coragem de admitir a outras pessoas que eu havia errado – o que fui fazer apenas no final de abril.

Eu ainda insisti por mais um semestre – que começou só em junho de 2002, devido ao atraso no calendário proporcionado pela longa greve dos professores da UFRGS em 2001 (que fez o segundo semestre daquele ano iniciar-se em 17 de dezembro). O primeiro semestre de 2002 começou junto com a Copa do Mundo, pela primeira vez realizada na Ásia e em dois países, Coreia do Sul e Japão. Foi uma Copa diferente também quanto aos horários dos jogos, com muitos sendo disputados pela madrugada no horário brasileiro, correspondente à tarde na Coreia e no Japão. Continuar lendo

Lembranças do “meu tempo”

Parece “coisa de velho”, mas… Bons tempos aqueles. As crianças brincavam na rua. Apostávamos corridas de bicicleta – eu disputava a hegemonia com o Leonardo, enquanto o Vinicius (meu irmão) e o Diego, os mais novos da turma, brigavam para não ficar em último. Também fingíamos que as calçadas eram as ruas de uma cidade inventada: o Leonardo e eu éramos os patrulheiros, e o Vini e o Diego, para variar, se davam mal.

O trecho acima é do texto “A rua onde eu cresci”, publicado em 7 de julho de 2008. De tantos comentários elogiosos que recebeu, estou convencido de que foi um dos melhores que escrevi… (Espero então que agora receba uma enxurrada de críticas para que eu aprenda a ser humilde.)

Um ano e três meses depois, a Rua Pelotas, da qual falei, está menos verde: dois jacarandás, que estavam doentes, foram removidos em julho e setembro. E ainda há mais árvores doentes na rua, que correm risco de queda – aumentado com ventanias como as registradas na segunda-feira passada e ontem.

Essas horas, começo a de fato me sentir velho: “no meu tempo as coisas não eram assim”. As crianças brincavam na rua, e as árvores não estavam em mau estado.

Mas deixando um pouco de lado a “amargura de velho” e os prazos acadêmicos (afinal, a monstrografia está pronta na minha cabeça, mas boa parte dela ainda precisa ser traduzida ao papel), não custa nada lembrar algumas coisas boas da infância (dentre elas, não ter de escrever uma monstrografia).

  • No Natal de 1986 (sim, eu gostava de Natal!), chegou-se à solução de um sério problema: o que fazer para que eu comesse alguma coisa na ceia? Como eu sempre gostei muito de sopa (aprende, Mafalda!), a ideia foi de fazer um creme de ervilha. O “lance decisivo” foi a travessura do Papai Noel, que tomou um prato de creme de ervilha. Meu pai “ouviu um barulho”, foi verificar o que era e “expulsou o bom velhinho” (velhinho aos 35 anos???) a pontapés, por comer nossa ceia. Seguindo o exemplo do Papai Noel, eu quis creme de ervilha e assim, utilizando as palavras de Eric Hobsbawm (a academia me persegue, mesmo no passado), foi inventada uma tradição na nossa família, a do creme de ervilha no Natal, seguida à risca até hoje. Exceto a parte do Papai Noel: embora o “bom velhinho” ainda retornasse por mais alguns Natais (apesar dos pontapés de 1986), hoje ele foi deixado de lado, é claro;
  • Em novembro de 1989, a televisão começou a falar da queda de um muro em Berlim e de como aquilo era importante. Na hora eu não entendia o real motivo para tanta falação: achei que derrubar muros era algo digno de aparecer na televisão, então imaginei que se derrubasse um muro na Rua Pelotas, seria notícia no mundo inteiro. Ainda bem que eu não tinha uma picareta a meu alcance;
  • Na mesma época, tinha eleição para presidente. Eu já entendera mais ou menos o que era o negócio: os candidatos são eleitos mas não ficam o resto da vida “lá”, então periodicamente se realizavam eleições para determinar quem entrava no lugar. Então ouvi o noticiário dizer “os brasileiros votam para presidente pela primeira vez em 29 anos” e não entendi mais nada. Vale lembrar também que fizemos uma simulação daquela eleição na minha turma do colégio (eu estava na 1ª série) e o Brizola ganhou disparado, com direito ao meu voto. Depois eu aprendi a fazer o “L do Lula” para o segundo turno, mas infelizmente deu Collor;
  • Também na mesma época, durante uma ida ao Iguatemi com minha mãe, vi uma equipe da RBS, que acabara de gravar uma reportagem sobre… O Natal! Os caras se preparavam para levarem as fitas à emissora, mas de tanto eu encher o saco, aceitaram me gravar. E eu apareci na televisão! Ou seja: “meu passado me condena”;
  • Ainda em 1989, desta vez no dia de Natal, ganhei um “Pense Bem” de presente. Feliz da vida, quis chamar meus amiguinhos para conhecerem a novidade, mas todo mundo tinha ganho um “Pense Bem”;
  • No inverno de 1993, a Rua Pelotas sediou a inesquecível Copa América de futebol de botão, com a participação de quatro seleções: Argentina (Diego), Brasil (Leonardo), Equador (eu) e Uruguai (Vinicius). A Celeste foi campeã, mas não de forma invicta: na primeira rodada, perdeu por 2 a 1 para o Equador (que acabou em 4º lugar, ou seja, último). De qualquer forma, chora Vini!

Para quem tem muita esperança de mudança com Obama

Se eleito presidente, o democrata Barack Obama afirma que a Colômbia terá direito “de atacar terroristas que busquem santuários além de suas fronteiras”. Ou seja: Álvaro Uribe não sofrerá recriminações de Obama caso as tropas colombianas invadam território estrangeiro – seja peruano, equatoriano, venezuelano ou brasileiro – para atacar as FARC.

Leia mais no Blog das Américas.

E se fosse no Brasil?

Na manhã de hoje, a pesquisa interativa do programa “Polêmica” da Rádio Gaúcha perguntava “quem tem razão, Colômbia ou Equador e Venezuela?” aos ouvintes. E o resultado foi o seguinte: 88% (sim, 88%!) diziam que a Colômbia estava certa em violar a soberania do Equador para atacar os guerrilheiros das FARC. Só 12% deram razão a Equador e Venezuela.

Dou toda razão ao presidente equatoriano Rafael Correa em protestar veementemente contra a invasão a seu território. Já Hugo Chávez, eu acho que era melhor ele se manter “na dele”: uma eventual guerra cairia do céu para seu maior inimigo, George W. Bush, que provavelmente daria apoio militar a seu aliado Álvaro Uribe.

Mas o que eu me questiono é: se os militares colombianos invadissem não o Equador, e sim o Brasil, para atacar as FARC, será que estes 88% favoráveis à Colômbia da manhã de hoje apoiariam o ato?

A “homenagem” ao Galvão

Em maio, a torcida do Grêmio “homenageou” Galvão durante o jogo contra o São Paulo, pela Libertadores. Não cantei junto: por estar com um forte resfriado, fiquei em casa aquela noite, e só depois soube da homenagem.

Mas o caso mais recente aconteceu durante Brasil x Equador, no Maracanã. Eu notara que estranhamente a torcida estava em silêncio, apesar da vitória parcial do Brasil. Não estava: os cânticos debochavam da Globo e de Galvão, e por isso o som da torcida fora cortado da transmissão.

Bom, já que a Globo cortou isso, podia ter cortado as vaias ao Lula na abertura do Pan. Mas como aí não interessava a eles…

E como disse o Luiz Carlos Azenha, a Globo saiu no lucro, pois o público limitou-se ao deboche: a torcida podia ter gritado “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”… Aliás, isso é algo que sonho em ver e ouvir no Olímpico.

Resolução da FIFA

A FIFA decidiu proibir a realização de jogos internacionais em altitudes superiores a 2.500 metros. Isso serve para “preservar a saúde dos jogadores”. Em fevereiro, foi destaque na imprensa brasileira o time do Flamengo tendo de respirar em balões de oxigênio durante um jogo em Potosí (Bolívia), a 4.000 metros de altitude. A FIFA, com isto, busca evitar que seleções se beneficiem da altitude para vencer adversários, como a Bolívia faz mandando seus jogos nos 3.600 metros de La Paz.

Seria até justo se a FIFA tivesse moral para impor esta proibição. Nas Copas do Mundo de 1986 (México) e 1994 (Estados Unidos), as principais partidas – além da decisão – foram disputadas ao meio-dia local, em pleno verão. Acima da “saúde dos jogadores”, estava o interesse das emissoras de televisão européias: ao meio-dia na Cidade do México e em Los Angeles (sedes das finais das duas Copas) correspondia o início da noite na Europa, quando a maior parte das pessoas chegava em casa, assistia aos jogos e assim havia uma grande audiência.

Além disso, é muita sacanagem proibir clubes de cidades como La Paz ou Quito de jogarem partidas internacionais em seus estádios – as seleções ainda se entende, pois a Bolívia, por exemplo, não se encontra toda acima das nuvens, em Santa Cruz de la Sierra a altitude não atrapalha. Os times serão punidos pelo crime de terem sido fundados nas capitais de seus países! E não é impossível vencer na altitude: na Libertadores de 1983 o Grêmio enfrentou o Bolívar em La Paz e venceu; assim como no ano passado o Inter derrotou o Pumas na Cidade do México (não é tão alto como La Paz, mas 2.300 metros já atrapalha um pouco).

Se o negócio é “preservar a saúde”, então a FIFA deveria baixar resoluções proibindo jogos ao meio-dia (como ela própria promoveu nos Mundiais de 1986 e 1994), em Belém do Pará à tarde (devido ao calor excessivo) etc. Deveria também proibir jogos em horários absurdos como 21h45min (que serve para a televisão, já que a Globo não aceita mudar o horário daquela bosta de novela para passar um jogo), enquanto o torcedor, em sua maioria, trabalha e precisa acordar cedo no dia seguinte.

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Baseado na resolução da FIFA, acho que vou entrar com um pedido de dispensa das aulas em dias de muito calor. Afinal, eu preciso ir até o Campus do Vale da UFRGS, na maioria das vezes em ônibus sem ar-condicionado (ou seja, muito quentes), suando muito – ou seja, me desidratando. Logo, é um prejuízo à minha saúde.

Acho que todos deveríamos fazer ações semelhantes.