O indiscutível “progresso” de Porto Alegre

Um monte de gente acha que rua asfaltada é “progresso”. Que é preciso abrir mais vias para os automóveis particulares passarem, pois a cidade está muito congestionada devido à falta de espaço para os carros.

E não é só isso. Acham que é preciso “dar uma tunda nesses vagabundos ecochatos” que reclamam da derrubada de árvores para o alargamento de ruas. Afinal, é bobagem essa história de “Forno Alegre”, a cidade é fria o ano inteiro, ninguém precisa usar as sombras das árvores, né?

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Quente ou fria (sinceramente, acho muito mais é quente), Porto Alegre tem chuva. Às vezes fraquinha, “de mansinho”. Só que de vez em quando “vem tudo de uma vez”. E a lei da gravidade faz com que a água escorra para os locais mais baixos, em direção ao Guaíba.

Mas, é possível fazer com que desça ainda mais água, para alagar boa parte da cidade e criar inúmeros congestionamentos: basta impermeabilizá-la com bastante concreto e asfalto. E, claro, eliminar áreas verdes, de solo permeável.

O resultado está aí. Espero que os fãs do “progresso” tenham curtido bastante este 20 de fevereiro de 2013.

Porto Alegre, cidade-fantasma

Algo que já disse ano passado, mas não custa nada repetir: não fosse o calor insuportável, o verão seria, disparado, a melhor época para se estar em Porto Alegre. E no feriadão de Ano Novo, então, a cidade consegue ficar ainda melhor, visto que as pessoas viajam mais do que no Natal.

Sou um cara estressado. O nível de estresse varia de pessoa a pessoa, mas obviamente o lugar onde ela vive também tem certa influência: certamente eu me estressaria menos morando no interior (embora também não quisesse me mudar para uma cidade pequena demais). E Porto Alegre é uma cidade cuja rotina é estressante: o trânsito é cada vez pior (a qualquer hora se pode ficar preso num congestionamento), ir ao supermercado no final da tarde é garantia de fila (já não gosto de supermercado, e de enfrentar fila então…), almoçar ao meio-dia também (o que me leva a antecipar meu almoço para as 11 da manhã, de modo não passar mais tempo na fila do que comendo), dentre outros fatos do dia-a-dia que cansam.

A rotina é algo que nos faz desejar muito um descanso. Porém, de nada adianta tirar férias ou viajar num feriadão, se é para se estressar também. Aí, é melhor permanecer na cidade. Ou é uma coisa muito boa ficar fora da cidade por quatro dias, mas destes, passar quase um inteiro na estrada?

Sem contar que o estresse da cidade se muda para a praia nos feriadões: é época de fila nos supermercados, nos restaurantes… Além de muito trânsito. Na última vez que passei o Carnaval no litoral, em 2009, usar o carro como forma de deslocamento exigia muita, mas muita paciência. Se a ideia era chegar rápido a algum lugar, era melhor ir a pé ou de bicicleta.

Em 2013 tirarei férias em fevereiro e escaparei do calorão. Mas, definitivamente o melhor mês para elas é março: nos permite escapar tanto do “Forno Alegre” (o terceiro mês do ano é ainda bem quente) como do caos que retorna junto com o início das aulas – aliás, é justamente o retorno às aulas na minha especialização que determina as férias em fevereiro, não em março.

Carro pra quê?

Terça-feira era dia de aula na especialização. Assim, ao invés de sair do trabalho e voltar a pé para casa, embarquei em um ônibus da linha T1.

Na hora de descer, me deparei com o par de olhos mais lindo que já vi. Até agora me pergunto se o rosto dela era tão belo assim, ou se era só reflexo daqueles olhos verdes…

Isso também me faz perguntar: comprar um carro, pra quê? Quando saio com os amigos, também me acompanha a cerveja – o que me deixa inapto a voltar dirigindo. Assim, melhor pegar carona com quem não bebe, ou um táxi, ou até ônibus no caso deles ainda passarem.

Usar carro durante a semana, para ir e voltar do trabalho? Nem pensar. Se andando a pé (ou de ônibus, como na última terça) já sou estressado ao extremo, imaginem dirigindo no “fantástico” trânsito de Porto Alegre? Isso não iria acabar bem.

De qualquer forma, adoro andar de ônibus, apesar dos pesares (como os constantes aumentos na passagem que não correspondem a uma melhoria no serviço – o que motiva mais gente a usar o carro no dia-a-dia). Ao contrário do Milton Ribeiro, não consigo ler durante o trajeto (embora eu siga insistindo em levar um livro toda vez que viajo de ônibus), então procuro observar as pessoas, as paisagens. Olho tanto para fora como para dentro do ônibus, e vejo tanto coisas ruins como boas.

Quando se está dirigindo, por sua vez, é impossível fazer tais observações sem correr sérios riscos. A única coisa que interessa é saber a distância do carro da frente, cuidar a velocidade, a sinalização etc. E a coisa piora quando o trânsito está caótico. Enfim, acho um saco dirigir na realidade, esse negócio que acontece fora das propagandas de automóveis.

Sem contar que dirigindo não há a possibilidade de poder observar um belo par de olhos verdes: se olhar demais, o sinal é que fica verde e preciso acelerar para não ser xingado até a quinta geração.

Feliz 2012!

Avenida Borges de Medeiros, por volta das 8h20min de hoje. Viaduto congestionado no sentido bairro-centro. Agora sim, podemos dizer que o ano começou…

Mas não se preocupem: tenho certeza de que é só aumentar a velocidade máxima na cidade para os congestionamentos acabarem. Assim como tenho certeza de que o coelho da Páscoa me trará muito chocolate, e de que os ETs trarão de volta a irmã de Fox Mulder.

Sensação de caos

No final de tarde desta quinta-feira, eu me dirigia de ônibus ao Campus do Vale da UFRGS, já atrasado para a aula, quando próximo ao final da Ipiranga, parou tudo. Congestionamento total.

Quando o ônibus entrou na Antônio de Carvalho – ou seja, após uns 20 minutos de marcha lenta – percebi que a Brigada Militar fazia uma blitz na Bento Gonçalves. Claro que isso ocorre porque tem um monte de gente que anda sozinha de carro – a maioria deles no engarrafamento tinha só o motorista dentro -, mas me parece também que falta um mínimo de bom-senso à BM: por que diabos de motivos fazer blitz num horário que já é complicado?

Dizem que é para termos “sensação de segurança”, mas o que sinto é uma sensação de que as autoridades querem nos fazer de bobo. E o pior é que tem toda uma bovinada que adora o Coronel Mendes…