E na Copa, torces para quem?

O Milton Ribeiro escreveu um belo texto no seu blog sobre a Seleção Brasileira e a falta de identificação de muitos brasileiros com o time.

Hoje em dia, basta dar uma olhada nas listas de convocações para perceber que a maior parte dos jogadores que, dizem, “representam o Brasil”, atuam em clubes europeus. É raro alguém ir a um estádio brasileiro e ver, ao vivo, um destes “seus representantes”. Três semanas atrás, naquele Grêmio x Santos, eu vi Robinho, e só – já que Victor não foi convocado para a Copa do Mundo.

E o pior é que nem se pode mais falar isso apenas para se referir aos clubes onde atuam os jogadores da Seleção Brasileira. Nos últimos anos, a CBF simplesmente não marcou mais amistosos por aqui, exceto aquele Brasil x Portugal (6 x 2) jogado em 2008 na reinauguração do Bezerrão, em Brasília (a propósito, por que construir outro estádio “moderno” lá para a Copa de 2014, ao invés de ampliar o já existente?). A Seleção joga onde “pagam mais”: ou seja, mais que um time que representa um país, virou uma “marca”.

E do jeito que vai, não duvidemos que nas Eliminatórias da Copa de 2018 a Seleção mande seus jogos em sua “nova casa”, o Emirates Stadium

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Quanto à pergunta do título: este ano, pelo menos, vejo a Seleção com menos antipatia do que em 2006, quando chegava a sentir nojo (além da baderna, a “grande mídia” insistia naquela porra de “quadrado mágico” que só funcionava na ficção). Assim fica mais fácil torcer por ela – ou não secá-la.

Mas não escondo que acharia muito bacana ver a Copa sendo levantada pelo Uruguai ou por alguma seleção africana. Se não der nenhum deles (o que é mais provável), pode ser a Argentina (por causa do Maradona) ou a Holanda (para reparar uma tripla injustiça, já que a Laranja Mecânica era o melhor time nas Copas de 1974, 1978 e 1998, e não ganhou nenhuma delas).

E tu, leitor ou leitora, torces para quem?

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Atualização (03/06/2010, 02:49): mais um texto interessante sobre “torcer ou não pela Seleção”, lá no Somos todos torcedores.

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Reforma do Olímpico: uma boa idéia

No post de ontem sobre (contra) a “arena”, o André do Cataclisma 14 deixou um comentário no qual eu “assino embaixo”:

Em tempo: reformas no Monumental se fazem necessárias, principalmente com relação àquele fosso. Mas eu não quero que o meu Highbury Park vire um Emirates Stadium…

O Olímpico, construído em 1954 e Olímpico Monumental desde 1980, precisa realmente de uma reforma. Aliás, há alguns anos atrás havia planos de remodelação de toda a área do estádio, abortados devido à monstruosa dívida tricolor, fruto da desastrosa parceria com a ISL.

A reforma do Olímpico é melhor do que a construção de um novo estádio no mesmo local: o Grêmio não precisaria jogar em outro campo, já que a obra seria feita em módulos; o estádio continuaria a ser do Grêmio; e para quem reclama que é ruim ir de carro ao Olímpico por falta de estacionamento, a proposta de projeto do arquiteto Plínio Almeida (veja aqui e aqui) prevê a construção de um edifício-garagem.

Quanto às vias de acesso, continuariam as mesmas (o que faz muita gente reclamar do trânsito), mas em compensação quem costuma ir a pé aos jogos (como eu) poderia manter seu hábito, e quem faz parte do trajeto ao estádio a pé, também. Ao endereço previsto para a “arena” no bairro Humaitá, entre duas rodovias de grande fluxo (BR-290 e Avenida dos Estados, que é uma continuação da BR-116), só se chegaria de ônibus, metrô e carro – opção da maior parte dos que poderiam pagar os caríssimos ingressos.