A Ipiranga tem ciclovia!

Aos amigos que pretendem pedalar na nova ciclovia e estiverem a fim de fazê-lo escutando várias vezes a mesma música, aí vai a dica:

Sim, se é para ouvir várias vezes, tem de ser a música mais curta já gravada. Pois hoje o prefeito de Porto Alegre – e candidato à reeleição – José Fortunati inaugurou, com todas as pompas (e andando na contramão), uma quadra de ciclovia. Isso mesmo: teve cerimônia de inauguração para um isolado trecho de 416 metros de uma obra que, pela previsão, terá 9,4 quilômetros de extensão quando realmente estiver concluída (o que só se verá muito após a eleição). E que é alvo de muitas críticas do público ao qual se destina – ou seja, os ciclistas.

No ritmo atual, segundo os cálculos de um cicloativista, a ciclovia da Ipiranga será concluída em 2025. Já os 495 quilômetros previstos no Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre estarão prontos daqui a 730 anos. Acho que em 2742 já estarei um pouco velho para andar de bicicleta pela cidade…

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Disso posso tirar uma conclusão: no quesito “inaugurações bizarras”, o (des)governo Yeda Crusius fez escola.

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Para “sair bem na foto”

A passagem de ônibus em Porto Alegre passará a custar R$ 2,85 a partir da próxima segunda-feira. O aumento foi anunciado pelo prefeito José Fortunati, que aproveitou muito bem a oportunidade de “sair bem na foto”. (Lembrando que, em tempos de Photoshop, qualquer um pode sair “muito bem”.)

O pedido das empresas de ônibus era que a passagem subisse a R$ 2,95. Eu previa R$ 2,90. Logo, ficou abaixo do esperado, e mesmo da inflação de 2011 – o que não quer dizer que me agrade este aumento.

Mas olhem o detalhe: à tarde, ouvi que o valor seria R$ 2,88. Um preço impraticável, pelo simples motivo de que as moedas de um centavo, embora ainda válidas, são verdadeiras raridades. Mesmo que não percam o valor, em breve elas serão peças de museu.

Logo, uma passagem a R$ 2,88 seria ótima para as empresas, visto que a cada passageiro que pagasse com dinheiro, a probabilidade de terem um lucro extra de dois centavos seria enorme. Cheguei a prever que o valor seria arredondado para R$ 2,90 e depois anunciado pelo prefeito.

Mas, ficou nos R$ 2,85. O ano eleitoral tem o incrível poder de arredondar tarifas para baixo (pena que nem todos os anos são eleitorais).

Ainda assim, é muito caro – como já é a passagem a R$ 2,70 – para que muitas vezes andemos em ônibus sem ar condicionado (quando se está atrasado não dá para esperar até vir o veículo com ar, mesmo em dias terrivelmente quentes como foi o de hoje) e cujas tabelas horárias são apenas decoração (inúmeras vezes passam dois ônibus da mesma linha, um atrás do outro, sendo que geralmente o vazio passa adiante e somos obrigados a pegar o lotado).

Em 2012, EU VOU VOTAR!

Li a frase acima em um e-mail que recebi em 2001, quando o governo federal, então chefiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), anunciou a necessidade de se poupar o máximo de energia para evitar um grande “apagão” no Brasil. O texto comentava sobre as inúmeras mudanças de hábitos que teríamos de adotar (com direito a jogos de futebol no meio da tarde, mesmo em dias úteis), e terminava com uma frase que denotava esperança:

Mas, no ano que vem, EU VOU VOTAR!

Pois acho que é hora de circular algo semelhante, mas relativo à eleição municipal marcada para 7 de outubro de 2012. Mais precisamente, no tocante a Porto Alegre.

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Começando pelo lixo, que é um problema sério, e não é de hoje. Ano passado, a coleta simplesmente parou na época do Natal. Não bastasse isso, na madrugada de 25 de dezembro desabou uma senhora chuvarada sobre Porto Alegre, espalhando ainda mais o lixo resultante das ceias. Imaginem o emporcalhamento das ruas…

E eis que no último fim-de-semana, tivemos problema semelhante: o lixo nos bairros em que não há contêineres (que são uma ótima ideia, pena que a maioria das pessoas simplesmente não saiba que eles são só para lixo orgânico e seguem depositando material reciclável neles, graças à falta de informação) não foi recolhido por vários dias, ficando acumulado e causando mau cheiro, que costuma ser intensificado pelo calor.

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E quem nos representa? Em tese, os vereadores. Porém, não me sinto representado por quem votou em Mauro Zacher (PDT) para presidente da Câmara. Apenas Fernanda Melchionna e Pedro Ruas, ambos do PSOL, votaram contra.

O ridículo “argumento” do PT para votar a favor “em bloco” foi que “havia um acordo entre os partidos” – mesmo que isso significasse ignorar uma moção de repúdio a Zacher aprovada por unanimidade pela própria Executiva do PT de Porto Alegre, na qual foram explicitadas as razões pelas quais o partido deveria votar contra.

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E quarta à tarde, tivemos a votação da proposta da bancada do PSOL para mudar o nome da avenida pela qual se entra em Porto Alegre: segue lá o ditador Castelo Branco ao invés da Campanha da Legalidade. De positivo, só o fato de saber quais são os vereadores que preferem manter a homenagem a um ditador em nome da “comodidade” (leia-se conservadorismo) – isso sem contar os omissos. Inclusive de partidos que, se fossem coerentes com sua história, votariam em peso a favor da mudança – caso do PDT (fundado pelo líder da Legalidade), que teve só um voto favorável.

  • A favor da mudança:
    • Luciano Marcantônio (PDT)
    • Toni Proença (PPL)
    • Airto Ferronato (PSB)
    • Pedro Ruas (PSOL)
    • Fernanda Melchionna (PSOL)
    • Adeli Sell (PT)
    • Aldacir Oliboni (PT)
    • Engenheiro Comassetto (PT)
    • Maria Celeste (PT)
    • Mauro Pinheiro (PT)
    • Sofia Cavedon (PT)
    • DJ Cassiá (PTB)
  • Contra a mudança:
    • Reginaldo Pujol (DEM)
    • Dr. Raul Torelly (PMDB)
    • Haroldo de Souza (PMDB)
    • Professor Garcia (PMDB)
    • Sebastião Melo (PMDB)
    • Beto Moesch (PP)
    • João Antônio Dib (PP)
    • João Carlos Nedel (PP)
    • Paulinho Rubem Berta (PPS)
    • Waldir Canal (PRB)
    • Nelcir Tessaro (PSD)
    • Tarciso Flecha Negra (PSD)
    • Luiz Braz (PSDB)
    • Mario Manfro (PSDB)
    • Elói Guimarães (PTB)
    • Nilo Santos (PTB)
  • Abstenções:
    • Mário Fraga (PDT)
    • Idenir Cecchim (PMDB)
    • Elias Vidal (PPS)
    • Alceu Brasinha (PTB)
  • Ausentes:
    • Dr. Thiago Duarte (PDT)
    • Mauro Zacher (PDT)
    • Bernardino Vendruscolo (PSD)
    • Carlos Todeschini (PT)

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Com tudo isso (fora outros inúmeros absurdos), não resta outra alternativa a não ser lembrar, tanto aos administradores da cidade quanto aos ditos “representantes” que não me representam (salvo raras exceções):

Em 7 de outubro de 2012, EU VOU VOTAR!

E além disso, farei questão de lembrar este texto no dia 6 de outubro, véspera da eleição.

Vem aí mais dois aumentos

Que são tanto da passagem de ônibus, quanto do número de carros nas ruas em Porto Alegre.

Chegou a se falar que a tarifa subiria para R$ 2,81. Mas era óbvio que isso servia para fazer R$ 2,70 (que provavelmente o prefeito José Fortunati* irá sancionar) parecer “mais barato”. Só que o valor atual é de R$ 2,45 – ou seja, será um aumento de R$ 0,25.

Parece pouco para quem anda de ônibus esporadicamente, mas para quem usa diariamente e precisa de duas ou mais linhas nos deslocamentos, faz diferença, ainda mais se calcularmos o gasto a mais em um mês.

Ou seja, cada vez mais o poder público incentiva a que as ruas fiquem congestionadas. Pois juntando algumas pessoas, pode sair mais barato ir de carro, “rachando” o combustivel. E se lembrarmos que a maior parte dos ônibus não têm ar condicionado, e que agora é verão…

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* Em outubro do ano que vem tem eleição para prefeito.

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Atualização (09/02/2011, 00:02): Na verdade o aumento já foi sancionado. Ou seja, a passagem já custa R$ 2,70. Lembremos disso em outubro do ano que vem!

Em defesa dos direitos políticos de Luciana Genro

Acontece hoje às 18h30, no Auditório da Faculdade de Direito da UFRGS, um ato em defesa dos direitos políticos da deputada federal Luciana Genro (PSOL). Por conta da Lei das Inelegibilidades, que impede parentes até o segundo grau de ocupantes de cargos executivos de concorrerem na mesma jurisdição do titular do cargo (a não ser que disputem a reeleição – o que prejudica Luciana, que não foi reeleita), ela não poderá concorrer a nenhum cargo a não ser o de Presidente da República, enquanto seu pai, Tarso Genro, for governador do Rio Grande do Sul.

Não se pode criticar o motivo pelo qual a lei existe: o objetivo é evitar a formação de oligarquias familiares. Mas fica claro que é um remédio amargo. E nem muito eficaz. Num exemplo bem simples, Roseana Sarney é governadora do Maranhão, e seu pai, José Sarney, é senador – mas pelo Amapá. Logo, dribla-se a lei e mantem-se o poder da família.

Já o caso de Luciana Genro é bem diferente. Ela é de um partido que faz oposição (pela esquerda) ao de seu pai. E mesmo quando estava no mesmo partido de Tarso, Luciana tinha muitas discordâncias com ele. Ou seja, politicamente ela sempre foi independente do pai, não representa a formação de uma oligarquia.

Não votei em Luciana na última eleição, mas dei uma ajudinha, ao votar em um candidato do PSOL, Antônio Ruas, para deputado federal – pena que não tenha sido suficiente para o partido alcançar o quociente eleitoral, que reelegeria Luciana. É inegável que ela fará muita falta não simplesmente à Câmara Federal, como à própria política brasileira.

É preciso, então, que haja uma reavaliação dessa lei. Pois é injusto Luciana Genro ser impedida de se candidatar mesmo fazendo oposição ao pai, enquanto o mesmo não acontece com os Sarney, que concorrem por Estados diferentes mas defendem os mesmos interesses.