Pergunta para os reacionários

A postagem de hoje é voltada para os direitosos. Para os reacionários que estão se tornando uma praga em Porto Alegre.

Ao invés de fazer “propaganda eleitoral” pelo voto na Maria do Rosário, faço uma pergunta aos que votarão em Fogaça: no que Porto Alegre ficou melhor nos últimos quatro anos?

Quem souber, cite pelo menos uma melhoria, pois eu não vi nenhuma.

Cada um usa as armas que tem

Enquanto Maria do Rosário procurará ligar seu nome ao do presidente Lula, que tem altos índices de popularidade, veja no RS Urgente o que Fogaça quer fazer com Yeda…

Uma amostra dos 4 anos de Fogaça

E que não sejam “apenas os 4 primeiros”.

O texto do Hélio Paz é longo, mas conta com bastante imagens que dão uma mostra de como a atual administração municipal trata Porto Alegre.

Vale a pena também ler a postagem do Vitor lá no Porto Alegre de Fogaça.

Pérolas

  1. “Eu vivo em 2008, ando para a frente e não olho para trás.”
  2. “Quando o PMDB governou o Estado (1995-1998) eu ainda não votava.”

Ambas as frases foram ditas pela candidata à prefeitura pelo PCdoB, Manuela D’Ávila. Agora, vou comentar.

  1. Eu também vivo em 2008. Aliás, acho que todos os leitores do Cão Uivador vivem em 2008, pelo menos até 31 de dezembro. Eu ando para a frente, mas não deixo de olhar para trás. É muito fácil falar em “vamos olhar para a frente” para justificar alianças com representantes de políticas que representam o contrário da ideologia de seu partido – se é que ele realmente tem alguma.
  2. Eu fui um dos que ajudaram a tirar o PMDB (diga-se Britto) do governo do Estado, votando em Olívio Dutra em 1998. Naquela ocasião, eu tinha 17 anos, a mesma idade da Manuela (que é dois meses mais velha do que eu). Entendi mal, ou ela abriu mão do direito de votar, com a mesma idade que eu, em 1998? Sem contar que, se isso é argumento para justificar aliança com aquele pessoal, não nos surpreendamos se, no futuro, a Manu se aliar ao PP ou ao DEM. Afinal, durante a maior parte da ditadura militar ela nem era nascida…

Fonte: RS Urgente

Mudança de voto

Eu ia votar na Vera Guasso, a única candidata à prefeitura de Porto Alegre que não tem o “rabo preso” nessa eleição.

Mas diante do perigo de termos um segundo turno entre Fogaça e Britto Manuela (que tem Berfran Rosado como vice), vou, mais uma vez, digitar “13” na urna eletrônica. Entre Fogaça, Manuela e Rosário, a última é a menos pior das alternativas.

É isso, ou anular o voto no segundo turno… Pois o problema não é a Manuela, e sim, as péssimas companhias que ela escolheu. Se por acaso ela deixa a prefeitura, quem assume é o Berfran.

Não dá para se iludir: votar na Manuela, infelizmente, é igual a votar no Britto. E no Fogaça também: agora no PMDB, ele foi eleito em 2004 e ficou até o ano passado no mesmo PPS de Berfran, que hipocritamente fala em “mudança”.

Lembrando Mauss

Em uma cadeira de Antropologia que cursei na faculdade, tive a oportunidade de ler parte da obra de Marcel Mauss, que é conhecido pelo chamado “princípio da reciprocidade”.

De acordo com Mauss, nada é dado “de graça”. Sempre se espera receber algo em troca. Que não necessita ser material. Pode ser um bem simbólico. O princípio é resumido pela tríade “dar-receber-retribuir”.

Embora haja críticas ao modelo de Mauss – que não serão discutidas aqui nesta postagem -, seu princípio é facilmente observável na nossa sociedade.

Quando presenteamos alguém, por exemplo, esperamos que a outra pessoa também nos presenteie, com algo que tenha valor semelhante. Daí a razão dos tradicionais amigos-secretos de final de ano terem um preço máximo para os presentes: é preciso haver um equilíbrio entre todos os participantes, independentemente do poder aquisitivo de cada um, para não quebrar o espírito de confraternização. Caso contrário, haveria o risco de uma pessoa gastar 100 reais para comprar um presente e receber em troca algo que custa 2 reais. E vice-versa. O que seria extremamente desconfortável para o grupo: o “gastão” seria chamado de ostentador, e o que tem pouco dinheiro, de “mão-de-vaca”.

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Aonde quero chegar com tudo isso? Bom, quero é falar sobre a questão das doações feitas por empresas para campanhas à prefeitura de Porto Alegre.

O Grupo Gerdau doou (deu) dinheiro à todos os candidatos, com exceção de Vera Guasso (PSTU), que não aceitou. Não pensem que foi por “bondade”. Não achem que, por ter doado 100 mil reais à campanha de Luciana Genro (PSOL), a Gerdau tenha tornado-se “socialista” e “verde” (já que o PSOL está aliado ao PV).

De qualquer um que se eleger – a exceção seria Vera Guasso, que certamente não se elegerá – a Gerdau espera uma “retribuição”. Não será a devolução do dinheiro doado, mas sim, que a prefeitura atenda a seus interesses. Que não são, necessariamente, os mesmos da população de Porto Alegre…

Por essa razão, decidi: vou de Vera Guasso. O PSTU é o único partido que não está “de rabo preso” nessa eleição. Não é o único coerente: o pessoal da direita receber dinheiro de empresas não é nada estranho. De se lamentar, é ver o PSOL fazer o que tanto criticava no PT…

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, poderia ser o lema deles.

E além disso, é urgente uma mudança na legislação eleitoral. Todos os partidos tinham de ter tempo igual na televisão e no rádio, para assim terem – pelo menos teoricamente – a mesma chance de vencer. E também para que as coligações partidárias levassem em conta programas políticos, e não “tempo de exposição na mídia”.

E também deveria ser expressamente proibido receber doações de empresas privadas. O financiamento de campanhas eleitorais deveria ser público. Acabaria esse negócio de candidatos com o “rabo preso”, que ajudados na campanha procurariam retribuir em seus mandatos para os financiadores de sua eleição.