Era esse cara que a “grande mídia” tanto queria na Copa?

No final de abril, quando aproximava-se a data da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, defendi que Dunga não deveria levar Neymar. Falei do “grupo formado”, que o jogador nunca tinha sido chamado etc. Isso porque eu não tinha bola de cristal para prever o que aconteceria em setembro.

Neymar tinha propostas para deixar o Santos, mas foi mantido no clube, assinando um contrato milionário. Que também lhe deu o direito de fazer o que bem entender, e de escolher quem treinará o time. Isso obviamente não está escrito no documento, mas é o que se verifica na prática, com a demissão de Dorival Júnior por ter cometido o gravíssimo erro de barrar Neymar por mais um jogo, por conta dos impropérios ditos por ele na semana passada. O troço é tão bizarro, que o “indisciplinado” passou a ser Dorival, e não o mimado jogador.

É de se fazer a pergunta: é esse o jogador que faria o Brasil ganhar a Copa na África do Sul?

Só imagino se Dunga tivesse levado Neymar, e ele fizesse cara feia por ser reserva. Certamente a “grande mídia” teria mais um motivo para malhar Dunga: a grande “injustiça” do “gaúcho grosso” contra o “futebol-arte”…

“Dia sem Globo”? Para mim é BARBADA!

Surgiu no Twitter a campanha #umdiasemglobo, para que o jogo Brasil x Portugal, amanhã às 11h, seja assistido em qualquer emissora que não seja a Globo, por conta da campanha desta contra Dunga.

Se tem algo que faço muito pouco, é assistir televisão. Principalmente de 2004 para cá: no meu primeiro ano na faculdade de História, a maior parte do tempo em que eu estava em casa era dedicado às intermináveis leituras (já que eu não estava habituado a ler tanto em pouco tempo). Quando comecei a “pegar o ritmo”, e também a fazer várias cadeiras eletivas (nas quais a leitura era bem mais prazerosa, mesmo que de textos grandes), o tempo que “sobraria para a televisão” passou a ser ocupado pela internet, onde há muito mais diversidade de informação – e com bastante qualidade.

Basicamente, posso dizer que assisto televisão apenas para ver futebol, e eventualmente, a entrevistas, filmes e documentários que passam nela. Noticiários, só os vejo quando almoço na casa da minha avó, onde a mesa fica na sala – assim como a TV. Do contrário, praticamente os ignoro. Não tenho saco para ver um monte de bobagens enquanto não mostram as notícias realmente importantes. Prefiro me informar pela internet.

Ou seja, amanhã não será “um dia sem Globo” na minha vida. Será apenas mais um.

Mas digo uma coisa: se não assistir o jogo na Globo pode servir para demonstrar “a força do Twitter”, também é certo que o “dia sem Globo” não mudará nada.

O porquê de meu “ceticismo” (se é que podemos chamar assim)? Justamente porque mesmo que muita gente assista ao jogo em outro canal (e por favor, o Sportv não vale, já que é da Globo!), como a ESPN Brasil (para quem tem TV a cabo) ou a Bandeirantes, isso apenas vai diminuir a audiência da Globo durante o jogo. Todo mundo que vai pôr na Band ou na ESPN Brasil para ver Brasil x Portugal, deixará sua televisão sintonizada em outro canal (ou desligada) na hora daquela bosta de novela?

Se queremos realmente mudar as coisas e fazer a Globo “sentir no bolso” (afinal, é dinheiro o que importa para ela), é preciso continuar a não assisti-la.

E vou além: se queremos “acabar com a baixaria e a manipulação midiática”, de nada adiantará trocar a Globo pela Band (esqueceram que o Boris Casoy é de lá?) ou pela Record. O negócio é assistir à TV Brasil (que por ser pública, não tem como preocupação maior o índice de audiência), ou desligar a televisão.

Xinga eles, Dunga!

Não sou fã incondicional de Dunga. E isso não se deve ao fato dele ser colorado – afinal, Olívio Dutra e Luís Fernando Veríssimo também têm este defeito.

Acho que Dunga pisou na bola muitas vezes (nem vou falar sobre os jogadores que ele levou para a Copa – acho que Victor podia estar lá, mas…). Como em suas lamentáveis opiniões sobre a escravidão e a ditadura no Brasil: para o técnico da Seleção, quem não viveu aquelas épocas não pode dizer se foram “boas ou ruins” – no meu caso, é impossível não formar um juízo de valor sobre épocas das quais há inúmeros documentos provando suas atrocidades (mesmo que eu saiba que, se for estudá-las, terei de ser o mais isento possível).

Outra queixa contra Dunga foi que ele não tirou uma das mãos do bolso da calça ao cumprimentar o presidente Lula, antes da Seleção embarcar para a África do Sul. Realmente achei uma atitude deselegante, mas tenho certeza de que muitos dos que criticam Dunga são daqueles que chamam Lula de tudo que é adjetivo depreciativo. Ou seja, um bando de hipócritas.

Agora, a discórdia é com ninguém menos que a Rede Globo, que queria direito a entrevistas exclusivas com os jogadores da Seleção, concedido por Ricardo Teixeira mas vetado por Dunga. Além disso, o técnico já vinha fechando os treinos e restringindo o máximo possível o contato dos jogadores com a imprensa.

Os atritos chegaram ao auge após o jogo contra a Costa do Marfim, em que o repórter Alex Escobar falava ao celular com Tadeu Schmidt durante a entrevista coletiva, criticando Dunga, que ouviu e interpelou o jornalista, que não quis dizer nada. Então o técnico o chamou de “cagão” e outros palavrões que foram captados pelos microfones. Mais tarde, aquele patético “editorial” da Globo detonando com Dunga.

Dunga foi “grosso”? Sim, foi. Mas ele também foi um dos brasileiros mais massacrados pela “grande mídia” em sua longa história de destruição de reputações (se bem que a de Dunga eles não conseguiram detonar). Em 1990, foi criada a expressão “era Dunga” para simbolizar o futebol defensivo da Seleção (como se aquela Copa não tivesse sido justamente marcada pelo defensivismo), considerado “medíocre”. O então volante foi considerado culpado pela eliminação do Brasil diante da Argentina, nas oitavas-de-final (se é para eleger um culpado, voto em Maradona, por ser gênio).

Quatro anos depois, lá estava Dunga para levantar a taça. Ainda sob fogo cerrado – assim como o resto do time – dos mesmos “opinistas”, que criticavam o fato da Seleção Brasileira “não jogar bonito”, mesmo que campeã mundial depois de 24 anos. Pois é, mas deviam perguntar aos torcedores na época (principalmente aos mais jovens, como eu, que nunca tinham visto o Brasil ganhar a Copa) se trocariam aquele time campeão por um que “desse espetáculo” mas ficasse pelo caminho.

Para a “grande mídia”, Dunga não tinha lá muitos méritos: afinal, era capitão de um time campeão, mas que não jogava o “futebol-arte”, logo, “era ruim” – palhaçada repetida até hoje. E vão querer que ele não tenha nenhuma mágoa contra a imprensa?

XINGA ELES, DUNGA!

E já que o assunto é “convocação pra Copa”…

Genial ideia do meu amigo Diego Rodrigues: uma comunidade no Orkut pedindo a convocação de Jonas para a Copa.

O Grêmio é o melhor time do Brasil nesse início de ano, e o Jonas é o melhor atacante desde o ano passado!

Neymar? Ganso? Porra, Dunga, convoca o Jonas!

Twitter: #jonasnacopa

p.s. Essa comunidade também é uma ironia de quem não aguenta mais a mídia do centro do país pedindo “Romários (2002, lembram?)” na seleção brasileira.

Pato ou Nilmar???

Tá, não precisam me avisar que o jogo já passou!

Mas foi impressionante ver o quanto se falou na “grande mídia”, nos últimos dias, sobre o ataque da Seleção. Pato ou Nilmar??? Até parecia que não havia mais nada de importante.

Literalmente, caiu do céu para a “grande mídia” a expulsão do Luís Fabiano contra o Uruguai. Afinal, a lógica dizia que o Brasil não venceria, já que há muitos anos não ganhava do Uruguai no Centenário: assim, haveria vários motivos para malhar o Dunga.

Aí vieram aqueles 4 a 0, autêntico Centenariazo (acredito que o Uruguai ficará fora da Copa – o que lamento muito, visto que torço bastante pela Celeste Olímpica – e que a desclassificação começou para valer no último sábado). Mas os jornalistas esportivos não podiam ficar sem assunto para comentar. Como ficaria estranho atacar o Dunga após uma goleada da Seleção, e que ainda por cima havia quebrado um tabu, acharam o que falar: como o Luís Fabiano não poderia jogar contra o Paraguai, que se debatesse “Pato ou Nilmar”.

E podem ter certeza: se o Nilmar, titular na partida, não fosse bem… Aí as críticas ao Dunga voltariam: “POR QUE NÃO ESCALOU O PATO???”.