Chega de Odone no Grêmio!

Renato Portaluppi deixou o Grêmio nesta quinta-feira, após o vergonhoso empate em casa com o Avaí, lanterna do Brasileirão 2011. É fato que ele vinha cometendo erros neste ano que chega à metade (e não foram poucos, como a invenção de Gabriel no meio-campo, a “superproteção” a Douglas, a insistência com Gilson, William Magrão…), mas sua saída logo agora que o time seria reforçado com alguns jogadores mais “cascudos” – afinal, Renato já se queixara da falta de experiência do grupo – deixa bem claro que o problema não era só futebol.

A atual direção não queria Renato na casamata, pelo simples fato de que ele, por direito divino, brilhava mais que qualquer dirigente. Tanto que a renovação só aconteceu porque Paulo Odone percebeu que seria hostilizado caso não mantivesse o ídolo-mor do clube, que ainda por cima tirou o Grêmio da zona do rebaixamento no ano passado e classificou para a Pré-Libertadores. Eles vinham “se aturando” até a noite de ontem. A entrevista de Odone (que não ouvi, mas soube do teor) foi a gota d’água.

Renato se foi, mas vejo isso como um “até breve”. Agora, quem devia dizer um ATÉ NUNCA MAIS era nosso presidente populista, que adora falar da Batalha dos Aflitos para mascarar a seca de grandes conquistas; que perdeu tempo tentando contratar Ronaldinho e não só deu aquele vexame com as caixas de som no gramado, como também deixou Jonas ir embora dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores; que fez o Grêmio embarcar na canoa furada da “arena”, me fazendo temer pelo futuro da instituição (só quero saber o que vamos disputar neste estádio tão “moderno”).

Enfim, chega de Odone no Grêmio! E por favor, que aproveite e leve Antônio Vicente Martins junto…

Meia década

É… Lá se vão cinco anos daquela tarde quente. Maluca. Inesquecível.

26 de novembro de 2005. Milhões de gremistas estavam angustiados diante da televisão. Pênalti contra, sete jogadores contra onze do Náutico, que jogava em casa. Levar o gol significava “morte”, não levá-lo apenas adiaria o inevitável. Afinal, como já foi dito, eram sete gremistas contra onze que ainda por cima tinha mais de 20 mil torcedores a seu favor.

Porém, os sete que enfrentavam onze mais 20 e poucos mil torcedores não vestiam uma camisa qualquer. Era a camisa do GRÊMIO. Não iriam perder o jogo. Não poderiam perder daquele jeito.

E não perderam. Não empataram. GANHARAM.

GANHAMOS, todos nós gremistas, uma lição de vida: a prova de que, realmente, nada é impossível.

Um jogo inesquecível que merece, sim, ser lembrado para sempre.

Porém, é preciso fazer uma ressalva. A Batalha dos Aflitos é uma lição de vida para nós torcedores, porque achávamos que estava tudo perdido. Mas não pode, de forma alguma, ser uma lição de futebol. Tanto que “assino embaixo” dos textos escritos pelo Bruno no Grêmio 1903 e pelo Natusch no Carta na Manga (esse, é do ano passado).

Afinal, o Grêmio só precisou disputar aquele jogo por ter sido incompetente um ano antes, ao não conseguir se manter na Série A. Ou seja, mesmo que tenha sido uma lição de vida, certamente todo gremista preferiria jamais tê-lo disputado. E a dramaticidade se deveu a uma série de fatores:

  • O Grêmio deixou de garantir a vaga antecipadamente por conta de dois jogos contra a Portuguesa: em São Paulo, a partida estava ganha, e acabou 1 a 1; no Olímpico, o 2 a 2 teve sabor de vitória, depois de derrota parcial por 2 a 0 no primeiro tempo. Se tivesse vencido apenas um deles, teria ido aos Aflitos já garantido na Série A;
  • Escalona foi corretamente expulso (sim, foi mão na bola e não bola na mão);
  • O árbitro Djalma Beltrami não “roubou” ao dar aquele pênalti inexistente de Nunes (ali foi bola no braço, e não braço na bola), ele “compensou” um erro cometido minutos antes, quando não marcou a penalidade cometida por Galatto sobre o atacante alvi-rubro Miltinho;
  • Com todos os jogadores partindo para cima do árbitro após a marcação do pênalti (como se ele fosse voltar atrás), tivemos sorte dele ter expulsado apenas Patrício, Nunes e Domingos – além de Escalona, que já levara o vermelho: mais um, o jogo acabaria e o Grêmio certamente perderia no STJD;
  • Se dependesse da vontade de muitos dirigentes e torcedores gremistas naquela hora (inclusive a minha), não teria acontecido nada daquilo que nos emociona só de lembrar, pois o Grêmio teria abandonado o jogo para impedir que o pênalti fosse cobrado, o que resultaria em derrota por WO e possivelmente uma punição por parte da CBF, que levaria o Tricolor para a Série C. Temos de agradecer (e muito!) a Renato Moreira, que alertou o presidente Paulo Odone sobre isso.

Sem contar que aquele jogo deixou mal-acostumados muitos gremistas – principalmente os mais novos, que não viram os grandes times do passado – que chegam ao ponto de achar que basta ter garra para conquistar títulos. Ora, se desde 2005 o que o Grêmio ganhou foram apenas três estaduais (2006, 2007 e 2010), é sinal de que não basta garra, é preciso qualidade técnica: pois foi isso que faltou na Libertadores de 2007 (aquele time foi sem dúvida um dos mais raçudos que já vi, mas fraco) e também no Campeonato Brasileiro de 2008.

Mesmo que o Grêmio tenha tradição de jogadores raçudos, não podemos esquecer que a qualidade técnica também teve muita importância nas grandes conquistas do Tricolor. Foram lances de puro talento de Renato Portaluppi que nos levaram ao título mundial de 1983; Dinho, o “cangaceiro gremista” de 1995-1997, sabia desarmar adversários sem fazer falta; se Jardel não sabia jogar com o pé mas fazia muitos gols, isso se devia à grande qualidade dos cruzamentos de Arce, Roger e Paulo Nunes, fundamentais para levantarmos a Libertadores de 1995; na atualidade, como negar a importância de Douglas na reação do Grêmio neste Brasileirão?

E podemos até voltar à Batalha dos Aflitos. Ganhamos o jogo “na raça”, mas também graças ao talento de Anderson – que chamamos de “Andershow” justamente por conta disso.