Cálculo renal: melhor prevenir ou tratar antes da dor

Uma ecografia revelou que tenho um cálculo de 4,2mm no rim direito. Bom saber, pois assim vou em busca de tratamento antes que ele me incomode, né?

Na verdade, bom mesmo seria tê-lo descoberto totalmente por acaso. Pois fiz a ecografia por ter ido parar na emergência do Hospital Ernesto Dornelles na manhã da última terça-feira, com uma forte dor lombar à esquerda e ardência nas vias urinárias: a ecografia não revelou nenhuma pedra no rim esquerdo, mas o exame de urina detectou sangue acima do normal, tornando improvável que a dor não fosse causada pelo fato de estar expelindo um outro cálculo renal – que obviamente estava no rim esquerdo.

Senti a primeira cólica na madrugada do sábado passado e até fui à emergência da Santa Casa à tarde (pela manhã estive abraçando o Olímpico, não podia deixar de fazer isso), mas como estava lotada e não sentia nada no momento, voltei para casa e nem procurei outro hospital. Na madrugada seguinte, nova cólica, mas aí comecei a tomar remédios para a dor – que só voltou na fatídica terça-feira.

Se a pedra no rim direito tivesse sido descoberta ao acaso, em um exame de rotina, talvez eu estivesse mais tranquilo quanto a ela. Porém, agora já sei o que é ter uma cólica renal, e percebo que ela pode ser pior: já vi um amigo meu literalmente urrar por conta da dor causada por um desses cálculos malditos, o que não chegou a acontecer comigo. Fazendo uma analogia geológica, é como uma região suscetível a terremotos, que passou por um de intensidade moderada: sempre é possível que venha outro bem mais forte. E o pior: assim como não há como prever os sismos, também é impossível saber o momento em que aquele cálculo no rim irá provocar dor.

Porém, há diferenças em favor das pedras: enquanto nem o mais genial geólogo pode controlar a tectônica de placas, os cálculos podem ser tratados e, principalmente, evitados – tomar bastante água, para diluir a urina e dificultar a formação das pedras, já ajuda.

E é importante também fazer exames regularmente – cristais de oxalato de cálcio na urina são um sinal de alerta, pois tal substância é das principais formadoras de cálculos renais. Como já falei, é melhor descobrir e tratar de uma pedra dessas sem precisar sentir dor; já no meu caso, não quero senti-la novamente.

Meu pé meteorologista

Ano passado, torci o pé direito quando entrava no Olímpico para assistir a um Gre-Cruz (e como se não bastasse a entorse, o Grêmio ainda inventou de perder). Fiquei alguns dias com o pé enfaixado, e mesmo após tirar a faixa ainda sentia um pouco de dor, que me acompanhou por algumas semanas.

Porém, vez que outra, o pé me volta a doer. A primeira vez pensei em procurar um traumatologista, mas dias depois a dor se foi “ao natural”. Quando pensei que poderia ser sinal de mudança no tempo, achei graça. Ora, como que com só 30 anos eu poderia vir com esse papo? Afinal, geralmente quem sente dores quando vai chover são pessoas de idade, que sofrem de problemas ósseos: as variações na pressão barométrica fazem as articulações incharem, causando dor.

Pois não é que me parece cada vez mais óbvio que torcer o pé direito o transformou num meteorologista? Várias vezes notei essas dores justamente quando a chuva se aproxima. Domingo ele começou a doer depois de bastante tempo (não por acaso, há várias semanas não chove forte em Porto Alegre), segunda piorou um pouco, pensei novamente em marcar consulta com um traumatologista. Então reparei no calorão típico do verão, que me fazia suar. No fim de maio, só podia ser sinal de chuva. Logo, não era mera casualidade a dor no pé…

O pé ainda dói, pois a chuva está se enrolando – aliás, como vem fazendo em todo o Rio Grande do Sul nos últimos meses. Mas tenho certeza de que, depois do mundo desabar e o sol voltar, meu pé voltará ao normal. E eu esquecerei do traumatologista, até a próxima dor – ou melhor, até a próxima mudança no tempo.

Envelhecendo

Às vezes, sinto uma dor no joelho direito quando firmo a perna no chão, e por conta disso resolvi consultar um ortopedista. O consultório fica na Rua Mariante, próximo à Dona Laura.

Na saída da consulta, decidi passar em frente ao local onde ficava o Esquilo Travesso. No início de 2009, a casa onde funcionava a escolinha que frequentei de meados de 1986 ao final de 1988 foi demolida.

Achei que seria erguido um espigão no lugar, mas agora há um estacionamento. Dos males, o menor: se a casa não está mais lá, ao menos ainda poderei um dia estar no exato local onde ficava a escolinha, caso um carro do qual eu seja um dos passageiros estacione ali. Como não voltei mais lá depois de dezembro de 1988, poderei pensar: “na última vez que estive neste ponto o presidente do Brasil era José Sarney, a inflação comia o dinheiro dos brasileiros, o Muro de Berlim e a União Soviética existiam, eu via o Jaspion no fim da tarde, e o Grêmio era o último clube brasileiro campeão da Libertadores e do Mundo”.

Tudo isso não deixa de ser sintomático: vi qual foi o destino de minha antiga escolinha no mesmo dia em que fui tratar de uma “dor nas juntas”.