Discussão religiosa

Algo que a vida me ensinou: nunca se meta a discutir religião. Nunca. Jamais.

A probabilidade de conseguir mudar a opinião da outra pessoa tende a zero. Não creio na existência de algum Deus. Se ela acredita, não será numa simples conversa que mudará de ideia.

Minhas convicções nem sempre foram as de hoje. E não passei a defendê-las após uma conversa de bar ou após a janta. O que nos leva à mudança, cada vez mais creio, é a leitura. Coisa nada simples, que não se faz “numa sentada”.

Obviamente é bom ir a um bar trocar ideias. E reparem no termo: “trocar ideias”. Pedir opiniões. Ir sem muitas certezas, a não ser que estas sejam muito bem fundamentadas. Então é bom estar pronto para defendê-las, de preferência indicando leituras à outra pessoa. Melhor do que querer, na marra, “ganhar o debate” já na mesa do bar.

Agora, sobre as religiões já dei várias vezes minha opinião: não gosto de nenhuma. Vale a pena debater, “brigar”, é pelo Estado laico, de forma a que ninguém tenha sua liberdade tolhida por conta de questões religiosas. Agora, discutir se existe ou não algum deus, é algo que não leva a lugar algum: de forma semelhante às minhas convicções, minha fé foi embora por meio da leitura. Não serão duas horas num bar que farão ela voltar – ou farão meu interlocutor tornar-se ateu. Melhor indicar-lhe bons livros.

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Facebook: nosso “1984” pessoal

Uma das maiores reivindicações dos usuários do Facebook é o botão “não curti”, para sinalizar publicações e comentários que não agradam. Afinal, a única opção que temos, aparentemente, é o “curtir”.

Como disse, “aparentemente”. Pois existe, sim, como “não curtir” comentários no Facebook. Só que o “não curtir” está escondido na opção “denunciar abuso”. Ao clicar nesta, aparece um menu para selecionar o motivo pelo qual o comentário é considerado um abuso – e dentre eles, o “não curti este comentário”. Porém, o “não curtir” nos oferece algo a mais, como comprovei ontem.

Em uma longa discussão sobre política na qual tinha me envolvido no final de semana (não entrarei em detalhes, mas adianto que pretendo escrever um texto mais amplo, no qual discutirei um dos argumentos que nortearam a troca de ideias), o debate corria bem, com concordâncias e discordâncias, mas tudo respeitosamente. Eis que então entrou um cara que não só discordava de mim, como me achava idiota por isso – a propósito, deu para perceber que ele acha idiota qualquer um que não concorde com ele, numa amostra do quão “tolerantes” são os neoliberais fundamentalistas.

A última questão do fanático, decidi que não iria responder, tamanha idiotice que era aquilo. Fiquei na dúvida entre simplesmente não fazer nada, pedir que ele fosse mais respeitoso, mandá-lo àquele lugar ou tomar uma atitude diferente. Me decidi pela última opção: denunciar o comentário como abuso. E lá apareceu o “não curti este comentário”.

Só que, como falei, tinha “algo mais”: era oferecida a possibilidade de bloquear o cara, para que ele “não me enxergue mais”, nem eu o visse mais no Facebook. Resolvi, então, bloquear, e assim ter um fanático de direita a menos para encher o saco.

Mais tarde, voltei à discussão, e os comentários do cara tinham desaparecido… Então entendi: ao bloquear alguém, qualquer coisa que a pessoa já tenha postado antes mesmo do bloqueio “desaparece”. Entre aspas, pois um não vê os comentários do outro.

Diante disso, foi impossível não lembrar do livro “1984”, de George Orwell, que retrata uma sociedade totalitária onde o governo controla absolutamente toda a informação, de modo a simplesmente apagar fatos históricos e não se ter a menor possibilidade de provar a manipulação. “Se algo não existe, nunca existiu”, mesmo que existisse menos de cinco minutos antes.

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Quanto ao bloqueio, apesar da cara de “1984” que ficou, não só o mantenho como também posso vir a usar mais vezes. E quem vier com o papo furado de “censura”, eu mando àquele lugar (já que não mandei o fundamentalista, tem uma vaga sobrando): bloquear uma pessoa no Facebook não a impede de falar, mas ao menos eu não preciso aguentar seus comentários caso eles não me agradem (até porque ela também não terá como ler o que eu escrevo por lá). Quem não gostou, que vá se queixar pro Zuckerberg por ter nos dado tal opção na rede que ele criou (ou me bloqueie, ora!).

Mas os colorados que não se preocupem, não são eles o “alvo”, apesar de alguns serem um pouco malas. Prefiro aguentar flauta do que trollagem reacionária.

Não alimente os trolls

Começa amanhã, de forma oficial, a campanha eleitoral de 2010. Serão quase três meses em que receberemos muitas informações sobre candidatos aos mais diversos cargos (deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente). E também muito lixo. O que não é de surpreender, já que tudo indica que esta será a campanha mais suja que o Brasil já viu.

Nossas caixas de e-mails certamente serão invadidas por mensagens de propaganda política. Mas isso nem é a pior parte.

Dose mesmo são as malditas correntes. Se já recebemos muitas… Agora elas irão se multiplicar. E de nada adiantará responder explicando que nada daquela besteirada é verdade, pois o lixo seguirá chegando. Talvez a solução seja ameaçar notificar os amigos que mandam essas bostas como enviadores de spam (caso não surta efeito pedir-lhes que não enviem mensagens sobre política).

E nos blogs, será preciso utilizar mais do que nunca a moderação dos comentários. Pois os trolls irão aparecer em grande número. Não interessa a eles uma discussão de ideias, em alto nível (em que as pessoas não concordam em nada, mas ao menos se respeitam). O negócio deles é xingar, é transformar um debate em uma “guerra”. É fazer com que adversários – que podem ser grandes amigos, sem problema algum – passem a se ver como inimigos.

A tentação de responder a um troll é enorme – falo por experiência própria, pois já caí na asneira de responder a um deles, e por isso tive de aguentá-lo por muito tempo vomitando besteiras em minha caixa de comentários. Até que um dia eu decidi cortar o barato dele. Claro que ele me xingou de tudo que é coisa – a vontade de responder foi grande, mas não o fiz (e obviamente não publiquei o comentário – tudo o que vem dele, vai direto para o spam). Pois atenção é tudo o que um troll busca.

Assim, caro leitor, independentemente de sua posição política, minha dica é: não alimente os trolls. Apenas ignore-os. E, se possível, “delete-os”.

Briga ao vivo

O “Sala de Redação”, da Rádio Gaúcha, é um dos mais tradicionais programas de rádio do Rio Grande do Sul. No início da tarde, de segunda a sexta, vários comentaristas falam principalmente de futebol. E obviamente que nem sempre todos concordam entre si. Algumas opiniões geram discussões mais acaloradas.

Como esta, acontecida no dia 30 de agosto de 2007, quando Kenny Braga e Wianey Carlet quase trocaram socos ao vivo…