Oceano Solimões

Recebi hoje uma das correntes mais bizarras que já chegaram à minha caixa de e-mail. Vinda do mesmo amigo que me mandou várias que detonei ano passado.

Tão absurda, que me fez soltar aquela risada. Trata-se de uma “acusação” ao MST: ao invés de produzir em um assentamento às margens do Rio Solimões, estaria roubando ovos de tartarugas que fazem seus ninhos no local para depois vendê-los. Terrível, né?

Agora, reparem em uma das fotos anexadas à merda de mensagem. Descobri que é possível surfar no Solimões…

Isso mesmo: não é o Rio Solimões, e sim, mar. Trata-se do Oceano Pacífico! Mais específicamente, da praia de Ostional, na Costa Rica, onde vários milhares de tartarugas marinhas da espécie “oliva” costumam desovar por várias noites seguidas (em um fenômeno conhecido como arribada), gerando um verdadeiro “congestionamento de tartarugas”.

Nas primeiras 36 horas das arribadas, o governo da Costa Rica permite a coleta de ovos, numa área que é de preservação ambiental, e tal prática é endossada pelo Projeto Tamar. Hã?

É bem simples: invariavelmente estes ovos recolhidos acabariam destruídos por ondas e mesmo por outras tartarugas que pisariam em cima deles; em consequência disso, apodreceriam e contaminariam o local. O recolhimento dos primeiros ovos, assim, não ameaça a sobrevivência da espécie (muito pelo contrário!), visto que estes não chegariam a gerar novas tartaruguinhas, e ainda por cima se transformariam em uma ameaça.

Com essa, ficou bem claro a que nível podem chegar alguns direitosos, no desesperado intuito de desacreditar a esquerda. Se tivessem só um pouco de senso crítico, não repassariam uma corrente dessas. E nem digo que fosse por “checarem a informação”, mas por simplesmente observarem que as fotos não mostravam um rio, e sim um oceano!

Tem gente que PEDE para não ser levada a sério

Ontem e hoje, recebi dois e-mails direitoscos contra Dilma Rousseff. Os dois de pessoas que sem querer me disseram de forma implícita: “Rodrigo, tens toda a liberdade para nunca mais me levares a sério”.

O primeiro, foi uma coluna do Diogo Mainardi na Veja… Este a minha mãe recebeu de uma amiga (mesmo depois de pedir dezenas de vezes a ela para que não mais mandasse e-mails desse tipo), e me repassou para que eu visse, risse e respondesse. Escrevi uma resposta dizendo que quem manda isso pede para não ser mais levado a sério, que a minha mãe encaminhou à amiga dela.

Já o último, que me foi enviado por um amigo, conseguiu ser mais tosco (e teve resposta no mesmo teor da anterior). É um vídeo do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório defensor da ditadura militar de 1964-1985. Confesso que nem assisti até o final, por ser algo totalmente previsível: ele começou falando do PNDH-3 – ou seja, seria mais um daqueles típicos discursos direitosos dizendo que o plano é “autoritário” (e os generais da ditadura não eram, né?). E como também xingavam Dilma de “ladra” no corpo da mensagem, também é previsível que o deputado acusou a candidata petista de ter sido “assaltante de bancos” na época da ditadura. (Detalhe: não há nenhum documento provando que ela participou de alguma ação armada.)

Claro que ele também deve ter dito que o dinheiro roubado ajudava a financiar a luta armada (o que de fato acontecia), mas sem sequer citar o motivo da existência de luta armada no Brasil daqueles tempos. Claro, pois não interessa à direita brasileira lembrar que por 21 anos o país esteve sob uma ditadura militar apoiada por muitos políticos que andam por aí pedindo votos (e pior ainda, conseguindo-os).

E pelo visto, tem gente que perdeu o senso do ridículo, já que segue repassando essas direitosquices.