Facebook: nosso “1984” pessoal

Uma das maiores reivindicações dos usuários do Facebook é o botão “não curti”, para sinalizar publicações e comentários que não agradam. Afinal, a única opção que temos, aparentemente, é o “curtir”.

Como disse, “aparentemente”. Pois existe, sim, como “não curtir” comentários no Facebook. Só que o “não curtir” está escondido na opção “denunciar abuso”. Ao clicar nesta, aparece um menu para selecionar o motivo pelo qual o comentário é considerado um abuso – e dentre eles, o “não curti este comentário”. Porém, o “não curtir” nos oferece algo a mais, como comprovei ontem.

Em uma longa discussão sobre política na qual tinha me envolvido no final de semana (não entrarei em detalhes, mas adianto que pretendo escrever um texto mais amplo, no qual discutirei um dos argumentos que nortearam a troca de ideias), o debate corria bem, com concordâncias e discordâncias, mas tudo respeitosamente. Eis que então entrou um cara que não só discordava de mim, como me achava idiota por isso – a propósito, deu para perceber que ele acha idiota qualquer um que não concorde com ele, numa amostra do quão “tolerantes” são os neoliberais fundamentalistas.

A última questão do fanático, decidi que não iria responder, tamanha idiotice que era aquilo. Fiquei na dúvida entre simplesmente não fazer nada, pedir que ele fosse mais respeitoso, mandá-lo àquele lugar ou tomar uma atitude diferente. Me decidi pela última opção: denunciar o comentário como abuso. E lá apareceu o “não curti este comentário”.

Só que, como falei, tinha “algo mais”: era oferecida a possibilidade de bloquear o cara, para que ele “não me enxergue mais”, nem eu o visse mais no Facebook. Resolvi, então, bloquear, e assim ter um fanático de direita a menos para encher o saco.

Mais tarde, voltei à discussão, e os comentários do cara tinham desaparecido… Então entendi: ao bloquear alguém, qualquer coisa que a pessoa já tenha postado antes mesmo do bloqueio “desaparece”. Entre aspas, pois um não vê os comentários do outro.

Diante disso, foi impossível não lembrar do livro “1984”, de George Orwell, que retrata uma sociedade totalitária onde o governo controla absolutamente toda a informação, de modo a simplesmente apagar fatos históricos e não se ter a menor possibilidade de provar a manipulação. “Se algo não existe, nunca existiu”, mesmo que existisse menos de cinco minutos antes.

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Quanto ao bloqueio, apesar da cara de “1984” que ficou, não só o mantenho como também posso vir a usar mais vezes. E quem vier com o papo furado de “censura”, eu mando àquele lugar (já que não mandei o fundamentalista, tem uma vaga sobrando): bloquear uma pessoa no Facebook não a impede de falar, mas ao menos eu não preciso aguentar seus comentários caso eles não me agradem (até porque ela também não terá como ler o que eu escrevo por lá). Quem não gostou, que vá se queixar pro Zuckerberg por ter nos dado tal opção na rede que ele criou (ou me bloqueie, ora!).

Mas os colorados que não se preocupem, não são eles o “alvo”, apesar de alguns serem um pouco malas. Prefiro aguentar flauta do que trollagem reacionária.

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Oceano Solimões

Recebi hoje uma das correntes mais bizarras que já chegaram à minha caixa de e-mail. Vinda do mesmo amigo que me mandou várias que detonei ano passado.

Tão absurda, que me fez soltar aquela risada. Trata-se de uma “acusação” ao MST: ao invés de produzir em um assentamento às margens do Rio Solimões, estaria roubando ovos de tartarugas que fazem seus ninhos no local para depois vendê-los. Terrível, né?

Agora, reparem em uma das fotos anexadas à merda de mensagem. Descobri que é possível surfar no Solimões…

Isso mesmo: não é o Rio Solimões, e sim, mar. Trata-se do Oceano Pacífico! Mais específicamente, da praia de Ostional, na Costa Rica, onde vários milhares de tartarugas marinhas da espécie “oliva” costumam desovar por várias noites seguidas (em um fenômeno conhecido como arribada), gerando um verdadeiro “congestionamento de tartarugas”.

Nas primeiras 36 horas das arribadas, o governo da Costa Rica permite a coleta de ovos, numa área que é de preservação ambiental, e tal prática é endossada pelo Projeto Tamar. Hã?

É bem simples: invariavelmente estes ovos recolhidos acabariam destruídos por ondas e mesmo por outras tartarugas que pisariam em cima deles; em consequência disso, apodreceriam e contaminariam o local. O recolhimento dos primeiros ovos, assim, não ameaça a sobrevivência da espécie (muito pelo contrário!), visto que estes não chegariam a gerar novas tartaruguinhas, e ainda por cima se transformariam em uma ameaça.

Com essa, ficou bem claro a que nível podem chegar alguns direitosos, no desesperado intuito de desacreditar a esquerda. Se tivessem só um pouco de senso crítico, não repassariam uma corrente dessas. E nem digo que fosse por “checarem a informação”, mas por simplesmente observarem que as fotos não mostravam um rio, e sim um oceano!

Politicamente reaças

Anteontem, escrevi sobre o tal de humor “politicamente incorreto” que está na moda. Na verdade, este tipo de “humor” nada mais é do que disfarce para os velhos preconceitos ainda muito em voga no país. Ou seja, é o reacionarismo que, “envergonhado”, se finge de “politicamente incorreto”.

Pois o Milton Ribeiro escreveu um excelente texto sobre algo que considera problemático: diante do crescimento do humor preconceituoso, muita gente quer contra-atacar… Defendendo o “politicamente correto”!

O problema é que “politicamente correto” não combina com humor (e falo daquele que faz rir e também pensar criticamente, não de babaquices). É só reparar nos trabalhos de humoristas como os que citei ontem, e também o pessoal do impagável Monty Python. De “politicamente correto”, eles não têm nada.

A expressão “politicamente correto” não me lembra em uma pessoa consciente, crítica. Pelo contrário: o que me vem à cabeça é o “cidadão de bem”, que segue todas as regras sem sequer pensar na maneira como age. Ou seja, é tão reacionário quanto o tal de “politicamente incorreto” – a diferença é que o “correto” é mais contido e não fala tanta merda nas redes sociais.

A verdade é que “politicamente incorreto” sempre foi sinônimo de contestação à ordem – preferencialmente, de forma bem-humorada. Como a sátira de um governante, de uma sociedade (como se vê em Os Simpsons) pode ser algo “politicamente correto”?

Voltamos, assim, ao começo do texto: o que aconteceu é que os direitosos começaram a utilizar a expressão “politicamente incorreto” para descreverem a si mesmos; assim, posam de “contestadores” e esperam enganar os bobos. Ou seja, não são politicamente incorretos, são é politicamente reaças.

Me antecipando a ela

Corre na internet a notícia de que será erguida em Brasília uma estátua do ex-presidente Lula, projetada para ser mais alta que o Cristo Redentor, ao custo de R$ 13 milhões (13 milhões? Coincidência?) para os cofres públicos. Parece absurdo, né?

Não parece: É ABSURDO. (Inclusive, a ausência das aspas na palavra “notícia” do primeiro parágrafo foi proposital: me divertir um pouco, imaginando quantos reacinhas não cairiam facinho nessa.)

Foi via Facebook que achei a matéria de Carlos Newton no Tribuna da Imprensa publicada no último dia 5, alertando para mais uma dessas malditas correntes. Criação de algum imbecil para desinformar as pessoas: ele ri, mas muito “inocente útil” já deve ter repassado essa bobagem, “espumando de raiva” contra “mais essa dos petralhas”.*

E tenho certeza de que em breve mais essa merda corrente chegará à minha caixa de e-mail

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Fica uma dica aos leitores: antes de saírem repassando qualquer coisa, pesquisem na internet e chequem a informação. Pode até ser que não se trate de uma mentira (sabe lá se não é notícia em primeira mão), mas se for algo tão absurdo quanto uma estátua em homenagem a uma pessoa viva (ainda mais se acompanhada de comentários raivosos), é alta a chance de ser apenas mais uma dessas porcarias de correntes.

Para facilitar um pouco, indico textos que detonam algumas delas. Tem dois do Vinicius Duarte: um sobre a tal de “bolsa-bandido”, e outro simplesmente impagável sobre aquela “campanha cívica” para baixar o preço da gasolina.

E tem também os que escrevi aqui no Cão, em ordem cronológica (a maioria é relacionada à última campanha eleitoral, mas podem servir como lição):

  • Quem quer um Brasil melhor NÃO REPASSA CORRENTES! Neste aí, acabei com quinze desses e-mails;
  • Não alimente os trolls. Não foi exatamente sobre correntes, e sim sobre os malas que adoram tumultuar o debate em blogs – e enchem o saco também;
  • Depois dos concretoscos, os DIREITOSCOS. À medida que a campanha eleitoral de 2010 avançava, o nível das correntes baixava (e estávamos recém no final de julho). Neste, desmenti a suposta “censura” do governo federal contra o blog de uma jornalista que “desagradaria ao governo” por ser direitosa: na verdade, a “censura” se dera por ordem judicial de um deputado estadual do Mato Grosso, ou seja, nada a ver com Brasília;
  • Mais uma mensagem tosca… Não chegava a ser exatamente uma corrente, pois a informação de que o Brasil abriria uma embaixada em Tuvalu não era totalmente falsa: na verdade o relacionamento bilateral entre os países seria de responsabilidade da embaixada brasileira na Nova Zelândia. Mas foi preciso explicar que relações diplomáticas não são questão de governo, e sim de Estado: só imagino o que mundo pensaria se José Serra ganhasse a eleição e uma de suas primeiras medidas como presidente do Brasil fosse romper as relações com Tuvalu;
  • A última da “fábrica de correntes”. Esta era uma “pesquisa imparcial” que apontava ampla vantagem de Serra, com mais de 60% dos votos. Tão “imparcial”, que Dilma venceu a eleição com 56,05% dos votos válidos no 2º turno;
  • Tem gente que PEDE para não ser levada a sério. Na ânsia de chamar Dilma Rousseff de “ladra”, um amigo teve a ousadia de me enviar (mesmo eu sendo graduado em História) um vídeo de Jair Bolsonaro… Nem assisti até o fim, pois era muito previsível: Bolsonaro começou falando sobre o PNDH-3 – ou seja, a iminente implantação de uma “ditadura comunista” no Brasil – e depois certamente acusaria Dilma de ter sido “assaltante de bancos” na época da ditadura militar (que para o deputado foi o auge da democracia no Brasil), sem citar que não há prova alguma de que Dilma tenha participado de ações armadas, e também de que os “terroristas” dos anos 60 e 70 não combatiam um governo democrático – pelo contrário, o verdadeiro terrorismo era o governo;
  • Eu morro e não vejo tudo… Recebi uma suposta entrevista do nadador Cesar Cielo ao jornal O Estado de São Paulo detonando os dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e o governo federal. Mas detonado mesmo foi esse e-mail: Cielo realmente criticou muito os dirigentes da CBDA, só que na matéria do Estadão que fala disso, publicada em 2 de setembro de 2008, a palavra “governo” sequer aparece… Neste mesmo texto também relatei o recebimento pela segunda vez e da mesma pessoa, de uma outra corrente.

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* Retificação (14/09/2011, 21:14). Via Facebook, o Natusch me avisou que a origem da “notícia” é o G17, página que satiriza o G1. Ou seja, alguém viu, achou que era sério (já que o leiaute realmente lembra o do G1) e repassou… Ou seja, continua válida a dica de checar as informações. Inclusive para este que vos escreve, de modo a evitar xingamentos a quem fez algo que muito prezo: humor.

Avalanche direitosa

Primeiro, foi a “polêmica” sobre o aborto, na campanha eleitoral. Depois, a disseminação de ódio no Twitter contra nortistas e, principalmente, nordestinos, dos reacinhas revoltados com o resultado da eleição (e que, de tão “esclarecidos”, esqueciam que mesmo sem contar os votos do Norte e do Nordeste, Dilma teria vencido).

Agora, é a homofobia. Os direitosos defendem o “direito” de agredirem quem é homossexual.

Criminalizar a homofobia não quer dizer que todos os brasileiros serão obrigados a se tornarem homossexuais. Apenas estabelece que quem é atraído por pessoas do mesmo sexo seja respeitado, tenha direito a ser diferente sem ser agredido por conta disso. Simples.

Em um trecho do ótimo post no seu blog, a Lola Aronovich disse tudo:

Tipo: eu não gosto de banana. Então o que faço? Ué, eu não como banana. Se alguém me oferece banana, eu agradeço e digo “Não, obrigada”. Quando vou a um buffet por quilo, não fico apontando pras bananas à milanesa e fazendo cara de nojo. Tampouco as procuro pra poder destrui-las com um garfo. E ninguém tenta me convencer a gostar de bananas. Eu não gosto, mas sei que tem um monte de gente que gosta. É meio egoísta eu querer que as bananas desapareçam da face da Terra só por eu não gostar delas. Sabe, quem morreu e me nomeou deus? E por falar em deus, não vou ficar procurando na bíblia passagens que possam ser interpretadas como “deus odeia bananas e quer que elas ardam no inferno”. Tenho mais o que fazer.

E os direitosos que não me venham dizer que não existe homofobia no Brasil. O vídeo abaixo é a “pá de cal” nos “argumentos” deles.

Quando descobri que alguns de meus amigos são reacionários

O título desta postagem é descaradamente inspirado no da que foi publicada no Contracultura – no caso, a autora do blog relata sua experiência com a família direitosa.

Já eu não tive maior sofrimento familiar por conta disso, já que boa parte dos meus parentes, se não é exatamente de esquerda, ao menos não vomita discursos reacionários. Meu problema, são alguns amigos… Impressionante o quanto eu passo situações semelhantes às descritas no texto que citei (exceção à contradição entre o que eu defendia e os meus votos – jamais dei sequer um voto ao PSDB).

Quando reunido com a turma, procuro evitar discussões políticas e sociais por saber que estarei em desvantagem. O problema é que às vezes não dá para ficar calado. Como quando, por exemplo, defendem que “bandido bom é bandido morto”, ou que “pobre é vagabundo que não quer trabalhar”. (Duvido que eles nunca tenham jogado na Mega Sena, justamente por conta do sonho de “nunca mais precisar trabalhar”.)

Ou, o que para mim foi o cúmulo do individualismo, foi quando ouvi de um amigo que ele era contra pagar INSS, por achar que cada um tinha que pagar sua própria aposentadoria, e não a dos outros (inclusive ele disse que não queria pagar para eu me aposentar); sem contar os demais impostos, porque eles “sustentam vagabundo com Bolsa Família”. Obviamente lembrei a ele que acho muito bom saber que pagando meus impostos eu ajudo a mim mesmo, assim como a ele e a muitos milhões de pessoas… Como neste dia eu não estava em “desvantagem”, e também tinha tomado umas cervejas a mais, a discussão (que foi além de direitos sociais e chegou às velhas besteiras contra o MST) acabou descambando para uma baixaria digna da campanha do PSDB, que por sorte não acabou em “vias de fato” (mas seriam socos, e não bolinhas de papel); e a própria amizade foi salva quando trocamos desculpas três dias depois.

Mas, mesmo assim, percebo que não me identifico mais com aqueles amigos (claro que não todos eles) da mesma maneira que 10 anos atrás; percebo que hoje em dia o que mais temos em comum é o passado (a “memória coletiva”, que segundo Maurice Halbwachs é importante fator de coesão para um grupo – embora não seja determinante). Não sei dizer exatamente se foram eles que mudaram, ou se fui eu; ou talvez todos nós. Mas é fato que o amigo com quem discuti chegou a dizer que “pensava que eu ia mudar”, ao que respondi que “aceito mudar, mas não para pior” (foi quando a situação esteve mais tensa).

Dizem que isso é “amadurecimento”, mas esse “amadurecimento” que eles tiveram, eu não quero de jeito nenhum.

Mudei o voto – e explico por quê

Lá se vão quase cinco meses do dia em que declarei não votar em Dilma Rousseff no 1º turno. Expus minhas razões num texto que não cansei de citar, inclusive como resposta a “correntes” com direitosquices contra a candidata petista (aliás, vários desses lixos são desmascarados aqui) – lembrando os trolls amigos de meu voto para presidente, Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.

O fato de eu ter optado por Plínio não me tornou um “opositor” ao governo Lula (do qual Dilma representa a continuidade), postura adotada por muitos militantes de partidos à esquerda dele, como o PSOL. Concordo com muitas das críticas feitas pelo PSOL ao governo, mas dizer – como muitos de seus partidários costumam – que é um governo “de direita”, convenhamos, é forçar demais a barra. Eu o considero como de centro-esquerda, mais para “centro” do que para “esquerda” – o que não pode ser considerado negativo, dado que antes o Brasil sofrera muitos anos nas mãos da verdadeira direita, e desde 2003 houve, sim, melhorias na vida de muitos e muitos brasileiros. Considero uma atitude extremamente infeliz (para não dizer “burra”) a de taxar como “direita” pessoas, partidos e governos com os quais eu, que me declaro de esquerda, tenho algumas discordâncias. Do contrário, eu teria de considerar como “de direita” o governo de Hugo Chávez na Venezuela, por discordar de algumas de suas medidas!

Com o decorrer da campanha, as pesquisas começaram a indicar uma disparada das intenções de voto em Dilma. (Sim, as pesquisas, tão criticadas antigamente… Não digo que elas sejam manipuladas sempre – do contrário, perderiam tanto a credibilidade que acabariam por não existirem mais – mas, convenhamos, é muito fácil só criticá-las quando os números são favoráveis ao adversário.) A impressão era de uma vitória arrasadora, já no 1º turno.

Só que aí surgiram os recentes escândalos (que coincidentemente só “estouraram” perto da eleição, por que será?), e aparentemente Dilma “parou”. E eu já estava pensando em como seria bom que ela vencesse já no 1º turno, mesmo não votando nela: afinal, assim se garantiria mais 4 anos de PSDB longe do Palácio do Planalto. Então li um ótimo texto do Hélio Paz, comentei fazendo um elogio, e ele respondeu (os grifos são meus):

Valeu, Rodrigo! O momento exigia uma postura assim – ainda mais depois daquela ressaca da eleição no Grêmio que demorou pra curar.

Aliás, infelizmente, eu tenho o cutuque de que haverá 2º turno p/presidente: o #pig vai fazer de tudo nesta semana. E – quero estar enganado – acho que vai conseguir…

Esperemos…

[]’s,
Hélio

Charge do Santiago (clique para ampliar)

Eu já tinha pensado se não seria uma boa dar meu voto para Dilma já no dia 3 de outubro, em nome de evitar a realização de um 2º turno. Não sou contra a realização de 2º turno em eleições majoritárias: a exigência de mais de 50% dos votos válidos confere maior legitimidade ao eleito. Mas no atual contexto político brasileiro, se houver 2º turno, haverá mais tempo para a direita – a “grande mídia” incluída, seja a que declara sua posição (Estadão), seja a que insiste no papo furado da “imparcialidade” – jogar ainda mais sujo para tentar eleger José Serra. E é preciso derrotá-la para evitar que o Brasil sofra o grande retrocesso que será uma eventual volta do PSDB e do DEM ao governo. Quanto antes, melhor!

Por conta disso, então, tomei a decisão de votar em Dilma Rousseff no domingo. Mantenho todas as críticas que tenho ao governo Lula, mas voto em Dilma por entender que não podemos dar mais tempo para a direita reacionária seguir com sua campanha de baixíssimo nível. Pois sempre há o risco de que sua estratégia asquerosa dê certo.

Tem gente que PEDE para não ser levada a sério

Ontem e hoje, recebi dois e-mails direitoscos contra Dilma Rousseff. Os dois de pessoas que sem querer me disseram de forma implícita: “Rodrigo, tens toda a liberdade para nunca mais me levares a sério”.

O primeiro, foi uma coluna do Diogo Mainardi na Veja… Este a minha mãe recebeu de uma amiga (mesmo depois de pedir dezenas de vezes a ela para que não mais mandasse e-mails desse tipo), e me repassou para que eu visse, risse e respondesse. Escrevi uma resposta dizendo que quem manda isso pede para não ser mais levado a sério, que a minha mãe encaminhou à amiga dela.

Já o último, que me foi enviado por um amigo, conseguiu ser mais tosco (e teve resposta no mesmo teor da anterior). É um vídeo do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório defensor da ditadura militar de 1964-1985. Confesso que nem assisti até o final, por ser algo totalmente previsível: ele começou falando do PNDH-3 – ou seja, seria mais um daqueles típicos discursos direitosos dizendo que o plano é “autoritário” (e os generais da ditadura não eram, né?). E como também xingavam Dilma de “ladra” no corpo da mensagem, também é previsível que o deputado acusou a candidata petista de ter sido “assaltante de bancos” na época da ditadura. (Detalhe: não há nenhum documento provando que ela participou de alguma ação armada.)

Claro que ele também deve ter dito que o dinheiro roubado ajudava a financiar a luta armada (o que de fato acontecia), mas sem sequer citar o motivo da existência de luta armada no Brasil daqueles tempos. Claro, pois não interessa à direita brasileira lembrar que por 21 anos o país esteve sob uma ditadura militar apoiada por muitos políticos que andam por aí pedindo votos (e pior ainda, conseguindo-os).

E pelo visto, tem gente que perdeu o senso do ridículo, já que segue repassando essas direitosquices.

Depois dos concretoscos, os DIREITOSCOS

A direita brasileira é mortal… Mata de rir!

Tudo bem, nada que me surpreenda. O baixo nível das correntes de e-mail continua. Aliás, cada vez mais baixo.

Esses dias, recebi a mensagem sobre a tal “bolsa bandido” (que já fora detonada pelo Vinicius Duarte). Respondi ao meu amigo, que um dia depois enviou outra corrente, mas esta batendo na Rede Globo (o famoso boato do “Criança Esperança”), perguntando se eu ia gostar “agora que não fala mal do PT, do Lula e da Dilma”. Claro que respondi de novo, dizendo que o problema não era fazer críticas ao governo Lula – já que eu tenho muitas – mas sim que elas fossem realmente críticas, não abobrinhas: afinal, essas porras de correntes são pura pregação direitosa, não vi nenhuma delas reclamando de que os arquivos da ditadura não foram abertos, por exemplo.

Outras tosqueiras foram as mensagens que vi ontem. Uma delas, que foi encaminhada pelo meu pai para que eu risse junto com ele, tinha o título “Cuidado, tsunami em outubro”, e chamava a possível vitória da Dilma de “tsunami”. A imagem em anexo, então, foi uma das coisas mais toscas que já vi: a imagem de uma onda gigante com a cara da candidata petista… PQP!

A outra, o meu pai não me repassou porque eu cheguei a ver o momento em que ele respondeu. Foi para detonar mesmo: o texto da mensagem dizia que uma “jornalista” (sim, entre aspas mesmo!) tivera seu blog censurado pelo governo Lula por conta de um texto (aliás, muito ruim) publicado no ano passado (ela se utilizava várias vezes da expressão “petralhas”, que se não está entre aspas no texto, é para mim um atestado de “coisa que não é séria”). Claro que isso servia para dizerem que “temos de salvar o Brasil de uma ditadura” e muito blá blá blá direitoso (interessante que eles fizeram e ainda defendem a ditadura militar…). Mas faltou alguém avisar aos ingênuos que repassam essa porcaria que o blog da moça foi “censurado” por uma ordem judicial a pedido de um deputado estadual do Mato Grosso – ou seja, não tinha absolutamente nada a ver com o governo federal!

E, para completar o dia de ontem, descobri no Twitter uma mulher que a única coisa que “tuíta” é bobagem contra a Dilma. Ela, assim como vários outros direiTOSCOS, quer fazer os bobos acreditarem que a vitória petista significará “a implantação do comunismo no Brasil”. Só aviso que desse jeito o risco que correm é de justamente me convencerem a votar na Dilma!

Mas, como não acredito nessas tosquices, vou de Plínio.

Quem quer um Brasil melhor NÃO REPASSA CORRENTES!

Bem que o Milton Ribeiro avisou que 2010 seria “uma coisa”. Desde o final do ano passado, já me preparava para uma chuva de comentários-spam. Que, surpreendentemente, têm vindo em número menor do que eu esperava (mas não vou me animar muito, pois certamente os trolls direitosos esperarão passar a Copa para agirem mais).

Porém, algo com o qual eu não contava eram os e-mails. Afinal, spam é coisa que não vem de amigo, né?

Errado! Afinal, tenho amigos das mais diversas colorações partidárias e visões de mundo. Inclusive, direitosos que tenho a impressão de que jamais os convencerei a mudarem sua maneira de pensar – e que também não têm a menor chance de me convencerem.

O problema, é que eles acreditam ser possível que eu receba um daqueles arquivos “pps” com pregações direitosas e ainda os repasse!

Até perdi a conta de quanas mensagens deste tipo recebi desde o começo do ano. Já respondi diversas vezes, pedindo que não percam tempo com essas bobagens, visto que comigo elas não colam – sem contar que a maioria é para bater no Lula e na Dilma, mesmo que eles saibam que meu candidato a presidente é Plínio de Arruda Sampaio. Não adiantou…

Não vou copiar os textos e publicar aqui, mas vale a pena ter uma ideia do que ando recebendo (os trechos em negrito correspondem aos títulos das mensagens):

  • 500 mulheres cearenses! É INACREDITÁVEL. Trata sobre supostas alunas de um curso dedicado a beneficiárias do Bolsa Família “que não quiseram trabalhar com carteira assinada para não perderem o benefício”. Pergunto: alguém em sã consciência acredita nisso? Para quem não sabe, o Bolsa Família é apenas assistência, não salário – se alguém deixa de trabalhar para receber o benefício, é sinal de que trabalhava por um salário de fome.
  • Iran ??? Esse é barbada: criticando o acordo com Ahmadinejad. Interessante é que a mensagem apresenta as supostas penas aplicadas no Irã como coisas terríveis. Pura demagogia, visto que quem manda essas mensagens costuma defender que se faça as mesmas barbaridades aqui no Brasil.
  • Indígenas e Quilombolas. Texto de um suposto general do Exército, que embasa seus argumentos em reportagem pra lá de preconceituosa da revista Veja. Sem comentários…
  • A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR!!! Bizarro: diz que se Dilma Rouseff for eleita presidenta, não poderá entrar nos Estados Unidos por ter participado do sequestro do embaixador Charles Elbrick, em 1969… ACREDITEM SE QUISER, EU RECEBI ISSO!!! Esse eu respondi recomendando mais cuidado com o repasse de e-mails sobre política (sugerindo, inclusive, que não se repasse nenhum, devido a informações totalmente falsas, como essa da participação de Dilma no sequestro do embaixador estadunidense).
  • Texto de posse Sarkozy!!! – Muito bom. Suposto discurso proferido por Nicolas Sarkozy ao tomar posse na presidência da França. Claramente conservador – como não deixaria de ser, né? Ao final, após a suposta mensagem do presidente francês, a “conclamação”: “se você não é um dos aninhados nas benesses do poder, nem recebe bolsa de merda alguma, passe à frente” – nem preciso dizer que NÃO passei (ou que só o fiz agora, para esculachar).
  • O assunto é sério, Urnas viciadas. Bem “teoria da conspiração”, né? Mas não é uma simples corrente distópica: as “urnas viciadas”, é claro, beneficiam Dilma Rousseff.
  • DIREITOS HUMANOS. Mais um daquela série “direitos humanos para humanos direitos”, recomendando que “quem deseja tratamento digno a delinquentes os leve para casa”, típico papo direitoso (para não dizer FASCISTA). Esse eu respondi dizendo que não quero levar um criminoso para a minha casa, e sim que ele pague por seu crime e que possa se reabilitar, de forma a sair da prisão e ter uma vida digna. E não é com tratamento desumano (como defendem os direitosos) que isso acontecerá.
  • O Viajante. Texto supostamente de Joelmir Beting criticando as viagens de Lula – e não só ao exterior, como dentro do Brasil mesmo! Ou seja, o presidente da República não pode visitar vários Estados e conhecer melhor o país que ele mesmo governa, e sim, deve se limitar a seu gabinete em Brasília.
  • Apenas Isto !! O título não é nada demais, mas o texto já começa “mal”: falando do pai de Dilma, o búlgaro Petar Russev (que no Brasil passou a assinar Pedro Rousseff), que teria “deixado um filho na Bulgária” e vindo para cá (mas o porquê ninguém explica, embora esteja implícito na mensagem: Russev era filiado ao Partido Comunista Búlgaro – provavelmente tenha sofrido perseguição política em seu país, visto que na época a Bulgária se aliara a Hitler). Depois, fala que a família de Dilma “não passava dificuldades” (interessante, visto que em geral quem repassa essas bobagens não passa lá muitas dificuldades também…), e finalmente, como não podia faltar, a acusação de “terrorista” nos anos 60 e 70 – como se o regime político no Brasil da época fosse muito democrático.
  • Não é preciso comentar. Totalmente bizarro! A mensagem começa com uma pergunta: “você votaria nisso?”, e depois aparece uma foto de Dilma fumando um charuto… Que qualquer amador em Photoshop faz! E UM MONTE DE GENTE REPASSOU ACHANDO QUE ERA SÉRIO!!!
  • Fiquem os atentos …Cadê As Meninas d o Jô? (sic) Perguntando por onde andam as tais “meninas do Jô”, que obviamente teriam “saído do ar” (aliás, quando é que entraram?) por “imposição deste governo autoritário”. O texto chega a falar que os mesmos motivos teriam sido a causa da demissão de Boris Casoy! Não aguentei e respondi perguntando quando que Casoy havia sido demitido da Band – e dizendo que se confirmada a notícia, tomaria uma cervejada para comemorar.
  • Desabafo de um pai. Aquele suposto relato do suposto pai de um suposto soldado morto por uma bomba, que teria sido atirada de um carro onde estaria Dilma (mesmo que não haja prova alguma de que ela tenha participado de ações armadas). Mensagem naquele estilo “ela é terrorista” (e a ditadura, que torturava e matava, claro que não era).
  • O que nos reserva o futuro… Essa começa com o já clássico “Acorda Brasil”, e depois cita a suposta entrega de um prêmio da Associação Juízes para a Democracia ao MST como “coisa terrível”: afinal, conforme disse a Veja (só podia ser, né?), o MST “destroi a Amazônia” (interessante saber que o panfletão, tradicional defensor do agronegócio e que chamava ambientalistas de “ecochatos”, decidiu defender a natureza…). E também bate no PNDH-3, que “acaba com a propriedade privada” (praticamente uma religião para os direitosos).
  • ENFIM SAIRAM DA TOCA. Mais uma batendo no “decreto comunista” do Lula, o PNDH-3… Uma das mensagens, aparentemente enviada originalmente a uma pessoa, começa com… REINALDO. Só pode ser aquele humorista (pois só como humor para levar aquilo em consideração) da Veja.

E agora, a mais recente, e bizarríssima. Não fala diretamente do Lula, mas…

É um arquivo “pps” (claro!), chamado “No Reino do Brasil”, criticando a carga tributária. É verdade que temos impostos demais se considerarmos o retorno para a sociedade (o que me faz ser não contra os impostos, e sim a favor de que eles sejam mais revertidos para a população), mas a mensagem é pura baboseira neoliberal: considera os empresários como “bobos da corte” (hã???), chama “salário” de “produção” (ou seja, que cada um recebe o equivalente ao que produz, o que quer dizer que “o mundo é justo”), e no final, obviamente, diz que a “nobreza” (políticos) distribui “migalhas” ao “povão”, na forma de “bolsas” (viram como o Lula não escaparia?). Quando na verdade o que vemos é justamente que certos empresários, aqueles “graúdos”, é que são os verdadeiros “nobres” da história… Tanto que quando a coisa fica feia para eles, vão correndo pedir ajuda ao Estado, para se recuperarem e depois continuarem com suas pregações em favor do laissez-faire.

São tantas mentiras, tantas besteiras… Que decidi usar as mesmas palavras de ordem dos que produzem tais bostas.

ACORDA BRASIL! Vamos parar de repassar correntes!

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Outro texto interessante acerca do tema “correntes eleitorais”, que vale muito a pena ser lido, é do Vinicius Duarte – ele detona a besteirada que andaram espalhando por aí, de que o governo teria criado uma tal de “Bolsa Bandido” (essa eu ainda não recebi).