Agora, eles vêm com uma “profecia”…

Trata-se de mais um dos tantos “e-mails eleitorais” deste ano de 2010. Meu pai recebeu e me repassou, fazendo o comentário: “não desistem nunca…”, em referência aos direitoscos que continuam mandando essas coisas.

Como sempre, as “previsões” da tal mulher que “nunca se engana”, são catastróficas e relacionadas à eleição de Dilma Rousseff para a presidência.

Diante de tal enxurrada de e-mails, lembro daquelas mensagens que pintavam Dilma como uma “perigosa terrorista” e pergunto: não seria mais correto classificar como “terroristas” os que criam tais porcarias? Pois quem repassa, geralmente já o faz “apavorado” – e o objetivo do terrorismo é justamente esse.

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Mudei o voto – e explico por quê

Lá se vão quase cinco meses do dia em que declarei não votar em Dilma Rousseff no 1º turno. Expus minhas razões num texto que não cansei de citar, inclusive como resposta a “correntes” com direitosquices contra a candidata petista (aliás, vários desses lixos são desmascarados aqui) – lembrando os trolls amigos de meu voto para presidente, Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.

O fato de eu ter optado por Plínio não me tornou um “opositor” ao governo Lula (do qual Dilma representa a continuidade), postura adotada por muitos militantes de partidos à esquerda dele, como o PSOL. Concordo com muitas das críticas feitas pelo PSOL ao governo, mas dizer – como muitos de seus partidários costumam – que é um governo “de direita”, convenhamos, é forçar demais a barra. Eu o considero como de centro-esquerda, mais para “centro” do que para “esquerda” – o que não pode ser considerado negativo, dado que antes o Brasil sofrera muitos anos nas mãos da verdadeira direita, e desde 2003 houve, sim, melhorias na vida de muitos e muitos brasileiros. Considero uma atitude extremamente infeliz (para não dizer “burra”) a de taxar como “direita” pessoas, partidos e governos com os quais eu, que me declaro de esquerda, tenho algumas discordâncias. Do contrário, eu teria de considerar como “de direita” o governo de Hugo Chávez na Venezuela, por discordar de algumas de suas medidas!

Com o decorrer da campanha, as pesquisas começaram a indicar uma disparada das intenções de voto em Dilma. (Sim, as pesquisas, tão criticadas antigamente… Não digo que elas sejam manipuladas sempre – do contrário, perderiam tanto a credibilidade que acabariam por não existirem mais – mas, convenhamos, é muito fácil só criticá-las quando os números são favoráveis ao adversário.) A impressão era de uma vitória arrasadora, já no 1º turno.

Só que aí surgiram os recentes escândalos (que coincidentemente só “estouraram” perto da eleição, por que será?), e aparentemente Dilma “parou”. E eu já estava pensando em como seria bom que ela vencesse já no 1º turno, mesmo não votando nela: afinal, assim se garantiria mais 4 anos de PSDB longe do Palácio do Planalto. Então li um ótimo texto do Hélio Paz, comentei fazendo um elogio, e ele respondeu (os grifos são meus):

Valeu, Rodrigo! O momento exigia uma postura assim – ainda mais depois daquela ressaca da eleição no Grêmio que demorou pra curar.

Aliás, infelizmente, eu tenho o cutuque de que haverá 2º turno p/presidente: o #pig vai fazer de tudo nesta semana. E – quero estar enganado – acho que vai conseguir…

Esperemos…

[]’s,
Hélio

Charge do Santiago (clique para ampliar)

Eu já tinha pensado se não seria uma boa dar meu voto para Dilma já no dia 3 de outubro, em nome de evitar a realização de um 2º turno. Não sou contra a realização de 2º turno em eleições majoritárias: a exigência de mais de 50% dos votos válidos confere maior legitimidade ao eleito. Mas no atual contexto político brasileiro, se houver 2º turno, haverá mais tempo para a direita – a “grande mídia” incluída, seja a que declara sua posição (Estadão), seja a que insiste no papo furado da “imparcialidade” – jogar ainda mais sujo para tentar eleger José Serra. E é preciso derrotá-la para evitar que o Brasil sofra o grande retrocesso que será uma eventual volta do PSDB e do DEM ao governo. Quanto antes, melhor!

Por conta disso, então, tomei a decisão de votar em Dilma Rousseff no domingo. Mantenho todas as críticas que tenho ao governo Lula, mas voto em Dilma por entender que não podemos dar mais tempo para a direita reacionária seguir com sua campanha de baixíssimo nível. Pois sempre há o risco de que sua estratégia asquerosa dê certo.

Tem gente que PEDE para não ser levada a sério

Ontem e hoje, recebi dois e-mails direitoscos contra Dilma Rousseff. Os dois de pessoas que sem querer me disseram de forma implícita: “Rodrigo, tens toda a liberdade para nunca mais me levares a sério”.

O primeiro, foi uma coluna do Diogo Mainardi na Veja… Este a minha mãe recebeu de uma amiga (mesmo depois de pedir dezenas de vezes a ela para que não mais mandasse e-mails desse tipo), e me repassou para que eu visse, risse e respondesse. Escrevi uma resposta dizendo que quem manda isso pede para não ser mais levado a sério, que a minha mãe encaminhou à amiga dela.

Já o último, que me foi enviado por um amigo, conseguiu ser mais tosco (e teve resposta no mesmo teor da anterior). É um vídeo do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório defensor da ditadura militar de 1964-1985. Confesso que nem assisti até o final, por ser algo totalmente previsível: ele começou falando do PNDH-3 – ou seja, seria mais um daqueles típicos discursos direitosos dizendo que o plano é “autoritário” (e os generais da ditadura não eram, né?). E como também xingavam Dilma de “ladra” no corpo da mensagem, também é previsível que o deputado acusou a candidata petista de ter sido “assaltante de bancos” na época da ditadura. (Detalhe: não há nenhum documento provando que ela participou de alguma ação armada.)

Claro que ele também deve ter dito que o dinheiro roubado ajudava a financiar a luta armada (o que de fato acontecia), mas sem sequer citar o motivo da existência de luta armada no Brasil daqueles tempos. Claro, pois não interessa à direita brasileira lembrar que por 21 anos o país esteve sob uma ditadura militar apoiada por muitos políticos que andam por aí pedindo votos (e pior ainda, conseguindo-os).

E pelo visto, tem gente que perdeu o senso do ridículo, já que segue repassando essas direitosquices.

A última da “fábrica de correntes”

Agora, os direitoscos resolveram inventar uma “pesquisa imparcial”, já que as divulgadas na televisão são “manipuladas pelo governo”.

A minha mãe recebeu essa de uma amiga, e respondeu: “nunca vi pesquisa tão mal-feita”. Ela me repassou, para que eu pudesse ver o que era…

Simples: uma página onde se pode votar só uma vez (diferente de muitas enquetes). Cliquei no Plinio, e depois apareceu o resultado na tela: Serra na frente, com mais de 60%.

É “prova de que as pesquisas na televisão são manipuladas pelo governo”? Claro que não! As da TV podem não ser corretas – como já vimos muitas vezes – mas essa da internet, por favor… É muito fácil fazê-la favorecer o candidato do PSDB: como quem repassa isso é quem vota nele, certamente repassa para um monte de gente que também vota nele. Barbada!