As Copas que eu vi – Coreia do Sul/Japão 2002

Como definiu Eduardo Galeano, eram “tempos de quedas”. Em 11 de setembro de 2001, caíram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Caiu também o mito de que os Estados Unidos eram invulneráveis a ataques externos. Em resposta, a partir de 7 de outubro de 2001 bombas caíram de aviões estadunidenses sobre o Afeganistão – e continuam caindo até hoje.

Caia também o presidente da Argentina, Fernando de la Rúa. Os argentinos não aguentavam mais a penúria que lhes era imposta pela crise econômica e os ditames do FMI, e foram para a rua pedir a renúncia do governo, em dezembro de 2001. O presidente argentino atendeu aos pedidos das massas no dia 20, mas não sem antes decretar estado de sítio e ordenar a repressão aos protestos.

Para mim também eram “tempos de quedas” – no caso, de convicções “profissionais”. Desde meu ingresso no curso de Física da UFRGS, em março de 2000, eu nunca questionara tanto a opção que eu tinha tomado como começou a acontecer no início de 2002. Aos poucos, fui perdendo totalmente a motivação, mas ainda sem coragem de admitir a outras pessoas que eu havia errado – o que fui fazer apenas no final de abril.

Eu ainda insisti por mais um semestre – que começou só em junho de 2002, devido ao atraso no calendário proporcionado pela longa greve dos professores da UFRGS em 2001 (que fez o segundo semestre daquele ano iniciar-se em 17 de dezembro). O primeiro semestre de 2002 começou junto com a Copa do Mundo, pela primeira vez realizada na Ásia e em dois países, Coreia do Sul e Japão. Foi uma Copa diferente também quanto aos horários dos jogos, com muitos sendo disputados pela madrugada no horário brasileiro, correspondente à tarde na Coreia e no Japão. Continuar lendo

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As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

O excesso de carros

Mais de uma vez, escrevi aqui textos criticando a RBS. Mas o fato de ter criticado tal empresa não quer dizer que eu simplesmente a boicote. Afinal, é preciso saber o que o outro lado diz… E hoje Paulo Sant’ana escreveu sobre o alto índice de venda de automóveis no Brasil, prevendo as terríveis conseqüências de tal fato.

E mais de uma vez, escrevi aqui textos sobre o excesso de carros nas grandes cidades – em especial, Porto Alegre, já que é a cidade onde moro. Final de tarde por aqui é sempre igual: tem ruas onde caminhar é mais vantajoso, dados os enormes congestionamentos. E a coisa vai piorar…

Não é por nada que achei sensacional o nome de um blog que achei: Apocalipse Motorizado. Encontrei o link no Palanque do Blackão, que indicou também uma série de reportagens da Agência Carta Maior sobre o caótico trânsito de São Paulo.

O alto índice de motorização da sociedade aumenta a poluição (atmosférica e sonora), dificulta a movimentação pelas cidades, deixa as pessoas mais estressadas, e também aumenta a insegurança: as pessoas dentro dos carros muitas vezes se sentem “em um mundo à parte”, enquanto os poucos pedestres correm risco de serem assaltados. Com mais gente caminhando nas ruas, a tendência é que a criminalidade diminua: se muito carro na rua fosse segurança, poderia-se caminhar tranqüilamente em volta da Redenção durante a noite, já que os carros passam aos montes na João Pessoa e na Osvaldo Aranha. Isso sem contar os perigos que correm os motoristas: acidentes, assaltos em sinaleiras, seqüestros-relâmpago etc.

Abaixo, um vídeo que achei no Apocalipse sobre o que acontece em Copenhague, capital da Dinamarca: alto preço do litro da gasolina, taxação em 200% dos automóveis particulares, faixa exclusiva para bicicletas que é respeitada (os ônibus, ao pararem nos pontos, atrapalham o trânsito de carros, não de bicicletas) e proibição do trânsito de carros no Centro.

Enquanto isso, em Porto Alegre, temos uma ciclofaixa que só existe aos domingos e feriados (e em poucas ruas), e ainda por cima é desrespeitada…