De mudança

Este breve texto que escrevo é uma despedida e, ao mesmo tempo, uma inauguração.

A despedida, é do condomínio de blogs do Sul 21. Me despeço também agradecendo muito pelo espaço à minha disposição nestes últimos dois anos, o qual aumentou a visibilidade do Cão. O blog deixa de estar vinculado ao Sul 21, mas continuará tendo-o como importantíssima referência, graças à qualidade e à credibilidade de seu trabalho.

A inauguração, portanto, é da nova “casinha” do Cão. A aquisição de um domínio próprio era algo que eu já pensava em fazer antes do convite para levar o blog para o Sul 21; passados dois anos, decidi pela “casinha própria”. Agora, o Cão Uivador passa a ser caouivador.com: atualizem seus links.

Quanto ao ritmo das postagens no novo endereço, não haverá alterações. Será como avisei no dia do aniversário do Cão: não prometo atualizações diárias, que evitem um longo tempo sem novos textos. Melhor mesmo é acompanhar o blog, inclusive curtindo sua página no Facebook – ainda mais que, dependendo de como a rede ficar nos próximos meses, talvez seja necessário acessá-la o mínimo possível para manter minha sanidade mental. Assim, para quem curte o que costumo postar no FB, acompanhar o Cão é uma ótima pedida.

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O dia em que não queríamos ir embora

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Domingo, 2 de dezembro de 2012. Dia de muito sol em Porto Alegre, mas principalmente, de futebol. Mais especificamente, a última rodada do Campeonato Brasileiro, com Gre-Nal no Estádio Olímpico Monumental. O último.

É verdade que o Grêmio voltaria a jogar no Olímpico em algumas partidas pelo Gauchão de 2013, mas aquele Gre-Nal foi o marco. Pois até ali, o Monumental era a única casa gremista, a Arena ainda não estava pronta (e, ironicamente, seria por conta do gramado do novo estádio também não estar “pronto” que o Grêmio ainda jogaria algumas vezes mais no antigo). A semana antes daquele jogo foi de emoções à flor da pele. Faltando três dias, uma produtora disponibilizou um vídeo em homenagem ao Olímpico que foi muitíssimo bem definido por meu amigo Hélio Paz: “de fazer chorar até mesmo o pior criminoso sueco de todos os tempos”.

Cheguei ao estádio mais cedo do que o normal, justamente porque era a despedida. Não seria a última vez que iria ao Olímpico (afinal, fui a dois dos jogos pelo estadual no Olímpico em 2013), mas foi a última vez que se viu o Monumental lotado. As filas eram quilométricas. Após um bom tempo debaixo de um solaço, só o fato de entrar no estádio já era suficiente para fazer brotar as primeiras lágrimas da tarde: afinal, era a última vez.

A partida não valia apenas sentimentalmente. Vencendo, o Grêmio garantiria o vice-campeonato e entraria direto na fase de grupos da Libertadores. Porém, o Tricolor esbarrou no próprio nervosismo, e o jogo acabou em 0 a 0. Quando foi dado o apito final, lembro de estar irado com o árbitro por este não ter dado os acréscimos que julgava necessários após confusão (onde já se viu Gre-Nal sem confusão?).

Porém, se passaram alguns minutos, e não se via aquele tradicional movimento da massa gremista em direção aos portões de saída. Quando funcionários do Grêmio começaram a retirar as redes das goleiras, a ficha caiu: era o fim. O jogo tinha acabado, a bola não rolaria novamente. E o telão do Olímpico passou novamente aquele vídeo: se até o pior criminoso sueco choraria copiosamente, o que dizer de uma multidão que naquele momento se despedia do que era praticamente sua segunda casa?

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O Olímpico só começou a realmente esvaziar cerca de uma hora após o apito final, que foi quando também deixei o estádio. Mas a verdade é que ninguém gostaria de ter ido embora naquele dia.

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Números nada frios

Dizem que não há nada mais frio que os números. Afinal, eles são exatos, inflexíveis. Quando a chance de algo acontecer é de 99%, só quem deseja muito o contrário consegue acreditar naquele 1% restante. Já quem leva em conta apenas os números, praticamente bate o martelo – e raramente erra ao fazê-lo.

Agora, o que dizer quando você contabiliza algo diretamente ligado ao seu coração? É algo semelhante ao que acontece com quem se agarra a uma chance de 1%: números que dizem respeito a algo que realmente te afeta jamais serão “frios”.

Pois acabo de definir meus números do Olímpico Monumental até agora. Semana passada tinha divulgado o total de partidas que assisti no estádio, gols que o Grêmio fez e os que sofreu. Esses dados foram mais fáceis: ao montar a tabela no Excel, já tinha feito a numeração dos jogos até o último (que é o Gre-Nal de domingo); para os gols, usei as fórmulas do programa, que a cada partida adicionava os tentos marcados e sofridos ao total.

Porém, na contagem de vitórias, empates e derrotas, não teve jeito: como não entendo tanto do Excel, tive de voltar lá ao começo e somar tudo. Para não me perder, fui ano a ano. Quando cheguei em 2012, jogos de memórias tão recentes… Senti as lágrimas vindo, mas não chegaram a sair.

E assim consegui os números abaixo (sem contar o Gre-Nal). Os menos frios que tenho recordação.

  • Partidas: 257
  • Vitórias: 161
  • Empates: 55
  • Derrotas: 41
  • Gols marcados: 512
  • Gols sofridos: 232

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Agora, se números já trazem recordações e quase levam às lágrimas, é simplesmente impossível não chorar com o vídeo abaixo.

Tem como pular o final do ano?

Fim de ano não me agrada, e faz tempo. É uma época das mais deprimentes: mal entramos em novembro e já se fala na chatice do Natal; não bastasse isso, Porto Alegre começa a virar Forno Alegre.

Mas em 2012, o final do ano consegue ser pior. Está cada vez mais perto o último jogo do Estádio Olímpico Monumental. Faltam dois ou três jogos – depende do resultado do próximo dia 15, contra o Millonarios, o direito a disputar uma partida a mais contra o São Paulo, pela Copa Sul-Americana (além do próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro). E no terrivelmente próximo 2 de dezembro, teremos o Gre-Nal que fechará as portas do estádio para o futebol.

Nessa época tenho uma terrível inveja dos ursos, que conseguem cair num sono profundo que dura meses durante o inverno. Adoraria que os humanos pudessem pelo menos dormir um mês inteiro: no meu caso, seria dezembro, mas só a partir do dia 3 (por pior que seja a sensação, não posso deixar de ir ao último jogo do Monumental).

“Eu não sei que sentimento não tive no Olímpico”

A frase acima é da crônica de Rômulo Arbo, publicada no Impedimento. Mais uma lembrança do cada vez mais próximo último jogo do Grêmio no Estádio Olímpico Monumental.

É impressionante: toda vez que tenho contato com algum material sobre o estádio e, principalmente, sua história, me dá aquele aperto no peito. Como o texto já citado, e o documentário abaixo, “Uma Era Monumental: a história do Estádio Olímpico”.

Alguém deve estar perguntando quando começarei a postar as minhas memórias do Olímpico. Respondo: pretendo iniciar o mais breve possível. Poderia citar “falta de tempo” como desculpa para a demora – mas aí ela deveria me impedir de escrever sobre qualquer outra coisa.

Então percebo a verdade: no momento em que começar, estarei falando do Monumental apenas no passado… Como se ele não existisse mais. E assim, escrever as memórias será um sofrimento antecipado. Ou melhor: me fará sofrer mais por antecipação, pois pensar que só faltam três meses para o fim já é doloroso. Assim, a “enrolação” nada mais é do que uma espécie de “escapismo”, por mais inútil que ele seja.

O que me dá aquele aperto no coração

Não é um infarto. E sim, perceber que o fim do Estádio Olímpico Monumental está cada vez mais próximo, o que torna cada jogo uma espécie de “despedida”.

Foi assim contra o Palmeiras na Copa do Brasil, como bem lembrei – já tínhamos jogado contra eles no Brasileirão, e assim seria o último confronto no Olímpico, a não ser que os dois times se reencontrassem na Sul-Americana. Semana passada, tivemos o último Grêmio x Fluminense. E na última terça-feira, talvez o último “polo aquático” – não foi o último jogo contra o Coritiba pois ainda resta o returno do Campeonato Brasileiro.

O que incomoda é isso: cada jogo tem um clima de despedida. Último isso, último aquilo etc. Terça pode ter sido a última partida debaixo de temporal, e me arrependi profundamente de não ter ido (azar da gripe: agora já aceitava até pegar uma pneumonia, só para dizer que fiquei doente por ir ao Olímpico): espero que a previsão de chuva para o sábado esteja errada, e ela desabe domingo, na hora do jogo contra o Bahia, para que eu possa ir pela última vez ao Monumental debaixo de um aguaceiro caso não tenhamos nova chuvarada até o final do ano.

Ainda teremos no mínimo treze “despedidas”: é o número de jogos no Olímpico que o Grêmio ainda tem para disputar pelo Brasileirão. Caso o Tricolor vá até a final da Copa Sul-Americana, são quatro partidas a mais, e assim restam mais dezessete.

Ou seja, não tenho nem mais vinte jogos para ir no Olímpico. Só de pensar nisso dá aquele aperto no coração, e mesmo estando com os olhos secos neste momento, não consigo imaginá-los da mesma maneira em dezembro.

Vigília no Olímpico

A data exata ainda não está marcada, mas é certo que em menos de um ano nós gremistas veremos, com lágrimas nos olhos, o fim de nosso templo sagrado, o Estádio Olímpico Monumental. Para muitos ainda não parece ter “caído a ficha”, mas para mim isso começou a acontecer essa semana.

Para marcar este evento triste, mas que ainda assim será histórico, surgiu uma proposta: a de todos os gremistas fazerem uma homenagem ao Olímpico, mantendo vigília na noite anterior à sua demolição. Ideia à qual já aderi.

Como será feita a vigília? Ainda não há uma programação, mas não imagino algo diferente de uma multidão de gremistas passando a noite inteira em torno do Olímpico. Tomando uma cervejinha, comendo um churrasco, relembrando jogos históricos.

(Aliás, algo que pretendo fazer nos próximos meses é ir postando, aos poucos, a lista de todos os jogos do Grêmio nos quais estive presente – sim, eu tenho uma lista, pois nas primeiras partidas o ingresso ainda era de papel, o que facilitava a lembrança; depois comecei a anotar mesmo. Sempre que lembrar fatos sobre os jogos, os mesmos serão postados.)

Não será uma festa, afinal, será a última noite de um estádio muito querido por todos nós gremistas. Despedida, inclusive, contra a vontade de não tão poucos: confesso que não verei a Arena da mesma forma que o Olímpico, já que o último é realmente do Grêmio, enquanto o novo estádio terá seu uso concedido ao Tricolor para só se tornar realmente sua propriedade depois de 20 anos.

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Siga o Twitter da Vigília no Olímpico: @VigiliaOlimpico.