Antes de compartilhar, cheque a informação

No momento, a maioria das pessoas está dando bastante atenção à Copa do Mundo, o que é absolutamente normal. É assim em todas as Copas e nesta não se poderia esperar algo diferente, já que é no Brasil.

Porém, dentro de algumas semanas terá início algo que sempre se segue às Copas do Mundo: campanha eleitoral. E não é qualquer uma: em 5 de outubro votaremos para deputados estaduais e federais, senadores, governadores de Estado e presidente da República. E, em especial, é a disputa pela presidência que mais mobilizará os brasileiros: afinal, é o cargo máximo da política nacional.

Na eleição de 2010 (e na de 2006 também), a rede social mais usada pelos brasileiros era o Orkut, mas lá não havia a opção “compartilhar”. Assim, boa parte das informações (e também dos boatos) era passada e repassada via e-mail, e na “caça ao voto” o Twitter teve um papel muito mais relevante que o Orkut. Perdi as contas de quantas “correntes” recebi na minha caixa de e-mail…

Em 2014 temos uma situação diferente. Não apenas porque agora a rede social mais usada é o Facebook, mas principalmente por conta de suas particularidades: o botão “compartilhar” (que facilita muito o repasse de informação: ao invés de clicar em “encaminhar”, selecionar os contatos e depois clicar em “enviar”, o compartilhamento do Facebook atinge, com menos cliques, mais pessoas – eu, pelo menos, tenho muito mais contatos no FB do que na minha lista do e-mail) e a “economia” de palavras, como provam inúmeras imagens com textos curtos – afinal, se diz que as pessoas têm “preguiça” de ler na internet. Sem contar que muitos não clicam em links que levem para fora do Facebook (o que é um problema, pois isso tira tráfego de muitos sites e pode acabar por inviabilizá-los), e assim compartilhar “memes” é muito mais eficaz do que repassar um e-mail apenas com texto.

O Facebook é, portanto, um facilitador na tarefa de desmentir inverdades divulgadas pela mídia conservadora (imaginem se ele existisse na campanha eleitoral de 1989, por exemplo). Porém, as mesmas características que favorecem o desmentido também contribuem para que sejam divulgados ainda mais boatos, mais mentiras. Ainda mais com tantos “memes” que em poucas palavras “explicam” tudo. Pois como já disse, muitas pessoas perderam o hábito de acessar outras páginas que não o FB.

Porém, está chegando a hora em que não limitar sua navegação na internet ao Facebook será extremamente necessário. Pois a campanha eleitoral de 2014 tem tudo para ser a mais suja que o Brasil já viu, tornando 2010 “brincadeira de criança” (e olhem que já foi feia a coisa quatro anos atrás). Mais do que nunca, será preciso checar a informação recebida antes de clicar em “compartilhar”. E não é no FB que se faz isso – ele deve ser usado sim para espalhar os desmentidos a muitos boatos que serão difundidos.

Já detonei diversos boatos por aqui, tantos que nem recordo de todos. Mas certamente voltarei a fazê-lo durante a campanha eleitoral, e pretendo também buscar postagens antigas em que desmenti inverdades para organizá-las em uma lista, para facilitar o combate à desinformação nos próximos meses.

E também vale sempre uma visita ao E-farsas, que há anos desmente diversas farsas que circulam pela internet. E aqui, algumas dicas sobre como checar informações.

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Este país que não é sério

Esses dias um amigo compartilhou no Facebook uma informação que me deixou indignado. Descobri que nós, cidadãos de bem, nos matamos trabalhando para sustentar um monte de vagabundo. Somos os palhaços desse circo chamado Brasil.

Por isso decidi que não quero mais saber de trabalhar. Afinal, posso viver numa boa por conta do governo comunista do PT, que dá Bolsa Família para tudo que é vagabundo, pelo resto da vida.

Terei muito tempo para fazer sexo loucamente, e assim minha mulher terá incontáveis filhos. Como sustentar essa prole toda? Basta entrar para o mundo do crime. Se o assalto der certo, ótimo, mas se der errado também: vou preso e aí receberei o Bolsa Bandido, que paga R$ 971,78 mensais por filho. Ou seja, minha família passará a ter uma baita renda mensal. Tudo isso sem trabalhar!

Enquanto estiver preso, não terei tempo de dizer à criançada para que fique longe das drogas. É capaz de começarem a fumar crack. Bom, aí terão direito ao Bolsa Crack: R$ 1.350,00 por mês. Multiplique isso por um número grande e pense na fortuna que minha família fará… Viva o PT!

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Se você está indignado, clique aqui. Aliás, devia é ter clicado nos links anteriores, onde entenderia que as coisas não são bem assim como dizem no Facebook.

O Bolsa Família é apenas assistência e não sustenta uma família: se alguém largou o emprego para receber o benefício, pode ter certeza de que essa pessoa trabalhava por um salário de fome. O auxílio-reclusão existe há mais de 50 anos e é previsto na Constituição de 1988, logo, não é “coisa do Lula”; ele é pago à família do preso, mas não é proporcional ao número de filhos e sim à contribuição do detento para o INSS (ou seja, o “vagabundo” precisa ter emprego com carteira assinada), e tem o objetivo de evitar que a família passe necessidades por não mais contar com a renda do sujeito foi para a cadeia (afinal, ela não tem culpa do crime que o cara cometeu). Já o Cartão Recomeço é do governo do Estado de São Paulo (desde 1995 nas mãos do PSDB) e só pode ser usado para o dependente de crack buscar tratamento em comunidades terapêuticas privadas (o que é alvo de críticas), sem possibilidade de se receber qualquer valor em dinheiro.

Agora, se você continua indignado e pretende deixar um comentário cheio de palavrões para me xingar… Pena é o que sinto.