Lagoa da Redenção

Formação de uma lagoa, segundo a Wikipédia (os grifos são meus):

Lagoas podem resultar de uma ampla gama de processos naturais, embora em muitas partes do mundo estes sejam fortemente condicionados pela atividade humana. Qualquer depressão no terreno que coleta e conserva uma quantidade suficiente de precipitação pode ser considerada uma lagoa, como as depressões formadas por eventos geológicos, como o tectonismo ou os glaciares.

Apresento aos leitores a mais jovem lagoa do Rio Grande do Sul: ela fica no Parque da Redenção (onde faz tempo que inexiste algo chamado “drenagem”). Durante o inverno é quase perene. No verão o calor faz com que ela evapore mais rápido após uma chuvarada – não fosse isso, teríamos um baita criadouro de mosquitos (dengue, lembram?) em uma das áreas mais movimentadas de Porto Alegre.

Domingo, na hora que passei pela Redenção para ir ao jogo do Grêmio, ela ainda estava lá, nos lembrando o quanto choveu sábado e também o quão malcuidada está a cidade.

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Estação do descaso

Até abril do ano passado, a parada no corredor de ônibus da Avenida João Pessoa em frente à Faculdade de Direito da UFRGS se chamava “Estação Universidade”, por motivos óbvios. Depois, passou a se chamar “Estação do Vavá”, e recebeu também uma placa, bastante explicativa:

ESTAÇÃO DO VAVÁ. Em memória de Valtair Jardim de Oliveira.

Um turista que visita Porto Alegre, ou um morador recém-chegado à capital gaúcha, vê aquela placa e talvez se pergunte quem foi a pessoa que dá nome àquela parada de ônibus. Resposta, só fazendo busca na internet.

Se procurar, encontrará as notícias referentes ao absurdo ocorrido na noite de 13 de abril de 2010, naquele local: o estudante Valtair Jardim de Oliveira, de 21 anos, esperava o ônibus para voltar a sua casa quando se encostou no corrimão da parada, e recebeu uma descarga elétrica fatal.

Pior ainda, é que o problema já era conhecido. Outras pessoas já haviam levado choques naquela mesma parada de ônibus, e ela não tinha sido interditada.

Para “compensar” a perda (entre aspas mesmo, pois até parece que é possível compensar uma vida), que podia muito bem ter sido evitada, se decidiu mudar o nome da parada para “Estação do Vavá”, homenagem ao apelido de Valtair. Mas aquela placa que “explica” o nome do ponto de ônibus pode melhorar, tenho inclusive uma sugestão:

ESTAÇÃO DO VAVÁ. Em memória de Valtair Jardim de Oliveira, que neste local, na noite de 13 de abril de 2010, foi vítima fatal do descaso.

Mais uma parada energizada

Desta vez, é na Avenida Osvaldo Aranha, em frente ao Instituto de Educação. É um ponto movimentadíssimo em horário de pico, onde os alunos do IE aguardam seus ônibus.

Eu já esperei muito ônibus naquela parada, inclusive me encostando na estrutura – por sorte, quando ainda não dava choque.

Ao menos, desta vez o local foi interditado (e liberado após reparos). Os ônibus apanharam os passageiros fora do corredor – como tinha de ter sido feito naquele ponto da João Pessoa em frente à UFRGS.

Mas, por via das dúvidas, tão cedo não me encostarei na estrutura desta e de qualquer parada de ônibus em Porto Alegre.

Dizem que o problema foi causado por ação de vândalos, mas por acaso o vandalismo aumentou tanto nos últimos tempos em Porto Alegre? A impressão que tenho, é de que já faz um bom tempo que a cidade sofre por conta disso.

Era só o que faltava

Impossível ler uma notícia assim e não pensar: “poderia ter sido comigo ou com qualquer amigo ou conhecido que ande de ônibus”. Um jovem, que retornaria da escola para casa, morreu eletrocutado após encostar em uma grade da parada de ônibus na Avenida João Pessoa, em frente ao Campus Central da UFRGS.

E o pior de tudo é que o problema já era conhecido: moradores da região dizem que a parada está energizada há cerca de um mês, e um segurança da UFRGS diz que alertou a EPTC após uma menina levar um choque no dia 28 de março. E o local sequer foi interditado – diz o prefeito José Fortunati que uma equipe verificou a estação e “não encontrou problemas”.

E José Fogaça, prefeito até o último dia 30, quer ser governador do Rio Grande do Sul. Que beleza.