O primeiro debate de 2010

Ontem à noite, a Rede Bandeirantes realizou o primeiro debate entre os candidatos à presidência da República. Enfim, a “grande mídia” teve de abrir espaço para Plínio de Arruda Sampaio, que vinha sendo solenemente ignorado – só se falava de Dilma, Serra e Marina.

A propósito, foi justamente Plínio que salvou o debate da pasmaceira. Já tinha lido que ele se preocupava em atacar mais o PT do que a outros partidos, mas não foi o que vi ontem: o candidato do PSOL bateu forte nos três adversários, fez críticas pertinentes. E, o melhor de tudo, com toques de bom humor, diferente da postura adotada por Heloísa Helena em 2006. Afinal, qual foi a melhor: ele chamando José Serra de “hipocondríaco” por “só falar de saúde”, ou dizendo que Marina Silva é uma “ecocapitalista”?

Sem dúvida alguma, quem ganhou com este debate foi Plínio. Como falei, não se preocupou apenas em “bater no PT”, prática adotada muitas vezes pelo PSOL que considero muito equivocada, por fazer o partido se mostrar como “oposição” – que no Brasil, hoje, é de direita – e não como alternativa de esquerda, que é o que ele precisa ser. Na última eleição para a prefeitura de Porto Alegre (2008), para vocês terem uma ideia, nos debates Luciana Genro batia forte na petista Maria do Rosário enquanto debatia propostas com Onyx Lorenzoni, do DEM. Pode???

Bom, agora resta torcer para que a “grande mídia” deixe de falar em apenas três candidatos à presidência. Pois eles não são três, e nem quatro: além de Plínio, concorrem outros cinco – Rui Costa Pimenta (PCO), Zé Maria (PSTU), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC) – que não participaram porque a lei só obriga as emissoras a convidarem os candidatos de partidos representados no Congresso.

Não alimente os trolls

Começa amanhã, de forma oficial, a campanha eleitoral de 2010. Serão quase três meses em que receberemos muitas informações sobre candidatos aos mais diversos cargos (deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente). E também muito lixo. O que não é de surpreender, já que tudo indica que esta será a campanha mais suja que o Brasil já viu.

Nossas caixas de e-mails certamente serão invadidas por mensagens de propaganda política. Mas isso nem é a pior parte.

Dose mesmo são as malditas correntes. Se já recebemos muitas… Agora elas irão se multiplicar. E de nada adiantará responder explicando que nada daquela besteirada é verdade, pois o lixo seguirá chegando. Talvez a solução seja ameaçar notificar os amigos que mandam essas bostas como enviadores de spam (caso não surta efeito pedir-lhes que não enviem mensagens sobre política).

E nos blogs, será preciso utilizar mais do que nunca a moderação dos comentários. Pois os trolls irão aparecer em grande número. Não interessa a eles uma discussão de ideias, em alto nível (em que as pessoas não concordam em nada, mas ao menos se respeitam). O negócio deles é xingar, é transformar um debate em uma “guerra”. É fazer com que adversários – que podem ser grandes amigos, sem problema algum – passem a se ver como inimigos.

A tentação de responder a um troll é enorme – falo por experiência própria, pois já caí na asneira de responder a um deles, e por isso tive de aguentá-lo por muito tempo vomitando besteiras em minha caixa de comentários. Até que um dia eu decidi cortar o barato dele. Claro que ele me xingou de tudo que é coisa – a vontade de responder foi grande, mas não o fiz (e obviamente não publiquei o comentário – tudo o que vem dele, vai direto para o spam). Pois atenção é tudo o que um troll busca.

Assim, caro leitor, independentemente de sua posição política, minha dica é: não alimente os trolls. Apenas ignore-os. E, se possível, “delete-os”.

Protestos contra o projeto do Parque Tecnológico da UFRGS

Na manhã de ontem, estudantes da UFRGS e membros de movimentos sociais promoveram um protesto contra a votação (que acabou não acontecendo) pelo Conselho Universitário (CONSUN) do projeto de criação do Parque Tecnológico da universidade. A manifestação foi reprimida com violência pela segurança do Campus Centro.

Se há manifestação contrária, é porque há gente que não concorda com o projeto como ele foi apresentado. E o direito à expressão de quem é contra deve ser assegurado.

Desta forma, é lamentável que o DCE da UFRGS, cuja atual gestão se define como “DCE Livre”, publique uma nota oficial dizendo que “não é concebível oposição a uma proposta que traz benefícios a toda a comunidade acadêmica e à sociedade em geral”. Será? De acordo com os críticos, o projeto beneficia mais as empresas privadas do que a sociedade em geral, mesmo que a universidade seja pública.

A atual gestão do DCE critica as anteriores porque estas teriam representado mais os interesses de partidos políticos do que dos estudantes, e sem consultá-los para saber o que achavam. É uma crítica que pode ser considerada procedente, já que nas eleições a esquerda sempre se divide em duas ou três chapas, cada uma ligada a um partido político; a que vence, na prática, faz com que a gestão do DCE seja ligada ao partido apoia a chapa eleita.

Pois bem: como a atual gestão venceu a última eleição tendo como algumas de suas bandeiras a “despartidarização” e a “liberdade”, poderia  agora colocá-las em prática, promovendo uma consulta à comunidade universitária (estudantes, servidores e professores) para saber o que ela pensa sobre o projeto, ao invés de tentar empurrar goela abaixo de todo mundo a sua opinião favorável, como que dizendo “quem não concorda que cale a boca”. (E de nada adianta querer justificar a postura adotada afirmando que as antigas gestões não consultavam os estudantes: um erro não justifica outro.) Seria a oportunidade de serem realizados debates abertos ao público, com tempos iguais para favoráveis e contrários apresentarem seus argumentos.

Charges em tempos de (des)governo

Mais um ótimo debate promovido pelo Jornalismo B, desta vez com uma novidade: será num sábado à tarde. Dia 26 de setembro, às 15h.

jornalismob 2609

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Já que falamos em “charges” e “(des)governo”, vale a pena conferir a seleção do Tinta China, para o post especial “Semana Esfarrapada”.

E os chargistas da GRAFAR não escondem: lamentarão muito a saída da Yeda do Piratini. Afinal, nunca houve algum (des)governo que rendesse tantas piadas como o atual!