Direita é derrotada no RS, e ganha “sobrevida” nacionalmente

No Rio Grande do Sul, deu Tarso governador no primeiro turno. Uma vitória histórica, por dois motivos.

O primeiro, porque Tarso Genro tornou-se o primeiro governador no Estado a ser eleito no primeiro turno desde que se passou a exigir mais de 50% dos votos válidos para o candidato ser eleito, conforme a Constituição Federal de 1988. A partir de então todas as eleições para o governo do Rio Grande passaram a ser decididas em dois turnos. Até chegar esta de 2010… Tarso teve 54,35% dos votos – superando o percentual que Olívio Dutra teve ao ser eleito no segundo turno de 1998, de 50,78%.

O outro motivo, é a derrota do tradicional discurso de que “o PT mandou a Ford embora” (que, apesar de já ter sido provado que era baseado em uma mentira, ainda chegou a ser usado na campanha), assim como de outras tosquices muito usadas pelos direitosos para justificarem seu antipetismo. Nas últimas duas eleições, foi justamente o antipetismo que fez Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) “caírem de paraquedas” no Palácio Piratini, já que quando ambos foram eleitos os favoritos eram outros: em 2002 tudo indicava que Tarso enfrentaria Antônio Britto (PPS) no segundo turno, mas a alta rejeição de Britto fez os direitosos passarem a votar em Rigotto, que acabou sendo eleito; já em 2006, Rigotto concorria à reeleição e era favorito, mas o próprio PMDB passou a pedir que seus apoiadores votassem Yeda para evitar um segundo turno entre Rigotto e Olívio, e com isso quem ficou de fora foi Rigotto e no segundo turno, é óbvio, os direitosos elegeram a tucana.

A propósito, sobre o (des)governo Yeda, só tenho uma coisa a dizer: adeus, e até nunca mais!

Mas numa coisa, não se pode discordar da futura ex-(des)governadora. Yeda disse que a eleição foi “despolitizada”. De fato, foi, como provam as eleições de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado (votaram nela só porque era da RBS!!!), assim como do ex-goleiro do Grêmio, Danrlei (PTB), para a Câmara Federal. Resta torcer para que eles me provem que estou errado e sejam ótimos parlamentares (embora eu não acredite muito), mas acho que está na hora de parar com a balela de que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”.

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Já para presidente, haverá segundo turno, como o Hélio já alertara semana passada. Provavelmente vai dar Dilma (que contará com o meu voto), já que Serra precisa conquistar para si mais de 80% dos votos que foram para Marina no primeiro turno, e acho isso muito difícil. Ainda assim, acredito que Dilma não conseguirá repetir as votações de Lula em 2002 e 2006.

Até 31 de outubro, ainda veremos muita baixaria, muitas “correntes” nas nossas caixas de e-mail… Haja paciência.

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A força do Grêmio é brasileira

Esses dias, li no Grêmio Pegador uma interessante opinião acerca do comportamento de parte da torcida do Grêmio durante a execução do Hino Nacional, antes do jogo contra o Avaí no Olímpico, no último dia 14.

Algumas coisas são mais difíceis de entender no comportamento dos gremistas mais jovens. Além das injustas famas de nazistas, elitistas, racistas e marginais que já temos, parece que agora queremos também a fama de separatistas. Qual a razão de cantar o Hino Riograndense durante a execução do Hino Nacional? Mais absurdo ainda isso fica quando durante a execução do ‘nosso Hino’, a torcida canta qualquer outra coisa. Por quê? Não consegui entender ainda. A faixa onde se lê a inscrição ‘República Riograndense’ também é algo que vem me preocupando. Qualquer gaúcho tem o direito de querer ser o que quiser, até mesmo de querer ser independente do Brasil, mas a colocação daquela faixa ali naquele lugar, dentro da casa do Grêmio, com as cores do Grêmio, deixa muito clara a imagem de que esse não é apenas um pensamento dos torcedores, mas também do clube. E eu sei que o Grêmio não pensa assim.

Isso é algo que também vem me preocupando. E vai muito além da questão política e mesmo constitucional (o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 veta qualquer possibilidade de secessão ao estabelecer a República Federativa do Brasil como “formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”). Falta é mais conhecimento para o pessoal, até mesmo da própria história do Grêmio (e do time atual mesmo: quantos titulares nasceram no Rio Grande do Sul?).

Engana-se quem pensa que somos “muito diferentes do Brasil”. Basta uma rápida examinada no mapa: como poderia um país tão grande ter, em toda a parte, as mesmas características? Ou alguém acha que, por exemplo, catarinenses e amapaenses são exatamente iguais?

Aliás, mesmo dentro do Rio Grande do Sul, são todos tão “iguais” assim? A famosa divisão entre sul e norte, por acaso é ficção? Acredito que não, visto que não raro aparece alguém propondo a realização de plebiscito para transformar o sul do Rio Grande em um novo Estado.

O que o Brasil tem de melhor é justamente a sua grande diversidade. A possibilidade de interação entre pessoas diferentes, de culturas e lugares tão variados, sem nenhuma fronteira para atrapalhar. Não são muitos os países onde isso é possível. (E pergunto aos que pregam a separação, se gostariam de precisar passar por uma aduana sempre que quisessem ir a Santa Catarina ou ao Nordeste no verão. Pois parece que achariam bom…)

E mesmo com tantas diferenças, temos muitas coisas em comum – que vão além da língua portuguesa e do gosto pelo futebol (que nem é exclusividade brasileira). Dizem que o símbolo maior de nacionalidade no Brasil é a Seleção, mas eu discordo totalmente: em agosto de 1998, passei uma semana no Uruguai (era a primeira vez que viajava para o exterior) e na volta, estava sedento por feijão, prato que não comi nem vi no país vizinho – e tive então verdadeira consciência de minha brasilidade. Afinal, há alguma comida mais brasileira do que feijão? E uma boa feijoada então?

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Quanto ao que falei sobre o Grêmio e sua força: lembremos aquele timaço de 1995, campeão da Libertadores. Dos onze titulares, apenas quatro eram do Rio Grande do Sul: Danrlei, Roger, Arílson e Carlos Miguel.

Além dos paraguaios Arce e Rivarola, havia cinco brasileiros de fora do Rio Grande do Sul em campo: Adílson (paranaense), Dinho (sergipano), Luís Carlos Goiano (preciso dizer de onde ele é?), Paulo Nunes (goiano) e Jardel (cearense). Como só se pode escalar três estrangeiros, dos sete que são de “outros países”, quais os três que os “separatistas” escolheriam?

As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

Correção

No último dia 18, postei aqui sobre o jogo Grêmio x Brasil de Pelotas. Falei sobre a “outra Geral”, que se reuniu atrás da goleira da Carlos Barbosa.

Por engano, eu disse que se tratava de uma dissidência, que resolvera migrar em “protesto contra o protesto”, já que a Geral não havia levado instrumentos e faixas para o jogo devido à nova política da direção do Grêmio em relação às torcidas organizadas.

Porém, quarta-feira o Hélio me corrigiu enquanto esperávamos o jogo Grêmio x Universidad de Chile: a “migração” durante Grêmio x Brasil-Pel se deveu a nosso ídolo Danrlei, hoje no Xavante. No segundo tempo da partida – quando se formou a “outra Geral” – o goleiro defendia na goleira da Carlos Barbosa, e boa parte da Geral decidiu acompanhá-lo.

Enfim, desculpem a minha falha.

O alívio só após o apito final

A vaga do Grêmio nas semifinais da Libertadores de 1995 estava praticamente assegurada. Afinal, era impossível (ou melhor, parecia impossível) o Palmeiras conseguir reverter a grande vantagem tricolor construída uma semana antes, numa histórica vitória de 5 a 0 no Olímpico. Quando a bola rolou na noite de 2 de agosto de 1995 no Parque Antártica, nenhum gremista imaginava que os próximos 90 minutos seriam dos mais angustiantes da história do Grêmio. E os palmeirenses que foram ao estádio mesmo numa situação amplamente desfavorável a seu time, tiveram o privilégio de assistir a um jogo sensacional, no qual o Palmeiras quase conseguiu o que seria considerado um milagre.

Os dois times estavam desfalcados por suspensões devido à briga generalizada da semana anterior. O Palmeiras não tinha Rivaldo e Válber, e o Grêmio perdera Dinho e também Danrlei, que fora suspenso com base em imagens da televisão, já que o árbitro não vira a agressão de Danrlei a Válber na briga. Murilo seria o goleiro naquela noite.

Havia sido criado um clima de guerra para aquela partida, conseqüência da pancadaria de Porto Alegre, e também em decorrência da grande desvantagem do Palmeiras, que na prática entrava em campo perdendo por 5 a 0. O Grêmio poderia perder por até 4 gols de diferença para se classificar às semifinais.

Logo, o Grêmio começou jogando com extrema tranqüilidade, que aumentou já aos 8 minutos de partida, quando Jardel fez o primeiro gol da noite. “Já era!”, pensei. O Palmeiras poderia empatar, até virar o jogo. Mas precisaria fazer 6 a 1 para levar a decisão aos pênaltis, e 7 a 1 para se classificar. O Grêmio, com o gol de Jardel, poderia levar 5 que se classificaria. Os gremistas otimistas, como eu, pensaram até mesmo em uma nova goleada, pois o Palmeiras teria de partir para cima de qualquer jeito, e se abriria na defesa, permitindo os contra-ataques tricolores.

Mas não foi o que aconteceu. O Palmeiras partiu para cima, abriu espaços, mas o Grêmio não conseguiu fazer mais nenhum gol. Quem fez gols foi o Palmeiras.

O empate alvi-verde chegou aos 29 minutos do primeiro tempo, com Cafu. Aos 39, Amaral virou para 2 a 1. Eu continuei tranqüilo no intervalo.

Aos 13 minutos do segundo tempo, Paulo Isidoro fez 3 a 1 para o Palmeiras. Pensei: “o Grêmio tá jogando mal, deixando o Palmeiras fazer gols, mas não vai perder a vaga, agora vai acordar”. Que nada! Aos 24 minutos, pênalti para o Palmeiras, convertido por Mancuso: 4 a 1. A partir daí, comecei a me preocupar. Afinal, o Palmeiras precisava de mais 2 gols para levar a decisão aos pênaltis, e tinha bastante tempo. Depois de ter feito um gol aos 13 e outro aos 24 do segundo tempo, ou seja, em um intervalo de 11 minutos, os cerca de 20 minutos restantes eram uma eternidade para os gremistas.

Minha preocupação se transformou em pânico aos 39 minutos, quando Cafu fez 5 a 1 para o Palmeiras. O time alvi-verde precisava de apenas mais um gol para levar a decisão aos pênaltis.

Restavam poucos minutos. Mas para os gremistas, passaram como se fossem uma, duas, três partidas inteiras. Foram os poucos minutos mais longos da história do Grêmio.

Quando o juiz soprou o apito final, tive uma das maiores sensações de alívio da minha vida. Parecia incrível que uma classificação tão fácil tivesse se tornado tão dramática. Por pouco o Grêmio não entregara o ouro para o Palmeiras. “Desse jeito, o Grêmio não ganha a Libertadores de jeito nenhum!”, pensei irritado com a atuação do time.

Mas fui conhecendo melhor a história do Grêmio e descobri: nunca o Grêmio teve moleza! O torcedor gremista se acostumou com isso. Não a “sofrer” (pois isso é coisa de colorado, que só uma vez na vida comemora título importante), mas sim, a se “angustiar”. Todas as grandes conquistas do Grêmio tiveram alguma dramaticidade. Afinal, se fosse fácil, não teria graça!

Hoje posso dizer que o título da Libertadores de 1995 veio graças a essa angústia contra o Palmeiras. Depois de quase perder a vaga na semifinal, o Grêmio percebeu que não podia calçar salto alto. Por isso, foi campeão.