Com Olívio não era assim

Vale a pena chamar a atenção para isso. Texto copiado na íntegra do Biruta do Sul:

Nas suas confissões, Busatto generalizou a idéia de que em todos os governos passados “se fazia assim”, numa alusão ao loteamento das estruturas para partilhar esquemas de corrupção entre as “famílias políticas” gulosas.

Não é verdade o que confessou Busatto. No governo Olívio não foi assim.

A falta de maioria parlamentar na Assembléia sempre foi contrapesada com a sustentação social principalmente através do Orçamento Participativo. O governo Olívio nunca proclamou uma fatalidade da maioria parlamentar para cair na gandaia e fazer um governo amorfo programaticamente.

E mesmo com minoria parlamentar – mas com capacidade de construção de maioria social e política – o governo Olívio aprovou todas as matérias de interesse público e da sociedade gaúcha e, sobretudo, soube superar uma CPI – aquela sim golpista – que teve item por item desmontado na Justiça e no Ministério Público posteriormente.

Política da séria, programa democrático e popular e retidão na condução da coisa pública. São marcas do governo Olívio que as confissões do Busatto não conseguirão macular para misturar com o lodo em que charfunda Yeda.

Alguém ainda acredita?


(charge do Kayser)

Cresci acreditando que vivia no Estado mais politizado do Brasil. “Aqui no Rio Grande do Sul é diferente”, muita gente dizia. Havia quem até usasse isso como desculpa para reivindicar a separação do Rio Grande do Brasil.

Tal balela até tinha uma sustentação histórica. Durante a Primeira República (1889-1930), a política brasileira era, em geral, marcada pela luta entre oligarquias. No Rio Grande do Sul elas também existiam, mas a política gaúcha tinha um caráter mais ideológico do que em outros Estados. Como disse Joseph Love, no Rio Grande do Sul “a família e a posição social, tidas muito em conta em outras partes do país, representavam relativamente menos”¹. Chegava-se ao ponto de famílias dividirem-se em ramos inimigos entre si devido a divergências políticas.

A rivalidade política no Rio Grande do Sul era muito acirrada naquela época, a ponto de terem acontecido duas guerras civis: em 1893-1895 e em 1923. Mas ninguém se assuste: não estamos prestes a voltar aos tempos da Primeira República, em que a política era mais ideológica mas resolvida na base da degola.

Hoje, a política gaúcha é resolvida na base do dinheiro mesmo.

E quanto ao Rio Grande do Sul se separar do Brasil, como alguns defendem: a única vantagem que vejo seria o fato do Gauchão valer vaga na Libertadores. Pois imaginem uma hipotética República Rio-Grandense, numa penúria dessas, com um (des)governo desses, sem poder poder pedir socorro para o Governo Federal…

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¹ LOVE, Joseph L. O regionalismo gaúcho e as origens da revolução de 1930. São Paulo: Editora Perspectiva, 1975, p. 78.

O fedor aumenta

Acabo de receber ligação do meu pai me avisando que ouviu na Rádio Gaúcha que a CPI do DETRAN – e a própria Rádio Gaúcha – têm gravação de conversa entre o vice-governador Paulo Afonso Feijó e o Chefe da Casa Civil Cezar Busatto, em que o último revela que partidos da base aliada do governo recebiam dinheiro desviado de estatais. Daqui a pouco será divulgado na íntegra o conteúdo.

A gravação foi feita pelo próprio Feijó, que desde 1º de janeiro de 2007 se mantém distante do governo. E antes mesmo da posse, já havia entrado em conflito com Yeda Crusius: na campanha eleitoral Feijó dizia ser favorável à privatização do Banrisul – o que não agradava à coordenação de campanha, pois aquilo podia “pegar mal” -, e em dezembro de 2006 um pacote que aumentaria impostos colocou Yeda e Feijó em lados opostos.

Censura e patetices da mídia

O Diego escreveu no Blog do Rodrigues sobre o caso do documentário “Manda Bala”. O diretor Jason Kohn, de apenas 24 anos, nasceu nos Estados Unidos mas é filho de pai brasileiro. O filme retrata o Brasil como um país caótico, e citando diversos casos de corrupção – como o “escândalo das rãs” de Jader Barbalho. A película está impedida de ser exibida no país, por conta de ameaças de processos por parte dos envolvidos.

Como o Diego disse, poderemos até questionar o conteúdo de “Manda Bala”, mas em hipótese alguma devemos aceitar que ele seja proibido no país só porque desagrada a algumas pessoas – talvez por mostrar algumas verdades que elas gostariam de esconder. Aliás, se o filme fosse tão “mentiroso” assim, não haveria motivos para temores: como diz aquele velho ditado, “quem não deve, não teme”.

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Ontem à tarde, chegou a ser patética a postura do Lasier Martins no programa dele na Rádio Gaúcha.

Como acredito que todos saibam (pelo menos no Rio Grande do Sul), Ariosto Culau, ex-Secretário de Planejamento do Estado, foi demitido após ter sido flagrado tomando um chope com Lair Ferst, um dos principais envolvidos no escândalo do DETRAN-RS. A “rainha das pantalhas” Yeda Crusius não queria demiti-lo, mas a pressão da base aliada sobre a (des)governadora levou à saída do secretário.

Pois bem: Lasier Martins “pôs a Rádio Gaúcha à disposição de Culau para ele prestar esclarecimentos à sociedade gaúcha”. Foi incrível a babação de ovo: para Lasier, obviamente Culau seria inocente e precisava falar e provar que nada tinha a ver com o escândalo do DETRAN-RS.

Mas em 2001, durante a CPI da “Segurança Pública” – que foi na verdade um palanque da oposição contra o governo Olívio, com toda a cobertura (favorável) da mídia -, até prova em contrário, todos os envolvidos eram considerados culpados por Lasier & Cia…

Diante disso, não custa nada lembrar mais uma vez daquele dia: