Amigo secreto do (des)governo

amigo_secreto(charge do Kayser)

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Um exemplar “defensor da lei”

Quero só ver o que aqueles direitosos tapados, que chamam qualquer pessoa ou movimento de esquerda de “petralha” (mesmo que não haja nenhum vínculo com o PT, e mesmo que a maioria esmagadora dos petistas não seja corrupta), vão achar dessa.

O ídolo-mor dos reaças guascas, Coronel Paulo Roberto Mendes, teve gravada uma conversa com o Secretário de Governo de Canoas, Chico Fraga – um dos indiciados pela Operação Rodin, que investigou a quadrilha do DETRAN – em que lhe pedia apoio para assumir o comando da Brigada Militar, fato que viria a acontecer no início de junho.

Poucos dias depois de assumir, o Coronel Mendes já mostrou a que veio: comandou pessoalmente uma violenta repressão da BM a um protesto contra a alta do preço dos alimentos e a corrupção do (des)governo Yeda Crusius, no dia 11 de junho. Ele já era “famoso” por ações truculentas anteriores contra o MST e a Via Campesina, e seus argumentos eram sempre os mesmos: “defender a lei”.

E agora, o Coronel que buscou “QI” para ter seu nome indicado pela (des)governadora para o comando da BM, foi nomeado pela mesma para ocupar vaga no Tribunal de Justiça Militar do Estado. Imaginem tal figura como juiz…

Leia mais no RS Urgente.

Chapa 1 para o DCE da UFRGS

Começa amanhã, e vai até quinta, a eleição para a gestão 2009 do DCE da UFRGS. Há quatro chapas concorrendo: três de esquerda e uma de direita.

O fato de haverem três chapas de esquerda (1, 3 e 4) é um problema sério: afinal, a esquerda está desunida por questões partidárias, enquanto a direita, representada pela Chapa 2 (que certamente rejeita ser considerada como de direita – o que é bem típico da direita), está unida. Como a eleição não tem segundo turno, se uma chapa for a mais votada com apenas 30% dos votos, ganha.

Fica muito claro o posicionamento da Chapa 2 só lendo o panfleto deles. Falam em “despartidarização do DCE”: até concordo que o DCE deva atender aos interesses dos estudantes e não de um determinado partido, o problema é que esse papo de “despartidarização” não me engana, cheira mais à “despolitização”, o que a direita adora – basta ver o que tem acontecido em Porto Alegre nos últimos tempos.

Uma das propostas bizarras deles (e que demonstra um desconhecimento das leis) é a de um convênio entre a UFRGS e o Estado para que a Brigada Militar possa policiar os campi. Detalhe: a UFRGS é território federal, logo a BM não pode entrar! Qualquer crime que aconteça dentro da universidade é competência das autoridades federais. Sem contar que tal proposta é a defesa, na prática, da entrada do Coronel Mendes na universidade.

Outra proposta que deixa muito claro o caráter de direita da Chapa 2 é o fato deles defenderem que o DCE não seja “entidade voltada para apoiar ações de grupos políticos como o MST, etc.” – e ainda tentam nos enganar com o papo de “despartidarização”! Certamente acham terrível que o DCE tenha se posicionado contra o descalabro do Pontal do Estaleiro (mesmo que não tenha só gente de esquerda contra o Pontal).

Há também o apoio à criação de “empresas juniores” em todos os cursos para incentivar o “empreendedorismo”. Imagino como deve ser uma “empresa junior” para incentivar os historiadores a serem “empreendedores”.

Além disso, qual tipo de “empreendedorismo” será incentivado? Se até os próprios defensores afirmam que empreendedor é um “monstro”…

Também é importante levar em conta o chamado “não-dito” no panfleto deles. Na quarta-feira, dois integrantes da Chapa 2 passaram na sala onde eu tinha aula, e foram questionados quanto às cotas: ano passado, o grupo era claramente contrário, e agora nada dizem a respeito disso. Afinal, há muitos estudantes que ingressaram via cotas na UFRGS e que vão votar na eleição para o DCE.

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Já ficou bem claro que não voto na Chapa 2 de jeito nenhum. Há as outras três chapas, de esquerda, e acredito que dentre elas, a que tenha maiores chances seja a 1. Afinal, ela representa a atual gestão do DCE – o que lhe dá mais força em relação às demais.

Assim, já deixo declarado meu voto na Chapa 1. E um apelo para o próximo ano: que se esqueçam as divergências e se monte uma só chapa de esquerda, em torno das concordâncias. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde o DCE cairá nas mãos da direita.

Porto Alegre no futuro

Em 2008, é assim (a charge é do Kayser):

surrodromo

Logo, provavelmente será assim: é permitida a participação em manifestações de pessoas com mais de 200 anos de idade, com autorização dos pais (só o pai ou só a mãe não vale).

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Tal futuro pode estar muito próximo mesmo. Leio que a Brigada Militar estaria preparando aparato repressivo para o dia 12, quando será votada na Câmara a alteração de lei municipal que atualmente inviabiliza o projeto Pontal do Estaleiro.

Talvez sejam apenas boatos para intimidar os cidadãos contrários a tal descalabro. Mas considerando o que alguns “nobres” vereadores andam dizendo, é de se ficar atento.

Ao mesmo tempo, a última coisa que podemos fazer é nos borrarmos. Não é a nós que a polícia tem que perseguir. Se tais informações – procedam ou não – nos deixarem com medo, eles vencem.

Boa lembrança em horas como essas é um belo poema de Eduardo Alves da Costa, com destaque para a segunda estrofe:

No caminho com Maiakóvski

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Sensação de caos

No final de tarde desta quinta-feira, eu me dirigia de ônibus ao Campus do Vale da UFRGS, já atrasado para a aula, quando próximo ao final da Ipiranga, parou tudo. Congestionamento total.

Quando o ônibus entrou na Antônio de Carvalho – ou seja, após uns 20 minutos de marcha lenta – percebi que a Brigada Militar fazia uma blitz na Bento Gonçalves. Claro que isso ocorre porque tem um monte de gente que anda sozinha de carro – a maioria deles no engarrafamento tinha só o motorista dentro -, mas me parece também que falta um mínimo de bom-senso à BM: por que diabos de motivos fazer blitz num horário que já é complicado?

Dizem que é para termos “sensação de segurança”, mas o que sinto é uma sensação de que as autoridades querem nos fazer de bobo. E o pior é que tem toda uma bovinada que adora o Coronel Mendes…

Os verdadeiros baderneiros

Saiu matéria na mentirosa* de hoje sobre a praga dos foguetórios próximos aos hotéis onde se hospedam os adversários da dupla Gre-Nal quando vêm jogar em Porto Alegre. Barulheira que acorda não só os jogadores, mas também os torcedores dos próprios clubes que moram nos arredores.

Entrevistaram dois dirigentes do Grêmio, dois do Inter e o Coronel Paulo Mendes, comandante da Brigada Militar.

Quando questionado a respeito de uma medida contra os foguetórios, o Coronel Mendes respondeu (os grifos são meus):

Conscientização. São pessoas de classe média, esclarecidas. A BM não tem condições de colocar homens na frente desses hotéis, nós temos coisas muito mais importantes para fazer. Podemos tomar medidas repressivas.

A Brigada realmente não tem condições de enviar uma simples viatura para patrulhar o entorno dos hotéis de modo a impedir os foguetórios? Ou será que as “medidas repressivas” ainda não foram tomadas porque os (verdadeiros) baderneiros são “esclarecidos”?

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* “Mentirosa” é o termo que um tio meu usa para se referir ao jornal Zero Hora.

Um dia de pancadaria

Quando eu me preparava para sair de casa, na manhã de ontem, notei um constante barulho de helicóptero. Dava a impressão de que passava um atrás do outro. Abri totalmente a persiana e olhei para cima: percebi que na verdade havia apenas um helicóptero que voava em círculos pela zona. Não tive certeza, mas imaginei: é a Brigada Militar.

Saí para a rua e vi várias viaturas estacionadas, além de muitos soldados de capacetes laranjas (ou seja, da Tropa de Choque), mas que não estavam na frente do meu prédio. Ainda não estão mandando espancar quem torce contra o time da CBF, mas não duvido que isso venha a acontecer daqui a algum tempo, com o nacionalismo exacerbado que tomará conta do país por causa da Copa de 2014. E, em tempos de Coronel Mendes, não seria de se estranhar uns 100 PMs para prender uma pessoa. Mas os brigadianos não estavam nem aí para este “traidor da pátria”, o alvo deles eram os “baderneiros” que estavam em frente a uma igreja.

Saí caminhando normalmente, e quando passava sobre o viaduto em frente à Santa Casa, ouvi sirenes. Olhei em direção à rua Dr. Flores e percebi várias viaturas dobrando à direita na Salgado Filho. Imaginei que estivessem levando “baderneiros” para a cadeia.

Pouco depois, na casa do meu pai, ouvi no rádio que tinha acontecido um confronto de bancários em greve com brigadianos. Não esperei maiores detalhes pois precisava sair para pagar uma conta.

Mais tarde, li as notícias da confusão entre brigadianos e bancários, em frente ao Banrisul da Praça da Alfândega. A justificativa da Brigada para a pancadaria era a mesma de sempre: “manter a ordem pública”. Pelo jeito, porrada deve ser sinônimo de ordem para o Coronel Mendes.

De repente, ouvi barulhos de buzinas e percebi que a rua estava trancada para manifestantes com bandeiras do MST e do MTD passarem. Os motoristas buzinavam indignados, pois incrivelmente a Brigada ao invés de bater nos “baderneiros” deixava eles passarem em detrimento do deus-automóvel.

Só à noite fiquei sabendo dos outros acontecimentos da quinta-feira, quando li na blogosfera a repercussão do confronto entre policiais civis e militares em São Paulo, e também da nova pancadaria promovida pela BM, à tarde, contra a Marcha dos Sem.

Menos mal que a indignação foi substituída pelo riso, melhor arma para resistir a governos mau-humorados como o de Yeda/Mendes. Dá-lhe Kayser, autor da charge do início do post e criador das camisetas abaixo!

A coerência da direita

Coisa muito interessante é a coerência que vemos na direita. No mundo inteiro.

Ela se diz favorável à “liberdade”, tanto na política como na economia.

Vivenciamos por 21 anos, de 1964 a 1985, uma ditadura implantada por um movimento golpista que se auto-intitulava “revolucionário democrático”, da mesma forma que o Bush diz fazer guerra pela paz. Para certas pessoas, a democracia só é interessante quando elas ganham a eleição: quando a oposição vence, é sinal de que “o povo não sabe votar”, então é preciso tirar o direito dele para “aprender”.

E na economia, é o que vemos ultimamente: os defensores do livre-mercado correndo para pedir socorro ao Estado que eles dizem que deve ser mínimo. Sem contar alguns empresários que não investem um centavo sem receberem “incentivos fiscais”, ou seja, favores do mesmo Estado que eles tanto criticam.

Logo, não é tão estranho ver o Coronel Mendes, ídolo-mor da direita guasca e defensor da pena de morte, citar a China como exemplo de país onde “a lei é forte”: lá, o partido que está no poder é chamado de comunista…

Reportagem sobre a repressão guasca

O vídeo abaixo foi produzido pelo Coletivo Catarse. Trata da repressão promovida pelo (des)governo Yeda aos movimentos sociais no Rio Grande do Sul.

Vale a pena ressaltar que o Coletivo Catarse, mesmo sendo simpático ao MST (assim como o Cão), também deu espaço ao comandante da Brigada Militar, o coronel Mendes. Já a mídia dita “imparcial” (RBS & cia.) sempre mostrou apenas o lado da repressão.

Abaixo, a versão resumida apresentada pela TV Brasil.