Que o Vasco seja campeão

A dupla Gre-Nal se encaminha para um dos mais melancólicos finais de ano dos últimos tempos. Não briga por título, por Libertadores, por Sul-Americana (muito fácil se classificar para ela, com tanta vaga), pela fuga do rebaixamento… O clássico marcado para 4 de dezembro (se não for antecipado para o dia 3, sábado) poderá valer apenas para definir quem fica na melhor classificação final. Será comparável ao primeiro deste ano, realizado no dia 30 de janeiro em Rivera, com a diferença de que aquele foi um jogo de reservas, pois o Grêmio jogava a Pré-Libertadores e o time principal do Inter ainda estava em pré-temporada; já o de dezembro será uma bosta por pura incompetência da dupla.

Com o Grêmio nada mais tendo a fazer a não ser cumprir a tabela, não me resta outra alternativa que não a de abrir minha torcida para o Vasco da Gama nesta reta final de 2011. Mais do que não querer que o Corinthians seja campeão (aliás, se ganhar, é quase garantia de mais uma Libertadores perdida), torço para o Vasco devido ao bom exemplo que está dando neste ano.

Depois de começar 2011 de forma péssima, o Vasco se ajeitou e se não ganhou o Campeonato Carioca, papou o importante: a Copa do Brasil, numa eletrizante final contra o Coritiba, sensação do primeiro semestre. Só que se enganou quem pensou que o clube ficou satisfeito. Mesmo já tendo vaga garantida na Libertadores de 2012, o Vasco briga pelo título do Campeonato Brasileiro e está na semifinal da Copa Sul-Americana – pode assim obter o feito inédito de três classificações para a mesma Libertadores (obviamente as vagas serão remanejadas).

O Vasco de 2011 pode – e precisa – servir de lição a muitos clubes que em nome de conquistar um título importante, abrem mão de outros que são também importantes. Na maioria das vezes, tal estratégia se mostra equivocada, e ao invés de conquistar o mais importante, o clube acaba ficando sem nada. Todos lembram o que aconteceu ano passado com o Inter, que largou de mão o Campeonato Brasileiro após conquistar a Libertadores, foi para Abu Dhabi e, já sem o mesmo entrosamento, perdeu para o Mazembe (reparem que o Santos está correndo risco semelhante agora – a diferença é a ausência do Mazembe no Mundial). Em 2007 e 2008, Grêmio e Fluminense respectivamente usaram reservas no começo do Campeonato Brasileiro, poupando os titulares para a Libertadores: os pontos perdidos pelo Grêmio em jogos relativamente fáceis no começo do Brasileirão fizeram falta no final, e a última vaga à Libertadores de 2008 ficou com o Cruzeiro; já com o Fluminense foi pior, pois além de perder a Libertadores, só se livrou do rebaixamento na reta final do campeonato.

Vários times multicampeões não priorizaram apenas uma competição. Um dos melhores exemplos é o São Paulo de 1993: bicampeão da Libertadores, poderia ter “largado tudo” no segundo semestre, pensando apenas no Mundial. Não foi o que aconteceu: em setembro ganhou a Recopa Sul-Americana contra o Cruzeiro, e em novembro conquistou a Supercopa dos Campeões da Libertadores numa fantástica decisão com o Flamengo. No Campeonato Brasileiro, brigou pela classificação à final até o fim e acabou eliminado pelo Palmeiras, que também tinha um timaço.

Foi a melhor preparação que o São Paulo poderia ter: mesmo com o desgaste de um ano inteiro, estava pra lá de entrosado para enfrentar o poderoso Milan. Venceu por 3 a 2 num jogo sensacional, e sagrou-se bicampeão mundial.

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E não precisei torcer pelo vermelho…

Pois o Independiente decidiu vestir azul-escuro. O Goiás jogou melhor, não seria injusto se acabasse campeão. Mas obviamente eu não reclamo (e o que decide futebol é bola na rede, então, azar do Goiás, que não conseguiu marcar o segundo gol).

E, numa demonstração do quão insólita foi esta noite, ao conquistar a Copa Sul-Americana o clube de Avellaneda tirou a classificação à Libertadores justamente de seu maior rival, o Racing. E além dos hinchas do Independiente, comemoram três torcidas brasileiras:

  • GRÊÊÊÊÊÊÊÊÊMIOOOOOOO!!! Libertadores em 2011, com Renato no comando… Impossível não lembrar do glorioso 1983;
  • Com o Grêmio na Libertadores, abriu-se uma vaga à Sul-Americana, que fica com o Flamengo (se bem que provavelmente o rubro-negro escalará reservas para priorizar o Brasileirão, como é de costume);
  • Como quem joga a Libertadores não disputa a Copa do Brasil, o São José de Porto Alegre, 4º colocado no Gauchão de 2010, entra no lugar do Tricolor.