E não precisei torcer pelo vermelho…

Pois o Independiente decidiu vestir azul-escuro. O Goiás jogou melhor, não seria injusto se acabasse campeão. Mas obviamente eu não reclamo (e o que decide futebol é bola na rede, então, azar do Goiás, que não conseguiu marcar o segundo gol).

E, numa demonstração do quão insólita foi esta noite, ao conquistar a Copa Sul-Americana o clube de Avellaneda tirou a classificação à Libertadores justamente de seu maior rival, o Racing. E além dos hinchas do Independiente, comemoram três torcidas brasileiras:

  • GRÊÊÊÊÊÊÊÊÊMIOOOOOOO!!! Libertadores em 2011, com Renato no comando… Impossível não lembrar do glorioso 1983;
  • Com o Grêmio na Libertadores, abriu-se uma vaga à Sul-Americana, que fica com o Flamengo (se bem que provavelmente o rubro-negro escalará reservas para priorizar o Brasileirão, como é de costume);
  • Como quem joga a Libertadores não disputa a Copa do Brasil, o São José de Porto Alegre, 4º colocado no Gauchão de 2010, entra no lugar do Tricolor.
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A noite em que terei de torcer pelo vermelho

Não tenho nada contra a cor vermelha. Muito pelo contrário. Na política, não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou vermelho, já que esta é a cor associada com a esquerda. Tanto que, nos tempos em que eu “bandeirava” para o PT (ou seja, até 2004), a bandeira sempre foi vermelha. Nunca quis a azul.

Mesmo no futebol, não posso dizer que basta um time vestir vermelho para merecer meu ódio mortal. Para citar um exemplo: nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994, na mesma tarde torci por dois times que jogaram de vermelho: primeiro para a Bulgária nos 2 a 1 contra a Alemanha; e depois para a Romênia que, vermelha da cabeça aos pés, infelizmente acabou eliminada pela Suécia nos pênaltis. Tudo bem, eram os uniformes reservas, mas eram vermelhos. E naquela mesma Copa também torci por outra seleção vermelha, a Bélgica – neste caso, era a cor do uniforme titular.

Ou seja, só abomino a cor vermelha do rival do Grêmio. Então, não terei nenhuma dificuldade em torcer pelo Independiente nesta bizarra noite. (Mas para quem não consegue de forma alguma torcer pelo vermelho, resta a alternativa de secar o Goiás…)

Sem contar que não chega a ser uma novidade. Em 1983, o Grêmio precisou de uma ajudinha do vermelho América de Cali para chegar à final da Libertadores. O time colombiano já estava eliminado, mas se segurasse o empate com o Estudiantes, classificaria o Tricolor para a decisão; se os argentinos vencessem, ficariam com a vaga.

Acabou 0 a 0. O resto da história, todos conhecem…

Renato Portaluppi

Eu não era favorável à contratação de Renato Portaluppi para treinar o Grêmio. Ainda não o acho um bom treinador.

Todos lembram que o Fluminense foi campeão da Copa do Brasil de 2007 e vice da Libertadores de 2008 com Renato na casamata. Mas depois da derrota na decisão contra a LDU, o Flu, que já estava mal no Campeonato Brasileiro, continuou mal. Renato não conseguiu fazer o time reagir e acabou demitido para, ao final do ano, assumir o Vasco que desabou para a Série B. Em 2009, Renato voltou ao Tricolor carioca, que estava ainda pior que em 2008, e não durou muito tempo – no final, foi Cuca (com uma boa ajuda de Fred, é verdade) que conseguiu “a la Grêmio 2003″ manter o Fluminense na elite.

Renato é o maior ídolo da torcida do Grêmio – ai é que está o problema. É amado até por aqueles gremistas cujos pais sequer se conheciam no glorioso 11 de dezembro de 1983. Ao assumir a casamata tricolor, Renato arrisca sua condição de “deus”, para tornar-se, em caso de uma sequência de maus resultados, o “burro”.

Mas, ao mesmo tempo, também pensei em algo: Renato poderia muito bem ter optado por permanecer no Bahia, onde ele não tem “um passado a prezar” (já que sua história lá se restringe a 2010 – no Tricolor baiano a única pressão se deveria ao fato de um clube com tanta tradição e uma torcida apaixonada estar há tanto tempo longe da Série A) e também está sempre perto da praia – que ele tanto gosta -, ainda mais numa cidade como Salvador, onde é verão o ano inteiro. Mas aceitou vir para Porto Alegre, no inverno (que para mim está no mesmo nível de idolatria que Renato, mas sei que muita gente pensa diferente…), para tirar seu clube do coração da má fase que enfrenta. Renato sabe que corre o risco de ser chamado de “burro” pela mesma torcida que tanto o idolatra, caso não dê certo.

Isso quer dizer então que Renato terá sucesso no Grêmio? Claro que não – é preciso esperar para ver. Mas ele demonstrou que não teme o risco de “manchar” sua gloriosa história no Tricolor.

E, se eu acho que Renato não deveria ser contratado devido ao que escrevi no começo do post, ao mesmo tempo espero, em dezembro, ser esculachado por conta dessas mesmas linhas, devido à reação do Grêmio no Campeonato Brasileiro e ao possível título da Copa Sul-Americana – afinal, quem é gremista torce para que o Grêmio ganhe sempre, e não para que tudo dê errado apenas por não gostar de determinado dirigente ou para não ter de dar o braço a torcer.

Dá-lhe, Renato!

A Voz do Brasil atrapalhando meu gremismo…

O problema não é novo, mas agora me deixou por demais irritado. Vai começar o jogo do Grêmio contra o Goiás, e não posso ouvi-lo pelo rádio graças à maldita compulsoriedade da Voz do Brasil ser transmitida às 19h.

Definitivamente, a Copa Sul-Americana sofre no Brasil. Agora que ela vale mais a pena – o campeão garante vaga na Libertadores de 2011 – a Voz do Brasil se encarrega de prejudicá-la. Por que a obrigatoriedade de transmitir o noticioso sempre no mesmo horário, sem nenhuma flexibilidade?

Ouvir a rádio pela internet me salva, mas ela tem mais delay que a NET digital.

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Atualização: o jogo está passando no FX, canal 54 da NET. Ainda assim, abaixo a obrigatoriedade da Voz do Brasil às 19h!

A “zica” continua

Charge do Kayser

Charge do Kayser

Existem coisas que só acontecem com o Botafogo. Mas dentre elas, não está “perder em casa para o Grêmio no Campeonato Brasileiro de 2009”.

Desse jeito, vamos ter de nos contentar com a vaga na Sul-Americana de 2010.

Sonho adiado. Até quando?

Mais uma vez, o sonho da terceira conquista gremista da América foi adiado. Desde 1995, o Tricolor jogou sete Libertadores: foi vice-campeão em 2007, semifinalista em 1996, 2002 e 2009, e quarto-finalista em 1997, 1998 e 2003.

Ou seja, um sonho sete vezes adiado. Entre a primeira e a segunda conquistas (ou seja, entre 1983 e 1995), o Tricolor disputou apenas duas Libertadores. Em 1984, defendendo o título, foi vice-campeão. E em 1990, classificado após vencer a Copa do Brasil de 1989, caiu na primeira fase – pior participação gremista, junto com a de 1982.

O problema, é que não prevejo que possamos jogar a Libertadores em 2010. Seja para enfim ganhar a taça, seja para só sonhar com ela.

Um dia desses, entrei no site do Globo Esporte e simulei todos (falando sério!!!) os resultados dos jogos que faltam do Brasileirão 2009. Claro que é uma projeção baseada no que vejo atualmente. Pois bem: no final, o Grêmio acabou em 12º lugar, garantindo uma vaguinha na Copa Sul-Americana, o que é muito pouco para nós gremistas, que queremos sempre ir à Libertadores.

Ou seja: minha opinião é de que, se não mudar, é com isso que teremos de nos contentar para 2010. Com esse ataque desperdiçador de gols (se o Grêmio marcasse todos os que perdeu, ganhava brincando essa Libertadores), fica difícil sonhar com uma vaga à Libertadores de 2010. Com título do Campeonato Brasileiro, então, nem se fala…

Aliás, o ataque merecerá um post especial, sobre a carência de um matador no Grêmio, que já dura uns bons anos. Maxi López fez seus gols, corre muito, tem garra, mas considerando o seu salário, bem que poderia marcar mais vezes.