Um colorado sensato

O Valter – que é colorado – publicou um post a respeito do título estadual do Internacional e a falsa ideia que a conquista fácil pode passar, a de que o Campeonato Brasileiro será uma moleza.

Afinal, como todos lembram, ano passado o Inter foi campeão gaúcho com uma histórica goleada de 8 a 1 sobre o Juventude na final (mesmo placar da decisão do 2º turno de 2009 contra o Caxias), começou o Brasileirão como franco favorito, e acabou apenas em 6º lugar. Enquanto o Grêmio, eliminado do estadual em casa pelo mesmo Juventude que seria humilhado pelo Inter, brigou pelo título nacional até a última rodada.

E o fundamental no texto do Valter é que ele diz o óbvio: preferiria ganhar o Campeonato Brasileiro do que a Copa Sul-Americana. Afinal, como qualquer pessoa sensata entende, o Inter só foi “campeão de tudo” porque deixou precocemente de lutar não só pelo título nacional, como também por uma vaga na Libertadores de 2009: assim, se empenhou para ganhar a Sul-Americana e “salvar” o fim do ano de 2008, em que o verdadeiro objetivo era ganhar o Brasileirão.

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Um aviso aos “pifados”: nem tentem transformar o espaço destinado à discussão (comentários) em baixaria.

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Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.

E de repente, a Sul-Americana é mais importante que a Libertadores…

O Jubão tinha prometido nunca mais aparecer por aqui caso o Grêmio fosse campeão. Será que a promessa será renovada para a Libertadores? Pois será bom demais ganhá-la no ano do sem-ter-nada do time vermelho…

Aliás, nós ficamos “só” com o vice-campeonato, mas vamos para a Libertadores. Eles, com um time cuja folha de pagamento dava a obrigação moral de brigar pelo título, só ficaram em sexto lugar.

Tá, ganharam a Sul-Americana (vale lembrar que, quando ainda almejavam algo no Brasileirão, colocaram os reservas para jogar contra o Universidad Católica), se classificaram para a Recopa e para jogar contra o campeão japonês uma copa cujo nome é algo semelhante a “suruba”.

Bannalidades

Ontem não houve Grenal. Afinal, não foi Grêmio x Internacional, e sim, Banguzinho x Internacional. É um novo clássico do futebol brasileiro que está surgindo: o BANNAL.

Não foi a primeira vez que as duas equipes se enfrentaram. Infelizmente ninguém ainda fez a contabilidade do clássico, assim eu vou puxar da minha memória.

Mas antes, é preciso estabelecer um critério. Será considerado “Banguzinho” o time misto/reserva do Grêmio. E assim como uma andorinha não faz verão, um reserva não faz Banguzinho. Tem que ser boa parte do time formado por reservas.

Bom, agora vem a parte interessante: definir quais Grenais foram, na verdade, Bannais. O primeiro (e o segundo) que me vêm à cabeça foram as partidas decisivas do Campeonato Gaúcho de 1995. O Grêmio estava envolvido com a Libertadores que viria a conquistar no final daquele inesquecível mês de agosto (que foi de desgosto só para colorado). Assim, decidiu não priorizar a final do Gauchão. Entrou em campo o “Banguzinho misto” (ou seja, com alguns titulares do Grêmio), e… Foi campeão!

Assim, caso eu não esteja enganado, no dia 6 de agosto de 1995 foi disputado o primeiro Bannal da história, no campo da beira do Guaíba, que acabou em 1 a 1. Uma semana depois, no dia dos pais, o Banguzinho conquistou o título gaúcho ao vencer por 2 a 1 no Estádio Olímpico.

O terceiro Bannal que eu me lembro foi em 24 de junho de 2007, pelo Brasileirão. O Grêmio vinha de uma extenuante disputa da Libertadores, da qual foi vice-campeão – ao contrário do rival, eliminado na primeira fase – e decidiu poupar titulares. “Banguzinho misto” para o Bannal número 3, no estádio do Inter. E aconteceu assim a primeira vitória do Banguzinho no campo adversário, 2 a 0.

E os dois últimos foram pela Copa Sul-Americana de 2008. No dia 13 de agosto, quando se completaram 13 anos da primeira vitória do Banguzinho em Bannal (naquele jogo do Gauchão de 1995), aconteceu um empate em 1 a 1 no campo do Inter. E ontem, o 2 a 2 no Olímpico classificou o rival, mas o Banguzinho manteve sua invencibilidade: em cinco Bannais, nunca perdeu.

Abaixo, as estatísticas do clássico – se é que dá para chamar de clássico um confronto no qual só um dos rivais já venceu:

  • Total de Bannais: 5
  • Vitórias do Banguzinho: 2
  • Empates: 3
  • Vitórias do Inter: 0
  • Gols do Banguzinho: 8
  • Gols do Inter: 5

Como não sei se esses dados estão certos – puxei da minha memória que, modéstia a parte, é muito boa, mas ela não está livre de falhas – agradeço se alguém puder, nos comentários, corrigir eventuais erros. Desde que, é claro, leve em conta o critério que apresentei no começo da postagem.

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Atualização

A primeira correção veio no comentário do Guillermo: no dia 24 de junho de 2007 houve Grenal, e não Bannal. Afinal, a maior parte do time naquele jogo era titular: os únicos reservas eram Ramón, Amoroso e Éverton. Sandro Goiano voltou a ser titular do Grêmio com a venda de Lucas, Schiavi assumiu – por pouco tempo, é verdade – a titularidade devido à lesão de Teco, e Patrício… Bom, Patrício era o titular da lateral-direita desde 2005: “ruim” não quer dizer “reserva”.

Logo, altera-se a estatística do Bannal.

  • Total de Bannais: 4
  • Vitórias do Banguzinho: 1
  • Empates: 3
  • Vitórias do Inter: 0
  • Gols do Banguzinho: 6
  • Gols do Inter: 5

Pergunta que não quer calar

Como os moranguinhos explicam o empate com os reservas do “segundino” (como eles chamam), depois de estarem vencendo por 2 a 0? Afinal, eles dizem que a imortalidade tricolor “não existe”.

E esse empate não foi o primeiro…

Postagem especial 3

Lembram da Flavia, a minha amiga botafoguense que foi “homenageada” aqui no Cão depois da vitória de 3 a 0 do Grêmio sobre o Botafogo, em setembro do ano passado?

Quarta-feira ela estava de aniversário, e só três dias depois recebe uma verdadeira homenagem deste blog. Mas que também é uma gozação: agora a vítima não é a Flavia e seu Botafogo, e sim o Flamengo. Suprema ironia: ela recebeu um presentaço de aniversário justamente do time que mais detesta…

Uma curiosidade: a derrota de 3 a 0 para o América-MEX, que eliminou o Flamengo da Libertadores 2008, entra para a lista de vexames históricos do rubro-negro que inclui uma derrota de 6 a 0 para o… Botafogo! E também foi “presente de aniversário”: o jogo foi no dia 15 de novembro de 1972, quando o Flamengo completava 77 anos.

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Em 2008 o dia 15 de outubro cai numa quarta-feira, então tenho esperanças de receber um presentaço semelhante. Já que o Grêmio está de chorar, que o Inter dê um vexame “à moda Flamengo” na Copa Sul-Americana para eu ter um feliz aniversário.

Grêmio 2008

Tenho acompanhado em outros blogs (e principalmente no Alma da Geral) a preocupação da torcida gremista com o início de ano do clube. E não é para menos. Nos dois jogos-treinos realizados até agora em 2008, o desempenho é péssimo. 3 a 0 no amador Flamengo de São Valentim (que ano passado levou 9 a 0), e ontem, só 1 a 0 no também amador São Paulo de Bento Gonçalves, fizeram a torcida perder a paciência e vaiar o time.

Isso não é pouco, considerando que em 2007 aconteceu o mais perfeito casamento entre time e torcida que já vi, e olha que já fazem mais de 10 anos que freqüento o Olímpico. Era emocionante ver o time entrar em campo e ser recebido como era pela Geral. Na final da Libertadores, a torcida cumpriu o que era prometido num vídeo de arrepiar que eu postara uma semana antes, e deu o maior espetáculo que já vi em um estádio de futebol.

E olha que o Grêmio tinha uma tarefa gigantesca pela frente, de precisar fazer 4 gols de diferença no Boca: mesmo com a derrota de 2 a 0, o Olímpico aplaudiu o time, simbolizando que a união continuaria mesmo com a perda do título tão sonhado.

E realmente continuou, desta vez para levar o time à Libertadores de 2008, mas a vaga não veio, e o time vice-campeão sul-americano se desmanchou. Pior: perdeu jogadores que não precisava perder, como William, que desejava ficar no Grêmio mas foi mandado para o Corinthians como pagamento de uma dívida antiga. Teco se machucou, e agora a defesa gremista terá de contar com o fraquíssimo Pereira.

Quanto ao Diego Souza, seria bom se ele permanecesse, mas acabou tornando-se muito caro. E depois de uma longa novela, acabou indo para o Palmeiras.

Do jeito que andam as coisas, o time dependerá ainda mais da torcida em 2008 para manter a hegemonia estadual e almejar alguma coisa no Campeonato Brasileiro, ou para brigar pelos títulos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. O problema é que a pré-temporada não é nada empolgante. E para que a união entre time e torcida volte a acontecer, é preciso uma identificação maior entre jogadores e torcedores – e atletas que tinham essa identificação, como Saja, Gavilán (sacado do time graças à estúpida contratação de Hidalgo), William e Sandro Goiano, foram embora.

Vamos esperar para ver. Espero que eu morda minha língua e 2008 seja um grande ano para o Tricolor. Porque, por enquanto, acredito que o Brasileirão não se resumirá a briga para não cair porque o futebol brasileiro está nivelado por baixo, a maioria dos times são muito ruins.

Fica Mano!

Ontem à noite, no programa “Bate Bola” da TVCOM, já se dizia que Mano Menezes deixa o Grêmio caso a vaga na Libertadores 2008 não venha, o que já me parece fato consumado.

Não quero que Mano saia, e sim que ele tenha um grupo com mais qualidade em 2008. Esse time atual do Grêmio é ruim de doer: se está em 7º lugar agora, é fruto da competência de Mano. Se tivesse melhores jogadores e ganho jogos fora de casa, o Grêmio estaria classificado para a Libertadores, já pensando nas contratações para a disputa em 2008.

Mas como se falou ontem à noite na TV, alguma coisa aconteceu internamente com o Grêmio – pode ser atraso de salários, ou racha no grupo. A última boa partida foi contra o Goiás, há quase um mês atrás. Contra o Náutico, o Grêmio jogou mal mas ganhou, e aí se pensou que tudo estava bem. Aí veio o Atlético-PR e o destempero emocional – nem falo do Eduardo Costa, porque o Claiton também provocou, mas sim da imbecil expulsão de Tcheco e da quase também imbecil expulsão de Diego Souza, que só não aconteceu porque ele foi contido pelos companheiros. Contra o Figueirense, mesmo no Olímpico, o Grêmio não jogou nada, não teve garra, e a derrota de 2 a 1 foi pouco. E ontem, a derrota foi só de 1 a 0 porque o São Paulo estava desinteressado no jogo, de novo o Grêmio foi apático.

Bom, agora resta terminar o ano com dignidade, ou seja, não perder para o América em Natal: só de pensar que o Grêmio pode acabar perdendo por estar longe do Rio Grande do Sul, me dá um calafrio… E na última rodada, provavelmente um amistoso de encerramento da temporada, entre Grêmio e Corinthians (que se livrará do rebaixamento na próxima rodada, vence o Vasco em São Paulo e o Goiás perde para o Atlético em Minas).

E como disse o Guga Türck, do Alma da Geral, 2008 será ano de Copa do Brasil e título inédito da Copa Sul-Americana!