É TETRA!

É TETRA

Foto: Mike Powell, Getty Images

17 de julho de 1994. Há um quarto de século, a Seleção Brasileira conquistava a Copa do Mundo nos Estados Unidos, e eu finalmente podia contar uma história do Brasil campeão assim como outras pessoas mais velhas. O triunfo contra a Itália foi sofridíssimo: 3 a 2 nos pênaltis, após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação. (Um pouco de como isso se deu – e as superstições envolvidas – contei aqui, um mês atrás.)

O que poucos sabem é que antes dos pênaltis houve um solitário grito de gol na Rua Laurindo, bairro Santana, em Porto Alegre. Era o endereço onde a minha avó Luciana morava junto com a falecida irmã Sílvia, e onde assisti ao jogo junto delas, do meu pai Cesar e do meu irmão Vinícius.

A tia Sílvia tinha ido ao banheiro e justo nesta hora o Brasil foi ao ataque; começamos a gritar “chuta”, “bate pro gol” e coisas do gênero. Para ela, que não sabia o que estava acontecendo, tamanha gritaria só podia ter uma causa: gol do Brasil.

Logo depois, ela entrou na sala de braços abertos e gritando GOOOOOOOOOOL… Para a frustração dela, nossa cara era de espanto pelo insólito AVIÃOZINHO e não de alegria pelo gol que jamais saiu com a bola rolando naquele domingo.

Parece que foi agora há pouco, mas lá se vão 25 anos daquela tarde em que Galvão Bueno gritou enlouquecidamente que o Brasil voltava a ganhar uma Copa depois de 24 anos: sim, 1994 está temporalmente mais próximo de 1970 do que dos dias atuais.

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Há 25 anos, o alerta sobre o “17”

17 de junho, 1994: há 25 anos começava a maior Copa do Mundo de todos os tempos para mim. Tão marcante que não faz muito tempo eu SONHEI que saía do COLÉGIO e corria para casa pois tinha jogo para assistir na TV.

“Ah, mas a Seleção de 1982 era melhor”: pode ser, mas perdeu. Em 1994 o Brasil não teve um futebol tão vistoso, mas ganhou (e eu sempre preferi ganhar jogando feio a perder jogando bonito, ainda que seja melhor vencer dando espetáculo). Sem contar que aquela Copa para mim nunca se resumiu ao Brasil campeão (“vinte e quatro anos depois”, gritou enlouquecidamente Galvão Bueno há UM QUARTO DE SÉCULO) e a Romário infernizando as defesas adversárias. Também teve os timaços de Bulgária e Romênia (perder jogando bonito é bom quando não é o nosso time), a saída precoce de Maradona, as jornadas MAGISTRAIS do romeno Hagi e do búlgaro Stoichkov, além do grande Roberto Baggio, um dos maiores craques que vi jogar.

A Copa de 1994 também foi a primeira da Nigéria, então campeã africana que por muito pouco não eliminou a Itália nas oitavas-de-final – salva por Baggio, que conduziria a Azzurra, aos trancos e barrancos, até a final.

Sobre Baggio, uma grande curiosidade: naquela Copa, pelo estranho critério de numeração adotado pela Itália, ele deveria ter vestido a camisa 17. Apenas os goleiros usariam os números “tradicionais” (1, 12 e 22) e de acordo com a situação de titular/reserva imediato/terceiro, os demais seriam distribuídos por ordem alfabética (de acordo com os sobrenomes dos atletas) conforme a posição. Assim, os defensores (laterais e zagueiros) seriam de 2 a 9, meio-campistas vestiriam as camisas 10 a 16 (“pulando” o 12, reservado ao segundo goleiro) e os atacantes usariam os números de 17 a 21, fechando a lista o terceiro goleiro (22).

Quem abriria a lista dos atacantes seria justamente Roberto Baggio, que assim vestiria a 17. O problema é que tal número, que apenas recentemente virou MALDITO para quem tem bom senso no Brasil, na Itália é AGOURENTO faz tempo.

Em números romanos, 17 é XVII, conjunto de letras cuja ordem pode ser alterada para “VIXI”, que em latim significa “vivi” – ou seja, remete à morte. Por isso, os italianos têm uma aversão ao 17 como muita gente tem pelo 13 em outros países – incluindo o MEDO quando o dia 17 cai numa sexta-feira. (Aliás, o sujeito que elegeram para governar o Brasil em 2018 tem descendência italiana e isso, além do fato que o número dele remete ao 🇧🇷1⃣7⃣🇩🇪, já deveria ser um alerta de que votar no cara era fria.)

Ou seja, não era uma boa ideia que justamente o craque da Azzurra (escolhido pela FIFA como melhor do mundo em 1993) envergasse uma camisa AMALDIÇOADA. A solução foi abrir uma exceção: Baggio ficou com o número 10 – vamos combinar, digno do grande jogador que ele era. E no embalo foi aberta outra: Baresi deveria ter ficado com a 3 mas vestiu a 6. Os demais seguiram a ordem determinada, apenas sendo feita a redistribuição.

Um mês após o 17 de junho inaugural, chegamos à grande final da Copa, Brasil x Itália. Jogo emocionante só na hora por conta do nervosismo: assistindo novamente tempos depois tive de me segurar para não dormir. O empate sem gols se arrastou e a decisão foi aos pênaltis – que terminaram com vitória brasileira por 3 a 2, sem que Bebeto (último cobrador do Brasil) precisasse chutar. Já a Itália bateu os cinco, com os seguintes jogadores, na ordem: Baresi, Albertini, Evani, Massaro e Baggio.

Por uma ironia do destino, os dois italianos que converteram seus chutes tinham suas numerações diretamente ligadas à exceção aberta para Baggio: Albertini vestiria a 10, que precisou ceder ao craque e por isso ficou com a 11; já Evani (que bateu no meio do gol, enfurecendo Galvão Bueno pois Taffarel preferia tentar adivinhar o canto) seria o 16 mas acabou herdando o REJEITADO 17 que originalmente ficaria às costas de Baggio.

Dos três que não marcaram, só um chutou em gol: Massaro, que não teve seu número alterado por superstição alguma e foi o 19. As exceções no critério de numeração bateram para fora: Baresi (o 6 que deveria ser 3) e, SUPREMA IRONIA, Baggio… Que pensou ter escapado do 17, mas pelo visto o 17 não o deixou.

25 anos da “superquarta”

É “tiro e queda”: toda vez que há vários jogos decisivos acontecendo no mesmo dia, ele vira “super”. Lembro de diversas “superquartas” e mesmo de “superdomingos”. (Existe também a “superterça” nos Estados Unidos, mas aí não tem nada a ver com futebol e sim com política, devido à realização de eleições primárias em vários estados, sendo assim um dia muito importante para a definição de quem se candidatará à presidência do país.)

Mas de todas as “superquartas” que já vi, nenhuma me marcou como 17 de novembro de 1993. Era um dia no qual se definiam várias seleções classificadas para a Copa do Mundo que ocorreria nos Estados Unidos em 1994, e também começava a decisão da Supercopa Libertadores daquele ano, entre Flamengo e São Paulo – que seria campeão.

Em 1993 eu estava na 5ª série do 1º grau e estudava à tarde, por isso perdi os primeiros jogos decisivos daquele 17 de novembro. Muito embora não fosse possível acompanhar muita coisa: ainda não tínhamos NET em casa, provavelmente o máximo que poderia assistir seria a um amistoso entre Alemanha e Brasil, vencido pelos alemães por 2 a 1. Tal confronto, que jamais ocorrera em uma Copa do Mundo até então, era cotado para ser a final do Mundial dos Estados Unidos: o Brasil faria a sua parte indo à decisão, mas seria contra a Itália, já que a Alemanha cairia diante da Bulgária nas quartas-de-final. (O primeiro encontro entre brasileiros e alemães em uma Copa aconteceria apenas na final de 2002, já o segundo… Deixa pra lá.)

A derrota alemã diante da Bulgária seria surpreendente, mas não tão inacreditável como poderia parecer nos dias de hoje. Pois aquela geração búlgara, comandada pelo genial Hristo Stoichkov, era a melhor da história do país (um time bem superior à Coreia do Sul de 2018). A Bulgária chegou aos Estados Unidos eliminando ninguém menos que a França, em algo bem parecido com um “Maracanazo”: os franceses jogavam por um empate em casa e saíram na frente, mas logo os búlgaros buscaram o empate; no último minuto do tempo regulamentar, quando a vaga já parecia perdida, Kostadinov marcou o gol histórico.

A classificação histórica também indicava que a Bulgária quebraria sua escrita negativa em Copas: jamais vencera uma partida até então. A estreia não seria nada animadora, com derrota de 3 a 0 para a Nigéria, mas na partida seguinte os búlgaros cobrariam a fatura “com juros e correção monetária”: 4 a 0 sobre a Grécia, estreante em Mundiais. A vaga grega veio com uma bela campanha nas eliminatórias europeias que foi encerrada justamente naquele 17 de novembro, com uma vitória por 1 a 0 sobre a Rússia. Dizer que o gol de Nikos Machlas “incendiou” o Estádio Olímpico de Atenas não me parece exagero.

No começo da noite, no Jornal Nacional (naquela época eu o assistia) fiquei sabendo dos jogos da tarde. Logo depois começou a novela e fui para o quarto esperar o jogaço que pude assistir naquela quarta-feira: Flamengo x São Paulo, abrindo a final da Supercopa Libertadores. No mesmo horário em que a Argentina, que no começo de setembro levara 5 a 0 da Colômbia em casa, enfrentava a Austrália disputando a última vaga na Copa do Mundo.

Em Buenos Aires, a Argentina fez o que dela se esperava e se classificou para a Copa, mas com uma magra vitória de 1 a 0.

Já no Maracanã, não faltou emoção. Leonardo abriu o placar para o São Paulo aos 15 do primeiro tempo, mas Marquinhos empatou aos 35 e virou no início do segundo tempo. Mas no final do jogo, quando a vitória flamenguista – e a consequente vantagem para a partida da volta, no Morumbi – já parecia garantida, Juninho (que ainda não tinha o complemento “Paulista”) empatou, e a partida acabou em 2 a 2.

Aquela “superquarta” foi tão “super” que sequer terminou ali. Pois o segundo jogo da final, na quarta-feira seguinte (24 de novembro) foi tão sensacional quanto o primeiro. O mais incrível é que a sequência de gols foi a mesma de uma semana atrás, apenas “invertendo os times”: o Flamengo abriu o placar aos 9 minutos do primeiro tempo com Renato Portaluppi, o São Paulo empatou com Leonardo aos 16 do segundo tempo e virou com Juninho aos 34, mas logo depois Marquinhos determinou um novo 2 a 2, levando a decisão do título para os pênaltis. O flamenguista Marcelinho (que ainda não tinha o complemento “Carioca” pois, afinal, jogava em um clube do Rio) desperdiçou a segunda cobrança rubro-negra; já o São Paulo acertou todas, venceu por 5 a 3 e levantou sua penúltima taça de um ano muito vitorioso que culminaria com a conquista do bicampeonato mundial menos de um mês depois, em Tóquio, contra o poderoso Milan. (A propósito, aquele time comandado por Telê Santana dava tanto gosto de ver jogar que eu só conseguia torcer contra quando enfrentava o Grêmio.)

Uma receita de Camarões: Zom

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Camarões disputou sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha. A campanha não foi brilhante (eliminação na primeira fase), mas ao mesmo tempo foi histórica: os camaroneses voltaram para casa invictos (feito inédito e jamais repetido por nenhuma seleção africana), após empatarem as três partidas disputadas – uma delas foi contra a Itália, que acabaria campeã (e o empate em 1 a 1 que levou a Azzurra adiante só aconteceu devido a uma falha do bom goleiro Thomas N’Kono).

Alem de N’Kono, outro destaque daquele time de 1982 era Roger Milla. Oito anos depois, o já veterano atacante (38 anos de idade em 1990) foi fundamental na Copa do Mundo da Itália: Camarões chegou às quartas-de-final (feito até então inédito para uma seleção africana) e só perdeu para a Inglaterra na prorrogação. Mas engana-se que a história de Roger Milla em Mundiais acabou ali: já quarentão, o atacante ainda foi aos Estados Unidos em 1994.

Na última rodada da primeira fase, Rússia e Camarões enfrentaram-se pelo grupo B sonhando com uma improvável classificação às oitavas-de-final entre os melhores terceiros colocados (ambos os times acabaram eliminados). Os russos venceram por 6 a 1, na maior goleada daquela Copa; e o atacante Oleg Salenko estabeleceu o recorde ainda não superado de cinco gols em um só jogo (Salenko também foi artilheiro do Mundial, junto com o búlgaro Hristo Stoichkov). Mas aquele jogo disputado em 28 de junho de 1994 ainda teve mais dois recordes, ambos de Roger Milla, com 42 anos e 39 dias de idade: jogador mais velho a atuar em uma Copa (marca superada em 25 de junho de 2014 pelo goleiro colombiano Faryd Mondragon, 43 anos e 3 dias de idade ao entrar em campo nos minutos finais da partida contra o Japão) e a marcar gol em um Mundial (essa escrita continua intacta).

A campanha ruim de 1994 não foi exceção. Desde então, Camarões não mais superou a primeira fase da Copa do Mundo – e, em 2006, sequer foi à Alemanha. Em 2014, os Leões Indomáveis (apelido da seleção) foram facilmente “domados”: três jogos e três derrotas (duas delas de goleada, 4 a 0 da Croácia e 4 a 1 do Brasil). Assim como “uma andorinha só não faz verão”, apenas um craque (Samuel Eto’o) não faz timaço.

Porém, se Camarões não tem feito bonito no futebol, na cozinha os camaroneses vão muito bem, obrigado. No último final de semana, foi a minha vez de fazer o tradicional almoço de sábado (que mais uma vez foi adiado para o domingo) na casa da minha avó, e a tabela me designava um prato de Camarões. Ao contrário das ocasiões anteriores, não foi preciso fazer pesquisas no Google: meu amigo Hélio Paz (que escreveu o texto lá do primeiro link) é fã dos Leões Indomáveis desde a Copa de 1982, e me passou várias receitas quando comentei que faria comida camaronesa. Escolhi o Zom, receita que acabei não seguindo à risca, mas que ficou muito boa.

Ingredientes:

  • 900g de agulha cortada em cubos
  • 4 colheres de sopa de óleo vegetal
  • 1 cebola grande picada
  • 900g de espinafre lavado e picado (ou outra verdura qualquer)
  • 2 tomates bem picados
  • 2 colheres de sopa de purê de tomate
  • 2 colheres de sopa de manteiga de amendoim
  • Sal a gosto
  • Pimenta preta a gosto

Modo de preparo:

  1. Ferva a carne na panela com um pouco de sal e água suficiente para cobri-la. Tampe a panela e deixe por 100 minutos ou até a carne ficar macia;
  2. Retire a carne mas mantenha o caldo na panela;
  3. Em outra panela, aqueça o óleo. Use-o para fritar a cebola até ficar macia. Adicione a carne e cozinhe por 2 minutos;
  4. Ponha de volta a carne junto com a cebola na panela com o caldo de carne;
  5. Misture o espinafre, o tomate, o purê de tomate e a manteiga de amendoim e ponha para ferver. Abaixe o fogo e mantenha por 30 min. na panela fechada.
  6. Sirva a carne com o molho e a cebola sobre uma travessa de arroz e cubra a carne com a mistura de verduras e legumes.

Não segui a receita com rigor devido a uma troca intencional, à falta de um ingrediente e a um engano.

A troca intencional foi da carne. Ao invés de agulha, usei cordão do filé mignon, mais macio, para que a comida demorasse menos tempo a ficar pronta.

O que faltou foi a manteiga de amendoim. Fui ao supermercado e não encontrei. Assim, o prato ficou “incompleto”.

Anotei a receita no celular e acabei memorizando. Porém, muitas vezes não “decoramos” corretamente, e assim me confundi com o final: a mistura de tomate, massa de tomate e espinafre deveria ser cozida separadamente e adicionada ao final como uma “cobertura” para a carne, mas acabei misturando tudo ainda na panela. A carne foi servida com arroz, mas em panelas separadas e não na mesma travessa.

Ainda assim, o resultado foi ótimo. E considerando que a motivação disso tudo é a Copa do Mundo (que acabou só no campo, na cozinha ela vai até outubro), podemos dizer que foi uma vitória da culinária-arte: o improviso (mesmo que involuntário) superou a burocracia (seguir à risca o que está escrito). O que não quer dizer que não pretenda fazer novamente o Zom, sendo mais fiel à receita.

Guerra Fria em campo

Neste domingo, completaram-se 40 anos de uma partida histórica. Em Hamburgo, duas seleções alemãs entraram em campo na noite de 22 de junho de 1974 para um jogo de Copa do Mundo. Os únicos “estrangeiros” dentro de campo eram os integrantes do trio de arbitragem: a partida foi apitada pelo uruguaio Ramon Barreto Ruiz, com o brasileiro Armando Marques e o argentino Luis Pestarino como auxiliares.

O jogo reunia as seleções das Alemanhas Ocidental e Oriental, que jamais tinham se enfrentado até então. E tal confronto aconteceu pela primeira (e única) vez justamente em uma Copa do Mundo. Mas todos os 22 jogadores que iniciaram a partida serem alemães não queria dizer que era um confronto “entre iguais”, e isso não tem a ver com o fato de serem dois países rivais por motivos ideológicos. Enquanto a anfitriã capitalista Alemanha Ocidental já tinha uma seleção respeitadíssima (ganhara a Copa de 1954 batendo a fantástica Hungria de Puskas, e dificilmente não ficava entre as semifinalistas dos Mundiais que disputava), a socialista Alemanha Oriental disputava apenas a sua primeira Copa (e que acabaria sendo a única). A lógica, portanto, pesava a favor do oeste.

As duas seleções já estavam classificadas, e o que restava em disputa era a liderança do grupo 1 da primeira fase – que ficaria com os ocidentais caso o jogo acabasse empatado. E assim parecia que ia acontecer: mais da metade do segundo tempo já tinha se passado e o placar permanecia fechado. Mas aos 32 minutos, o meio-campista Jürgen Sparwasser tratou de abri-lo, fazendo 1 a 0 para a Alemanha… Oriental.

E assim acabou o jogo: com uma inesperada vitória do leste sobre o oeste. Após o apito final não houve a tradicional troca de camisetas entre os jogadores, tamanha era a tensão (obviamente por motivos políticos) em torno da partida.

Reza a lenda que a Alemanha Ocidental teria facilitado as coisas para a Oriental (fato nunca comprovado e altamente improvável, visto que até os 32 do segundo tempo o placar permanecia em 0 a 0). Mas não pelos jogadores ocidentais simpatizarem com o comunismo, e sim para terem um caminho mais fácil na segunda fase – que naquela Copa era disputada em grupos, não em confrontos eliminatórios – e, em especial, para escaparem do Brasil – mesmo que a Seleção não estivesse jogando grande coisa.

Com o primeiro lugar no grupo 1, coube à Alemanha Oriental enfrentar não só os brasileiros, como também a Holanda (sensação da Copa) e a Argentina no grupo A da segunda fase; enquanto a Ocidental ficou no grupo B com Iugoslávia, Suécia e Polônia. Os orientais foram eliminados (mas acabaram à frente da Argentina), já os ocidentais ficaram em primeiro lugar no grupo, foram à final contra a Holanda e acabaram campeões com uma vitória por 2 a 1, de virada.

Como estou vendo a Copa

Em 2007, quando a FIFA confirmou que o Brasil sediaria a Copa do Mundo de 2014, me declarei contra a decisão devido aos diversos problemas que o país tinha – e continua a ter. Não fui exatamente uma “voz solitária”: várias outras pessoas que conhecia também diziam ser contra o Mundial acontecer por aqui; mas de forma geral, os brasileiros celebraram em 2007.

Diversos motivos fizeram com que eu não me empolgasse com a Copa no Brasil mesmo com a aproximação do momento da bola rolar. Desde questões pessoais (o final de 2013 e o começo de 2014 simplesmente não precisavam ter existido na minha vida), políticas (os abusos da FIFA são inaceitáveis, por mais que se goste de futebol), chegando até a previsões de que o Mundial seria um desastre (mesmo sabendo que em geral tais prognósticos eram supervalorizados pela oposição que sonhava com um caos na Copa para poder culpar o governo, com tanta gente martelando a mesma coisa era difícil não ser influenciado de alguma maneira).

Pois bem: a Copa começou, e então passei a, enfim, curti-la. Afinal de contas, gosto de futebol. Não é toda hora que se tem a oportunidade de assistir a grandes jogos (embora eu não tenha comprado ingresso para nenhum), e também de presenciar momentos memoráveis como a “Orange Square” (tradicional festa dos torcedores da Holanda antes dos jogos de sua seleção); e depois a caminhada da “massa laranja” em direção ao Beira-Rio embalada pelo ritmo empolgante da sensacional banda Factor 12.

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Isso quer dizer que mudei de ideia em relação à Copa, que considero um erro minha contrariedade em 2007? Claro que não. Ainda prefiro um Brasil melhor do que o Mundial. Porém, algo que andei pensando muito ultimamente foi: e se a Copa não tivesse vindo para cá, será que o país teria melhorado mais nestes últimos sete anos? Respondo: provavelmente não…

Minhas críticas à Copa do Mundo não se resumem em “ela tirou dinheiro da saúde e da educação”: tal frase corresponde a uma meia-verdade. As reformas e construções de estádios tiveram dinheiro público, mas boa parte dele corresponde a empréstimos do BNDES, ou seja, é grana que voltará aos cofres do governo. A “perda” foi em impostos que deixaram de ser arrecadados, visto que várias obras tiveram isenção fiscal – logo, menos arrecadação pelo poder público. Mas, os problemas da Copa não são apenas esses.

Afinal, muitos dos que criticam os gastos da Copa o fazem por puro e simples moralismo (aquela história de “abaixo a corrupção”, mas apenas atacando os agentes públicos corruptos sem se dar um pio quanto aos corruptores privados). Mas não estão “nem aí” para famílias que sofreram remoções forçadas por conta de “obras da Copa”, acham boa a “higienização social” nas cidades-sede do Mundial, e vibram quando a PM “desce a porrada” nos manifestantes (concorde-se ou não com suas pautas, eles têm todo o direito a protestar, a não ser que a democracia tenha sido revogada). Sem contar os operários que morreram nas obras dos estádios da Copa, alguns dos quais se tornarão “elefantes brancos” após o Mundial.


“Enquanto te exploram tu grita gol!”, diz uma frase que li em vários muros. Eis algo que considero o principal erro de muitos que não gostam de futebol: tratar quem gosta como “burros”, “alienados” etc. Aliás, declarando isso muitas vezes pelo Facebook: se o futebol é o “ópio do povo” como tantos gostam de dizer, a rede de Mark Zuckerberg (na qual a imensa maioria das postagens é pura bobagem) é o quê? Beber até cair, então, deveria ser atestado de “alienação” eterna.

Se há pessoas que gostam de futebol e são “alienadas”, isso não se deve ao esporte bretão: no lugar dele haveria outro “ópio do povo” (Facebook?). Assim como existem diversos casos de torcidas e mesmo clubes politicamente engajados. Um dos mais famosos é o St. Pauli, da Alemanha, que baniu de seu estádio quaisquer membros de movimentos extremistas de direita e por conta disso passou a ser cultuado por militantes anarquistas, socialistas e comunistas em vários outros países; em entrevista ao programa “Futebol, uma viagem”, o chefe de segurança do clube disse algo sensacional: “eu não jogo fora meu cérebro quando vou para um estádio”.

Mas não é preciso ir tão longe: o Ferroviário Atlético Clube, de Fortaleza, foi fundado em 1933 por trabalhadores da Rede de Viação Cearense (RVC) – ou seja, é um clube operário inclusive em suas origens. Terceiro maior vencedor do Campeonato Cearense, o Ferroviário revelou jogadores como Jardel (campeão e artilheiro da Libertadores de 1995 pelo Grêmio) e Iarley (campeão da Libertadores e do Mundo pelo Inter em 2006), e também tem uma torcida declaradamente de esquerda: a Ultras Resistência Coral, criada em 2005 por torcedores anarquistas e comunistas, combatendo o machismo, o racismo, a homofobia e a intolerância comum a diversas organizadas.

Alguns fantasmas não vão embora

Pouco antes da Copa do Mundo de 1998, foi muito comentada uma tal de “pirâmide da Copa”, divulgada provavelmente por um jornal inglês (não recordo com exatidão). Segundo ela, a Inglaterra ganharia o Mundial da França por mera “questão geométrica”.

O topo da tal “pirâmide” correspondia à Copa de 1982, vencida pela Itália. No degrau abaixo (à esquerda e à direita), as conquistas da Argentina em 1978 e 1986. Descendo mais um pouco, dois títulos da Alemanha (1974 e 1990). Na sequência, a correspondência entre 1970 e 1994, Copas vencidas pelo Brasil. Logo, o campeão de 1998 seria o mesmo de 1966. Portanto, daria Inglaterra.

Porém, o English Team caiu cedo, nas oitavas-de-final, perdendo nos pênaltis para a Argentina. E aquela Copa, como bem lembramos, foi vencida pela França. A “pirâmide” estava sepultada, como mais uma superstição que perdia o sentido, certo?

Errado! Pois houve coincidências entre as Copas de 1966 e 1998, sim. A primeira delas: suas campeãs (Inglaterra e França) conquistavam o título pela primeira vez, e jogando em casa. Mas teve mais: em ambos os Mundiais seleções estreantes acabaram em 3º lugar e também tiveram o artilheiro – Portugal e Eusébio (1966), Croácia e Suker (1998).

Desta forma, a “pirâmide” continuava em vigor, e apontava que não era preciso toda aquela preocupação com a má campanha brasileira nas eliminatórias do Mundial de 2002: o campeão seria o mesmo de 1962, portanto, o Brasil. E em 2006 a Seleção seria campeã mais uma vez, jogando na Europa da mesma forma que em 1958… Exatamente como o previsto.

Até 2002 tudo funcionou direitinho, mas em 2006 a “pirâmide” foi novamente sepultada: o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final, e a Itália foi campeã. Poderia ser um “ponto fora da reta”, e em 2010 as coisas voltariam ao normal com a Alemanha ganhando a taça, da mesma forma que em 1954. E, de fato, os alemães jogaram muito na África do Sul, mas quem levou a Copa foi a Espanha.

Desta forma, soa absurdo lembrar novamente a “pirâmide”, segundo a qual o campeão de 2014 seria o mesmo de 1950 – ou seja, o Uruguai. Porém, há fantasmas que não vão embora.

Todos temos acontecimentos traumáticos em nossas vidas. Feridas que parecem jamais cicatrizar. Por mais coisas boas que aconteçam, aquele dia em que tudo saiu errado dá a impressão de que sempre está a espreita, pronto para voltar.

Algo assim se passa sempre que brasileiros e uruguaios se enfrentam no futebol: é como se fosse ligada uma máquina do tempo que sempre leva todos (jogadores, torcedores, jornalistas etc.) de volta a 16 de julho de 1950. O Brasil, mesmo com cinco Copas do Mundo conquistadas após aquele dia, ainda sente a dor da derrota em casa. Já para o Uruguai, mesmo nos piores momentos vividos por seu futebol nas décadas de 1990 e 2000, as lembranças daquela vitória davam a sensação de que sí, se puede: se batera uma seleção mais forte e que contava com o apoio de 200 mil pessoas no estádio, nada era impossível.

Nada era, e nada é. Até 2006, provavelmente o maior alento ao sonho uruguaio de voltar a ganhar uma Copa do Mundo era a tal “pirâmide”. Que, como foi dito, “morreu” quando Zidane e Henry acabaram com o Brasil nas quartas-de-final. Vale lembrar que o Uruguai sequer disputou aquele Mundial, tendo sido eliminado pela Austrália na repescagem.

A Celeste voltou à Copa em 2010, novamente via repescagem, quando derrotou a Costa Rica. Ninguém esperava muito, mas os orientales voltaram a acreditar que era possível: o Uruguai passou com dificuldades pela Coreia do Sul nas oitavas-de-final, é verdade, mas superou Gana em uma partida dramática nas quartas e deu trabalho à fortíssima Holanda nas semifinais. Como se não bastasse, Forlán ainda foi eleito o melhor jogador do Mundial.

Em 2011, mais sinais do “renascimento”. Na Libertadores, o Peñarol foi vice-campeão diante do Santos, 23 anos após a última vez que um clube uruguaio chegara à final. Um mês depois, a Celeste conquistou a Copa América na Argentina, e credenciava-se, assim, a obter a classificação para o Mundial de 2014 com facilidade.

Porém, não foi o que aconteceu. Após arrancar bem nas eliminatórias, o Uruguai “patinou”, e chegou a correr riscos de ficar fora da Copa do Mundo. No fim, conseguiu acabar em 5º lugar e disputar a repescagem contra a fraca Jordânia: após vencer por 5 a 0 em Amã, “tirou o pé” em Montevidéu e ficou no 0 a 0. Uma campanha medíocre dessas é sinal de que a Celeste fará figuração na Copa, certo?

Porém, nas eliminatórias para 2010 o Uruguai também não foi lá muito bem (com direito a levar 4 a 0 do Brasil em pleno Estádio Centenário). Ninguém esperava muito, e acabou chegando à semifinal.

E além disso, há o “fantasma” de 1950, que automaticamente transforma a Celeste em candidata ao título. Mesmo que a lógica aponte outras seleções como favoritas (casos de Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha, Itália etc.), a mística tem sua força. De modo que, enquanto o Uruguai estiver na disputa, a possibilidade da taça retornar a Montevidéu não pode ser descartada, de forma alguma.

Por conta disso, a Puma (fornecedora de material esportivo da Celeste) produziu esta genial peça publicitária, em homenagem à classificação uruguaia. A Copa é no Brasil e a final é no Maracanã… Portanto, um fantasma assombra o Mundial: el Fantasma del 50.

Cachorro em campo é vida

O pessoal do Impedimento apoia declaradamente as invasões caninas aos gramados de futebol. Como eles costumam dizer, “cachorro em campo é vida”.

Os cães já entraram em campo diversas vezes. Até mesmo em Copa do Mundo: no Mundial de 1962, no Chile, dois perros invadiram o gramado durante o jogo Brasil x Inglaterra – e um deles driblou ninguém menos que Garrincha.

Na Copa América de 2011, na Argentina, novamente um “cusco” esteve em campo. Foi durante a partida entre Brasil e Venezuela.

E agora, como foi dito no Impedimento, o Campeonato Brasileiro “atingiu sua maturidade”: um cão invadiu o gramado de São Januário no jogo Botafogo x Náutico, sendo ovacionado pela torcida presente.

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Por motivos óbvios, este blogueiro é totalmente favorável às invasões caninas nos campos de futebol. Do contrário, seria obrigação moral trocar o nome do blog…

Três anos do jogaço

Foi nesta terça-feira. Três anos daquele 2 de julho de 2010, em que o Uruguai chegou à semifinal da Copa do Mundo na melhor partida em um Mundial desde 1994. Embora, como disse o Vicente Fonseca via Facebook, “o tempo tenha parado entre a mão de Suárez e a cavadinha de Loco Abreu”.

Sim, Loco Abreu… Piada em 1998 pelo Grêmio, e mito em 2010 com a camisa Celeste.

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E como é regra nos grandes jogos, lembramos onde estávamos naquele momento. No caso, assisti à partida no antigo bar Ritrovo, na Rua da República (dias depois o mesmo lugar estava fechado e não pude assistir à semifinal entre Uruguai e Holanda lá), acompanhado do Hélio Paz. Ao final, todos no bar se abraçaram, celebrando o futebol, esporte em nome do qual tantas barbaridades se faz (como estamos vendo aqui no Brasil), mas que não deixa de ser essa coisa incrível que demonstrou em Uruguai x Gana.

30 anos sem Garrincha

Garrincha

Algum de seus muitos irmãos batizou-o de Garrincha, que é o nome de um passarinho inútil e feio. Quando começou a jogar futebol, os médicos o desenganaram: diagnosticaram que aquele anormal nunca chegaria a ser um esportista. Era um pobre resto de fome e de poliomielite, burro e manco, com um cérebro infantil, uma coluna vertebral em S e as duas pernas tortas para o mesmo lado.

Nunca houve um ponta direita como ele. No Mundial de 58, foi o melhor em sua posição. No Mundial de 62, o melhor jogador do campeonato. Mas ao longo de seus anos nos campos, Garrincha foi além: ele foi o homem que deu mais alegria em toda a história do futebol.

Quando ele estava lá, o campo era um picadeiro de circo; a bola, um bicho amestrado; a partida, um convite à festa. Garrincha não deixava que lhe tomassem a bola, menino defendendo sua mascote, e a bola e ele faziam diabruras que matavam as pessoas de riso: ele saltava sobre ela, ela pulava sobre ele, ela se escondia, ele escapava, ela o expulsava, ela o perseguia. No caminho, os adversários trombavam entre si, enredavam nas próprias pernas, mareavam, caíam sentados.

Garrincha exercia suas picardias de malandro na lateral do campo, no lado direito, longe do centro: criado nos subúrbios, jogava nos subúrbios. Jogava para um time chamado Botafogo, e esse era ele: o Botafogo que incendiava os estádios, louco por cachaça e por tudo que ardesse, o que fugia das concentrações, pulando pela janela, porque dos terrenos baldios longínquos o chamava alguma bola que pedia para ser jogada, alguma música que exigia ser dançada, alguma mulher que queria ser beijada.

Um vencedor? Um perdedor com boa sorte. E a boa sorte não dura. Bem dizem no Brasil que se merda tivesse valor, os pobres nasceriam sem cu.

Garrincha morreu sua morte: pobre, bêbado e sozinho.

(Eduardo Galeano. Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 118-119.)

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Suécia, junho de 1958. Após estrear na Copa do Mundo com vitória de 3 a 0 sobre a Áustria, o Brasil ficou no 0 a 0 contra a Inglaterra. Na última rodada, teria pela frente a União Soviética: apesar de estreante em Copas, tinha Lev Yashin no gol (um dos maiores goleiros de todos os tempos), vinha badalada pela medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Melbourne (1956) e, dizia-se, jogava um “futebol científico”. Se o Brasil perdesse para a URSS e a Inglaterra vencesse a Áustria, estaria eliminado.

A má atuação contra a Inglaterra, somada ao risco de eliminação em caso de derrota, motivou o técnico Vicente Feola a mexer no time para o jogo contra a URSS: saíram Joel, Mazzola e Dino Sani para a entrada de Garrincha, Pelé e Zito. (Por muitos anos se disse que os jogadores teriam procurado o técnico e sugerido as mudanças, fato negado por Zito.)

Na preleção, Feola mostrava como o time deveria se postar para vencer o “futebol científico” dos soviéticos. Foi quando Garrincha manifestou sua curiosidade: “já combinaram com os russos?” – sim, pelo que o técnico dizia seria muito fácil, parecia estar combinado com o adversário… Uma amostra do temperamento um tanto ingênuo que caracterizava o “anjo das pernas tortas”. (Diz-se que quando chegou ao Botafogo para fazer um teste, ninguém acreditava que poderia jogar futebol, até ele dar um drible desconcertante em Nílton Santos, melhor jogador do time – após o lance, o próprio Nílton teria dito “contratem ele agora”.)

Porém, Mané Garrincha não precisava combinar com ninguém. Como “cartão de visitas”, entortou os soviéticos e meteu uma bola na trave de Yashin logo no começo do jogo. Com dois gols de Vavá, o Brasil venceu por 2 a 0 e arrancou para a conquista de sua primeira Copa do Mundo.

Com Pelé e Garrincha jogando juntos, “derrota” foi uma palavra inexistente no dicionário da Seleção Brasileira. Tanto que em 1966 o Brasil caiu na primeira fase da Copa da Inglaterra após uma preparação muito bagunçada, mas na estreia venceu a Bulgária por 2 a 0 – justamente a última partida em que Pelé e Garrincha jogaram juntos. Nos jogos seguintes, duas derrotas por 3 a 1 para Hungria (única vez que a Seleção perdeu com Garrincha) e Portugal eliminaram o Brasil do Mundial.

No Mundial do Chile, em 1962, Pelé se machucou no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia. Mau sinal para o Brasil? Não, pois Garrincha estava com tudo. A Copa de 1962 foi sua. Na semifinal contra os donos da casa, motivou o jornal chileno El Mercurio a perguntar de que planeta teria vindo aquele gênio com duas pernas tortas para o mesmo lado.

Caçado pelos chilenos, acabou expulso ao revidar um pontapé, mas foi liberado pela FIFA para jogar a final contra a Tchecoslováquia (diz-se que a liberação se deveu ao temor de que uma seleção do “bloco soviético” ganhasse a Copa). Nada que manche tudo o que Mané fez naquele Mundial – até porque, com febre de quase 40°C, Garrincha não jogou contra os tchecos o mesmo futebol que já tinha mostrado antes.

Porém, a lenta decadência começou pouco tempo depois da Copa de 1962. Aos hábitos de fugir das concentrações e beber demais (tolerados porque ele barbarizava em campo), somou-se um problema nos joelhos, cuja recuperação não evoluía justamente porque Garrincha não se cuidava. Acabou dispensado pelo Botafogo no final de 1965, foi para o Corinthians e, depois, teve passagens rápidas por vários clubes, sem jogar o mesmo futebol que o consagrara.

Garrincha acabou vitimado por uma cirrose hepática em 20 de janeiro de 1983, fruto de seu excessivo consumo de álcool.