Não tem jeito

Charge do Kayser (2007). Se o Corinthians ganhar a Libertadores, a TV ganha junto...

Semana passada consegui torcer pelo Corinthians (quis ser “do contra” só por ser). Mas hoje, no jogo decisivo, não vai dar.

Não entro nessas de que “o Boca é o Brasil na final da Libertadores”. E nem na visão “global”, que dá tal papel ao Corinthians – afinal, sua torcida é uma das mais apaixonadas do país, mas não corresponde a nem metade dos brasileiros.

Aliás, essa ideia de que “o Corinthians é o Brasil” nem vale só para a Libertadores. Na decisão da Copa do Brasil de 2008, por exemplo, eu tinha a impressão de que Pernambuco era outro país, tamanha a “empolgação” com que os gols do Sport foram narrados.

Não quero nem imaginar o que será assistir televisão (coisa que já faço raramente) caso o Corinthians vença. Quando o Timão foi rebaixado em 2007, lembro que chegaram a transmitir ao vivo um treino do time antes da partida decisiva contra o Grêmio (que acabou empatada em 1 a 1). Agora, já tivemos programas especiais sobre o clube, antes mesmo da bola rolar (esquecem que o Boca adora oba-oba de adversário).

Pelo visto acham que a maioria dos brasileiros é formada por torcedores do Flamengo ou do Corinthians. Os dois clubes têm as duas maiores torcidas, é verdade, mas há um enorme contingente de brasileiros que não torce para nenhum dos dois: as cinco maiores torcidas não correspondem nem à metade da população do Brasil. (E repare que a maioria dos corintianos mora no estado de São Paulo.)

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Do “risco à liberdade de expressão”

A “grande mídia” está em polvorosa devido às declarações de Lula, de que ela tem partido e “será derrotada”. Dizem seus defensores que, com isso o presidente demonstra “não ter apreço à liberdade de expressão”.

O pavor dela se deve mesmo é ao fato de que cada vez menos gente leva a sério o que ela diz. Afinal, por mais que ela insista na balela da “imparcialidade”, é muito fácil perceber que ela faz oposição ao governo Lula. Se assumisse sua posição, poderia não ganhar em credibilidade (eu, por exemplo, não dou crédito às propagandas do PSDB), mas ao menos seria um pouco mais honesta (ou menos desonesta).

Ou seja, o que Lula disse é nada mais do que aquilo que muita gente já percebeu. Simplesmente não existe a tal da “imparcialidade”. Jornais, revistas, rádios, televisões, blogs, todos têm seu lado, sua posição. Seja na política, seja em outras questões, como o futebol: sempre há a reclamação de que as transmissões de jogos em rede nacional são tendenciosas, e de fato elas são, como prova irrefutável temos a final da Copa do Brasil de 2008.

Mas, a afirmação de que há ataques à liberdade de expressão no Brasil também não pode ser considerada uma mentira. Só é preciso mostrar onde e como estes ataques acontecem. Como no caso do injusto processo que sufoca o Jornal Já – sobre o qual a “grande mídia”, tão “imparcial” e preocupada com o “risco à liberdade de expressão”, não fala, por que será?

Um debate que sempre deve ser promovido

Conforme o prometido em resposta ao comentário do Carmelo Cañas na postagem anterior, continuo com a discussão acerca de alguns fatos ocorridos na Vila Belmiro na última quarta-feira, quando Santos e Grêmio se enfrentaram pela Copa do Brasil.

Ele me contestou acerca da crítica aos torcedores que cantaram o Hino Riograndense enquanto era tocado o Hino Nacional Brasileiro, antes da partida. Lembrou algo que, de fato, acontece: em geral, no chamado “eixo Rio-São Paulo” há quem parece esquecer que nós aqui do Rio Grande do Sul também somos brasileiros, e assim cantar o hino do Estado enquanto era executado o Nacional se justificaria como “protesto”. É um argumento que merece ser levado em conta, claro, mas ainda acho mais interessante respeitarmos para que sejamos respeitados. E aí, se eles não respeitarem, temos um argumento mais a nosso favor.

Porém, no mesmo comentário, o Carmelo falou sobre algo ainda mais grave, e isso sim, merece nosso absoluto repúdio: os gritos de “filhos de nordestinos” de (alguns, diga-se de passagem) gremistas para santistas, como se isso fosse ofensa. O que me faz pensar mais acerca dos preconceitos regionais: somos nós, aqui no Rio Grande do Sul, os mais discriminados?

Se no “eixo Rio-São Paulo” há quem esqueça que o Rio Grande do Sul é Brasil, há tanto lá como aqui gente que dá a impressão de não considerar nortistas e nordestinos como brasileiros. E quando falamos mal da Globo por “só torcer contra os nossos times”, não podemos esquecer de uma das narrações mais escandalosas da história do futebol brasileiro: na partida decisiva da Copa do Brasil de 2008, Cleber Machado narrou o segundo gol do Sport contra o Corinthians como se tivesse sido marcado por um clube estrangeiro.

Enfim, entendo as reclamações aqui no Rio Grande do Sul quanto a “desprestígio” no centro do país (inclusive minha “monstrografia” de conclusão de curso falou justamente disso – e no futebol!). Mas antes de “chiarmos”, acho uma boa ideia verificarmos se nós mesmos não cometemos os atos que criticamos quando são contra nós.

Burrice global

No documentário “Muito além do Cidadão Kane”, que fala sobre o poder da Rede Globo no Brasil, Armando Nogueira, que trabalhava como chefe de jornalismo lá na época da eleição presidencial de 1989, disse que a edição do resumo do último debate antes do 2º turno, excluindo bons momentos de Lula e mostrando apenas os de Collor, foi “burra”, e que ele não deixaria que fosse ao ar se a tivesse visto.

O mesmo se aplica ao que aconteceu ontem (isso na visão de Armando Nogueira, pois para mim a edição do debate de 1989 foi manipulação pura e simples). Quando eu soube que o jogo Vitória x Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, seria às 4 da tarde, pensei: “ótimo, vai passar na TV aberta” (visto que, em geral, os jogos às 6 e meia da tarde/noite nos domingos só passam no pay-per-view, que eu não tenho em casa). Quando chamei um amigo para ver o jogo aqui, ele disse que ia passar Santos x Corinthians na Globo. Achei que ele estava errado, porque Vitória x Grêmio era às 4 da tarde, logo, seria essa a partida transmitida, pelo menos para o Rio Grande do Sul. Resolvi esperar para ver: não queria ir para um bar porque, como tinha de terminar a revisão de um artigo – cujo prazo de envio via e-mail encerrava ontem -, não achava uma boa ideia beber cerveja (mesmo com frio eu tomaria, ainda mais estando num buteco) e depois terminar a revisão de um texto acadêmico.

Na hora do jogo, liguei a televisão e… Passava Santos x Corinthians na Globo!

Suprema burrice da Globo. Não por causa de “birra contra gaúcho” e o escambau (até porque nunca vi nada igual à narração do 2º gol do Sport na final da Copa do Brasil de 2008, parecia que era gol de um time estrangeiro: pelo jeito a “plim plim” esqueceu que Pernambuco é Brasil). A Globo foi burra comercialmente mesmo. Tivesse transmitido Vitória x Grêmio, pelo menos para o Rio Grande do Sul, teria tido muito mais audiência por aqui do que com Santos x Corinthians.

Falo de audiência de verdade: muita gente deve ter deixado a televisão ligada, mas sem volume, para ouvir o jogo do Grêmio no rádio. Considerando que muita gente só olharia para ela quando saísse algum gol – ou seja, os anúncios feitos ao longo da transmissão do futebol não atingiram a maioria da audiência no Rio Grande do Sul, ainda mais que o único gol (infelizmente, foi do Vitória…) saiu no apagar das luzes.

Tudo bem que a audiência no Rio Grande do Sul não é tão grande quanto em Estados mais populosos. Mas que foi burrice da Globo, foi.

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Outra coisa que me tira do sério em relação ao futebol brasileiro, é a questão dos horários dos jogos. Nesse caso, todos os envolvidos – televisão (Globo), CBF e clubes – têm sua parcela de culpa.

A rodada de ontem foi emblemática. Vitória x Grêmio, na sempre quente Salvador, foi às 4 da tarde (e sem transmissão para cá!). Inter x Avaí, na ontem gélida Porto Alegre (e o Beira-Rio, segundo o meu irmão, consegue ser ainda mais frio por causa do vento forte da beira do Guaíba), foi às 6 e meia da noite (sim, porque 6 e meia só é “da tarde” durante o verão). E o pior de tudo são os jogos às 10 da noite, no meio da semana, por causa daquela bosta de novela.

O torcedor, como sempre, que se lixe, na visão dos manda-chuvas do futebol brasileiro. Que compre o pacote do pay-per-view e assista o jogo em casa. Ou, se quiser ir ao estádio, aguente calorão, frio cortante… E chegue em casa na madrugada de quinta-feira, depois de gastar uma nota em táxi porque não tem mais ônibus.

Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.

Um mês inexistente

No calendário, o tempo passou. Desde 9 de abril, já temos 26 dias. Que serão 31 no próximo sábado, dia 10 de maio, quando o Grêmio entrar em campo no Morumbi diante do atual bicampeão brasileiro, o São Paulo.

Mas, para o Grêmio, é como se não tivesse existido este período. Foi exatamente o que disse o Guga Türck: um mês jogado no lixo. Quando André Krieger assumiu o futebol tricolor, 10 em cada 10 gremistas esperavam mudanças, depois de duas eliminações seguidas dentro do Olímpico: no dia 6 de abril, derrota para a ex-filial* Juventude quando o empate servia para seguir adiante no Gauchão; e no dia 9, adeus à Copa do Brasil diante do Atlético-GO. Aquela semana foi tão terrível que me desanimou a ponto de passar mais de 20 dias sem sequer tocar no assunto “futebol” aqui no Cão.

Porém, para a incredulidade dos gremistas, optou-se pelo “mudar não mudando”, filosofia do nosso rival há 10 anos atrás – e que por isso esperou até 2006 para ganhar um título de verdade. Quando decidiu-se pela permanência de Celso Roth, na hora previ: ou a direção o manterá com convicção e defendendo-o da enxurrada de críticas em caso de mau começo no Campeonato Brasileiro, ou o demitirá caso o Grêmio comece mal, fazendo com que um mês de preparação para o Brasileirão não tenha servido para nada.

Pois se é para mandar embora Celso Roth, era melhor tê-lo feito logo após a eliminação da Copa do Brasil: o treinador que assumisse teria um mês para preparar o time. Quem quer que assuma agora – caso Roth seja realmente demitido – precisará fazer ajustes com o Brasileirão em andamento, o que nunca é simples. Porém, caso Roth fique, terá de lidar com uma alta rejeição da torcida, o que também não é fácil.

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* Perco qualquer coisa, menos a piada: precisando de dinheiro, o Grêmio vendeu sua filial ao Internacional. Prova disso é que em 2008 o Juventude detonou o Grêmio e na “hora H” abriu as pernas para o Inter.

Touca

Se a “touca” do Inter é o Juventude, a do Grêmio é, definitivamente, o Estádio Serra Dourada em Goiânia. A última vitória gremista por lá foi em um amistoso contra o Vila Nova em 1997; em se tratando de jogos oficiais, a última vez que o Grêmio saiu vitorioso de lá foi em 5 de dezembro de 1996, quando derrotou o Goiás por 3 a 1, na primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro que seria vencido pelo Tricolor. Desde então, no máximo o que o Grêmio conseguiu no Serra Dourada foram empates. E em quatro oportunidades, acabou goleado pelo Goiás.

Ontem o adversário era o Atlético-GO, atual campeão goiano. Em termos de qualidade, o time não é muito diferente do Grêmio. E, como jogava no Serra Dourada, venceu. O Tricolor começou o jogo melhor, mas quando o Atlético teve sua primeira chance de gol, em um contra-ataque, marcou. Dali em diante, o Grêmio passou a jogar mal, de uma forma até irritante.

O futebol ruim continuou no segundo tempo, quando o Atlético chegou ao 2 a 0. Algo que não dava para entender era o porquê das cobranças rasteiras de escanteios: o time insistia nisso, assim os zagueiros subiam para cabecear uma bola que nunca chegava e o adversário levava mais perigo nos contra-ataques, com a defesa gremista desarrumada. Menos mal que no final o Grêmio descontou com Roger, e assim basta uma vitória de 1 a 0 quarta que vem.

Mas isto comprova o que eu já tinha lido no Alma da Geral: não dá para usar o Gauchão como parâmetro para a qualidade do time. O estadual deste ano está muito ruim, o Grêmio sobrou na primeira fase por isso. E foi só pegar um time melhor do que o Jaciara e os adversários no Gauchão para o Tricolor patinar.

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E por falar em “maldição do Serra Dourada”, foi com Celso Roth, em 2000, que o Grêmio conseguiu a façanha de abrir 2 a 0 no Goiás, se retrancar todo e deixar o adversário empatar o jogo.

Celso Roth, de novo, no Grêmio

Nas duas vezes que assumiu o Grêmio (1998 e 2000), Celso Roth tirou o time da lanterna e levou às finais do Brasileiro. Mas foi um retrancão… A ponto de estar vencendo por 2 a 0 o Goiás em pleno Serra Dourada, retrancar-se ainda mais e deixar o adversário empatar.

Mas, para explicar a demissão de Vagner Mancini, há duas hipóteses.

Primeiro, que a direção gremista apostou em Mancini e decidiu mandá-lo embora devido às más atuações fora de casa e, principalmente, contra o Jaciara. Ou seja: uma total falta de convicção, já que estamos recém em fevereiro – ou seja, o time ainda está em fase de montagem -, o Grêmio faz boa campanha no Gauchão e, pasmem, não perdeu nenhum jogo! Sem contar que treinadores que deram muito certo no Grêmio – como Felipão, Tite e Mano Menezes – começaram mal, mas tiveram tempo para trabalhar e entrarem para a história do clube.

Mas não creio que seja por questões técnicas. Só pode ser desentendimento entre treinador e direção. Esses dias, Vagner Mancini disse em entrevista que não aceita intromissões de dirigentes em seu trabalho – em referência ao acontecido no Vasco, onde Romário pediu demissão por não aceitar que Eurico Miranda se metesse na escalação do time. Certamente as palavras de Mancini não agradaram aos dirigentes gremistas, que esperaram aparecer a primeira oportunidade para poder mandar embora o técnico. Sem contar que não é a primeira vez que algo assim acontece no Grêmio: em 1993, Cassiá ia bem no comando do time, mas se desentendeu com o Cacalo (então vice de futebol) e foi demitido. Pelo menos depois veio o Felipão…

Agora, é esperar para ver se Roth se sairá bem ao assumir o Grêmio num momento “não-crítico”. Pois não há crise alguma no clube agora, diferentemente de 1998 e 2000. Bom, a não ser que a imprensa crie uma, vide episódio das “ovelhinhas” de 2003, que se tornou crise graças à Zero Hora – e a partir dali o Grêmio desandou.

Grêmio 2008

Tenho acompanhado em outros blogs (e principalmente no Alma da Geral) a preocupação da torcida gremista com o início de ano do clube. E não é para menos. Nos dois jogos-treinos realizados até agora em 2008, o desempenho é péssimo. 3 a 0 no amador Flamengo de São Valentim (que ano passado levou 9 a 0), e ontem, só 1 a 0 no também amador São Paulo de Bento Gonçalves, fizeram a torcida perder a paciência e vaiar o time.

Isso não é pouco, considerando que em 2007 aconteceu o mais perfeito casamento entre time e torcida que já vi, e olha que já fazem mais de 10 anos que freqüento o Olímpico. Era emocionante ver o time entrar em campo e ser recebido como era pela Geral. Na final da Libertadores, a torcida cumpriu o que era prometido num vídeo de arrepiar que eu postara uma semana antes, e deu o maior espetáculo que já vi em um estádio de futebol.

E olha que o Grêmio tinha uma tarefa gigantesca pela frente, de precisar fazer 4 gols de diferença no Boca: mesmo com a derrota de 2 a 0, o Olímpico aplaudiu o time, simbolizando que a união continuaria mesmo com a perda do título tão sonhado.

E realmente continuou, desta vez para levar o time à Libertadores de 2008, mas a vaga não veio, e o time vice-campeão sul-americano se desmanchou. Pior: perdeu jogadores que não precisava perder, como William, que desejava ficar no Grêmio mas foi mandado para o Corinthians como pagamento de uma dívida antiga. Teco se machucou, e agora a defesa gremista terá de contar com o fraquíssimo Pereira.

Quanto ao Diego Souza, seria bom se ele permanecesse, mas acabou tornando-se muito caro. E depois de uma longa novela, acabou indo para o Palmeiras.

Do jeito que andam as coisas, o time dependerá ainda mais da torcida em 2008 para manter a hegemonia estadual e almejar alguma coisa no Campeonato Brasileiro, ou para brigar pelos títulos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. O problema é que a pré-temporada não é nada empolgante. E para que a união entre time e torcida volte a acontecer, é preciso uma identificação maior entre jogadores e torcedores – e atletas que tinham essa identificação, como Saja, Gavilán (sacado do time graças à estúpida contratação de Hidalgo), William e Sandro Goiano, foram embora.

Vamos esperar para ver. Espero que eu morda minha língua e 2008 seja um grande ano para o Tricolor. Porque, por enquanto, acredito que o Brasileirão não se resumirá a briga para não cair porque o futebol brasileiro está nivelado por baixo, a maioria dos times são muito ruins.