Renato Portaluppi

Eu não era favorável à contratação de Renato Portaluppi para treinar o Grêmio. Ainda não o acho um bom treinador.

Todos lembram que o Fluminense foi campeão da Copa do Brasil de 2007 e vice da Libertadores de 2008 com Renato na casamata. Mas depois da derrota na decisão contra a LDU, o Flu, que já estava mal no Campeonato Brasileiro, continuou mal. Renato não conseguiu fazer o time reagir e acabou demitido para, ao final do ano, assumir o Vasco que desabou para a Série B. Em 2009, Renato voltou ao Tricolor carioca, que estava ainda pior que em 2008, e não durou muito tempo – no final, foi Cuca (com uma boa ajuda de Fred, é verdade) que conseguiu “a la Grêmio 2003″ manter o Fluminense na elite.

Renato é o maior ídolo da torcida do Grêmio – ai é que está o problema. É amado até por aqueles gremistas cujos pais sequer se conheciam no glorioso 11 de dezembro de 1983. Ao assumir a casamata tricolor, Renato arrisca sua condição de “deus”, para tornar-se, em caso de uma sequência de maus resultados, o “burro”.

Mas, ao mesmo tempo, também pensei em algo: Renato poderia muito bem ter optado por permanecer no Bahia, onde ele não tem “um passado a prezar” (já que sua história lá se restringe a 2010 – no Tricolor baiano a única pressão se deveria ao fato de um clube com tanta tradição e uma torcida apaixonada estar há tanto tempo longe da Série A) e também está sempre perto da praia – que ele tanto gosta -, ainda mais numa cidade como Salvador, onde é verão o ano inteiro. Mas aceitou vir para Porto Alegre, no inverno (que para mim está no mesmo nível de idolatria que Renato, mas sei que muita gente pensa diferente…), para tirar seu clube do coração da má fase que enfrenta. Renato sabe que corre o risco de ser chamado de “burro” pela mesma torcida que tanto o idolatra, caso não dê certo.

Isso quer dizer então que Renato terá sucesso no Grêmio? Claro que não – é preciso esperar para ver. Mas ele demonstrou que não teme o risco de “manchar” sua gloriosa história no Tricolor.

E, se eu acho que Renato não deveria ser contratado devido ao que escrevi no começo do post, ao mesmo tempo espero, em dezembro, ser esculachado por conta dessas mesmas linhas, devido à reação do Grêmio no Campeonato Brasileiro e ao possível título da Copa Sul-Americana – afinal, quem é gremista torce para que o Grêmio ganhe sempre, e não para que tudo dê errado apenas por não gostar de determinado dirigente ou para não ter de dar o braço a torcer.

Dá-lhe, Renato!

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Conta outra, Botafogo!

Teve grande destaque na mídia esportiva a final da Taça Guanabara (1º turno do Campeonato Carioca), na qual o Flamengo bateu o Botafogo de virada por 2 a 1. Os jogadores do time alvi-negro reclamaram muito da arbitragem, e o presidente, Bebeto de Freitas, renunciou. Houve até pedidos para que os botafoguenses deixassem de ir aos jogos do Campeonato Carioca, em protesto contra as “seguidas roubalheiras” das quais o Botafogo seria vítima.

Certamente qualquer botafoguense vai lembrar do “roubo” na semifinal da Copa do Brasil do ano passado, quando o Botafogo teve dois gols anulados contra o Figueirense – que levaram a bandeirinha Ana Paula Oliveira para a “geladeira” – em que um dos lances era tão difícil que dependia unicamente da interpretação da auxiliar, e ela entendeu que havia impedimento.

Mas eles deviam lembrar de outras duas oportunidades em que os árbitros foram muito amigos. Para ser “roubado” na semifinal da Copa do Brasil de 2007 contra o Figueirense, o Botafogo precisou de uma baita mãozinha de Carlos Simon, que não marcou um pênalti claríssimo a favor do Atlético-MG no final do segundo jogo das quartas-de-final, no Maracanã.

Sem contar o maior título da história do clube, o Campeonato Brasileiro de 1995. No segundo jogo da decisão contra o Santos, no Pacaembu, o Botafogo saiu na frente com um gol irregular de Túlio, cujo impedimento não foi assinalado. O gol de empate do Santos também foi irregular, mas o Peixe teve um gol legalíssimo anulado, que lhe daria o título independentemente das cagadas de Márcio Rezende de Freitas.

Portanto, conta outra, Botafogo!