Cachorro em campo é vida

O pessoal do Impedimento apoia declaradamente as invasões caninas aos gramados de futebol. Como eles costumam dizer, “cachorro em campo é vida”.

Os cães já entraram em campo diversas vezes. Até mesmo em Copa do Mundo: no Mundial de 1962, no Chile, dois perros invadiram o gramado durante o jogo Brasil x Inglaterra – e um deles driblou ninguém menos que Garrincha.

Na Copa América de 2011, na Argentina, novamente um “cusco” esteve em campo. Foi durante a partida entre Brasil e Venezuela.

E agora, como foi dito no Impedimento, o Campeonato Brasileiro “atingiu sua maturidade”: um cão invadiu o gramado de São Januário no jogo Botafogo x Náutico, sendo ovacionado pela torcida presente.

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Por motivos óbvios, este blogueiro é totalmente favorável às invasões caninas nos campos de futebol. Do contrário, seria obrigação moral trocar o nome do blog…

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Uruguai, o maior da América

Foi incontestável. O Uruguai praticamente não deu chance ao Paraguai: marcando o primeiro gol cedo, com Suárez aos 11 minutos de jogo, impôs aos guaranis a necessidade de algo que estavam pouco acostumados a fazer nesta Copa América: ter de correr atrás do prejuízo – só saíram perdendo contra Brasil e Venezuela, na primeira fase (aliás, em nenhum jogo o Paraguai saiu na frente).

O técnico uruguaio Oscar Tabárez fez jus ao apelido de maestro, e mandou a Celeste para o ataque, de modo a abrir o placar o mais rápido possível. Deu certo, e poderia ter sido ainda mais cedo, se o árbitro brasileiro Sálvio Spinola tivesse marcado o pênalti cometido por Ortigoza, que com o braço impediu o primeiro gol uruguaio antes dos 5 minutos de jogo. À frente no placar, o Uruguai controlou a partida com tranquilidade, sendo raramente ameaçado pelo Paraguai. E ao invés de se preocupar apenas em segurar o resultado, continuou buscando o gol e demonstrando garra. Chegou ao 3 a 0 com dois de Forlán, mas poderia ter sido mais.

Por falar em garra, vejo nesta grande conquista uruguaia (que também faz da Celeste Olímpica a maior vencedora da Copa América, com 15 títulos) uma lição para o Grêmio. Nos últimos tempos, muitos torcedores (e mesmo dirigentes) passaram a achar que “ter garra” era apenas dar pontapé. Como bem lembra Eduardo Galeano:

No futebol uruguaio, a violência foi filha da decadência. Antes, a garra charrua era o nome da valentia, e não dos pontapés. No Mundial de 50, sem ir mais longe, na célebre final do Maracanã, o Brasil cometeu o dobro de faltas que o Uruguai. (Eduardo Galeano. Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 206.)

Repararam na semelhança com o que aconteceu com o Grêmio? A garra que tinha aquele Grêmio dos anos 90 não era “violência”, embora a mídia do eixo Rio-São Paulo tanto batesse nessa tecla, provavelmente por inveja de tantas conquistas gremistas. (Inclusive, lembro que em novembro de 1996 a revista Placar publicou o resultado de pesquisa que elegeu o jogador mais violento do Campeonato Brasileiro daquele ano, com base nos votos dos próprios atletas que disputavam a competição: apesar de Dinho ter ficado em 2º lugar – mesmo sem ter sido expulso nenhuma vez naquele campeonato -, os outros sete jogadores que ficaram entre os oito primeiros eram de Corinthians, Flamengo e Vasco; e o mais votado foi o volante Mancuso, do Flamengo – time cujos jogadores receberam o maior número de votos, ou seja, foi o “campeão da pancadaria”).

Tabárez fez mais uma jogada de maestro ao fazer o Uruguai praticar o “jogo limpo”: a Celeste, além de ser campeã, também recebeu o prêmio de fair play da Copa América 2011. O que não significou o abandono da garra, até mesmo quando o time estava à frente no placar: contra o Paraguai, mesmo quando venciam por 2 a 0, os uruguaios não deixaram de disputar a posse de bola. (Aliás, nesse Uruguai campeão até Suárez e Forlán têm de brigar pela bola, marcar o adversário… Lembram que Renato Portaluppi disse que “craque não precisa marcar”, para “justificar” a displicência de Douglas?)

Era algo assim que o Grêmio praticava nos anos 90. E por isso era tão vencedor: embora às vezes seja necessário parar o jogo com algumas faltas, cometê-las em excesso resulta em mais chances de gol para o adversário. Ou seja, só “dando porrada” pode-se até ganhar jogos, mas dificilmente contra times de grande qualidade, principalmente fora de casa. E aí é difícil ser campeão de algo realmente importante.

Um campeão de empates? Por favor, não…

Considerando a campanha do Paraguai até agora nesta Copa América, não teria medo de apostar em mais um empate na tarde de hoje. E assim a Albirroja poderá, ironicamente, ser campeã invicta, mesmo sem ganhar nenhum jogo…

Não chega a ser algo inédito uma seleção ir longe num campeonato só empatando. Em 1990, a Irlanda chegou até as quartas-de-final da Copa do Mundo com quatro empates: três na primeira fase, e nas oitavas-de-final eliminando a Romênia nos pênaltis; nas quartas, os irlandeses não conseguiram empatar mais uma, e foram eliminados pela anfitriã Itália com uma derrota de 1 a 0 (curiosamente, na Copa seguinte as duas seleções se enfrentaram na estreia e a Irlanda devolveu o placar). No Mundial de 1998, Chile e Bélgica tiveram campanhas semelhantes, mas não a mesma sorte: ambas empataram os três jogos da primeira fase, mas os chilenos se classificaram, e os belgas voltaram para casa. Já ano passado, com três empates na primeira fase a Nova Zelândia fez história: apesar de não ir adiante na Copa, foi a única seleção invicta e certamente tirou pontos de todos os que participaram de bolões.

Mas campeão só empatando os seis jogos, que eu saiba, nunca se viu. E espero não ver hoje. Pelo bem do futebol e de minha querida Celeste Olímpica. VAI URUGUAI! (E não me importarei se for nos pênaltis, como naquele jogo com Gana. Tá na hora do Paraguai perder uma desse jeito…)

Recorde mantido

O goleiro Justo Villar foi o principal responsável pela classificação do Paraguai às semifinais da Copa América. Fez grandes defesas, impedido que o Brasil vencesse com a bola rolando. Mas ele podia ter se consagrado ainda mais, e não teve chance graças à péssima pontaria brasileira.

De todos os quatro pênaltis perdidos pelo Brasil, apenas um parou nas mãos de Villar. Os outros foram para fora. O goleiro paraguaio só alcançaria aquelas bolas se tivesse uns 30 metros de altura…

Enquanto isso, na Romênia, Helmuth Duckadam sorri: seu recorde de defender quatro pênaltis seguidos ainda não foi igualado. Em 7 de maio de 1986, o portar romeno foi o herói do Steaua Bucureşti na final da Liga dos Campeões da Europa: vitória sobre o Barcelona nos pênaltis por 2 a 0, após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação (igual a esse Brasil x Paraguai). Só que como os jogadores do Barça não eram tão ruins de pontaria, acabaram consagrando Duckadam.

Quase o gol contra mais bizarro dos últimos tempos

Foi no jogo Uruguai x Chile, pela Copa América. O “lance de soccer” começa aos 25 segundos do vídeo abaixo: o jogador uruguaio vai dar um chutão na bola, e… Olha o que (quase) acontece.

Cão na Copa América 2011

Resumo de uma reunião que tive dois meses atrás, com um amigo argentino:

Vou expandir o Cão Uivador, torná-lo um blog multinacional. Mas para isso, é preciso divulgar melhor a marca, e vejo a Copa América como oportunidade ímpar. Portanto, faça isso durante algum jogo, e terás direito aos lucros advindos da sucursal argentina.

Taí o resultado:

Descritério, também conhecido como “Conmebol”

Quando foi divulgada a tabela da Libertadores de 2011, o jogo Grêmio x Júnior Barranquilla estava marcado para amanhã, às 22h. Muito tarde para o torcedor voltar para casa depois. Aí, a Conmebol decidiu mudar o dia e o horário: a partida passou para a quinta-feira, 7 de abril, às 20h15min. “Perfeito”, pensei. Afinal, não é cedo demais para quem trabalha até o final da tarde ir ao Olímpico, nem tarde demais para ir embora.

Mas então, sabe-se lá o motivo, houve nova mudança. O jogo foi mantido na quinta, mas o pontapé inicial foi antecipado para às 19h15min. O gremista que trabalha até o fim da tarde terá de se desdobrar para ir ao Olímpico, ainda mais com o caótico trânsito de Porto Alegre, que só piora.

Obviamente não temos como concorrer com a Europa em termos financeiros, mas por que não copiá-los ao menos no quesito “organização”? Pois a Liga dos Campeões não é apenas um torneio milionário, como também muito bem organizado. Não tem essa história de trocar horário de jogo tantas vezes, nem de “clube convidado”, como se viu na Libertadores do ano passado, quando os mexicanos Chivas Guadalajara e San Luis não só participaram por convite, como entraram direto nas oitavas-de-final (se bem que isso também foi fruto do que aconteceu em 2009, quando a Conmebol prejudicou os clubes mexicanos por conta da gripe A, que começou a ser noticiada no México).

Mas, não bastasse a falta de critérios compreensíveis na organização do principal torneio de clubes da Conmebol, ela também atinge a competição de seleções organizada pela entidade, a Copa América. E não é de agora.

Desde 1993, o torneio é disputado por doze seleções: as dez integrantes da Conmebol, mais duas convidadas. Geralmente, fazendo jus ao nome de “Copa América”, os convites eram dirigidos a seleções da Concacaf (ou seja, também da América). Só que na edição de 1999, no Paraguai, a Conmebol decidiu inovar: convidou o México e o Japão. Motivo? Sei lá, vai ver descobriram que o arquipélago japonês era ligado ao continente por um istmo (igual à Sbórnia) e acabou se desgarrando, indo parar lá junto à Ásia… Nada contra a seleção do Japão – que apresentou bom futebol na última Copa do Mundo, se classificando com toda a justiça para as oitavas-de-final – mas sua competição continental é a Copa da Ásia (que, aliás, conquistou em janeiro passado).

Em 2011, novamente o Japão participaria da Copa América. Mas, por conta do catastrófico terremoto que atingiu o país no mês passado, a seleção nipônica desistiu do torneio. Para ocupar a vaga dos japoneses na competição que será disputada em julho na Argentina, imaginei que a Conmebol chamaria alguma seleção da Concacaf. Opções não faltam: Costa Rica (que disputou três das últimas seis Copas do Mundo), Estados Unidos (cujo futebol melhorou muito nos últimos anos), Honduras (que em 2001 ficou em 3º lugar na Copa América, com direito a vitória histórica de 2 a 0 sobre o Brasil nas quartas-de-final) etc. Até poderia haver uma novidade, com Guiana ou Suriname disputando o torneio – apesar de serem países sul-americanos, suas seleções jogam pela Concacaf.

Mas não. A Conmebol pensa em convidar a Espanha… Tudo bem, em termos de qualidade do futebol, seria um GRANDE ganho para a competição ter a atual campeã mundial. Mas, por que raios de motivos não convidar uma seleção da América, se o torneio é “Copa América”???

Bom, se a Espanha for jogar a Copa América, faço coro à proposta do Vicente Fonseca no Facebook: em troca disso, que o Uruguai dispute a Euro 2012 (de preferência, decidindo o título com a Romênia). Quero só ver se a UEFA toparia dar uma de Conmebol.