Façanha boliviana

A última vez que torci mesmo pela Seleção Brasileira foi na Copa de 1994. Não era o futebol mais adorado pela torcida, mas eu ainda me identificava com o time. Talvez pelo fato de que fazia tanto tempo que o Brasil não era campeão.

Depois, comecei a sentir antipatia pela equipe – o Zagallo certamente colaborou muito com isso. E uma das vezes que mais torci contra foi justamente num Brasil x Bolívia, em 1997: Zagallo convocou Paulo Nunes para a Seleção, deixando-o no banco de reservas durante praticamente toda a Copa América, enquanto no Grêmio ele teria sido utilíssimo, e talvez o Tricolor tivesse passado pelo Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores se o “diabo loiro” estivesse à disposição da equipe. Na decisão do título da Copa América contra os bolivianos em La Paz a altitude não foi tão decisiva, o Brasil fez 3 a 1 e eu tive uma congestão: afinal, engolir o Zagallo não é fácil…

Na Copa de 2002 ainda torci por causa do Felipão, mas sem a mesma intensidade de 1994. Depois, nunca mais. Ainda mais que a Seleção deixou de ser realmente brasileira, jogando apenas na Europa e às vezes nos Estados Unidos, e com raras convocações de jogadores que atuem no Brasil. O time busca apenas atender a interesses econômicos: os amistosos são disputados onde se paga mais pela presença da marca CBF do Brasil, e não com os atletas tendo contato com a torcida brasileira, em seu país.

Por isso, adorei ver a CBF o Brasil empatar em 0 a 0 com a Bolívia, em um Engenhão cheio… De espaços vazios nas arquibancadas. Botaram ingressos caros para ver essa farsa que dizem representar o país.

Quem realmente representa o Brasil são os atletas olímpicos e paraolímpicos, que até sem ganhar medalhas são vencedores, já que conseguem competir mesmo sem o menor incentivo. No futebol, a Seleção Brasileira Feminina consegue ser vice-campeã mundial e olímpica representando um país sem um campeonato nacional da modalidade.

Já esse time que a mídia insiste em chamar de Seleção Brasileira… Quero mais é que fique fora da Copa de 2010. Quem sabe assim aconteça alguma mudança profunda que faça esse time voltar a representar realmente o Brasil.

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