Discussão religiosa

Algo que a vida me ensinou: nunca se meta a discutir religião. Nunca. Jamais.

A probabilidade de conseguir mudar a opinião da outra pessoa tende a zero. Não creio na existência de algum Deus. Se ela acredita, não será numa simples conversa que mudará de ideia.

Minhas convicções nem sempre foram as de hoje. E não passei a defendê-las após uma conversa de bar ou após a janta. O que nos leva à mudança, cada vez mais creio, é a leitura. Coisa nada simples, que não se faz “numa sentada”.

Obviamente é bom ir a um bar trocar ideias. E reparem no termo: “trocar ideias”. Pedir opiniões. Ir sem muitas certezas, a não ser que estas sejam muito bem fundamentadas. Então é bom estar pronto para defendê-las, de preferência indicando leituras à outra pessoa. Melhor do que querer, na marra, “ganhar o debate” já na mesa do bar.

Agora, sobre as religiões já dei várias vezes minha opinião: não gosto de nenhuma. Vale a pena debater, “brigar”, é pelo Estado laico, de forma a que ninguém tenha sua liberdade tolhida por conta de questões religiosas. Agora, discutir se existe ou não algum deus, é algo que não leva a lugar algum: de forma semelhante às minhas convicções, minha fé foi embora por meio da leitura. Não serão duas horas num bar que farão ela voltar – ou farão meu interlocutor tornar-se ateu. Melhor indicar-lhe bons livros.

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“Rabugentos”, mas autênticos

Via Facebook, descobri por esses dias um texto que falava sobre uma pesquisa feita na Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália). Segundo ela, pessoas mal-humoradas são mais atentas, menos influenciáveis e mais cuidadosas na hora de tomar decisões. Ou seja, o mau humor faz bem ao cérebro!

É verdade que costumo ficar com um pé atrás em relação a essas pesquisas. Afinal, não raro me aparecem umas dizendo que a chegada da primavera deixa as pessoas mais alegres – quando sinto exatamente o contrário, e fico feliz mesmo é quando chega o outono. E já que falei do tempo, não custa nada lembrar que o calor infernal que faz em Porto Alegre no verão me deixa de mau humor. E não faço questão nenhuma de esconder isso – o que me rende uma certa fama de “rabugento”, para a qual eu “cago e ando”.

Obviamente não é só o calorão infernal que me deixa de mau humor. O Natal, por exemplo, mesmo que fosse no inverno (aliás, como é no hemisfério norte) eu detestaria. Mas é fato que não tenho o hábito de “sorrir para a foto”*, de fingir felicidade quando na verdade estou triste ou irritado. Inclusive, já fui chamado de “ranzinza” mas também de “autêntico” pela mesma pessoa. E não acho que isso seja por acaso.

Afinal, o “chato” muitas vezes é a pessoa que não se importa em ser a única discordante em um grupo. Claro que há aqueles que discordam só para serem “do contra”, mas há também os que têm convicções e não se importam de defendê-las nem que tenham de ir na contramão de todos à volta. Não deixarão de dizer o que consideram necessário só porque isso “desarmonizaria” o grupo, justamente por não se sentirem confortáveis com uma “harmonia” que tende à homogeneização, sufoca as diferenças.

E o mesmo vale para o “humor do dia”. O dito “normal” é todos se sentirem “felizes” em épocas como NatalCarnavalverão… É só manifestar desagrado, e pronto: lá vêm os rótulos. E o pior é que não falta pessoas às quais certas épocas “felizes” (principalmente o Natal) sejam um tormento, mas que preferem o fingimento à autenticidade, só para não serem chamadas de “rabugentas”.

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* É coisa muito rara achar uma fotografia em que estou sorrindo. Ainda mais que uma vez fui sorrir para uma foto e fiquei com a cara mais ridícula de todos os tempos. Depois daquela, nunca mais forcei porra nenhuma de sorriso!