Desalento pelo Grêmio

Quinta-feira, o Conselho Deliberativo do Grêmio decidiu por não desarquivar o processo de expulsão do ex-presidente do clube José Alberto Guerreiro do quadro de conselheiros. A justificativa é de que, quando do arquivamento em agosto de 2007, Guerreiro não havia sido condenado judicialmente pelo crime pelo qual era acusado (estelionato). A reabertura do processo estava condicionada à sentença condenatória.

Pois Guerreiro foi condenado, em outubro de 2007 (ou seja, dois meses após o arquivamento). Só que o crime prescreveu… E a partir disso, 101 conselheiros do Grêmio entenderam que o ex-presidente tornou-se “inocente” e decidiram não reabrir o processo. Estes 101 não correspondem sequer a um terço do Conselho (formado por 315 integrantes), mas acabaram sendo vitoriosos devido à omissão de 138 que não compareceram à reunião. Isso mesmo: o número de ausentes superou o de votantes pela manutenção do arquivamento! (A lista com o voto de cada um está aqui.)

Com essa, o Conselho simplesmente declarou, simbolicamente, sua aprovação a tudo o que aconteceu com o Grêmio nos últimos 10 anos.

Vou confessar que está cada vez mais doloroso entregar, todo mês, meu dinheiro para o Grêmio aprontar dessas com a torcida. Mais do que os resultados de campo, é o lado de fora dele que me faz pensar que, com o que pago ao clube mensalmente, em um ano eu teria uma viagem aérea de ida – talvez até mesmo de ida e volta. Dependendo do destino, sobraria dinheiro.

Ainda não cheguei a este ponto, pois já paguei a mensalidade de setembro e pretendo ir ao jogo amanhã (desde maio não vou ao Olímpico, por fatores os mais diversos possíveis). Mas o Grêmio tem sido desalentador nos últimos tempos.

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A vitória da Terceira Via

Nas urnas, quem ganhou foi a chapa 1 (Renova Tricolor), com 2.327 votos (50,42%) que lhe renderam a totalidade das cadeiras do Conselho Deliberativo que estavam em disputa. Graças à absurda cláusula de barreira de 30%, que fez as chapas 2 (Dá-lhe Grêmio) e 3 (Terceira Via) ficarem sem representação, mesmo que tenham feito votação que não pode ser ignorada – 1.159 (25,11%) e 1.129 (24,46%), respectivamente.

Mas no coração, sem dúvida alguma a vitória é da Terceira Via. Que, mesmo sendo integrada por gente “inexperiente”* e com muito menos gastos de campanha, recebeu apenas 30 votos a menos que uma chapa formada por conselheiros tradicionais: isso é algo realmente histórico. E que ao final lembrou do que une os corações das mais diversas chapas: o Grêmio.

E como bem disse o Hélio Paz (que concorreu pela chapa Dá-lhe Grêmio), será por conta da Terceira Via, do que ela simboliza (ou seja, o anseio do torcedor em ser ouvido), que o Grêmio melhorará institucionalmente.

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* Para dizer que os integrantes da Terceira Via são “inexperientes” e “não conhecem o Grêmio”, é preciso ignorar a presença em sua nominata de gremistas como Eraldo Türck, pai do Guga e sócio do Tricolor desde que chegou a Porto Alegre, em 1968.

Pelo fim dos eleitos antes da eleição

Eu já tinha visitado o blog da Terceira Via, mas agora reparei num detalhe que me deixa mais inclinado a votar na chapa, que é a de número 3 nesta eleição para o Conselho Deliberativo do Grêmio. (Além, é claro, do que li sobre as outras duas chapas ao longo da segunda-feira, tanto textos como comentários.)

De acordo com o panfleto disponibilizado no blog, as chapas 1 (Renova Tricolor) e 2 (Dá-lhe Grêmio) têm nove nomes em comum. Confesso que não tive saco para verificar as duas nominatas (afinal, ambas têm 180 integrantes) em busca dos nomes repetidos, mas não vejo motivo algum para duvidar do que diz o folder da chapa 3: em 2007, as nominatas das três chapas tinham “coincidências”.

É bizarro, mas real. Barbada garantir a eleição: basta fazer parte de todas as chapas…

Como mudar isso? É um tanto óbvio que à maioria dos que já fazem parte do CD – e principalmente aos nove que estão tanto na chapa 1 como na 2 – não interessa a mudança nas regras, proibindo a participação em mais de uma chapa por eleição. Isso sem falar na redução da cláusula de barreira, que atualmente é de 30%, permitindo que uma chapa possa ganhar todas as cadeiras recebendo pouco mais de 40% dos votos: basta que as outras duas chapas não alcancem os 30% necessários para elegerem conselheiros.

Não podemos generalizar, fazer uma maquiavélica divisão. Todas as chapas têm seus bons nomes. O problema são os ruins… Nas chapas 1 e 2, nós já conhecemos muitos. Na 3, todos são “marinheiros de primeira viagem”, e com raras exceções, não sabemos quais são os que valem e os que não valem a pena – o que me deixava mais relutante.

Porém, depois reparei no que é lógico: a única maneira de sabermos quais os integrantes da Terceira Via que serão bons conselheiros é dando-lhes uma oportunidade. E se o problema é “experiência” no Conselho, ainda haverá conselheiros “antigos”: os eleitos em 2007 têm mandato até 2013, e para que todos os que irão assumir agora sejam novos, as chapas Renova Tricolor e Dá-lhe Grêmio teriam de fazer, ambas, menos de 30% dos votos, o que não considero muito provável que aconteça.

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Atualização (07/09/2010, 18:19). Em comentário, o André Kruse novamente complementou uma informação passada (mais uma vez, agradeço): um dos nomes que estavam em duas chapas desistiu, e assim há oito pessoas que estão tanto na Renova Tricolor como na Dá-lhe Grêmio.

A tentação da palavra “renovação”

“Renovação” é geralmente associada a “mudança”. Afinal, quando algo é “novo”, é diferente, né? Logo, quer dizer que houve mudança.

Na campanha eleitoral, temos ouvido vários candidatos falando em “renovar a política”. De fato, acho interessante eleger pessoas diferentes das que já ocupam cargos políticos, mas desde que “tenham conteúdo”. Não podemos nos iludir e achar que basta “colocar gente nova lá”: isso pode fazer com que um novo oportunista ocupe o lugar de um antigo honesto (sim, existem!). Sem contar que mudar apenas por mudar não é uma ideia muito inteligente: prova disso é o que aconteceu com Porto Alegre depois que José Fogaça assumiu a prefeitura em 2005 – ele foi eleito porque “era preciso mudar” depois de 16 anos de administrações do PT, pouco importando se para melhor ou para pior (que foi o que aconteceu).

Pois é situação semelhante que vive o Grêmio neste momento. No próximo sábado, será realizada a eleição para renovação (olha ela aí…) de 50% do Conselho Deliberativo do clube. As três chapas que concorrem apresentam-se como “novidade” (ainda mais com a má fase do Grêmio), mas a única que é, de fato, garantia de “gente nova” no conselho é a Terceira Via, composta por 100% de candidatos que jamais integraram o CD (e ela usa isso como mote de campanha). As outras duas, Renova Tricolor* e Dá-lhe Grêmio (“renovação com qualidade”), apesar de se utilizarem da “palavrinha mágica”, tem grande quantidade de “nomes velhos”.

Como já falei, embora ache interessante renovar, também não se pode fazê-lo de qualquer jeito (como prova a Porto Alegre de Fogaça). Embora seja tentador votar na Terceira Via só por ela ter apenas nomes novos, não podemos descartar bons conselheiros “antigos”. E é complicado que uma chapa tenha como principal critério para selecionar seus membros a condição de nunca terem sido conselheiros: assim fica mais difícil saber quem está disposto a colaborar com o Grêmio, e quem é apenas um novo oportunista (pois os velhos nós já conhecemos).

E além disso, ir de Terceira Via significa um voto a menos para a chapa Dá-lhe Grêmio, e também o risco maior de ambas não superarem a cláusula de barreira, que é de 30%: se as duas fazem, cada uma, 29,9% dos votos, a chapa Renova Tricolor, apoiada por Paulo Odone (que tipo de “novidade” é essa?) leva todas as cadeiras em disputa mesmo tendo apenas 40,2% do eleitorado. E isso é o que considero o pior que pode acontecer para o Grêmio.

Por fim, meu voto do próximo sábado não está decidido (a tendência é que eu vá de Dá-lhe Grêmio), certo mesmo é que não votarei Renova Tricolor.

E quanto ao dia 3 de outubro, só adianto que voto em Plínio de Arruda Sampaio para presidente do Brasil. Os outros votos, ainda não tenho totalmente decididos.

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* Como a chapa Renova Tricolor não tem página (pelo menos não achei), indico a nominata publicada no blog Grêmio Sempre Imortal, que também publicou as listas das outras duas chapas (disponíveis nas páginas de ambas).

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Atualização (06/09/2010, 11:19). O André Kruse (agradeço a ele) indicou em comentário o endereço da chapa Renova Tricolor.

A chapa do Dourado

Saiu a nominata da chapa “Grêmio, Grêmio – Acima de tudo!”, liderada pelo Hélio Dourado. Conforme o previsto, tem nomes nela que já apareciam nas outras duas.

Eu abro meu apoio à chapa do Dourado. Não que seja a melhor chapa, mas sim, é a menos pior, visto que tem uns nomezinhos… Mas questiona o projeto da Arena, e defende a realização de um plebiscito sobre questão tão importante para o Grêmio.

Clique para ler a nominata aqui.

O cúmulo do adesismo

Mais do que sobre o Grêmio, esta postagem é sobre política.

O Guga Türck postou no Alma da Geral alguns dos nomes que compõem duas das três chapas que concorrerão na eleição do Conselho Deliberativo do Grêmio, no próximo dia 29.

Li as listas e pensei: “ele se enganou, tem nomes aparecendo nas duas chapas”, mas não era engano. Há nomes que estão, sim, nas duas chapas!

Vamos ver quem estará na chapa que o Hélio Dourado encabeçará – dependo desta nominata para decidir se voto ou não nela. Não duvido que os nomes repetidos das outras duas chapas apareçam também nesta…

A política está repulsiva no Senado, na Câmara de Deputados… E no Grêmio também.

As nominatas completas se encontram nos links abaixo:

Em quem votar?

No dia 29 de setembro tem eleição para o Conselho Deliberativo do Grêmio. Assim como aconteceu ano passado, quando na última hora escolhi em quem votar para presidente do Brasil, vai ser uma decisão difícil o meu voto para o Conselho. Tanto que esses dias o leitor Jorge Vieira deixou a sugestão de que eu postasse sobre a eleição para o Conselho, e só faço isso agora por falta de idéias antes.

Vejo a eleição da mesma forma que o Guga Türck, do Alma da Geral. As três chapas têm seus “podres”, assim como gremistas de grande valor.

Numa primeira olhada pelos nomes que compõem cada uma das chapas, a tendência seria votar na Grêmio, Grêmio – Grêmio acima de tudo, do Hélio Dourado (único nome confirmado), que além de terminar o Olímpico e nos dar o título brasileiro de 1981, também contesta o projeto da Arena e, principalmente, criticou a aclamação de Flávio Obino mas quando a vaca ia pro brejo em 2004, deixou a divergência política de lado para apoiar a instituição Grêmio, que é maior que qualquer presidente.

Porém, os adversários dizem que o Obino e o Oly Fachin (que queria acabar com a eleição direta para a presidência do Grêmio) estão nesta chapa…

Em quem votar?

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Em breve, quando eu tiver definido melhor meu posicionamento, posto novamente sobre o assunto. Enquanto isso, visitem páginas e blogs de cada uma das chapas:

CHAPA Grêmio Novo e Independente
http://www.gremionovo.com.br/
http://final.stech.net.br/gremioindependente.com.br/index.php

CHAPA Grêmio Imortal e Unido
http://www.gremioimortal.net
http://www.gremiounido.com.br/
http://grupogremioimortal.blogspot.com/

CHAPA Grêmio, Grêmio – Grêmio acima de tudo
http://gremioacimadetudo.blogspot.com/