Desastre

Hoje saí mais cedo do Simpósio Nacional de História, em São Leopoldo. O que me possibilitou mais tempo e disposição para escrever.

Mas a chegada em casa na terça-feira foi a pior de todas. Além de ter sido a mais tardia (quase às 11 da noite), também fiquei sabendo do desastre de Congonhas. O pior acidente aéreo já acontecido no país fez muitos gaúchos chorarem.

Menos mal que nenhum parente ou amigo meu estava entre as vítimas. Mas a tragédia atingiu pessoas próximas: meu irmão faz Geografia na UFRGS, e a professora Vanda Ueda, do Departamento de Geografia da UFRGS, estava no avião.

No Simpósio de História, uma das professoras participantes chorou a perda de sua filha no desastre.

Mas o pior disso tudo é que tem gente aproveitando a tristeza alheia para obter dividendos políticos. É só olhar o noticiário. Mal aconteceu o acidente, a mídia e os políticos de oposição já escolheram o culpado: Lula.

Não que ele seja isento de culpa. A responsabilidade pelos aeroportos brasileiros é da INFRAERO, órgão federal. Mas Congonhas já era para ter sido fechado há muitos anos. Aquele aeroporto já era um perigo antes de 2003, quando Lula assumiu. O erro do presidente foi não ter ordenado até agora o fechamento de um aeroporto que fica no meio de São Paulo.

Mas, a causa do acidente pode não ser apenas o aeroporto. O vídeo abaixo, imagens feitas pelas câmeras de Congonhas, mostra que o avião passou em velocidade muito alta – logo depois, percebe-se o clarão provocado pela explosão. Pouco antes outro avião passara pelo mesmo local muito mais lentamente.

Antes de apontar culpados, é preciso que as investigações revelem as causas do acidente. E quem entende disso são especialistas em aviação, não empresas de comunicação ou políticos.

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