Porto Alegre no verão

Menos carros nas ruas… Aquelas mais movimentadas, não é tão utópico atravessá-las sem necessidade de caminhar até uma sinaleira.

Menos congestionamentos, menos filas em restaurantes, tudo melhor.

Pena que esse abafamento estraga tudo. Não fosse ele, o verão seria a melhor época do ano para se estar em Porto Alegre. Mas, por causa dele, é a pior. E como no resto do ano o calor não é tão sufocante, mas a cidade é um caos, Porto Alegre não é um bom lugar para se morar: se sofre menos com o calor, mas viver preso em congestionamentos (“progresso”, para os concretoscos) não é sinal de qualidade de vida.

E como a cidade terá ainda mais espigões e carros, ficará bem pior, e no ano inteiro. Mais quente no verão, mais caótica de março a dezembro.

Dizem que os espigões são para atrair turistas… Se eles vierem no inverno, ficarão presos no congestionamento. E no verão, sofrerão com o calor impiedoso sem possibilidade de refresco: quando se fala em aumento do turismo, os que infelizmente têm poder de decisão em Porto Alegre pensam em concreto, e nem lembram de despoluir o Guaíba.

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O Hélio Paz diz que Natal é “a cidade do clima perfeito”, com dias quentes mas sem abafamento, e noites agradáveis. Se realmente o calor não é sufocante como em Porto Alegre, então nem é preciso ter inverno. Apesar de eu adorar dormir debaixo de cobertor…

Talvez seja mais pela saudade de não suar feito um condenado. Afinal, muitos se iludem com Porto Alegre só por ser a capital mais ao sul: aqui faz muito mais calor do que frio.

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Transporte público: necessidade urgente

O final de tarde da última quinta-feira foi caótico em Porto Alegre. Boa parte da cidade ficou congestionada. Um colega de faculdade embarcou num ônibus da linha D43 (Universitária) às 17:30 e chegou ao Campus do Vale às 19:00 – em condições normais, a viagem duraria entre 30 e 40 minutos.

O pior de tudo, é que o acontecido na última quinta-feira tem tudo para se tornar rotina não só em Porto Alegre, mas em todas as metrópoles do mundo: cada vez mais pessoas usam o automóvel apenas para se deslocarem de casa ao trabalho, e vice-versa. É um uso desnecessário. Na maioria das vezes, é uma pessoa que ocupa um espaço onde cinco poderiam estar bem acomodadas.

Daí a necessidade de se investir maciçamente em transporte público de qualidade, para se combater não só os problemas de circulação viária, mas também ambientais. Porto Alegre tem andado na contramão: enquanto o número de automóveis nas ruas aumenta, o sistema de ônibus piora a olhos vistos, o que contribui para afastar os passageiros e – óbvio! – aumentar a frota de carros.

É muito fácil dizer a uma pessoa para que ela deixe seu carro em casa e vá para o trabalho ou para a faculdade de ônibus. Qual a vantagem que eles verão em deixar o conforto (e o ar-condicionado) do carro para andarem em ônibus quentes e lotados? De nada adianta dizer que é para o bem da cidade e do planeta: em geral os motoristas são extremamente individualistas, pensam apenas em si. Poluição? Provavelmente eles morrerão antes das piores conseqüências do uso irracional de seus carros.

Ou seja: não adianta só falar, é preciso que haja melhorias de fato no sistema de transporte público. E não apenas investimentos em ônibus: é preciso alternativas menos poluentes. Para fazer a pessoa deixar o automóvel em casa, é preciso que haja vantagem nisso. O motorista tem que pensar “por que me estressar no trânsito, quando posso ir muito bem de ônibus ou trem?”. Enquanto isto não acontecer, ele continuará a engarrafar as ruas com seu carro, pensando: “está tudo trancado mesmo, mas eu estou sentado confortavelmente no ar-condicionado, enquanto os ônibus estão lotados e quentes”.

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Esta é minha contribuição para o Dia de Ação dos Blogs, cujo tema é meio ambiente. Não tive tempo de melhorar o texto, por causa de uma prova de lascar que farei na próxima quarta. Quando puder, escreverei mais – e melhor – sobre a questão do excesso de carros nas cidades.