Em breve, uma nova alternativa de congestionamento

Dentro de poucos dias, deverá ser inaugurada a BR-448, mais conhecida como “Rodovia do Parque”. Com pouco mais de 22 quilômetros de extensão, a estrada foi projetada para desafogar o trânsito da saturadíssima BR-116 na região metropolitana de Porto Alegre.

E, dentro de poucos anos, a BR-448 já deverá estar saturada, levando as autoridades a pensarem em uma nova rodovia para desafogá-la…

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Feriadão em Porto Alegre

Ontem ao final da tarde, o caos imperou em Porto Alegre. Em direção às saídas da cidade, intermináveis filas de carros andavam a baixíssimas velocidades. Lá ia a boiada multidão desesperada por fugir da metrópole rumo ao litoral em um dos raros feriadões deste ano. (E preparem-se para 2014, pois os feriados que em 2013 caíram em sextas-feiras serão celebrados em sábados, e os de sábados cairão em domingos).

“É preciso fugir da rotina”, dirá alguém. É verdade. Mas como dizer que pegar congestionamento (tanto na estrada como na praia), fila em restaurante, em supermercado etc. é “fuga da rotina”? Isso é apenas mantê-la mudando o lugar – e olhe lá, pois boa parte dos que vão ao litoral acabam indo sempre para a mesma praia, encontrando as mesmas pessoas de sempre… Aquele negócio: “todo mundo vai, então preciso ir também”.

O que não quer dizer que feriadões não sejam uma boa maneira de se fugir da rotina. É claro que são. Mas a melhor maneira de se fazer isso, cada vez fica mais óbvio, é permanecendo na cidade. Afinal, Porto Alegre fica muito mais agradável sem filas e congestionamentos.

Um ano depois

Ontem, se completou um ano do atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre. O responsável pela barbárie daquele 25 de fevereiro de 2011 responde em liberdade por 17 tentativas de homicídio.

Depois de um ano e de muitas manifestações de solidariedade à Massa Crítica de Porto Alegre, nossa cidade sedia o primeiro Fórum Mundial da Bicicleta, “para discutir o futuro das cidades e o papel da bicicleta nos âmbitos social, econômico, ambiental, esportivo e cultural”, conforme informa a página oficial do evento. Ou seja, apesar dos pesares o atropelamento acabou tendo esta consequência positiva, de fomentar o debate sobre a bicicleta como meio de transporte, e não apenas como lazer.

Porém, nem tudo são flores. Enquanto Porto Alegre deveria se voltar para a discussão de um sistema de mobilidade urbana que deixe de privilegiar os automóveis particulares (modelo que se prova ultrapassado a cada final de tarde em que se locomover pela cidade requer paciência extrema), há um projeto do vereador Alceu Brasinha (PTB) na Câmara Municipal que aumenta o limite de velocidade para 70km/h na cidade – atualmente o máximo permitido é de 60km/h, sendo exceção a Avenida da Legalidade, via expressa na qual se pode transitar a 80km/h.

Alguém acredita que aumentar o limite de velocidade vai melhorar o trânsito? Até porque, com o limite de 60km/h, em horários de pico dificilmente se anda a mais de 20km/h. O que quer dizer que o problema não é a velocidade máxima permitida e sim, a quantidade de carros.

Sem contar o principal: 60km/h já é uma velocidade elevada. Um vento de 60km/h é suficiente para causar alguns transtornos como falta de luz, queda de galhos de árvores etc. Caminhar contra ele, então, requer alguma força.

Agora, imagine o choque de um carro a 60km/h. Melhor só imaginar, jamais querer experimentar.

Algo que Porto Alegre poderia ter de (muito) bom no verão

Após postar o texto de segunda, divulguei-o no Facebook (no Twitter vai “automático”). Pois foi de lá que veio um bom questionamento sobre o que Porto Alegre oferece a quem fica por aqui durante o verão – ou a quem resolve conhecer a cidade justamente nos meses mais quentes do ano.

Foi do meu amigo e colega de profissão Antonio Prestes, que no mesmo 14 de dezembro de 2009 no qual defendi meu TCC, também defendeu o trabalho dele, no qual fala sobre o processo de degradação ambiental das praias do Guaíba na passagem dos anos 1960 para os 1970 e o pouco valor que os porto-alegrenses deram ao fato na época – e não só devido à facilitação do acesso ao mar a partir de 1973 com a inauguração da autoestrada que liga Porto Alegre a Osório, pois antes disso as praias do Guaíba já sofriam um processo de abandono, que culminaram com a interdição em novembro do mesmo ano de 1973.

Se antes a facilidade de acesso ao mar fez muitos “cagarem e andarem” para a interdição das praias do Guaíba, me parece que é hora de rever esse conceito de “facilidade”. Pois pegar a estrada rumo ao litoral numa sexta-feira ao fim da tarde (se for início de feriadão então…) é cada vez mais um exercício de paciência, dados os crescentes congestionamentos. Se a opção for o litoral catarinense, a tranqueira é ainda pior.

Com um Guaíba despoluído em toda a sua extensão, seria possível o porto-alegrense ir à praia sem precisar encarar estrada (com dois pedágios) congestionada. Atualmente, é possível se refrescar no Guaíba apenas em seu extremo sul, como no Lami e no Parque Estadual de Itapuã (que oferece belíssimas paisagens e praias que lembram Santa Catarina, só uma pena que nem todas elas possam ser visitadas pelo público).

O que há de bom no verão em Porto Alegre

Na última quarta-feira, disse que o verão de Porto Alegre só tem uma coisa boa, o fim. Gostaria de fazer uma justa correção: há outra coisa boa (além do Porto Verão Alegre, quando se pode assistir espetáculos de teatro, música e dança a preços mais acessíveis do que no restante do ano).

Trata-se da redução populacional na cidade. Hoje, às 6 e meia da tarde, o movimento nas ruas era inacreditável, em nada lembrando uma segunda-feira. Na Avenida Loureiro da Silva, onde a tranqueira no fim da tarde é mais previsível do que a música de final de ano da Globo, o trânsito fluía.

Não fosse o calor insuportável (que felizmente decidiu tirar “uns dias de folga”), o verão seria a melhor época para se estar em Porto Alegre. Pois boa parte da população – em conjunto com seus carros – migra para o litoral, levando para lá os congestionamentos, as filas nos supermercados, nos restaurantes…

O problema é que, além do fato de que dias como hoje (em que faz um pouco de calor e com vento, não aquela febre da semana passada) serem exceção nessa época, o verão só acaba entre março e abril, enquanto o fluxo migratório para o litoral inverte o sinal após o Carnaval – que em 2012 será pouco depois do meio de fevereiro. O que quer dizer que teremos pelo menos um mês de combinação “febre e caos”.

Motoristas se manifestam em Porto Alegre

Na última sexta-feira de cada mês, ciclistas se reunem na chamada Massa Crítica, que percorre várias ruas de Porto Alegre. É assim não só aqui, como em várias cidades do mundo.

Só que não apenas na última sexta-feira de cada mês, mas sim diariamente, motoristas têm se manifestado em Porto Alegre. É a “Anti-Massa Crítica”, que chama a atenção para a verdade sobre quem são realmente os donos das ruas. As manifestações, iniciadas há anos, estão cada vez maiores. Enquanto os ciclistas celebram a participação de centenas, os motoristas são centenas de milhares!

Confira um pouco do grande ato acontecido em 12 de maio de 2010, no cruzamento das avenidas Plínio Brasil Milano e Carlos Gomes, Zona Norte da cidade:

E eu já estou decidido a aderir, afinal, é preciso fazer o que todo mundo faz. Larguei mão da ideia de ter uma bicicleta, vou é comprar um carro a 300 prestações!

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Óbvio que os tais “protestos motorizados” (e a minha decisão) nada mais são do que uma ironia quanto aos congestionamentos que são cada vez piores em Porto Alegre. É essa a ideia do genial Vá de Auto: assim como o (infelizmente parado) Classe Média Way of Life, critica um tipo de pensamento através da sátira.

Vem aí mais dois aumentos

Que são tanto da passagem de ônibus, quanto do número de carros nas ruas em Porto Alegre.

Chegou a se falar que a tarifa subiria para R$ 2,81. Mas era óbvio que isso servia para fazer R$ 2,70 (que provavelmente o prefeito José Fortunati* irá sancionar) parecer “mais barato”. Só que o valor atual é de R$ 2,45 – ou seja, será um aumento de R$ 0,25.

Parece pouco para quem anda de ônibus esporadicamente, mas para quem usa diariamente e precisa de duas ou mais linhas nos deslocamentos, faz diferença, ainda mais se calcularmos o gasto a mais em um mês.

Ou seja, cada vez mais o poder público incentiva a que as ruas fiquem congestionadas. Pois juntando algumas pessoas, pode sair mais barato ir de carro, “rachando” o combustivel. E se lembrarmos que a maior parte dos ônibus não têm ar condicionado, e que agora é verão…

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* Em outubro do ano que vem tem eleição para prefeito.

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Atualização (09/02/2011, 00:02): Na verdade o aumento já foi sancionado. Ou seja, a passagem já custa R$ 2,70. Lembremos disso em outubro do ano que vem!

Como maquiar um problema sério

Hoje à noite, o estádio de outro clube na cidade do Grêmio sediará a decisão da Taça Libertadores da América. Não vou falar do jogo em si, nem sequer perderei meu tempo assistindo à partida (vou ler Bourdieu que eu ganho mais).

O que me chamou a atenção foi a medida adotada pela prefeitura para diminuir o caos no trânsito de Porto Alegre: antecipar o fim do expediente do funcionalismo público para as quatro da tarde – ideia que foi seguida por órgãos estaduais e federais na cidade. Assim, se reduz o número de carros nas ruas nas horas mais próximas ao jogo.

Ótima ideia, né? Assim, os jornalistas de outros países que estão em Porto Alegre para cobrir o jogo não ficam com uma impressão tão ruim da cidade… Não perceberão que ela está quase parando, devido a tantos carros nas ruas.

E a prefeitura tem participação nisso, sim, mesmo que também haja um problema de mentalidade (individualismo): muitas pessoas compram carros porque “dá status”, mas também para fugir do transporte coletivo, que já foi melhor por aqui. Mesmo que tenham de ficar horas paradas no trânsito ao volante de seus carros, preferem-no do que passar o mesmo tempo dentro de um ônibus lotado e sem ar condicionado. Bicicleta, então, para eles é “atraso”, mesmo que estejam se tornando cada vez mais populares em países da Europa (que para eles é “civilizada”).

Se o transporte coletivo fosse melhor (e nem falo só de ônibus: Porto Alegre já tinha de ter um metrô mais extenso, assim como linhas de barco aproveitando o Guaíba) e houvesse ciclovias de verdade, seria mais fácil convencer as pessoas a deixarem seus carros em casa ou a nem os comprarem. Tudo bem que se mais gente deixasse de usar o automóvel sem esperar tais melhoras, isso significaria mais cidadãos (e eleitores – que é o que importa para boa parte dos políticos) a reclamarem do caos nas ruas. Mas isso não exime a prefeitura de sua responsabilidade, de forma alguma.

Como melhorar uma cidade

Não é preciso buscar inspiração em cidades europeias. Basta seguir o exemplo de Bogotá, como mostra a ótima matéria de Renata Falzoni com o ex-prefeito da capital colombiana, Enrique Peñalosa. Lá, a prefeitura melhorou o trânsito enchendo a cidade de ciclovias e corredores de ônibus. E a criminalidade… Baixou um monte!

Já aqui em Porto Alegre, ontem foi mais um dia de caos, só para variar… Um acidente num ponto localizado trancou a cidade inteira. Que aliás, nem tem mais hora para congestionar: a expressão “horário de pico” atualmente só serve para designar o momento em que há 100% de chances de ficar preso no engarrafamento. Pois durante todo o dia há possibilidade de se pegar uma tranqueira em algum ponto de Porto Alegre.

A solução? Já tem alguns “iluminados” defendendo que táxis com passageiros circulem por corredores de ônibus… Aí mais gente vai sair sozinha em seu carro, achando que “vai estar melhor”, e o trânsito ficará mais caótico. O que atinge também os ônibus (além dos táxis, mesmo com a permissão para andarem nos corredores), nas ruas onde não há a faixa exclusiva para eles. E mesmo onde há, visto que terão de dividir o espaço com os táxis.

O trânsito dos sonhos de muito motorista por aí

Não é nenhuma avenida com um quilômetro de largura, “asfalto perfeito” etc. É em Bagdá, no Iraque, onde todos “saem da frente”. Mas com um detalhe: só para invasores. Vídeo retirado do Apocalipse Motorizado:

A justificativa para as barbaridades cometidas pelo condutor do trambolho veículo militar estadunidense é “reduzir o risco de ataques”. Pois é, os caras invadem o país dos outros e ainda se sentem no direito de fazerem o que bem entendem por lá…

Muitos certamente viram o vídeo e inicialmente acharam absurdo, mas no fundo, gostariam de fazer o mesmo quando dirigem pelas ruas do Brasil – ainda mais se têm carros “4×4”, que ajudam a poluir ainda mais o ar das grandes cidades.