Banho no Largo Glênio Peres

Ontem à noite, o candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre, Adão Villaverde, realizou um comício no Largo Glênio Peres. Fazia um pouco de frio, com temperatura em torno dos 15°C.

Para quem não conhece Porto Alegre: o Largo Glênio Peres é um tradicional ponto de encontro do Centro, defronte ao também tradicional Mercado Público. Também sempre foi bastante utilizado para atos públicos (tipo comícios), feiras de artesanato, do peixe (que acontece todos os anos na semana da Páscoa). Ultimamente ele anda bem diferente: nos últimos tempos a prefeitura tem permitido que o largo, um espaço para pedestres, vire estacionamento de carros em determinados dias e horários. Além disso, o espaço foi adotado pela Coca-Cola, que já tratou de promover sua marca (em um espaço público!): além das placas, também instalou um boneco em tamanho gigante do tatu-bola que será mascote da Copa de 2014 (aliás, só tem sugestão ridícula de nome para ele); porém, o bicho não veste a camisa da Seleção, e sim, da própria Coca-Cola.

A empresa também bancou a instalação de 19 chafarizes no largo. Ainda não passei lá, mas vi as fotos e, sinceramente, achei meio bizarro: não há delimitação física da área dos jatos, para que a água acumule ali. Ou seja, os chafarizes do Largo Glênio Peres molham a calçada. E, sendo vários, já imagino que num dia de ventania como a quarta-feira passada, mesmo sem chuva seria preciso andar de guarda-chuva aberto.

Pois bem: ontem teve gente que foi ao comício do PT e tomou um banho, mesmo que não tenha chovido (aliás, o céu estava estrelado). Foram os tais chafarizes… Que deveriam estar desligados, conforme acordo da prefeitura com a campanha de Villaverde.

Agora voltemos ao começo do texto, atentando ao detalhe da temperatura. No verão é normal sentirmos um pouco de frio ao sairmos de uma piscina ou do mar, devido ao corpo estar molhado. Agora imagine estar molhado à noite, e com temperatura de 15°C ou menos…

Anúncios

Votar Nulo?

O texto abaixo foi enviado por e-mail pelo meu pai, que relembrou o grande comício por eleições presidenciais diretas em 1984 acontecido aqui em Porto Alegre, no dia 13 de abril daquele ano. Outra vez ele já havia me contado que eu até “aprendi a gritar”: DILETAS JÁ!

Li o post do Rodrigo no Cão e também fui no Blog do Hélio, levado pelo assunto “Anular o Voto”.
As motivações para anular o voto nos dias de hoje, tem muitas semelhanças com as dos anos 70.

Lembro que até aconteceu uma campanha para votar em branco, parece que o líder da campanha era o Wilson Vargas…
Mas, como se votava em cédulas, a canalhada da ditadura muitas vezes um X nos candidatos deles e até escrevia um número na cédula. Por isso eu achava que deveria ser anulada a cédula, colocando palavrões, xingamentos ou um simples X, bem grandão. Pois assim ela não poderia ser usada pelos “escrutinadores”.

Mas o voto em branco e os anulados, afora mostrar o descontentamento e o protesto das pessoas, trouxe uma grande dor de cabeça para nós. Os “arenosos” passaram a eleger mais gente, pois a ala direitista não anulava o voto nem votava em branco. Faziam maiorias, sem precisar cassar os da oposição.
E ainda escutávamos “o povo está avaliando bem a revolução, vejam as nossas bancadas…!”
Passei a votar e tentar convencer aos que como eu anulavam o voto a repensar o assunto.

Quando das Diretas Já, em Porto Alegre, eu trabalhava na propaganda e marketing de uma empresa. Na véspera avisei ao patrão que no outro dia não trabalharia, por causa do comício. Se ele não gostasse, que me demitisse. Pois tinha que pintar uns cartazetes, buscar panfletos impressos no turno da madrugada em gráficas com impressores solidários (sem os patrões saberem, é claro) e tinha ficado de convencer muita gente a comparecer ao comício.

Ao meio-dia já estava a postos na frente da prefeitura, ainda tinha mais polícia que povo.
Fiquei até o fim, logo depois da fonte Talavera, com um grupo de amigos e conhecidos. Tinha gente pra cacete. Dizem que uns 200 mil. Lembro que o Sérgio Maluco uma hora gritou ” Cesar, afora tu tem mais comunas aqui perto?”. Quando respondi tinham uns caras atrás de nós que começaram a tirar fotos e pelas roupas não eram fotógrafos da imprensa… Era uma senhora de cerca de 60 anos, vestida como se fosse para festa, que queria falar com alguém “comunista”. Ela disse que havia prometido ao falecido pai que uma dia ia dar um abraço no Prestes, queria uma ajuda para chegar nele. Claro que não foi possível ela chegar ao Prestes mas acenava com um lenço vermelho para o palanque e chorava.

Hoje, vendo as fotos, a gente lembra de tudo mas elas não passam a emoção daquele momento.
Depois do comício fui para casa a pé e não tinha mais voz. O Rodrigo achou graça da minha falta de voz e ria muito quando eu tentava explicar que tinha gritado tanto para que ele não tivesse que gritar quando crescesse: EU QUERO VOTAR!!!
E continuo a querer, mesmo que seja apenas para ser CONTRA.