Para aproveitar bem o 12 de junho

Cineminha (para assistir “comédia romântica”)? Jantar “romântico”? “Bem-me-quer, mal-me-quer”?

NÃO!

Sábado é dia de assistir Copa do Mundo! Tem Coreia do Sul x Grécia às 8 e meia da manhã, Argentina x Nigéria às 11, e o “clássico dos imperialismos”, Inglaterra x Estados Unidos às 3 e meia da tarde.

Aí algum “romântico” (aliás, qual o romantismo de uma data meramente comercial?) dirá que se pode fazer aqueles “programinhas a dois” depois dos jogos. Nem pensar! E as mesas-redondas? E a cerveja com os amigos, discutindo os resultados dos jogos? E a atualização da pontuação nos diversos bolões promovidos nessa época? E a discussão dos jogos pela internet (blogs, Twitter)?

Como disse Bill Shankly (1913-1981), ex-técnico do Liverpool,

O futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais importante que isso…

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Se o(a) leitor(a), além de não gostar de futebol, está deprimido(a) por não ter ninguém para gastar dinheiro presentear no sábado, e quiser compensar isso comendo, saboreie uma boa pizza de alho e óleo, a melhor que existe.

Não gosta também? Bom, talvez seja a hora de aprender a gostar… Da pizza de alho e óleo, de futebol, ou da solteirice (que tem muitas vantagens, dentre elas, a de ver muito futebol e comer bastante alho sem ter ninguém para reclamar!).

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Quem não tem virtude acaba por ser escravo

Quem se deixa influenciar pela mídia comercial, em junho gasta dinheiro ou sofre. Afinal, a “data mais romântica do ano” não pode passar em branco. A não ser para quem tenha personalidade independente e não dê a menor importância para estas comemorações inventadas com o objetivo de encher de grana os bolsos dos lojistas – estes sim podem dizer “feliz Natal”, “feliz dia das mães”, “feliz dia dos namorados” etc.

Eu dou risada ao ler que os centros de compras estão cheios de casais querendo comprar presentes. Pobres escravos do capitalismo, acham que são românticos… Aliás, telefone celular é o símbolo do romantismo: é o produto mais vendido nessa época. É simples entender: você compra um celular para você (e um para seu “amor”), com uma promoção de ligação para seu “amor” por um centavo o minuto – ótimo para ficar fazendo aquelas baboseiras de “desliga você”, “não, desliga você”, e por aí vai. Aí o namoro acaba – coisa mais natural que existe –, arruma-se outro “amor” e o celular precisa ser trocado.

Já sei o que fazer para ganhar dinheiro! Vou criar uma operadora de telefonia móvel, a Celular Uivador, cuja abreviatura – para facilitar a difusão da marca – será CU. E no “dia dos namorados” de 2008, os pombinhos poderão comprar um CU com uma promoção única: um centavo por dez minutos de fala. Ótimo para ficar uma hora dizendo “desliga você”, “não, desliga você” e também para fritar o cérebro – os clientes pensarão menos e comprarão mais celulares da CU, seduzidos pela publicidade.

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Agora, falando sério – se é que é possível falar sério quando se quer debochar. Uma das características do capitalismo é transformar tudo em mercadoria. O mundo anda tão mercadológico que, não demora muito, o metano será privatizado e teremos de pagar royalties a cada peido que soltarmos – bom, “privatização” e “merda” combinam, já que ambas são feitas na “privada”…

Quase tudo se tornou mercadoria. Até o amor. Quem namora e não dá presentes merece levar pé na bunda. Romantismo? Realmente, morreu no século XIX.

Pensando bem, namorar para quê? Hoje em dia o que mais vale não é o sentimento, e sim a aparência. Namora-se não pelo amor, e sim “para não ficar sozinho” – além dos presentes, é óbvio! O que me faz imediatamente lembrar da ótima crônica que li no Cataclisma 14. A máxima “antes só do que mal-acompanhado” se inverteu.

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O título deste post é baseado num verso do Hino Rio-Grandense, que diz “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”. Não só os povos, mas também as pessoas que não têm virtudes se tornam escravas.

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E em 2008, não esqueçam: comprem um CU no “dia dos namorados”!