Comentários de portal

Sou estressado, mas sei me controlar. Foram poucas as vezes em que tive “explosões” de fúria, daquelas de ficar com muita raiva.

Pois hoje cheguei perto disso, e não foi por conta de nenhuma pessoa próxima, nem por problemas de trabalho etc. É que inventei de ler os comentários em uma matéria de um portal de notícias. Comecei tranquilo, “na boa”. Quando fechei a matéria, sentia vontade de convidar vários dos comentaristas para uma partida de futebol, em que eles formariam o time adversário, para que eu distribuísse carrinhos e tesouras.

Em um ambiente no qual a violência é a regra, a tendência é que acabemos agindo/reagindo de forma violenta. E o espaço de comentários nos grandes portais é exatamente assim. Não tem tiroteio nem “porrada”, mas sim a chamada violência simbólica: a maioria dos comentaristas se utiliza de linguagem extremamente agressiva, e opta por ofender ao invés de argumentar. Muitas vezes alguém tem opiniões bem embasadas e pretende apresentá-las para contribuir com o debate, mas depois de uma agressão verbal, acaba reagindo de forma semelhante.

Sem contar o meu próprio caso hoje: não tinha comentado nada (e em portais muito raramente o faço, justamente por ser um ambiente mais propício à agressão do que à discussão respeitosa), mas só de ler tantas opiniões raivosas, já estava irritado. Tanto que fechei a matéria não por ter terminado de ler os comentários ou para fazer outra coisa, mas sim para “esfriar a cabeça”.

Fica novamente a dica (que tantas vezes já recebemos e acabamos esquecendo): jamais ler os comentários em portais de notícias. Não se perde absolutamente nada os ignorando.

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Seis anos de Cão Uivador

O dia 14 de maio de 2007 foi uma segunda-feira, se não me engano chuvosa e fria. Ou seja, perfeita para criar um novo blog: não tenho o pavor de segunda-feira que tanta gente tem (ruim mesmo é o domingo à noite), e também não considero sol e calor como “tempo bom” (até gosto de sol, mas combinado com frio).

Naquela segunda-feira, o dia 14 de maio de 2013 pertencia única e exclusivamente aos mais variados tipos de especulação – uma delas, não confirmada, era a de que o Cão Uivador teria bastante poesia, visto que assim começou. Falar em “seis anos” era pensar no passado e voltando esse tempo, estaríamos em 2001, que naquela época parecia “próximo”, mas muitas coisas tinham mudado nos seis anos que antecederam a criação do Cão: em 2001 o Grêmio ainda não tinha entrado na atual “seca” de títulos e eu nem pensava que algo assim pudesse acontecer, Fernando Henrique Cardoso era presidente do Brasil e a eleição de Lula no ano seguinte me parecia algo quase utópico (por pior que fosse o governo FHC), eu ainda pensava que seria físico nuclear etc. Traduzindo: eu não tinha a menor ideia do que seria o ano de 2007.

Portanto, prefiro me abster de quaisquer previsões para 14 de maio de 2019, dia em que, se der tudo certo, serão comemorados os 12 anos do Cão Uivador. Porém, é impossível não pensar que, confirmada a celebração do 12º aniversário, lembrarei de 2007 e pensarei em 12 anos antes: 1995, um dos melhores anos da minha vida, e quando eu ainda pensava que em 2007 seria médico…

Porém, dentre várias especulações para o futuro uma é certa, com base no passado: se o Cão chegou até aqui, isso se deve não apenas a quem o atualiza, mas principalmente a quem lê o que aqui é publicado. Os textos refletem a minha opinião, mas ela não se forma “do nada”. Meu ponto de vista, assim como o de qualquer pessoa, se baseia em concordâncias e também em discordâncias: toda opinião bem fundamentada e respeitosa é bem-vinda, seja favorável ou contrária. E mesmo quem não comenta já me deixa satisfeito com a visita, pois sei que com isso colaborei de alguma maneira para alguém fundamentar sua opinião – e a mesma pessoa poderá retornar posteriormente e deixar um comentário que também influenciará meu ponto de vista.

Por isso, a cada 14 de maio sempre faço questão de explicitar meu agradecimento a todos os que leem o que escrevo, independentemente de comentarem ou não. Muito obrigado!

Três anos de Cão Uivador

Hoje é um dia especial para o Cão Uivador: o blog completa três anos de existência.

Desde 14 de maio de 2007, postei 851 vezes aqui, recebendo 2591 comentários (fora os de trolls que apago sumariamente desde janeiro de 2009) até o momento em que publico este texto.

Aliás, o número de comentários mostra o quanto o Cão cresceu de importância nos últimos tempos: lembro bem que o milésimo comentário foi publicado em novembro de 2008 – ou seja, um ano e meio atrás, e quando o blog tinha também um ano e meio de existência. De lá para cá, foram mais de 1500 comentários publicados – e isso que barrei os trolls!

O número de acessos também é algo a se comemorar. Um ano atrás, eu celebrava os dois anos e também as 100 mil visitas desde 17 de agosto de 2007 (quando o Cão veio para o WordPress). Agora, já são quase 174 mil – ou seja, provavelmente as 200 mil serão alcançadas em um tempo bem menor do que eu esperava em 14 de maio de 2009.

Claro que esses números não são nada se comparados com blogs ligados à “grande mídia”. Mas para um blog pessoal (mesmo que não tratando de temas exatamente pessoais), até que não é tão pouco.

Sem contar que o fato de vez que outra ter de apagar comentários de trolls indica que eu incomodo algumas pessoas com o que eu publico aqui… Digo mais: sempre que um carinha desses aparece por aqui com xingamentos, apenas me motiva a escrever ainda mais. Assim, por conta disso, quero deixar publicamente registrado meu agradecimento a tais figurinhas.

Mas agradeço ainda mais aos leitores que não aparecem por aqui para xingar – ou seja, a maioria. São aqueles que gostam de ler o que escrevo aqui, às vezes comentam, elogiam e também criticam (ninguém é obrigado a concordar com nenhuma ideia, e não esqueçamos que para formarmos nossa opinião e fundamentá-la bem é preciso saber o que pensam e argumentam os outros, nem que seja apenas para discordar).

Afinal, o que seria do Cão se não fossem vocês, leitores?

Mas que bela democracia!

Parece mentira, mas não é: na França, um jornalista foi preso por ter liberado um comentário.

Acusado de difamação, Vittorio de Filippis foi preso diante dos filhos pelo crime de ter permitido a publicação de um comentário na página do jornal Libération em 2006, que contrariou os interesses de um empresário que enfrentava problemas com a justiça francesa.

Essa é a democracia defendida pelos liberais de plantão. Basta ter dinheiro para pagar um bom advogado e processar seus adversários.

Leia mais aqui.

26 de novembro

Há três anos, em 26 de novembro de 2005, aconteceu a Batalha dos Aflitos. O Grêmio, com apenas sete jogadores em campo, venceu o Náutico (que tinha três homens a mais, além da torcida a favor) e o árbitro Djalma Beltrami. 1 a 0, golaço de Andershow, após o goleiro Galatto defender um pênalti roubado. Vitória inacreditável, depois de parecer que tudo estava perdido*. Logo após aquela jornada memorável, meu amigo Diego, que viu o jogo em minha casa, disse: “O Grêmio hoje me deu não uma, mas duas lições de vida. Primeiro, que tudo é difícil. Segundo, que nada é impossível!”.

Três anos depois daquele dia, o Cão Uivador acaba de chegar à marca dos mil comentários. E o autor do milésimo, em um 26 de novembro, só podia ser gremista, né? Foi o Jorge Vieira (leitor assíduo do Cão desde o ano passado), em resposta aos comentários do colorado Jorge Nogueira à postagem de segunda-feira.

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* Como hoje é 26 de novembro, dia do inacreditável, não custa nada lembrar que o Fluminense ainda não está livre do rebaixamento, e pode atrapalhar a vida do São Paulo… E o Goiás não tem nada que entregar o jogo na última rodada: se o Inter entregou ano passado, azar é dele.