Reportagem sobre a repressão guasca

O vídeo abaixo foi produzido pelo Coletivo Catarse. Trata da repressão promovida pelo (des)governo Yeda aos movimentos sociais no Rio Grande do Sul.

Vale a pena ressaltar que o Coletivo Catarse, mesmo sendo simpático ao MST (assim como o Cão), também deu espaço ao comandante da Brigada Militar, o coronel Mendes. Já a mídia dita “imparcial” (RBS & cia.) sempre mostrou apenas o lado da repressão.

Abaixo, a versão resumida apresentada pela TV Brasil.

De saco cheio

Nos últimos dias, têm acontecido muitas coisas que me deixaram extremamente frustrado, e com vontade de, assim como o Hélio Paz, me mandar do Rio Grande do Sul – apesar do tempo frio, que tanto aprecio. Afinal, antes eu vivia na capital de um Estado que era símbolo de esperança. Hoje, é um reduto ultra-reacionário.

E também dá vontade, às vezes, de mandar tudo às favas. Me esforço para divulgar o blog, coloco o link dele como assinatura dos meus e-mails, de modo a fazer mais gente lê-lo e ter acesso não só à minha opinião, como também às de outros blogueiros (os links que coloco na barra lateral e também nas postagens não são decorativos). Pontos de vista diferentes dos apresentados nos jornalecos e programas-lixo da mídia corporativa.

Porém, o que vemos entre os gaúchos, além de muito reacionarismo? Quarta-feira passada, dia 11, tivemos o episódio da violenta repressão da Brigada Militar à manifestação da Via Campesina. Nas pesquisas promovidas pela mí(r)dia, amplo respaldo à ação da BM – apesar da grotesca manipulação da TVCOM. E temos sinais de que a política de criminalização de movimentos sociais continuará enquanto o Rio Grande do Sul for governado por esta gente.

E no domingo passado, mais um episódio da midiotização da sociedade gaúcha. Eu pretendia encontrar uma turma de amigos na Redenção, mas o vento gelado fez com que o chimarrão fosse tomado dentro da casa de um deles. Depois de assistirmos ao vexame da seleção e jogarmos Winning Eleven, continuamos a tomar chimarrão, mas a televisão continuou ligada. E então mostrou, nas imagens da semana, a repressão da BM à Via Campesina. E então o anfitrião, advogado, disse: “tem mais é que dar pau nessa gente”.

Não pude ficar calado e disse: “não é bem assim não, a ditadura já acabou, não tem que haver uma repressão dessas”. Ele disse então que os manifestantes haviam “atacado a BM”, então lembrei: “se eu estivesse num protesto e a BM começasse a bater sem mais nem menos, tu acha que eu ia aceitar apanhar calado, sem reagir?”. E a resposta dele: “cara, não vai em protesto”.

Como o Hélio disse mais de uma vez no Palanque do Blackão, de nada adianta escrever apenas para as pessoas que pensam da mesma forma que eu, que têm as mesmas idéias que eu. É preciso fazer com que os blogs de esquerda sejam lidos além da esquerda. Porém, a impressão que tive com o episódio de domingo é de que escrevo para as paredes.

É difícil convencer a “classe mé(r)dia papagaia de todo telejornal” de que não se pode ver o que a televisão mostra como “verdade absoluta”. É difícil mudar a opinião de quem não faz esforço algum para mudar. Faz com que quase se perca a esperança.

Mas ai, vou ao Vi o Mundo e leio o texto que o Azenha publicou na seção “Você escreve” (onde quem tem a palavra é o leitor), sobre um pai que cancelou a assinatura da revista Veja. Assisto ao documentário produzido pelo Coletivo Catarse, dos blogueiros Guga Türck e Têmis Nicolaidis do Alma da Geral, sobre o acampamento do MST em Coqueiros do Sul – despejado pela BM no amanhecer gelado da última terça-feira. Descubro que há um blog, produzido por um estudante de Direito da UFRGS (em geral os estudantes de Direito têm o estereótipo de serem conformistas) cientista social formado pela UFRGS que é crítico à administração de José Fogaça em Porto Alegre. E percebo que ainda há muita gente disposta a mudar as coisas.

Não seguirei a recomendação do meu amigo que recomendou que eu não fosse a protestos. Passarei na Praça da Matriz no começo da tarde, para dar uma vaiadinha na Yeda.

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Atualização: a mais nova frustração é que a manifestação contra a Yeda foi pela manhã, e eu jurava que era à tarde…