A crise não acabou

Texto de Tiago Lethbridge publicado no Vi o Mundo, sobre o colapso da economia dos Estados Unidos que está por vir:

Poucos economistas ficam à vontade com o rótulo de Doctor Doom, ou Doutor Apocalipse. O apelido, no entanto, é recorrente — cada crise tem seu arauto do Juízo Final. Mas as crises passam, e ninguém quer ficar eternamente associado ao pessimismo. Mesmo o economista Nouriel Roubini, que se tornou uma celebridade ao prever que a crise imobiliária traria o caos ao sistema financeiro mundial, andou rejeitando a ideia. “Eu não sou o Doutor Apocalipse”, disse ele recentemente. “Sou o Doutor Realista.” Com o investidor suíço Marc Faber, porém, a coisa é diferente. Aos 63 anos, ele é um pessimista convicto e sem reservas. Seu influente relatório é intitulado GloomBoomDoom, e sua página na internet é ilustrada pelas caveiras da série de pinturas A Dança da Morte, de Kaspar Meglinger. Nas últimas décadas, Faber ficou famoso por fazer previsões apocalípticas em meio a períodos de euforia coletiva, acertando na mosca em alguns casos (ele recomendou a venda de ações uma semana antes do crash de 1987, por exemplo). Hoje, não é diferente. Apesar da retomada da economia americana no terceiro trimestre e da impressionante valorização das bolsas do mundo inteiro, Faber prevê um colapso para os próximos anos. Em entrevista a EXAME, ele afirma que a conjugação de juro quase zero com déficits fiscais recordes nos Estados Unidos criará uma bolha maior que a anterior, com efeitos ainda mais nocivos.

Para ler na íntegra, clique aqui.

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Ainda querem que Porto Alegre vire Dubai?

Mês passado, quando eu viajava ao litoral gaúcho, vi uma placa anunciando um condomínio fechado (que aos poucos vão tomar conta das praias) cujo nome era “Dubai”. A página do empreendimento não podia ser mais significativa: “Eu quero Dubai”.

Em outubro de 2008, a Cristina Rodrigues publicou em seu blog Interpretando um post com o título “A mentalidade Dubai”, que vale muito a pena ser lido (faça isso clicando aqui). O texto faz uma comparação entre Dubai, com obras faraônicas como um prédio com a altura absurda de mais de 800 metros (para ter uma idéia, isso é mais alto que o Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro), e Porto Alegre, onde muitas pessoas são fascinadas pelo modelo de Dubai.

O fascínio obviamente se deve à idéia de que aquilo é “progresso”. Em menos de 50 anos, Dubai deixou de ser apenas um pequeno emirado para se tornar uma metrópole, a maior dos Emirados Árabes Unidos. Pouco importa que o idioma árabe venha sendo deixado de lado e substituído pelo inglês – devido aos negócios – e que cada vez menos as pessoas se conheçam mesmo que vivam próximas (qualquer semelhança com Porto Alegre é mera coincidência?).

Pois é… Mas veio a crise, e Dubai não ficou imune à ela. O colapso econômico gera desemprego e protestos, como se vê no vídeo abaixo.