Veta, Dilma!

Já faz três dias, mas não custa nada ver de novo. Aliás, se alguma mulher estiver a fim de me fazer passar horas escrevendo poemas de amor, um dos primeiros passos é clamar como a Camila: VETA, DILMA!

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A direita está vencendo

Terça, foi a aprovação das alterações no Código Florestal, favorecendo aos ruralistas (e com votos da maior parte da base aliada do governo). Ontem foi a vez da suspensão, por parte da presidenta Dilma Rousseff, da distribuição do kit anti-homofobia nas escolas, agradando à “bancada religiosa” e (pasmem!) a Jair Bolsonaro, que tantas vezes chamou Dilma de “terrorista”.

São dois dias consecutivos de vitórias do que há de mais atrasado no país. E no caso desta quarta, ainda representou um golpe contra a laicidade do Estado brasileiro.

Sem contar que é uma politicagem de dar ânsia de vômito. A suspensão do kit se deveu à ameaça, por parte da “bancada religiosa”, de colaborar com a convocação do ministro Antonio Palocci para dar explicações sobre seu enriquecimento (a versão oficial, claro, não é essa, e sim, de que “tem de ser mais discutido”). Agora, como a decisão do governo agradou, os caras deixam Palocci em paz…

E aí periga vir algum governista fanático me acusar de fazer o “jogo da direita” por criticar Dilma. Ora, se a decisão do governo agradou a um ultra-reacionário como Bolsonaro, só me restará desenhar, para ver se eles entendem.

Perguntas que não querem calar

Charge do Eugênio Neves

Se a aprovação das alterações no Código Florestal era tão importante para o agronegócio no Brasil, por que motivos ele vinha tendo desempenho tão destacado nos últimos tempos? Será que tudo que li sobre isso era mentira?

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Toda a discussão sobre o Código Florestal me fez lembrar de um texto do Luis Fernando Verissimo, publicado em meados de 2003, sobre a liberação dos transgênicos. Dizia ele que, na dúvida sobre ser a favor ou contra (por não ter opinião totalmente formada), escolheria o lado mais simpático – e que, desta forma, era “anti-transgênico desde criancinha”.

O mesmo vale para mim nessa questão do Código Florestal (embora eu não tenha muitas dúvidas). O que eu sei sobre ele, é de deixar os cabelos em pé: redução de APPs, não-obrigatoriedade da manutenção de reserva legal em propriedades rurais… Pelo visto “esquecem” que a maioria das tragédias causadas pelas chuvas no Brasil poderia ter sido evitadas se tais áreas não fossem devastadas. Além de outros absurdos, que o leitor pode conferir aqui e aqui.

E quando vejo os “ruralistas” fazendo pressão pela aprovação da proposta do “comunista” Aldo Rebelo para as alterações no Código Florestal (assim como fizeram pela liberação dos trangênicos), penso que coisa boa não pode ser. Nunca vi com simpatia essa turma – que se preocupa mais com seus lucros do que com as gerações futuras – e não seria agora que mudaria de ideia. Sou contra “desde criancinha”.